1. Temperatura da água
2.3 Capacidade de suporte em tanques-rede
Capacidade de suporte é o termo utilizado para definir a máxima biomassa sustentável dentro de uma unidade de cultivo.
Quando a capacidade de suporte é atingida o ganho de peso ou de biomassa da população estocada é zero, ou seja, os peixes param de crescer. Na capacidade de suporte, algum fator limitara restringe a continuidade da produção. Na piscicultura em tanques-rede, como em qualquer outra modalidade de piscicultura intensiva, a concentração de oxigênio dissolvido na água é o primeiro, fator limitante ao aumento de produção nas unidades de cultivo.
No cultivo de peixes em tanques-rede, a capacidade de suporte, expressa em quilos de peixe por metro cúbico (kg/m3) em geral, está relacionada de maneira inversa ao volume (tamanho) das unidades de
produção. Os tanques-rede de PVAD permitem alcançar uma maior capacidade de suporte comparados aos tanques de GVBD. A principal razão disso é a maior taxa de renovação de água, e conseqüentemente maior aporte de oxigênio, em tanques de pequeno volume.
São apresentadas estimativas da capacidade de suporte de tilápias em tanques-rede de 4m3, 25m3 e 100m3, com base na disponibilidade de oxigênio, onde a troca é promovida através de correntes de água com diferentes velocidades. Os cálculos foram feitos a partir das seguintes suposições:
- Consumo de 02 das tilápias: 300g de O2/tonelada/hora - O2 dissolvido na água que entra no tanque-rede = 7mg/L - O2 na água que deixa o tanque-rede = 3mg/L
- O2 disponível para consumo =7-3=4 mg/L ou 4g/m3.
No entanto, os peixes estocados nos tanques-rede não podem depender da existência de correntes naturais de água para garantir seu suprimento em oxigênio. De fato, muitas vezes não há correntes em represas e açudes, bem como nas baías de grandes reservatórios.
Sendo assim, qual seria a explicação para as produções bem sucedidas de peixes em tanques-rede sob alta densidade em locais onde não há correntes?
O deslocamento de água promovido no interior dos tanques-rede pela natação dos peixes é responsável pela troca de água e a reoxigenação do interior dos tanques-rede. Desta forma, quanto menor for a massa de água contida no interior dos tanques-rede, em relação à biomassa de peixes estocada, mais facilmente ocorre a renovação da água nos tanques-rede. Em tanques-rede de grande volume, a distância do centro às laterais é maior, comparado aos tanques-rede de pequeno volume. Isto faz com que os peixes consigam deslocar apenas parte da massa de água da região central para fora dos tanques-rede, não realizando, portanto, uma renovação e oxigenação tão eficaz.
Apesar das inúmeras vantagens observadas com o uso de tanques-rede de pequeno volume e alta densidade, estes não são aplicáveis ao cultivo de todas as espécies de peixes tampouco são recomendados para determinados tipos de ambientes. Sendo assim, alguns aspectos importantes devem ser considerados na escolha deste sistema, como exemplo:
a) Alguns peixes, principalmente aqueles de hábito pelágico, que exercem grande atividade natatória e/ou são comercializados com grande porte não se adaptam a tanques-rede de pequenas dimensões.
Salmões e atuns são exemplos de peixes que são cultivados em
tanques-rede de grandes volumes, freqüentemente acima de 1.000m3. O pirarucu é uma espécie comercializada com grande porte e também não se adapta em tanques-rede de pequeno volume nas fases avançadas do cultivo;
b) No planejamento de empreendimentos visando uma grande escala de produção deve ser feita uma análise detalhada das vantagens do uso de tanques de pequeno volume, pois, a necessidade de trabalhar com um número muito grande de unidades de produção demanda um maior gasto operacional com a alimentação, movimentação e colheita dos peixes;
c) Em ambientes pouco protegidos, onde ventos intensos ocorrem com freqüência, o uso de tanques-rede de pequeno volume é pouco vantajoso porque a alimentação que normalmente é feita com auxílio de barcos fica prejudicada ou até mesmo impedida devido à formação de ondas;
SISTEMA DE CULTIVO
O cultivo de peixes em tanques-rede na forma mais comumente empregada é um sistema de produção intensivo no qual os peixes são confinados sob altas densidades, dentro de estruturas que permitam grande troca de água com o ambiente e onde os peixes recebem ração nutricionalmente completa e balanceada. Algumas exceções a esse padrão podem ser vistas em cultivos onde peixes de hábito alimentar filtrador (ex. carpa cabeça grande, Hypophthalmichthys nobilis, e carpa prateada, H. molitrix) são confinados em tanques-rede para se alimentar apenas do plâncton presente na água. Sendo assim, as discussões apresentadas ao longo desta publicação serão referentes ao modelo intensivo de produção.
A produção de uma grande biomassa de peixes por unidade de volume (30 a 250 kg/m3) é possível neste sistema devido à alta taxa de renovação de água dentro das unidades, que supre a demanda de oxigênio dos peixes e remove os dejetos e metabolitos produzidos. Além da qualidade do ambiente aquático onde estão instalados os tanques-rede, o desempenho do cultivo depende da qualidade dos insumos (alevinos e ração), das técnicas de manejo da produção e, sobretudo, da dedicação e capacidade técnica e gerencial do produtor.
Entre as diversas características da produção de peixes em tanques-rede, vale destacar:
a) O aproveitamento de ambientes aquáticos existentes, dispensando o desmatamento de grandes áreas e a movimentação de terra, evitando problemas de erosão e assoreamento de rios e lagos;
b) O baixo conflito pela ocupação da terra e pelo uso dos recursos hídricos;
c) O reduzido custo de implantação e a rápida montagem da infra-estrutura de produção, quando comparado ao sistema tradicional de viveiros escavados e barragens;
d) A possibilidade de uma rápida expansão na capacidade de produção, de forma a atender o aumento na demanda do mercado;
e) A mobilidade do sistema de produção, podendo ser deslocado para outros locais, conforme a necessidade;
f) O controle facilitado dos estoques de peixes e das colheitas;
g) A maior proteção contra predadores naturais (aves, répteis, mamíferos e outros peixes);
h) A alta afinidade com a cultura dos pescadores, apresentando em comum o peixe e o ambiente aquático como parte de seu cotidiano, tornando-se assim uma atividade econômica alternativa em regiões onde a pesca está em declínio;
i) A obtenção de um produto diferenciado, com baixa incidência e intensidade de problemas com o mau sabor ou "off-flavor" no pescado.
Em linhas gerais, o processo de planejamento e implantação da produção de peixes em tanques-rede deve ser iniciado pelo estudo das vias de comercialização e das formas de apresentação final demandada (peixe vivo ou abatido, inteiro ou em filés, tamanho do peixe preferido, etc), para que então possa ser definida a espécie a ser cultivada. De posse dessas informações, complementadas com os preços de venda, os custos dos principais insumos e dos demais custos de produção, além do montante de capital necessário para investimento fixo e custeio, deve se elaborar um projeto de investimento para o empreendimento, para verificar a sua viabilidade econômica. Paralelamente ao estudo econômico, é recomendado que seja feito um estudo sobre os locais disponíveis para a implantação dos tanques-rede, levantando se existem restrições legais à sua ocupação e verificando se as características ambientais atendem às necessidades da espécie e do regime de produção planejado. A escolha do local apropriado para a instalação das unidades de produção é fundamental, pois influencia diretamente os custos de produção e o risco do empreendimento. Adicionalmente, a correção da qualidade da água em grandes reservatórios e rios é impraticável. Portanto, o local escolhido deve apresentar condições ambientais adequadas para a espécie a ser cultivada.
PRODUÇÃO DE TILÁPIAS EM TANQUES-REDE
O cultivo de tilápias em tanques-rede ou gaiolas vem crescendo consideravelmente no Brasil e em diversos países onde existem grandes reservatórios. Algumas vantagens podem ser atribuídas ao uso de tanques-rede:
a) Menor investimento inicial para a implantação do empreendimento, quando comparado à construção de viveiros e raceways;
b) Possibilita o aproveitamento de recursos aquáticos já disponíveis (grandes reservatórios, açudes e rios), onde a piscicultura tradicional não seria possível;
c) Permite o cultivo de diferentes espécies em um mesmo corpo d'água, sem mistura dos estoques;
d) Assegura maior controle do estoque e melhor observação dos peixes do que o cultivo em viveiros;
e) Menor custo no tratamento de doenças comparado ao cultivo em viveiros;
f) Geralmente reduz a incidência de problemas com mau sabor ("off-flavor") nos peixes;
g) No cultivo de tilápias, elimina os problemas associados à reprodução excessiva e à dificuldade de despesca, freqüentemente encontrados em viveiros;
h) Pode ser uma excelente alternativa em áreas onde existem conflitos quanto ao uso da água.
As principais desvantagens do uso de tanques-rede são:
a) O acesso dos peixes ao alimento natural é limitado, demandando o uso de rações nutricionalmente completas e de custo mais elevado, onerando a produção;
b) Maior chance de ocorrência de problemas nutricionais e maior estresse, aumentando a ocorrência de doenças e a mortalidade dos peixes. No cultivo de tilápias, em particular, a pequena contribuição do alimento natural e os episódios de alta mortalidade aumentam o custo de produção em tanques-rede quando comparado ao cultivo em viveiros;
c) Facilidade para roubos e vandalismo;
d) Risco de fuga dos peixes por rompimento das redes e telas.
A disponibilidade e o acesso das tilápias ao alimento natural são produzidos no cultivo em tanques-rede. Isto aumenta a dependência do crescimento e saúde dosa peixes no uso de rações completas. No entanto, quando os tanques-rede estão posicionados em viveiros ou açudes eutrofizados, as tilápias são capazes de aproveitar o plâncton como alimento. Armbrester (1972) observou que as tilápias mantidas em gaiolas e sem alimentação, porém em viveiros fertilizados, atingiram
peso equivalente a 38 a 70% do peso alcançado por tilápias alimentadas com ração completa, dependendo da abundância de plâncton nos viveiros.
No cultivo de tilápias em tanques-rede a produção por ciclo pode variar de 30 a 300kg/m3, dependendo principalmente do tamanho do tanque-rede utilizado. Por exemplo, tanques-rede de baixo volume (até 6m3) permitem produzir 200 a 300kg de peixe/m3 por ciclo. Alguns recordes de produção foram estabelecidos em tanques-rede (gaiolas) de baixo volume/alta densidade. Na China 680 kg de carpas foram produzidos em gaiola de 1-m3 (Schmittou, comunicação pessoal). No Brasil, a biomassa de tilápias em gaiolas de 4-m3 pode chegar a 480kg/m3 (Ivantes, comunicação pessoal). Estes valores devem estar muito próximos à capacidade de suporte em tanques-rede de baixo volume. Em outro extremo estão os tanques-rede de maiores dimensões (acima de 10m3), nos quais a produção pode variar entre 30 a 100kg/m3. Esta diferença em produtividade se deve á maior taxa de renovação de água em tanques-rede de baixo volume comparado aos de grande volume, permitindo a manutenção de uma qualidade de água melhor no interior dos tanques-rede. O Dr. Holmer foi o idealizador do sistema de tanque-rede de baixo volume e alta densidade, hoje bastante popular no cultivo de tilápias em diversos países, notadamente na China e no Brasil.
Aplicação do conceito de capacidade de suporte ao cultivo de peixes em tanques-rede ou gaiolas. Os limites de capacidade de suporte e os níveis de arraçoamento estabelecidos para o cultivo em viveiros servem como referência para definir os limites de capacidade se suporte em represas com gaiolas. Não é possível que a biomassa de peixes, produzida nos tanques-rede ou gaiolas, exceda a capacidade de suporte dos viveiros e represas onde os mesmos foram instalados. Na realidade, a capacidade de suporte para cultivo em tanques-rede ou gaiolas tende a ser menor do que em viveiros, pois os peixes em confinamento têm sua movimentação restrita, o que os impede de explorar o alimento natural e de se dirigirem a áreas com maior disponibilidade de oxigênio em momentos de emergência. Boa parte dos peixes em confinamento não conseguem acesso à superfície em busca de uma água mais rica em oxigênio durante as condições de hipoxia (níveis reduzidos de oxigênio dissolvido) e podem morrer por asfixia. Por exemplo: um açude suporta 6.000kg de peixes/ha e um arraçoamento de até 60kg de ração/ha/dia quando os peixes são cultivados soltos. Se optarmos pelo cultivo em gaiolas, a biomassa de todos os peixes confinados não deveria exceder estes limites. Por segurança, a capacidade de suporte nos viveiros com gaiolas é considerada a um valor abaixo dos limites para peixes soltos. Para pequenos açudes e viveiros utilizados na
piscicultura em tanques-rede, é recomendável que a biomassa econômica seja mantida entre 2.500 a 3.500kg/ha quando a renovação de água for limitada. Os níveis de arraçoamento devem ser mantidos entre 30 a 40kg/ha/dia. No caso do uso integral de grandes reservatórios (reservatórios para geração de energia elétrica e regularização da vazão de rios), a biomassa de peixes confinada não deve ser maior do que 300kg/ha e os níveis de arraçoamento devem ser mantidos ao redor de 3 a 5kg/ha/dia.
ALIMENTAÇÃO
MANEJO E MONITORAMENTO
ALIMENTAÇÃO DOS PEIXES NOS TANQUES-REDE OU GAIOLAS
Os peixes confinados estão submetidos a uma condição única de adensamento, interação social intensa e não são capazes de buscar outras áreas de maior conforto em situações de inadequada qualidade da água. Os peixes confinados também apresentam acesso restrito ao alimento natural disponível no ambiente. Portanto, a ração utilizada no cultivo em tanques-rede deve ser nutricionalmente completa, suprindo todas as exigências em nutrientes dos peixes. Diante destes agentes causadores de estresse e da impossibilidade dos peixes em complementar sua dieta, a deficiência de um único nutriente na ração pode comprometer o crescimento e a conversão alimentar, ou mesmo a tolerância ao manuseio, ao transporte e a resistência às doenças e parasitoses, resultando em inadequado desempenho produtivo e alta mortalidade.
Inúmeros empreendimentos pioneiros em tanques-rede experimentaram baixos índices de desempenho e elevadas mortalidades devido ao uso de rações de baixa qualidade ou inadequadas para atender a demanda dos peixes confinados. O grande interesse e o crescimento das iniciativas de piscicultura em tanques-rede fizeram com que diversos fabricantes disponibilizassem rações nutricionalmente completas e adequadas ao cultivo de peixes em sistemas intensivos como os tanques-rede e "raceways". As exigências nutricionais de muitos peixes brasileiros cultivados em tanques-rede ainda são pouco conhecidas. No entanto, resultados satisfatórios têm sido alcançados com as rações disponíveis no mercado que têm suas fórmulas baseadas nas exigências nutricionais de outros peixes. Porém, para melhorar ainda mais os índices de produção, será necessário que as rações passem a ser formuladas especifica mente para atender as exigências de cada espécie, o que só será possível com a realização de mais trabalhos de pesquisa envolvendo as espécies nativas.
TIPOS DE RAÇÕES
As rações extrusadas flutuantes são as mais utilizadas em tanques-rede. Este tipo de ração, além de apresentar maior digestibilidade e aproveitamento pêlos peixes, facilita a observação do consumo, permitindo minimizar as perdas de ração e ajustar de forma mais precisa a taxa de alimentação.
Hoje poucos produtores utilizam rações peletizadas de alta densidade (e que afundam) no cultivo de peixes em tanques-rede. No entanto, há alguns anos, em função do menor custo e da não disponibilidade de rações extrusadas flutuantes, alguns produtores usavam rações peletizadas. Estas rações geralmente tinham baixa estabilidade na água e não possibilitavam uma boa visualização do consumo e das sobras. Adicionalmente, as rações peletizadas são menos digestíveis que as rações extrusadas flutuantes. Estas características negativas prejudicam o aproveitamento da ração, aumentando as chances de desperdício das rações, prejudicando consideravelmente o crescimento e a conversão alimentar dos peixes e aumentam o potencial poluentes da produção. Para reduzir estas perdas, os produtores lançam mão de uma alimentação mais restrita, o que acaba estimulando uma maior competição e acentua a diferença de tamanho entre peixes.
TAXA DE ALIMENTAÇÃO
A taxa de alimentação diária dos peixes (expressa em % do peso vivo) é definida em função da temperatura da água, da espécie e tamanho dos peixes e do tipo de ração utilizada. Nesse caso da ração flutuante, definir uma taxa de alimentação diária não é tão importante porque a resposta alimentar dos peixes pode ser observada e a ração é oferecida quase que à vontade, em níveis próximos ao consumo máximo dos peixes. No entanto, nas fases de recria e terminação é recomendável que o nível de alimentação seja restrito a 80-90% do máximo consumo de ração, de forma a obter melhor conversão alimentar e peixes com menor deposição de gordura visceral.
Com o uso da ração que afunda o manejo da alimentação é mais complexo, pois é difícil avaliar o consumo dos peixes e visualizar as sobras de ração. Neste caso, a taxa de alimentação é definida em função da espécie, do peso médio dos peixes e da temperatura da água.
Schmittou (1993) apresenta recomendações básicas quanto à taxa de alimentação para espécies como o bagre-do-canal ("catfish" americano), a carpa comum e tilápia nilótica cultivados em tanques-rede.
Schmittou, também recomenda os seguintes ajustes nas taxas de alimentação de acordo com a temperatura da água (medida a 50cm de profundidade):
a) Temperatura < 15°C: alimentar os peixes em dias alternados (3 dias na semana) na quantidade de 1% da biomassa em uma única refeição.
b) Temperatura entre 16 e 19°C: alimentar todos os dias, cerca de 60% da taxa de alimentação indicada na Tabela 13, oferecida em uma única refeição diária.
c) Temperatura entre 20 a 24°C: alimentar todos os dias, cerca de 80% da taxa de alimentação, oferecendo em 1 ou 2 refeições diárias.
d) Temperatura entre 25 a 29°C: alimentar todos os dias, de acordo com a taxa de alimentação e o número de refeições recomendado.
e) Temperatura entre 30 a 32°C: alimentar todos os dias cerca de 80% da taxa de alimentação, dividida no mesmo número de refeições indicado.
É importante lembrar que em regiões onde a temperatura da água atinge valores abaixo de 15°C, não é recomendado o cultivo das tilápias que raramente sobrevivem a temperaturas inferiores a 12°C.
Adicionalmente, o desempenho produtivo das tilápias é bastante prejudicado em temperaturas abaixo de 24°C.
Diversos fabricantes de rações também disponibilizam tabelas de alimentação com o uso dos seus produtos. No entanto, como a ração usada é flutuante, a observação do tratador é uma valiosa ferramenta no ajuste da quantidade de ração fornecida.
TÉCNICAS DE ALIMENTAÇÃO
Na alimentação dos peixes em tanques-rede com ração flutuante, o tratador deve, inicialmente, fornecer uma pequena quantidade de ração para avaliar a resposta dos peixes. Caso a resposta seja positiva, a alimentação normal deve ser realizada.
No caso do uso de rações peletizadas, calcula-se a quantidade de ração a ser fornecida em cada refeição com base no peso total dos peixes estocados e na expectativa de consumo e coloca-se a ração pouco a pouco no cocho de fundo a cada alimentação.
A quantidade de ração fornecida diariamente deve ser pesada, ou então estimada através de uma relação volume: peso, sempre utilizando a mesma medida (balde, jarra ou caneca) e conferindo, periodicamente, a relação volume/peso das rações, sobretudo quando houver mudança do lote de ração. O piscicultor deve manter um registro preciso da
quantidade de ração fornecida/consumida diariamente em cada tanque-rede. A resposta alimentar dos peixes é uma das principais ferramentas que o piscicultor dispõe para avaliar a condição geral do plantei. Peixes se alimentando vigorosamente indicam que o estado sanitário do plantei é adequado. Em geral, a redução no consumo de ração é um dos primeiros sinais indicativos de estresse devido à inadequada qualidade da água, deficiência nutricional ou início de problemas com parasitoses e doenças.
Em cada refeição os peixes devem ser alimentados com uma quantidade de ração capaz de ser consumida em cerca de 10 a 15 minutos. Alimentar os peixes até o último grão de ração que conseguem ingerir normalmente resulta em perda de eficiência produtiva e aumento no custo de produção. Assim, o fornecimento de ração deve ser ajustado para que os peixes consumam, diariamente, entre 80 e 90% da sua máxima capacidade de consumo de ração. Algumas das razões para não alimentar os peixes até o último pelete são apresentadas a seguir:
a) Gasto desnecessário de tempo na alimentação;
b) Maior chance de desperdício de ração;
c) Piora na conversão alimentar;
d) Maior impacto poluente do empreendimento;
e) Maior acúmulo de gordura visceral.
Em muitos empreendimentos é comum observar excessiva sobra de ração nos anéis de alimentação. A resposta mais comum quando se
Em muitos empreendimentos é comum observar excessiva sobra de ração nos anéis de alimentação. A resposta mais comum quando se