1. DELIMITAÇÃO DA PESQUISA
1.3 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO ESTUDO
1.3.1 Capacidades Dinâmicas Baseadas em Conhecimento (CDBC) no Contexto da
Tecnológica
A primeira tendência discutida nesta tese é a consolidação da Sociedade do Conhecimento, pós Era Industrial, a qual denota que as organizações que detiverem maior competência e domínio sobre este tipo de ativo e de recurso poderão construir e manter um maior nível de competitividade (KORNIENKO, 2016; STER, 2015; ARVANITIDIS, 2011; CARRILO, 2005) tendo em perspectiva que uma característica deste paradigma é a incerteza, o que requer maior capacidade de mudança e adaptação: neste contexto, as CD ou CDBC adquirem nova importância, bem como a análise das Capacidades de Aprendizado, Reconfiguração e Tecnológica, as quais se constituem em um dos tipos destas Capacidades já mapeadas na literatura.
Um maior entendimento sobre as CDBC de uma empresa, e como se relacionam com a Orientação Empreendedora Internacional e a Habilidade em Desenvolvimento de Novos Produtos, são importantes para o desenvolvimento de políticas e mecanismos que levem as organizações a um maior nível de exportação, de inovação e, consequentemente, de competitividade (ELLONEN; JANTUNEN; KUIVALAINEN, 2011).
Ainda, o desenvolvimento de CDBC úteis aos processos de Desenvolvimento de Novos Produtos e Inovação pode vir a se configurar em um mecanismo-chave de alavancagem da competitividade das empresas, dada a ampliação da sua capacidade de se adaptar à ambientes turbulentos (AÇIKDILLI; YAŞAR; BASKENT, 2013). Cabe ressaltar que estes entendimentos se dão num contexto onde Grant (1996) aponta que o conhecimento é o principal recurso produtivo da empresa, e a natureza principal de uma organização e seu papel é o de integrar os conhecimentos dos indivíduos; para o autor, as capacidades organizacionais são portanto manifestações desta integração de conhecimentos.
Cabe ressaltar que Stefano, Peteraf e Verona (2010) identificam que a principal diferença entre as CD e as CDBC reside na sua teoria de base. Os autores apontam que a origem da terminologia CD surge em função da Economia Evolucionária (NELSON; WINTER, 1982), influenciada pela abordagem dos Custos de Transação (WILLIAMSON, 1975) e pela Teoria do Comportamento da Firma (CYERT; MARCH, 1963). Contudo, foi a partir da Visão Baseada em Recursos – RBV (WERNERFELT, 1984) e da Visão Baseada em Conhecimento – VBC (KOGUT; ZANDER, 1992) que esta distinção começa a ser construída. Neste sentido, enquanto as CD se sustentam na VBR, as CDBC se sustentam na VBC. Isso implica que a reconfiguração
da organização para adaptar-se à ambientes turbulentos se dá ou em função dos seus recursos tangíveis na primeira abordagem ou de seus recursos tangíveis na segunda abordagem, neste caso, o conhecimento.
Isto posto, Zahra e George (2002) atestam uma relação positiva entre o nível de internacionalização e as CD de uma empresa, uma vez que envolve a transferência de competências para outros mercados, o acesso a novos conhecimentos externos e a capacidade de reconfiguração do conhecimento existente na empresa, por exemplo, o que se torna uma relação importante para a Orientação Empreendedora Internacional, Capacidade Tecnológica e Capacidade de Reconfiguração, com efeitos na HDNP. Analisando-se o estudo de Zahra e George (2002), entre as 28 variáveis mapeadas nesta pesquisa e de efeito sobre a Internacionalização, verifica-se uma oportunidade de pesquisa no que diz respeito às CD, neste caso, em especial, e as CDBC selecionadas em específico para este estudo.
Da mesma maneira, ao analisar outras agendas de pesquisa na área de CD (BARRETO, 2009; WANG; AHMED, 2007; ZAHRA, SAPIENZA; DAVIDSSON, 2006), identificam-se oportunidades de interfaces das CD com o conhecimento interno e externo à organização, o que se constitui na proposição das CDBC como lacuna de pesquisa e assunto de interesse acadêmico.
Estes elementos apontam uma convergência desta pesquisa em termos de proposição teórica no que se refere às CBDC, em especial na sua relação com a Criatividade Organizacional, a Orientação Empreendedora Internacional e a Habilidade em Desenvolvimento de Novos Produtos. Zheng, Zhang e Du (2011), ao validarem o construto (CDBC), e analisando a sua relação com a inovação, propõem como lacuna de pesquisa a mensuração do fenômeno em um setor industrial diferente do qual foi pesquisado, em seu estudo, na China, em um contexto de alta tecnologia (setor de eletrônicos). Para os autores, é que desde 1997, as CD, que atualmente são um dos construtos mais importantes na área de Estratégia, poucas foram as pesquisas empíricas sobre o tema, sendo as investigações baseadas principalmente em papers teóricos ou estudos de caso. Isto vem ao encontro da proposição deste estudo, seja em termos de delimitação teórica seja em termos de ambiência de pesquisa, no caso, no setor metal-mecânico. Makkonen et al. (2014) também sugerem a continuidade do desenvolvimento dos estudos sobre diferentes CDBC em novos setores, uma vez que a pesquisa sobre CDBC está em estágio inicial, e conforme apontado por Cordes e Hülsmann (2014) e Zhou e Uhlaner (2009) estas consistem em elementos fundamentais para a busca da vantagem competitiva sustentável das organizações. Contudo, cabe ressaltar que o construto CDBC definido por Makkonen et al. (2014) é de segunda ordem, contemplando oito construtos de
primeira ordem, o que sinaliza o desenvolvimento de novos estudos com diferentes Capacidades.
Ainda que haja uma lacuna de pesquisas na área de CDBC, e especialmente de pesquisas empíricas, já é possível identificar um estado da arte em termos de escalas validadas (CORDES; HÜLSMANN, 2014; MAKKONEN; POHJOLA; OLKKONEN, 2014; ZHENG; ZHANG; DU, 2011; ZHOU; UHLANER, 2009) o que fundamenta a aplicação do conjunto de construtos ou parte deles (Capacidade de Aprendizado, Capacidade de Reconfiguração e Capacidade Tecnológica). Há, portanto, uma estrutura conceitual de base importante para o estudo de novas relações com outras teorias, e inseridas principalmente na grande área de inovação, suportando novas investigações na área, principalmente em função das relações entre as CDBC e desenvolvimento de novos produtos (PAVLOU; EL SAWY, 2011). Estas sustentam, a priori, a investigação deste estudo, entre estas CDBC em específico e a Habilidade em Desenvolvimento de Novos Produtos.
Para este estudo, considerando a natureza do modelo teórico proposto, buscou-se delimitar três construtos que se configuram como sua natureza CDBC pois estão relacionadas conceitualmente à mudança e atuam sobre recursos de conhecimento, que são a Capacidade de Aprendizagem, a Capacidade de Reconfiguração e a Capacidade Tecnológica, as quais serão discutidas no capítulo 2.