CAPÍTULO 3. A CAMPANHA ANTIESTATIZAÇÃO
3.2 Participantes da Campanha
3.2.4 Capital Estrangeiro
A atribuição de importante papel ao capital estrangeiro na campanha antiestatização é bastante comum entre analistas do período tratado neste trabalho. Uma visão bem taxativa do papel do capital estrangeiro no movimento referido pode ser encontrada em um dos autores que é referência na análise das questões que envolvem o setor privado contra a estatização no governo Geisel: Luciano Coutinho. Após contestar as razões que motivaram o movimento, caracteriza o mesmo como no parágrafo a seguir:
O sentido mais profundo desta cruzada era o de aplastar cabalmente qualquer chance de efetivação de um “capitalismo empresariado pelo Estado” e, ao mesmo tempo, abrir espaço e suporte para certos interesses específicos do capital estrangeiro e de determinados setores da burguesia nacional... (COUTINHO, 1977)26
Segundo Cruz (1995), no entanto, as evidências existentes não são robustas o suficiente para que a participação do capital estrangeiro possa ser considerada determinante para a campanha antiestatização. O autor aponta esse fato apesar de declarações de representantes estrangeiros nesse sentido, destacando que as mesmas são demasiadamente genéricas – poderiam estar apenas ligadas ao momento político. Entre os
referidos pronunciamentos, destaca uma do jornal New York Times que compara o capitalismo estatal do Brasil com o do Chile durante o governo Allende; e uma do secretário de Estado americano, Henry Kissinger, que, no ano de 1976, em visita ao Brasil, declarou que a estatização é incompatível com a democracia.
Abaixo segue um depoimento advindo do Banco Francês e Italiano para a América Latina (Sudameris) que foi retirado de um relatório do banco publicado em abril de 1975. Cruz ressalta a sobriedade sobre o tema da participação do Estado na economia contida no trecho:
Fala-se muito, hoje, dos perigos da estatização, mas é de se reconhecer que num país onde foi montado todo um sistema de poupança compulsória (Pis, Pasep, FGTS), as sociedades de economia mista podem ter um efeito puxador muito importante para compensar eventuais desânimos no setor privado, notadamente, quando essas empresas têm grandes encomendas a fazer ao setor privado. (CRUZ, 1995, p. 85)
O depoimento seguinte foi feito por Mário Garnero em uma conferência realizada no Rotary Clube de São Paulo Oeste, em maio de 1975. Na época ele era diretor de relações públicas da Volkswagen do Brasil e presidente do Sinfavea (Sindicato Nacional da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares) / Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), entidades que representam as montadoras de automóveis no país. Garnero definiu sua posição sobre o tema da estatização da economia com as seguintes palavras:
Antes de tudo, é necessário nos precavermos contra os imediatismos simplistas da emoção na analise e na interpretação do problema. Em seguida vem a exigência de uma definição do que realmente queremos, do que de fato podemos realizar e, ainda, do que a noção exige e precisa, acima de nossas conveniências particulares os grupais. (CRUZ, 1995, p.85-86)
O autor faz uma ressalva sobre Garnero, apontando que, sete meses após o último depoimento, ao debater com um público de empresários na FCESP, ele utilizou um tom mais ameno, mas continuou sustentando a mesma posição:
Os empresários, entre os quais eu me incluo, estão vivendo um processo de apatia. São constantes as reclamações contra o aumento da participação do Estado e das empresas multinacionais nos mais diversos setores, mas, na verdade, o que se deveria estar procurando é um aumento de nossa (sic) participação na economia, ao invés de ficar tentando diminuir a do outro. (CRUZ, 1995, p.86)
A reserva citada pelo autor, no entanto, não deve ser confundida com uma atitude de indiferença: no discurso oficial, a vinculação de que problema da intervenção estatal na economia está inevitavelmente associado ao das relações entre o capital de base local e o capital estrangeiro está sempre presente e, nos debates polêmicos da campanha, esse fator será explorado pelos críticos mais severos, que fazem denúncias alegando que a campanha é uma manobra do interesses multinacionais no país. Nessas condições, Cruz destaca então que, o “endosso público das empresas de capital estrangeiro, por meio de declarações de seus executivos ou de pronunciamentos de suas associações específicas, seria desastroso para a campanha: o mutismo obedecia a razoes ditadas pelo calculo político.” (CRUZ, 1995, p.88) Tendo isso em vista, faz-se necessário recorrer a evidências indiretas para avançar no esclarecimento da questão.
Sobre o comentário de Garnero, Cruz coloca como o mesmo é revelador de uma posição que poderia ser partilhada por outras empresas estrangeiras atuantes no Brasil: ao contrário do que possa parecer, no biênio 1975-76, a indústria automobilística não tinha motivos para se queixar. De acordo com o autor, a determinação por parte do governo de não contemplar o setor como prioritário no II PND pouco a afetava dado que, o mesmo já estava estabelecido e com elevada capacidade produtiva devido aos altos investimentos dos anos anteriores. Além disso, a não contemplação como prioridade do setor n o II PND era de grande ajuda para as empresas já estabelecidas pois, dessa forma, o Estado criou uma barreira institucional, obstando a entrada de novos competidores.
Apesar de alguns atritos entre o governo e a indústria automobilística, principalmente a partir da política de contenção adotada ao final do segundo trimestre de 1974, a mesma pode manter suas formas de operação e de competição tradicionais, garantindo sua posição estratégica na economia brasileira. Já em 1975, os eventuais problemas entre a referida indústria e o governo estavam superados. Concluindo, o autor argumenta que, dado o contexto favorável, não havia porque as montadoras resolvessem fazer parte da grita contra a estatização, sendo o papel construtivo de moderador uma opção muito mais vantajosa à época.
Cruz salienta que para uma análise do possível interesse de empresas de capital estrangeiro na campanha antiestatização devem-se fazer algumas diferenciações, e, dentre elas, uma das mais importantes é a que separa capital industrial e capital bancário. Dessa forma, o autor coloca as seguintes:
...1) as modalidades diferentes em que se pode efetuar essa integração (com predominância do pólo industrial ou, alternativamente, do pólo bancário) e os níveis variados em que ela pode se dar; 2) a mobilidade incomparavelmente maior do capital bancário e as implicações de caráter estratégico que decorrem desse fato; 3) o descompasso entre essas duas frações no processo mais geral de internacionalização do capital (se 1950 é a década das multinacionais da indústria, o fenômeno da multinacionalização bancária e a emergência de um “sistema bancário transnacional” são desenvolvimentos que marcam a economia mundial dos anos 1970). Convém também afirmar a necessidade de dar tratamento diferenciado a essas duas frações, na análise política. (CRUZ, 1995, p. 90)
Em relação ao capital bancário, pode-se afirmar que a conjuntura pela qual passava no período estudado era muito favorável. Na década de 1970, como já antes referido neste trabalho, o mercado de euromoedas conheceu um crescimento explosivo. O autor, citando Lamounier27, traça um panorama de como era a posição do Brasil neste
mercado:
Após o primeiro choque do petróleo, as ligações entre a economia brasileira e o mercado de eurodólares tornaram-se mais fortes (...) Chega mesmo a surpreender o fato de que o acesso do país ao crédito bancário internacional tenha-se mantido, mesmo quando o mercado passou a absorver a demanda de crédito de alguns países industrializados, de baixo risco, que também estavam as voltas com problemas de financiamento de desequilíbrios nas contas externas. Na verdade, a participação brasileira no total de empréstimos dos eurobancos aos países em desenvolvimento (exceto créditos a países em desenvolvimentos produtores de petróleo), que havia alcançado 20,5% em 1972, aumentou para 23% em 1975 e manteve-se ao redor de 20% em 1977 e 1978. (CRUZ, 1995, p. 90)
Dessa forma, o autor advoga que o mercado financeiro internacional operou durante quase toda a década de 1970 em condições de “sobreliquidez” (grifo do autor). Como a partir de 1974, a estratégia de reestruturação da economia colocada em prática pelo governo por meio do II PND baseia-se em grandes projetos na indústria básica, a necessidade de amplo recurso ao crédito internacional era inevitável, o que propiciou um contexto de oportunidades extremamente favorável para o capital bancário internacional no Brasil. A este contexto o autor atribui as declarações mais contidas do relatório do Banco Sudameris antes referido. Concluindo o pensamento de Cruz (1995), pode-se afirmar que, por conta dessa conjuntura, a estatização dificilmente constituiria um problema para o capital bancário internacional.
27 Bolívar Lamounier e Alkimar R. Moura, Política econômica e abertura política no Brasil – 1973 – 1983,
Em relação ao capital industrial, diferentemente, o autor coloca que a análise é mais complicada. Esse fato decorre da existência de uma enorme multiplicidade de ramos no conjunto do capital industrial e da posição específica de cada um dentro da conjuntura econômica. Cruz esclarece esse ponto por meio de uma comparação entre o setor das multinacionais automobilísticas e o setor têxtil. No primeiro, o autor ressalta que suas particularidades como mercado fechado e papel de liderança no crescimento industrial na fase ascendente do ciclo garantiam-lhe posição privilegiada. Diferentemente, no caso de uma filial no setor têxtil, no qual o mercado era aberto, a tecnologia era difundida, o capital nacional detinha posições fortes e inexistiam articulações diretas com empresas estatais, a posição era mais frágil. Dadas as grandes diferenças, as formas como as medidas de política econômica afetavam a empresa estrangeira e, consequentemente, a atitude que exibia com respeito à intervenção do Estado variava significativamente.
O autor ainda aponta que a afirmação anterior é válida para empresas de um mesmo setor. Para tal mostra como exemplo os financiamentos do BNDE. Segundo o autor, apesar de estes serem reservados a época para empresas de capital nacional, a própria metodologia utilizada para definição das fronteiras entre o nacional e o estrangeiro era bastante generosa para com as empresas estrangeiras, fazendo com que associação destas com empresas nacionais fosse extremamente vantajosa: por meio da associação, a empresa estrangeira podia “nacionalizar-se” (grifo do autor) e passar a auferir todas as vantagens que esse status proporcionava.
Em suma – feitas as ressalvas em relação à questão de oportunidade do mutismo de seus representantes –: 1) a diferenciação de interesses entre os diversos setores que o compunham; 2) as condições vantajosas de operação no país propiciadas pelo regime militar a alguns ramos; 3) e às oportunidades proporcionadas por algumas políticas e pela própria conjuntura do período, são fatores que não permitiram, na visão de Cruz, uma união de interesses dos diferentes ramos do capital estrangeiro que o fizesse aderir, em unidade, à campanha antiestatização.
Essa constatação, aliada ao fato de que as demonstrações de insatisfação por parte de seus representantes foram parcas no período, segundo o autor, não permitem advogar uma idéia conclusiva sobre a importância da participação do capital estrangeiro na campanha, seja em relação à abrangência em se deu essa presença, seja em relação a seu caráter determinante ou não para o movimento.
Do até aqui exposto – em contraposição às interpretações de autores divergentes citadas – podem-se depreender três idéias-chave sobre em relação ao movimento analisado, em conformidade com a visão de Cruz (1995):
a) A campanha antiestatização foi deflagrada por alguns órgãos da grande imprensa. Em comum, estes possuem uma posição marcadamente conservadora. A classe empresarial, tida por alguns autores como desencadeador da campanha, só veio a integrá-la mais tarde, quando os principais temas já haviam sido amplamente divulgados pelos meios de mídia participantes.
b) O empresariado, mesmo tendo aderido a campanha em um segundo momento, o faz de forma fracionada e por meio, ainda que apenas em parte, de algumas entidades que possuíam pouca representatividade no período. As adesões mais certas ficam por parte do comércio e do setor financeiro. Em relação à indústria, as adesões foram apenas de alguns ramos não exatamente identificados. Por último, ressaltam-se a indiferença de setores como a agropecuária e a construção pesada, e mesmo a oposição de grupos regionais e setores contemplados na estratégia do II PND.
c) O capital estrangeiro é tido como um segmento cujos interesses estiveram muito bem representados na campanha antiestatização na interpretação de alguns autores. Estes defendem que sua participação teria sido crucial para o movimento. Cruz, por sua vez, salientando os diferentes interesses e oportunidades que os diversos ramos do capital estrangeiro possuíam no período, além do fato de terem havido poucas manifestações provenientes de lideranças do segmento referido, coloca que a interpretação comum em relação ao caráter determinante da participação deste não pode ser facilmente aceita.
CONCLUSÕES
O presente trabalho teve por objetivo apontar algumas das características referentes ao desenrolar da campanha antiestatização – deflagrada no governo Geisel – divergentes em relação ao desenrolar ressaltando a posição de Cruz (1995) sobre o referido episódio.
Três fatores explicam o destaque dado às idéias desse autor: 1) o alto nível de detalhamento do estudo por este realizado; 2) a prevalência, entre as suas idéias, de posições que se contrapõem a algumas das visões mais comumente partilhadas por outros autores; 3) a falta de uma bibliografia mais ampla e sobre o movimento ora analisado.
A campanha antiestatização (1974-76) foi deflagrada e desenvolvida durante o governo do Presidente Ernesto Geisel (1974-78), período no qual foi implementado o II Plano Nacional de Desenvolvimento, cuja estratégia de desenvolvimento econômico pode ser caracterizada por uma alta participação do Estado na esfera econômica.
Mesmo em momento de crise econômica mundial, o Presidente Geisel e sua equipe, ambos ligados ao a linha de pensamento desenvolvimentista, optaram pela manutenção do forte ritmo de crescimento que foi sustentado durante o período do “milagre econômico” (1968-73).
O diagnóstico feito pela equipe de Geisel foi o de que, para concretizar tal objetivo e ao mesmo tempo acelerar a trajetória do Brasil em direção ao nível de desenvolvimento dos países centrais, seria necessária uma estratégia de ajuste estrutural da economia brasileira que fosse capaz de contornar a situação de vulnerabilidade externa a qual esta estava submetida – herança do padrão do modelo dependente de crescimento que até então havia vigorado. Ressalta-se ainda que esta situação foi severamente agravada pela conjuntura econômica internacional da época, abalada pelo fim do sistema de Bretton Woods e pelo Primeiro Choque do Petróleo.
Os principais gargalos identificados no diagnóstico acima citado foram: 1) o hiato de estrutura produtiva – diferença entre a estrutura produtiva que possibilitaria a redução da dependência das importações e a estrutura produtiva efetiva –, herança da estrutura de dependência do padrão de crescimento econômico brasileiro em relação às importações de bens de capital e insumos industriais; 2) e o hiato de divisas – diferença entre o montante de divisas que permite fazer frente ao volume de importações e o montante de divisas efetivo.
O conjunto de medidas adotado pelo governo Geisel, por meio do II PND, para vencer os gargalos mencionados pode ser caracterizado por forte planejamento econômico e centralização do processo decisório. A principal ação estratégica, por sua vez, foi a utilização do sistema de substituição de importações. Este objetivava internalizar a produção de bens importados – principalmente no tocante a bens de capital e insumos industriais – e assim reduzir a dependência externa e avançar em direção ao desenvolvimento. O Plano
ainda continha, para concretização de suas ambiciosas metas, a previsão de pesados investimentos públicos e expansão das empresas estatais, fatores que, aliados as medidas de caráter dirigista do governo em relação aos investimentos, imprimiam no mesmo uma imagem de excessivamente interventor na esfera econômica.
Tendo em vista o cenário traçado, pode-se argumentar que o II PND fornecia um expressivo estoque de munição para as críticas de opositores do governo Geisel, no sentido de apontá-lo como um governo estatizante e excessivamente centralizador. Essa munição também serviu perfeitamente aos responsáveis pelo desencadeamento e sustentação da campanha antiestatização.
Apesar de ter como marco inicial o discurso inflamado de Eugênio Gudin, em fins do ano de 1974, contra a estatização, a campanha tomou corpo mesmo no começo do ano de 1975 por meio da ampla divulgação dos temas relativos a questão promovida por determinados órgãos de mídia. Entre estes, podem ser destacados o jornal O Estado de São
Paulo, o Jornal do Brasil e a revista Visão que por meio de series de artigos, matérias e
editoriais “denunciavam” o processo de estatização promovido pelo governo Geisel e os males que dele poderiam advir.
Nesse ponto cabe ressaltar as posições divergentes entre autores no que concerne aos principais responsáveis pelo desencadeamento da campanha antiestatização. Enquanto entre alguns autores é comum a interpretação que atribui o papel central na deflagração do movimento ao empresariado, relegando a imprensa uma participação acessória, Cruz (1995) advoga justamente o contrário.
Na visão do autor a campanha foi iniciada, e inclusive sustentada durante alguns meses, por determinados órgãos da grande imprensa – que em comum possuíam posição marcadamente conservadora.
Esta argumentação baseia-se, de acordo com Cruz, em quatro fatores relativos à atuação, no período, dos órgãos de imprensa: 1) a ligação histórica destes com intelectuais e pessoas influentes do período com orientação ideológica claramente oposta ao desenvolvimentismo nacionalista do governo Geisel – cabendo aqui, destacar que a retórica dos intelectuais citados foi usada como embasamento para as series de matérias e artigos contra a estatização; 2) a condição de independência de opinião possuída por estes órgãos – dada a alta monopolização da imprensa no período, os lobbies representantes dos interesses diversos tinham pouca capacidade de pressionar os meios de mídia, pois também dependiam deles para sua promoção; 3) as opiniões convergentes, demonstradas por meio de matérias e
artigos, de oposição cerrada a alguns direcionamentos políticos e a determinados segmentos componentes do governo; 4) a própria evidência factual de que, no início da campanha, a investida contra a estatização foi promovida pelos meios de mídia enquanto as entidades representantes do empresariado, a quem mais concernia o assunto, mal se manifestava em relação ao debate.
No que tange a questão da participação da classe empresarial na campanha antiestatização, as principais controvérsias encontradas são as que residem entre as análises de Diniz (1994) e Cruz (1995). Diniz (1994) atribui o papel central de sustentação do movimento especificamente ao empresariado do setor industrial, apoiando sua interpretação nas evidências representadas pelos diversos pronunciamentos de líderes do setor e manifestações das entidades de cúpula da classe contra a estatização no período ora analisado. Entre as entidades de cúpula mencionadas, ao autor destaca a atuação das federações da indústria dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Com base nas ações de instituições de cúpula, Diniz ainda advoga que houve um elevado grau de participação da classe empresarial como um todo na campanha e que sua atuação apresentou organização e unidade.
A interpretação de Cruz (1995) opõe-se a todos os aspectos da análise do autor anteriormente citado. Primeiramente, no que concerne ao papel da indústria, Cruz salienta que o setor foi, provavelmente, um dos que apresentou menor adesão à campanha antiestatização quando comparado com os demais. O autor defende sua análise com base na argumentação de que as entidades de cúpula a época possuíam lideranças degastadas e gozavam de pouca representatividade. O formato de negociação direta com o governo por meio de lobbies herdada de períodos anteriores conferia aos sindicatos e associações paralelas de classe uma importância muito maior, em termos práticos, para os diversos ramos da indústria. O silêncio e a falta de interesse demonstrada por essas instituições durante a campanha, segundo o autor, não permitem que se advogue conclusivamente em favor de um papel central para o empresariado industrial no movimento.
No que tange ao caráter de unidade da atuação da classe empresarial como um todo na campanha, advogado por Diniz, podem-se encontrar argumentos contrários na análise de Cruz (1995). O autor coloca que, ao contrário, a participação da classe se deu de forma bastante fracionada.
De acordo com o autor, as adesões que podem ser consideradas mais certas e