Capítulo 2 Revisão de Literatura – Conceitos Básicos
3.1. História da Motocicleta
3.3.1. Capacetes e Ruído
Neste tópico pretende-se ressaltar estudos feitos com capacetes a exposição dos motociclistas ao ruído, nos últimos anos. Henderson (1994 apud MCKnight) indicou que a vibração do motor e do vento na motocicleta produz um ruído "mascarante" e que algum sinal sonoro, para ser ouvido, teria que ser mais alto do que o nível deste ruído, então, sugeriu que todo o sinal sonoro ouvido sem o capacete deve ser ouvido com o capacete também, consequentemente este não interferiria na audição de carros, buzinas e sinais no trânsito.
Moorhem et al (1977 apud MCKnight) e Aldman et al (1983 apud MCKnight) colocando microfones nas orelhas dos motociclistas mediram o ruído gerado quando dirigiam uma motocicleta e sugeriram que o não uso do capacete pode facilitar ouvir de sinais de alerta. Contrariamente, MCKnight e MCKnight (1994) mediram a pressão sonora na orelha de diversos pilotos e concluíram que os capacetes podem fornecer a proteção necessária aos danos auditivos causados pelo ruído.
Os autores Purswell e Dorris (1977 apud MCknight), usaram dois sons diferentes para verificar a percepção sonora dos motociclistas, com a motocicleta parada: a buzina de um
carro e uma sirene. Utilizou seis indivíduos que executaram o teste três vezes, uma sem capacete, outra com capacete aberto e a terceira com o capacete fechado. Os testes foram feitos em laboratório e ao ar livre. Em ambos os casos, perceberam-se que o uso do capacete teve impacto na percepção sonora, mas não levou em conta o fato de não haver o ruído do vento.
Já Moorhem et al. (1977 apud MCknight) e Aldman et al. (1983 apud MCknight), concluem que a turbulência do ar tem grande influência do ruído percebido pelo motociclista, especialmente em altas velocidades e que o uso do capacete pode auxiliar na redução deste ruído. Saunders (1991) estudou diferenças entre o ruído do vento que pode alcançar as orelhas dos pilotos, ao usar diferentes tipos de capacetes. Estes estudos foram conduzidos em motocicleta movendo em duas velocidades. Em resumo, nenhuma das pesquisas acima citadas mediu a audição dos motociclistas e comparou com e sem os capacetes, em situação real da motocicleta.
MCknight e MCknight (1994), em pesquisa sobre os efeitos dos capacetes de motociclistas na audição e na visão, avaliaram 50 motociclistas com suas próprias motocicletas. Nesta pesquisa, os pilotos, sem capacetes, com o capacete aberto e com o capacete fechado, deveriam mudar de pista ao ouvirem um determinado sinal sonoro. O autor registrava o NPS que o motorista percebia o sinal e mudava de pista, denominando este momento de ponto inicial da audição. Não foi observada nenhuma alteração significativa no ponto inicial de audição nas três condições do capacete. A parte referente à visão foi verificada durante a rotação de cabeça na mudança de pista, observando-se uma grande variação de giro de cabeça conforme o posicionamento do capacete. Os autores sugerem neste estudo que a interferência na visão e na audição dos usuários de capacetes nas condições estudadas é pequena para comprometer a segurança dos motociclistas. Terminados os testes, os indivíduos receberam um questionário que solicitava opinião sobre as dificuldades e perigos relativos ao ver e ouvir durante o uso do capacete; a finalidade destas perguntas era avaliar a relação do parecer dos motociclistas com os achados do estudo.
Para avaliar a exposição ao ruído pelos motociclistas, pesquisadores do mundo inteiro usam técnicas similares, tais como: um mini microfone é colocado na orelha do motociclista sob o capacete e os níveis sonoros são medidos em várias condições de condução da moto. Os estudos de Mc Combe (2002), com os motociclistas da polícia holandesa, mostram o ruído elevado do vento em torno do capacete, variando de acordo com a velocidade, podendo ser de 60 km/h, 90 dB (A) e chegando a 110 dB (A), quando a velocidade alcança 160 km/h. O
mesmo pesquisador mediu a atenuação sonora dos capacetes de acordo com vários modelos e materiais. Capacetes modernos oferecem baixa atenuação de frequências baixas, evidenciando um fenômeno de ressonância em 250 Hertz, com energia máxima em torno de 250 e 500 Hz. Uma crítica levantada nesta pesquisa é que existem poucos estudos referentes às perdas auditivas de motociclistas.
Em dois estudos referidos por Mc Combe (2002), mas sem citar autoria, verificou-se que foi encontrada perda auditiva em motociclistas. Um destes apontou perda auditiva em altas frequências, o segundo pesquisou 169 motociclistas com escala entre 26 e 49 anos, entretanto, desconsideraram qualquer outro fator de exposição ao ruído, mas consideraram perdas auditivas nos indivíduos pesquisados. Um fator interessante encontrado, é que após uma hora de exposição à alta velocidade, foram evidentes queixas de tinnitus e após períodos longos em alta velocidade, os motociclistas relatam geralmente outras queixas, tais como a fadiga, dores de cabeça e mesmo desequilíbrio. Segundo Mc Combe (2002), a polícia holandesa tentou melhorar a proteção auditiva dos motociclistas, não pelas queixas auditivas, mas pelos efeitos diversos citados, porém depois de investigar vários capacetes, resultou em uma redução de ruído aproximada de 6 dB nos diferentes modelos. O pesquisador deixa claro que o ruído do rádio, usado para comunicação entre policiais, também é um forte agressor ao aparelho auditivo dos motociclistas.
Pesquisadores americanos fizeram modificações externas em capacetes, visando melhorias aerodinâmicas, selos em torno da viseira e selos em torno da garganta; e a melhora na atenuação foi de aproximadamente 5 dB. Um grupo sueco conseguiu uma atenuação melhor, aproximadamente 10dB, colocando protetores tipo concha sob os capacetes. Apesar de diversas tentativas, concluiu-se que nas cidades, a única forma de proteção possível é o uso do capacete combinado com o plugue enquanto não são realizadas melhorias no design dos capacetes. (MC Combe, 2002).