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CAPACIDADE INSTITUCIONAL AMBIENTAL

DO RIO DO MEIO

4.4 CAPACIDADE INSTITUCIONAL AMBIENTAL

As instituições que atuarão diretamente na implantação e operação do Programa de Gestão das Águas e da Paisagem são a CESAN, o IEMA (no sistema SEAMA/IEMA) e o INCAPER, este último como parceiro dos Executores.

Quanto à capacidade do sistema institucional estadual em matéria ambiental e gestão de recursos hídricos, houve, nos últimos 5 anos, grande incremento de recursos humanos, implantação de instrumentos de gestão e monitoramento, especialmente devido ao financiamento do Projeto Águas Limpas. De acordo à avaliação elaborada pelo Banco Mundial, co-financiador daquele programa, destacam-se os seguintes avanços:

4.4.1 IEMA

(i) na área dos recursos hídricos: instituição da Outorga pelo Uso dos Recursos Hídricos; incentivo à criação dos Comitês de Bacias Hidrográficas; Elaboração do Cadastro de Usuários de Água e Aperfeiçoamento da Sistemática de Outorga de Uso dos Recursos Hídricos; fortalecimento do Programa Estadual de Monitoramento Ambiental e dos Recursos Hídricos;

(ii) na área de meio ambiente/licenciamento ambiental: aumento da capacidade de resposta do órgão à sociedade, a partir da redução do prazo necessário para emissão de licenças ambientais; redução do passivo existente no início da implantação do Projeto águas Limpas; revisão e adequações na legislação ambiental vigente; instituição do cadastro de consultores e da licença simplificada; normatização das rotinas e procedimentos internos do licenciamento; efetivação de quadro técnico combinado com o processo de capacitação da equipe;

(iii) Desenvolvimento e implementação do Sistema de Gestão Ambiental pela Informação – GAPI, no IEMA, que permitiu sistematizar todos os procedimentos do licenciamento ambiental, organizando e agilizando todo este procedimento;

O crescimento da demanda relativa ao licenciamento e ao controle e acompanhamento de licenças emitidas, aliado a um maior rigor e qualidade técnica e administrativa na gestão ambiental desenvolvida pelo IEMA, tem resultado na

intensificação da interlocução do IEMA com os empreendedores, seja antes da emissão das licenças, por meio de exigências de aperfeiçoamento nos projetos apresentados, seja depois por meio de controle do cumprimento de condicionantes ambientais;

(iv) capacitação em recursos humanos – através de concursos públicos o IEMA recebeu pessoal efetivo, combinado com o processo de capacitação de seu corpo técnico, trazendo benefícios de fundamental importância para consolidação de sua estrutura e cumprimento das obrigações institucionais;

(v) Estruturação do Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos - Cadastro de Usuários de Água e Aperfeiçoamento da Sistemática de Outorga de Uso dos Recursos Hídricos – durante o Projeto Águas Limpas, foi contratado esse cadastro, que tem por finalidade conhecer o universo de usuários de uma bacia hidrográfica, permitindo ao órgão gestor conhecer as demandas de água de forma regionalizada, como também subsidiar na implementação de outros instrumentos de gestão. Os produtos gerados com a contratação do Cadastro de Usuários de Água contribuíram de forma significativa para o direcionamento de definições no setor, como, por exemplo, servir de suporte ao processo de outorga de uso dos recursos hídricos. O Sistema de Informações Gerenciais - SIG elaborado com a contratação deste serviço é até hoje o principal instrumento de gestão utilizado nos processos de outorga em tramitação no IEMA.

O quadro exposto acima contribui em muito para a construção e operação das intervenções do Programa de Gestão Integrada, dado que sua implantação já se inicia em um patamar onde: (i) a estrutura de licenciamento do IEMA está adequadamente provida; (ii) os recursos humanos alocados em projetos de incremento (como o Reflorestar) foram dimensionados com êxito; e, (iii) existem recursos humanos na área de planejamento e normas capacitados para propor apoio a setores de infraestrutura financiados pelo Programa, como no caso da normatização para estradas rurais, em parceria com o INCAPER.

Também em parceria com o INCAPER já foram realizadas ações importantes, na área de gestão de recursos hídricos como a estruturação de sua rede de monitoramento hidrometeorológico, com a aquisição de 20 (vinte) estações hidrológicas automáticas, com telemetria. Estas estações integrarão a Rede de Monitoramento Hidrológico do IEMA, que será composta por 53 estações automáticas até o ano de 2015.

Apesar do quadro institucional favorável, ao IEMA ainda faltam importantes instrumentos de gestão ambiental e de recursos hídricos. Na análise institucional do IEMA realizada na fase inicial de preparação do Programa de Gestão das Águas e da Paisagem, foi identificada a necessidade dos seguintes instrumentos:

(i) sistema de gerenciamento e acompanhamento das informações relativas

aos atos regulatórios do Instituto, que promova a integração e a socialização

das informações produzidas pelo IEMA, visando maior agilidade, controle e qualidade na tomada de decisões e na prestação de serviços para sociedade. (ii) Plano Estadual de Recursos Hídricos - PERH visando atender aos preceitos

legais do ES6 que determinam a consolidação do Plano pelo gestor estadual de recursos hídricos e posterior validação pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH)

(iii) Planos de enquadramento de Bacias Hidrográficas com a proposta de

classificação dos corpos d’água de acordo com as diretrizes e critérios estabelecidos no âmbito da Resolução CONAMA 357/2005 e alterações posteriores;

(iv) Consolidação da Rede de Monitoramento Hidrológico do Estado do Espírito

Santo com a implantação de novas estações hidrológicas que, em operação

automatizada, irão compor o sistema de informações hidrológicas do Estado; (v) Gestão da Linha de Costa com a implantação de Sistema de Modelagem

Costeira (SMC - Brasil), instrumento de gestão da linha de costa do Estado do Espírito Santo, a fim de subsidiar a definição de diretrizes para o planejamento e do ordenamento costeiro;

(vi) Cadastramento de Poços de Água Subterrânea – via mecanismo de cadastramento de natureza auto declaratória em plataforma web. Este cadastro irá constituir-se importante subsídio para o levantamento hidrogeológico estadual.

4.4.2 CESAN

No caso do setor de saneamento, onde estão as maiores obras do Programa, a CESAN também foi objeto de apoio para fortalecimento institucional, em decorrência de ações do Projeto Águas Limpas, e de outras iniciativas de planejamento da companhia.

Foi implantada na CESAN uma Gerencia de Meio Ambiente dedicada a garantir a obtenção das outorgas e licenciamento dos sistemas a implantar, mas também responsável por: recursos hídricos, gestão de resíduos e educação ambiental. O sistema de indicadores denominado SIGA-O Sistema de Indicadores de Gestão Ambiental e Operacional da CESAN (SIGA-O), permite, através de técnicas de Gestão de Projetos e de Geoprocessamento, a organização e gestão das informações de controle ambiental dos Sistemas de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário.

Fonte: CESAN, 2012, website.

Além da criação e fortalecimento de unidade ambiental na companhia, é importante considerar a evolução da gestão ambiental da CESAN, ocorrida nos últimos anos, inclusive com apoio do Projeto Águas Limpas do Banco Mundial. Citam-se:

(i) a incorporação de Manual Ambiental de Obras, com critérios e procedimentos ambientais de execução de obras, que a empresa agora exige em todos as suas licitações e respectivos contratos de obras

(ii) a implementação de Sistema de Gestão Ambiental, com base na ISO 14.000, em duas unidades – ETA Caçaroca (capacidade de 394 l/s) e ETE Praia do Morro - Aeroporto; em fase de acreditação;

(iii) a conclusão de Projeto de uso e manejo agrícola e florestal do lodo de ETE no Espírito Santo, em convênio com o INCAPER. Com base neste estudo, a CESAN atualmente promove a implantação de uma primeira UGL – Unidade de Gerenciamento de Lodo de ETE com a produção de biossólidos para distribuição aos produtores rurais.

A principal carência atual na gestão ambiental da CESAN decorre do monitoramento da qualidade das águas dos corpos receptores quanto à disposição dos efluentes de ETEs e demais impactos a serem gerados nos recursos hídricos. A CESAN prevê a realização de monitoramentos de dois tipos: (i) indicadores que permitam acompanhar as melhorias ambientais decorrentes da retirada do esgoto doméstico dos cursos d’água devido à implantação do sistema de esgotamento sanitário, previstos no “Programa de

Monitoramento Ambiental de Obras de Saneamento da CESAN”; e (ii) monitoramento do

efluente tratado e dos corpos receptores dos efluentes, que são usualmente realizados, conforme determina o IEMA, e está dentro dos processos de outorga e licenciamento ambiental (efluente bruto e tratado, corpo receptor à montante e jusante do lançamento, parâmetros de acordo com a resolução CONAMA 430/2011).