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CAPITAIS PRÓPRIOS (Individual) SALDOS EM 31 DE DEZEMBRO

Capital 4 500 5 050 550 12,2%

Reservas de reavaliação -80 -121 -41 50,5% Outras reservas e Resultados Transitados 1 185 1 226 41 3,5% Resultado do exercício 241 47 -194 -80,4%

Total 5 846 6 202 357 6,1%

(Milhões de euros)

O Resultado Líquido individual de 2010 foi de 47,3 milhões de euros, valor que traduz uma redução de 80,4% face ao ano anterior. Para esta evolução, contribuiu de forma significativa a diminuição da margem financeira estrita, o crescimento das provisões para crédito e o reconhecimento, na conta de resultados, de imparidades de participações financeiras detidas pela CGD. A margem financeira estrita atingiu 925,6 milhões de euros, diminuindo 15,5% face ao valor de 2009, enquanto que os rendimentos de instrumentos de capital observaram um aumento de 26%.

Por sua vez, a margem complementar progrediu 16,2% relativamente ao ano anterior, totalizando 738,2 milhões de euros, influenciada quer pelo aumento das Comissões, quer pela mais-valia no montante de 103,9 milhões de euros decorrente da venda ao Fundo de Pensões do Pessoal da Caixa Geral de Depósitos do Edifício-Sede da CGD, no âmbito do processo de reorganização e optimização dos activos da CGD, designadamente dos activos imobiliários de uso próprio.

As provisões e imparidade do exercício totalizaram 792,7 milhões de euros, afectas em especial ao reforço do provisionamento para crédito e à imparidade de títulos.

1.7.3. PRINCIPAIS RISCOS E INCERTEZAS EM 2011

A economia mundial apresentou, em 2010, um notável progresso, alcançando, na globalidade, patamares de crescimento assinaláveis após aquela que foi a mais severa recessão em décadas. Alguns dos principais riscos identificáveis para o ano de 2011 estão precisamente relacionados com a evolução do ciclo económico para uma nova fase. Outro conjunto de riscos está ainda relacionado com a vertente financeira de uma crise iniciada em 2007 e ainda não definitivamente resolvida. Neste contexto, as decisões de política monetária e orçamental constituem também importantes factores de incerteza para os próximos doze meses.

Nas economias desenvolvidas, mais atingidas pela crise económica e financeira, observam-se, ainda, apesar da recuperação, sintomas da mesma. O crescimento atingido em 2010 não foi suficiente para devolver estes países ao nível da actividade anterior, algo que fica patente no nível de recursos não utilizados, em particular na manutenção das taxas de desemprego em valores elevados. Neste aspecto, reside uma das incertezas para 2011. A continuação e aceleração da retoma dependerá dos empresários verem reunidas as condições para um ciclo mais vigoroso de investimento e criação de emprego, entre as quais a manutenção de uma taxa de crescimento expressiva da procura global e a diminuição dos níveis de incerteza. Em contrapartida, nas economias emergentes, o rápido crescimento e a aceleração da inflação observados em 2010 estiveram na origem da decisão de diversos bancos centrais desses países em aumentarem as suas taxas de juro directoras, processo que deverá ter continuidade em 2011. A extensão destes movimentos poderá levar a um abrandamento da actividade neste bloco, com reflexos sobre as regiões desenvolvidas, bem como causar oscilações dos mercados financeiros.

A persistência da recente tendência altista dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais poderá pressionar o comportamento dos preços. A importância das componentes energética e alimentar no cabaz de consumo das famílias, e consequentemente nas métricas de inflação, poderá ter um duplo efeito negativo para a economia: a diminuição do rendimento disponível para gastos noutro tipo de bens, e o despoletar de uma reacção por parte dos bancos centrais sob a forma de aumentos do nível de juros, resultando num arrefecimento da actividade.

Margem Financeira Alargada

Margem Financeira Estrita Dividendos 2009 2010 1 095 926 285 226 -8,4% +26% -15,5%

Comissões Líquidas

2009 2010 365,6 408,5 +11,7%

-

> (Milhões de euros) (Milhões de euros)

Uma das fontes de incerteza que transitará para 2011 do ano anterior é a que resulta da situação das finanças públicas dos países europeus, com particular incidência nos denominados países periféricos. O recrudescer da crise da dívida soberana trouxe este tema para patamares de crescente centralidade e complexidade. Os seus impactos e os riscos que acarreta são múltiplos.

Os efeitos das medidas de austeridade orçamental sobre a actividade económica farão desacelerar o ritmo da mesma, designadamente da procura interna dos países em processo de consolidação das finanças públicas. O grau de abrandamento da economia é, porém, incerto. Dependerá, por um lado, da reacção dos agentes económicos nacionais a uma conjuntura doméstica adversa, quer nas suas decisões de consumo, quer de investimento. Por outro lado, será crucial o dinamismo da procura externa, também esta sujeita a factores de incerteza anteriormente descritos. Intimamente ligado ao desempenho da economia estará também a evolução do desemprego, existindo o risco de que este possa manter-se elevado ao longo do próximo ano.

Outra vertente fundamental será o comportamento dos mercados de dívida, nomeadamente a receptividade que os investidores revelem a emissões, quer de dívida pública, quer privada, originária dos países periféricos europeus. Em 2011, os emitentes estarão confrontados com a necessidade de uma evolução positiva em dois domínios: cada país individualmente terá de proceder a uma significativa melhoria da sua situação orçamental, enquanto as autoridades comunitárias terão de encontrar soluções efectivas, abrangentes e duradouras para o funcionamento futuro da União Económica e Monetária, conjugação com a qual se poderá restabelecer a confiança dos investidores. Não vencer este desafio acarretaria riscos importantes para o desempenho da economia europeia e poderia prolongar o funcionamento não totalmente normalizado do seu sistema financeiro.

Entre os riscos para 2011 conta-se, consequentemente, a possibilidade de o acesso aos mercados grossistas, e em particular à base de investidores internacionais, permanecer exíguo, caso se mantenha a elevada aversão ao risco dos países periféricos por parte daqueles. Este cenário coloca o controlo da liquidez e o financiamento como actividades centrais na gestão das instituições. Em tais circunstâncias de mercado, far-se-á sentir o impacto de condições de financiamento adversas por um período prolongado sobre a margem financeira das instituições bancárias, quer pela via de um maior custo de financiamento, quer pelo potencial abrandamento da actividade de concessão de crédito. De uma forma mais geral, o próprio crescimento dos activos do sistema bancário poderá encontrar-se limitado.

Num cenário de maior abrandamento económico, a rentabilidade dos bancos poderá ser afectada, não só pelo comportamento da margem financeira, como pela evolução do incumprimento, fruto de um possível desempenho desfavorável do mercado de trabalho. A hipótese de uma subida das taxas de juro do mercado monetário, que se verificasse num contexto de assimetria dos ritmos de crescimento entre a média europeia e a periferia, acarretaria também riscos negativos no que diz respeito à qualidade dos activos.

De referir, ainda, a manutenção da incerteza quanto à evolução das condições de cedência de liquidez por parte do Banco Central Europeu, quer em termos de decisões em concreto para a sua normalização, quer de calendário para implementação das mesmas.

Uma conjuntura económica desfavorável em 2011 terá também, naturalmente, consequências negativas sobre a actividade seguradora: a procura de seguros será afectada, com particular incidência em ramos como o dos Acidentes de Trabalho e Transportes, e a sinistralidade tenderá a elevar-se em vários ramos, como é o caso, por exemplo, dos seguros de crédito. A conjuntura negativa pode também elevar o risco moral da generalidade dos seguros de massa e aumentar a fraude. Por último, um cenário de estagnação económica torna mais difícil e demorada a implementação das medidas de ajustamento tarifário essenciais ao reequilíbrio da exploração técnica dos ramos Não-Vida no conjunto do sector segurador em Portugal.

No domínio financeiro, os receios sobre a divida soberana e a descida de notações de rating de diversas instituições e Estados, acarretam um nível de instabilidade e de perturbação nos resultados, que afectam particularmente as seguradoras, dada a sua condição de grandes investidores institucionais, em consequência da natureza do seu negócio.

Efectivamente, e apesar da recente subida da Euribor, a permanência das taxas de curto prazo nos actuais níveis historicamente baixos tende a penalizar a rentabilidade de diversos produtos do ramo vida com taxas mínimas garantidas. Em contraste, nas taxas de longo prazo, e não obstante a subida já verificada no segundo semestre de 2010, subsistem riscos de novos aumentos, em especial para a divida dos países periféricos da zona Euro, com efeito adverso sobre a valorização da carteira de obrigações dos bancos e das seguradoras.

A gestão dos riscos, efectuada de forma centralizada, abrange a avaliação e o controlo dos riscos de crédito, de mercado e de liquidez incorridos pelo Grupo CGD, consagrando o princípio da segregação de funções entre as áreas comerciais e a área de risco.

A área de gestão de risco integra a estrutura de suporte e tem presença:

No Comité de Gestão de Activos e Passivos (ALCO), em conjunto com as áreas geradoras de negócio, áreas de suporte e com membros do Conselho de Administração (CA). Por deliberação do CA, foram delegadas neste Comité, entre outras, as seguintes atribuições:

• A promoção do processo de Gestão de Activos e Passivos (ALM) e das acções e procedimentos necessários à sua implementação em termos consolidados e em base individual para as diversas entidades do Grupo;

• A preparação de propostas de orientações estratégicas sobre a política de financiamento e de liquidez do Grupo CGD; • A preparação de propostas de orientações estratégicas sobre a política de gestão de risco, definindo indicadores, limites

e regras de gestão;

• A preparação de propostas de orientações estratégicas relativas aos rácios de capital do Grupo CGD.

No Conselho Alargado de Crédito, em conjunto com as áreas geradoras de negócio, a área jurídica, a área de recuperação de crédito e o Conselho de Administração. Por deliberação do CA foram delegados neste Conselho as seguintes competências:

• Autorização de operações, que, por enquadramento no normativo interno, obrigam a apreciação deste Conselho; • Análise de crédito malparado;

• Definição da estratégia de politicas de crédito e respectivo risco.