2 CORTE INTERAMERICANA DOS DIREITOS HUMANOS
2.3 Capacidade para peticionar perante a Corte
Diante do que foi explanada a respeito da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, sua composição, competência e estrutura, cabe analisar como um caso chega a Corte quando se verifica a violação dos pressupostos da Convenção Americana dos Direitos Humanos e quem pode impetrar ações junto à Corte.
Quem tem competência para impetrar ações junto à Corte é a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos e os Estados, conforme o art.61.1º da Convenção Americana sobre Direitos Humanos quedispõe “somente os Estados-partes e a Comissão têm direito de submeter caso á decisão da corte.”.
De acordo com Rezek (2011, p.258), as pessoas, grupos indivíduos ou entidades não governamentais, não possuem prerrogativa para impetrar ações diretamente à Corte.
Em caso de violação dos seus direitos, podem recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos através de uma petição que será analisado pela Comissão, e caso a Comissão achar que existe razões suficientes e que foram esgotados todos os requisitos legais, para que essas preces possam ser interpostas aocrivo da Corte.
Vislumbrado a questão da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, como sendo um dos aparatos jurídicos do sistema interamericano, em que pessoas, grupos ou entidades, possam se beneficiar para fazer chegar as suas preces junto a Corte, cabe um breve relato sobre a composição, estrutura, função, e os requisitos de admissibilidade da petição inicial que podem ser interpostas junto deste.
A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos surgiu em 1959, com a resolução da AssembleiaGeral dos Estados Americanos, atendo principalmente aos casos que envolvem os Direitos Humanos. Posteriormente, com a proclamação da Convenção Americana dos Direitos Humanos houve uma reestruturação da Comissão, principalmente nas questões da estruturação ecompetências.
Em relação ao surgimento da comissão,Lindgreen (1994, p.77-78) diz que:
A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos(CIDH), criada por decisão da V Reunião de consulta dos Ministros das Relações exteriores da Organização Dos Estados Americanos, em Santiago, em 1959, teve, inicialmente, tarefas apenas de promoção em sentido estrito – e não de proteção – dos direitos humanos, funcionando como um órgão autônomo do sistema da OEA. Suas atribuições e status institucional foram, porém, sucessivamente fortalecidos.
A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos foi um dos primeiros mecanismos usados com o intuito de promover os direitos essenciais do homem no Continente Americano. Ela funciona de forma autônoma, com a função de incutir no seio do Continente Americano a
promoção dos direitos humanos. Começou a ganhar notoriedade e prestígio de tal forma que as sua abrangência e função aumentou, passando a ser uma importante arma de Proteção dos Direitos Humanos.
Em relação a sua composição, Rezek (2005, p.222) dispõe que a Comissão é constituída por 7 (sete) juízes de alta autoridade moral, reconhecido conhecimento em matéria de direitos humanos, essas personalidades têm que ser necessariamente nacionais de qualquer Estado da OEA, a fim de compor a Comissão, cada governo deve apresentar até três candidatos que serão eleitos pela Assembleia Geral, por um período de quatro anos, podendo ser reeleitos apenas uma vez.
De acordo comPiovesan (2012b, p.327), a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos tem competência para atuar em todos os Estados- partes da Convenção Americana, em relação aos Direitos Humanos nela consagrados. Possui respaldo também em todos os Estados-partes da OEA (Organização dos Estados Americanos) em relação aos direitos consagrados na Declaração de 1948.
A principal função da Comissão é a de promover a observância e a Proteção dos Direitos Humanos na América, e para que haja o efetivo cumprimento dessa função, segundo Rezek (2011,p.258):
A comissão atua como instancia preliminar á jurisdição da corte. É amplo seu poder para requisitar informações e formular recomendações aos governos dos Estados pactuantes. O verdadeiro ofício pré-jurisdicional da comissão se pode instaurar, contra um Estado–parte, por denuncia ou queixa–atinente á violação de regra expressa na área substantiva do pacto–formulada (a) por qualquer pessoa ou grupo de pessoas, (b) por entidade não governamental em funcionamento regular, e (c) por outro Estado-parte[...].
Na mesma linha Hector Fix Zamudio (apud Piovesan, 2012a, p.328) realça que Cesar Sepúlveda, atual Presidente da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos diz que a mesma possui as seguintes Funções:
[...] a) Conciliadora, entre um governo e grupos sociais que vejam violados os direitos de seus membros; b) assessora, aconselhando os governos a adotar medidas adequadas para promover os Direitos Humanos; c) critica, ao informar sobre a situação dos Direitos Humanos em um Estado membro da OEA, depois de ter ciência dos argumentos e das observações do governo interessado, quando persistirem estas violações; d) legitimadora, quando um suposto governo, em decorrência do resultado informe da comissão acerca de uma visita ou de um exame, decide reparar as falhas de seus processos internos e sanar as violações, e)
promotora, ao efetuar estudos sobre temas de direitos humanos a fim de promover seu respeito, f) protetora, quando além das atividades anteriores, intervém em casos urgentes para solicitar ao governo, contra o qual se tenha apresentado uma queixa, que suspenda sua ação e informe sobre os atos praticados.
Desta feita é de suma importância dizer que a comissão não possui uma força punitiva junto aos Estados membros, entretanto ela possui poder de relatar violações e competência de levar junto à Corte Interamericana dos Direitos Humanos, as violações que as pessoas individuais, grupos ou entidades sofrerem.
No que tange a representação dessas vítimas, perante a Corte, verificar-se-á os requisitos de admissibilidade das petições que essas pessoas podem impetrar junto a Comissão.
Prosseguindo no dizer de Rezek, (2005, p.223) como foi visto qualquer pessoa individual, grupos ou entidades possuem legitimidade para peticionar perante a Comissão, mas para que isso aconteça o Estado acusado deverá ter violado um dos direitos estabelecidos na Convenção Americana dos Direitos Humanos, violado algum desses direitos, deverá ser esgotado os recursos no âmbito interno, e o prazo para impetrar petição junto a Comissão é de6(seis meses) contados da decisão definitiva, a matéria da petição não estar pendente de outro processo internacional, na petição deve conter o nome, profissão e domicílio do peticionário, a narração dos fatos devem ser precisos e acompanhados de todos os meios de provas necessários.
Caso seja aceito pela Comissão Piovesan, (2012 a, p.332 – 334) realça que: ela requisitará informações sobre o caso junto ao Governo denunciado, e o governo deverá enviar informações dentro do prazo estabelecido pela comissão, transcorrido o prazo a Comissão decidirá se arquiva ou investiga o caso, ou seja, se a comissão verifica se existem ou não subsistem motivos da petição, em caso da não existência ela arquiva o caso e elaborará um relatório, entretanto se não for arquivado, prossegue–se com o caso, que num primeiro momento será tentado um solução amistosa, havendo uma solução amistosa, a comissão elaborará um relatório, não havendo solução amistosa, num prazo de três fica estabelecido que as partes solucionem o caso ou que seja remetida a Corte Interamericana dos Direitos Humanos.
Verificado a questão dos aparatos jurídicos do Sistema Interamericano dos Direitos Humanos, no próximo capítulo serão analisadas as decisões proferidas pela corte, sua abrangência no Direito Interno Brasileiro, examinar ainda a questão de o depositário infiel determinar a responsabilidade do Estado na consolidação da Cidadania.