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CAPÍTULO VI – Apresentação e Analise dos Dados

Tema 2 Capacidade de auto regulação e de melhoria

Não podemos deixar de referir os desafios com que o Agrupamento se depara e que condicionam o trabalho que lá se desenvolve. Elegemos dois indicadores que são: Desafios

Internos do Agrupamento e os Desafios Externos do Agrupamento. O indicador Desafios Internos do Agrupamento foi desdobrado em sub indicadores: heterogeneidade dos alunos,

Desinteresse dos pais /Desinteresse dos alunos, disciplina e comportamento cívico.

Indicador – Desafios Internos do Agrupamento

Os desafios internos do Agrupamento prendem-se com factores que podem ser mais controlados e solucionados pelas escolas, embora alguns deles estejam dependentes dos desafios externos.

Sub Indicador – Heterogeneidade dos alunos

Os entrevistados neste sub indicador elegem o currículo como reforço na heterogeneidade dos alunos. Salientam que os currículos deviam ser reajustado ao espaço físico da escola e à região do país. Reforçam que no Currículo não formal os alunos empenham-se mais, são mais interventivos e mais participativos nas actividades que são eles a ditar as regras do jogo, “tendem a não gostar de nada imposto”.

Finalmente, alguns entrevistados docentes apontam, ainda, diferenças que resultam das dificuldades de aprendizagem dos alunos como é bem patente nas seguintes palavras:

“os alunos pudessem aprender no seu ritmo individual, em que ele fossem apoiados nas suas dificuldades, para isso, tinha que estar inserido em turmas com nº reduzido de alunos, com um acompanhamento individualizado respeitando as suas especificidades”(E10).

Sub Indicador – Desinteresse dos pais /Desinteresse dos alunos

Os participantes apresentam dois tipos de respostas conforme o olhar de cada grupo.

Os Não Docentes

“Ele está lá, Mas não chega aos pais de maneira nenhuma, chega a mim. Até porque eles não fazem parte do processo. 90% dos pais não tem conhecimento que existe avaliação interna. Lá está: é preciso trazê-los, 1.º deixá-los emitir opinião e eles vão começar a participar e vão ver que é uma escola que trabalha, também muitos não sabem” (E8).

Os Docentes

“A associação de pais poderá também ter um papel decisivo, se conseguir envolver a maioria dos EE, o que me parece ser uma tarefa titânica e talvez utópica…Haverá sempre pais /EE que se interessam pela vida escolar dos seus filhos…mas, a verdade é que primeiro, os pais têm que se interessar pela vida não escolar dos filhos. A maior parte dos pais está sempre demasiado ocupada para conversar com os filhos, eles esperam que os filhos compreendam que, se não passam mais tempo juntos, é por que, eles estão a pensar no futuro deles… mas o futuro é já amanhã! Não será tempo de se pensar no que poderiam ganhar estes miúdos se os abraçassem quando eles metem um golo, se lhes dissessem que gostam deles e que têm orgulho neles? Não será que eles, em vez do telemóvel, da Play station, não beneficiariam tanto da presença dos pais, de um abraço, de um olhar de incentivo (ou não). Na minha opinião, é aqui

que reside o principal problema da falta de sucesso… a falta de tempo dos pais para a função de pais e a revolta (silenciosa) dos filhos por serem órfãos de pais vivos e tão preocupados com os filhos que se esquecem de ter tempo para os amar…” (E19);

“Podia ser melhor; a maior parte não responde, nem participa” (E10)”;

“ […]refiro-me em termos da qualidade de trabalho, na organização dos espaços, sabemos que a escola está super lotada, penso que não estamos a conseguir motivar ainda os alunos para as actividades que os prendam à escola” (E10).

No entanto, alguns não docentes apresentam uma visão menos integradora e complementar da escola, embora não se possa falar numa concepção estrita e estanque dos Encarregados de Educação. Os docentes conferem, contudo, maior importância ao apoio dos encarregados de Educação.

Sub Indicador – Disciplina e comportamento cívico

Alguns docentes consideram que a disciplina e o comportamento dos alunos é uma das condicionantes para o sucesso educativo. Ouvimos, em reuniões de Conselho de Turma, comentários de colegas dizendo:

“o insucesso e a indisciplina andam de braço dado, o que fazer para combater essa praga? Só com o apoio dos pais e com iniciativas de formação”.

Os nossos entrevistados docentes referem:

“Acredito que ser professor, hoje em dia é travar uma luta diária com as inúmeras condicionantes que afastam os alunos e professores das escolas e da vontade de aprender / ensinar. Penso que será inegável que a crescente perda de autoridade por parte dos professores e o facilitismo a que o nosso sistema escolar foi votado, têm comprometido largamente o objectivo principal das escolas – formar indivíduos para serem bons cidadãos, tendo em vista a obtenção de sucesso” (E19);

“Concordo plenamente. A escola está cada vez menos ligada aos professores e à promoção de um ensino de qualidade, mas ao invés está cada vez mais conectada a outras entidades com múltiplos interesses, promovendo-se a quantidade de sucesso e não a qualidade do sucesso” (E18).

“A apresentação pública, acho que era importante, juntar os actores e fazer essa apresentação pública. Nós temos uma tendência que é viver em filos, quer dizer, os professores vivem para (…), os pais para outros, os planeadores da cidades outros, os políticos outros, os criadores outros e não temos muito o hábito de juntar diferentes actores, com diferentes funções, com diferentes profissões, e, portanto, diferentes perspectivas na mesma acção. Eventualmente, uma apresentação pública seria interessante, pública no sentido de juntar esses diferentes intervenientes, e promover essa discussão, porque vai cimentar a relação entre os diferentes actores que intervêm na escola e vai reforçar o sentimento de pertença à escola - visão da escola que é de todos e é nossa. É uma estratégia para reforçar a escola, a escola no sentido lato, todo agrupamento. E a utilização deste documento como instrumento e não como um fim em si” (E16)

Indicador – Desafios Externos do Agrupamento

O indicador Desafios externos do Agrupamento foi, também ele, desdobrado em sub indicadores: Número de alunos por turma, Currículo nacional/Cumprimento dos programas, Falta de autonomia dos docentes

Sub Indicador – Currículo nacional/Cumprimento dos programas

Neste sub indicador, verificamos que a maioria dos participantes entrevistados concorda com a existência da Avaliação externa “Exame Nacional do 9.º ano nas disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa e provas de aferição de 4º e 6º ano”, havendo, contudo, algumas opiniões que vão no sentido da discordância:

“provas de aferição, exames, não sei quê, servem realmente para avaliar se o professor está a ensinar bem ou mal. É isso que eles querem, pronto, não quer dizer que seja o ideal, porque não é nesse exame assim, de um ano que se vai avaliar o trabalho do professor, nem do aluno mas…” (E3).

Sub Indicador – Falta de autonomia dos docentes

Quando confrontados os entrevistados com a questão: “Que autonomia têm os professores para fazer valer a sua avaliação interna”?, verificamos que as respostas divergem:

Os Docentes

“Não sei, mas provavelmente pouca tendo em conta que as escolas estão cada vez mais associadas ao poder político e não aos professores “(E18);

“Enquanto agentes intervenientes do processo educativo devem fazer valer a sua opinião, tendo sempre em vista a melhoria do processo ensino-aprendizagem” (E9);

“Muito pouca” (E7).

Os Discentes

“Os professores propõem, mas tudo depende do Ministério da Educação e dos Órgãos de Gestão da escola, assim os professores não têm grande autonomia” (E12).

Os professores sentem que o excessivo número reuniões ocupa muito tempo e retira disponibilidade para a preparação das actividades lectivas e para o trabalho em equipa. Sentimentos de cansaço e a existência de maiores dificuldades na planificação, implementação e avaliação das actividades também foram referidos.

“Considero que o peso maior da avaliação deveria estar nas mãos dos professores, pois são eles que estão no terreno, são eles que conhecem os alunos e os outros professores e os funcionários e os directores e os pais e as políticas educativas e as condicionantes físicas da escola. Eles sabem o que poderia ter sido feito e não foi… eles sabem o que foi feito… apesar de não haver condições para tal, nem apoio”(E23).

Tivemos a oportunidade de verificar a partir dos dados recolhidos que, quando postos a “falar”, nem todos os actores por nós entrevistados têm o mesmo entendimento, ou sustentam o mesmo sentido, acerca da Avaliação Interna e o papel dos diversos actores educativos intervenientes no processo de avaliação interna.

Consideramos que os professores estão mais preparados, a nível científico e pedagógico, para participar neste processo, evidenciando, contudo, algum desconhecimento. O desconhecimento generalizado dos outros actores educativos não pode ser desculpado pela falta de divulgação.

A primeira conclusão a que chegamos é que a falta de divulgação prende-se, simplesmente, ao facto de a avaliação interna ainda estar apenas na mão de professores.

É necessário que também os alunos (eventualmente através de um representante da Associação de Estudantes, o que urge criar no agrupamento), os encarregados de educação e representantes da autarquia sejam parte integrante da equipa de avaliação interna. Se assim for, obviar-se-á a muitos dos obstáculos que têm cingido os resultados da avaliação interna apenas à esfera docente. O envolvimento destes novos parceiros neste processo de avaliação proporcionará, no nosso entender, o espoletar de uma dinâmica que terá como efeito principal um maior compromisso destes actores educativos na resolução dos problemas do agrupamento, tomando conhecimento, por dentro, das contingências que enquadram a vida escolar, ao mesmo tempo que tais representantes serviriam de ponte entre o grupo educativo a que pertencem e o núcleo funcional do Agrupamento, onde se concentra todo o processo reflexivo que deverá servir de referência para qualquer tomada de decisões.