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CAPITULO SETE

No documento Dan Wells - Partials (páginas 78-93)

Kira dormiu mal. Ela ouvia Marcus e os outros mudando de posição, roncando e sussurrando na escuridão. A noite toda, o camelo gemeu de forma estranha, meio humana, e a casa estalou sob a chuva. Até os ratos, onipresentes em todas as casas que conseguia se lembrar, pareciam mais barulhentos e irritantes que o normal, enquanto corriam e pulavam pelo chão e pelas paredes. Ratos — ou, quem sabe, algo maior.

Em meio a isso tudo, ela não conseguia parar de pensar nas palavras de Tovar. Havia mesmo uma guerra se aproximando? A Voz estava de fato tão desesperada — ou tão organizada? O Senado parecia pintar o grupo como um bando de terroristas meio selvagens, que atacavam, davam ordens e matavam indiscriminadamente. Mas, nesse caso, ela pensava, o Senado tinha interesse em pintá-los assim. Se havia um número suficiente deles para formar um verdadeiro exército e começar uma guerra de verdade, então eles eram uma ameaça muito maior do que ela jamais imaginou.

O vírus RM poderia lentamente estrangular a humanidade, uma morte após outra, sem novas gerações para substituir as passadas. Por outro lado, uma guerra poderia dar fim à humanidade em semanas.

Kira afundou ainda mais no sofá, tentando pegar no sono.

Pela manhã, estava cansada e com o corpo todo dolorido.

Tovar os conduziu pelos fundos da casa, através de um labirinto de proteção: uma ponte temporária, um pátio envelhecido e de volta à estrada, quase um quilômetro adiante. Sem a chuva e com Dolly puxando velozmente a carroça, puderam manter um bom ritmo de deslocamento. Kira se esforçava em não olhar para trás, tentando tirar da cabeça a ideia de que atrás de cada árvore ou carro abandonado haveria uma centena de fantasmas da Voz. O grupo precisava estar visível para o caso de a Rede de Defesa vir procurá-lo, mas aquela visibilidade fazia Kira sentir-se vulnerável. Até mesmo Jayden parecia apreensivo. O sol já ia alto quando pararam para almoçar. Kira bebeu sua última reserva de água enquanto olhava as fileiras de casas arruinadas. Nada se movia. Ela massageou o pé dolorido e foi examinar Lainer na maca; estava inconsciente e a temperatura, perigosamente alta.

— Como ele está? — perguntou Gianna.

— Nada bem. Estamos ficando sem Nalox e acho que ele está com uma infecção — disse Kira, preparando uma pequena dose de antibióticos que encontrou em seu kit médico.

— Não faz mal ele dormir tanto?

— Bem, não é uma maravilha, mas não é ruim. O analgésico que estamos usando é feito para o campo de batalha, a pessoa pode receber altas doses e não há risco de morte. Por outro lado, os antissépticos parecem não estar

funcionando bem — respondeu Kira, injetando a dose completa de antibiótico. — Se não formos resgatados em breve, ele estará encrencado.

Kira escutou um assobio ao longe e olhou para cima, subitamente. Jayden também tinha ouvido.

— Os olheiros — ele disse. — Viram que alguém se aproxima.

Empurraram todos para dentro de uma casa nas proximidades. As janelas estavam quebradas e o vento havia carregado terra suficiente para que uma planta crescesse dentro da sala; o sofá já estava coberto de kudzu. Kira agachou-se num canto, atrás de um piano tombado, Lanier tremendo intermitentemente atrás dela. O olhar de Marcus encontrou o dela e ele forçou um sorriso.

Ela ouviu outro assobio, uma série de sons curtos que decodificou como “pessoas suspeitas são amigas”. Kira começou a levantar, mas Jayden fez sinal para que se abaixasse novamente.

— Não custa ter certeza — ele sussurrou.

Um minuto depois, uma carroça comprida e fechada, puxada por seis cavalos de raça, passou pela casa. Jayden assobiou de volta, “amigos saindo, não atirem”, e deixou o esconderijo. Kira e Marcus carregaram Lanier para a varanda, onde foram recebidos por outra equipe médica. Kira os deixou a par do estado de Lanier. Enquanto ajudavam todos a subir na carroça, os soldados distribuíam água e barras de proteína.

Tovar saiu com Dolly pelos fundos da casa, no rosto uma expressão de infelicidade.

— Vão atirar em mim agora ou quando chegarem em casa?

— Teoricamente, em nenhuma das situações — disse Kira.

Jayden saudou o chefe dos soldados. Kira não reconheceu sua insígnia.

— Obrigado pela carona.

Os outros soldados retribuíram a saudação.

— Não contávamos encontrar vocês pelas próximas horas. Estavam caminhando bem.

— Este negociante tem nos ajudado bastante — disse Jayden, acenando com a cabeça para Tovar. — Transportou a maior parte do nosso equipamento em sua carroça.

Jayden tomou um gole de água e secou a boca com as costas da mão. — Não vimos mais ninguém. Se alguém nos seguiu, decidiu não mexer com uma patrulha armada da Rede.

— Maldita Voz — disse o soldado. — Temos batedores atrás de qualquer coisa que possam encontrar. A explosão que ocorreu com vocês levantou muitos problemas na base de East Meadow. Vamos fazer uma pausa em Dogwood para uma conversa.

A carroça fez meia volta e os tirou dali, o condutor chicoteando os seis cavalos até atingirem um bom galope. O sol esquentava a cobertura da carroceria, o calor era insuportável. Kira sentia-se cada vez mais distante. Acordou

com a cabeça no colo de Marcus, sentando-se abruptamente enquanto a carroça parava num sacolejo. Dogwood era uma antiga estação de energia, transformada em posto de guarda na entrada da área habitada de East Meadow, cercado por um alambrado alto. Ao se aproximarem, o portão foi aberto por um soldado e Kira viu que havia outros no local.

— Daqui podemos seguir a pé — disse Kira, mas o soldado no comando balançou a cabeça negativamente.

— Mkele quer conversar com todos vocês, não apenas com o negociante.

Conversar, pensou Kira. Um jargão militar para

“interrogar educadamente”. — Quem é Mkele?

— Da Inteligência — respondeu o soldado. — O comando está de cabelo em pé por causa das novidades. Esperam que vocês tenham alguma informação importante.

Ele ajudou todos a descer da carroça e os conduziu para dentro da antiga estação de energia. Um jovem vestindo um uniforme de combate completo acompanhou Kira até uma sala pequena, onde foi deixada sozinha. O soldado saiu e fechou a porta.

Kira ouviu o clique da fechadura.

Embora a sala fosse pequena e sem decoração, Kira notou pelo linóleo desbotado que várias peças de mobília haviam sido removidas recentemente. Contornos indefinidos de escrivaninhas e estantes de livros cobriam o chão, como um escritório fantasma, uma visão de um tempo distante.

Não havia mesa, mas no canto da sala, ao fundo, encontravam-se duas cadeiras.

Ela esperava sentada, planejando a conversa, fazendo um roteiro do que cada um falaria e imaginando-se soar naturalmente brilhante. Mas a espera se estendeu, e as críticas que faria sobre ser injustamente retida para interrogatório transformaram-se num violento discurso sobre o aprisionamento ilegal. Por fim, ela se entediou e parou de pensar naquilo de vez.

Havia um relógio na parede, do tipo antigo, redondo, com pequenos ponteiros pretos. Pela milionésima vez na vida, Kira perguntou-se como aquilo funcionava. Na sua casa havia um relógio parecido, mais bonito que este — o antigo morador, de antes do Break, seja lá quem fosse, tinha uma queda por vidros. Aparentemente, os ponteiros andam se receberem energia, mas os relógios digitais são mais econômicos e os únicos que ela viu funcionando.

Bem, era tudo que conseguia lembrar. Seu pai tivera um relógio redondo com ponteiros? Era muita estupidez não saber ao menos como eram chamados — não existia um bom motivo para algo tão presente desaparecer do vocabulário humano. E, por mais que tentasse, não se lembrava de ter visto um daqueles trabalhando, de ter aprendido como dizer as horas nele, ou de ter escutado como se chamam. Eram a relíquia de uma cultura morta.

O ponteiro grande apontava para o número dez e o menor estava na metade do caminho entre o número dois e o três. Dez zero dois e… meio? Ela deu de ombros. Este relógio

ficou sem energia exatamente às dez zero dois e meio. Ou seja lá o que estiver marcando. Levantou-se para examiná-lo. Deve estar pregado na parede ou já teria caído.

A porta foi aberta e um homem entrou. Kira o reconheceu: era o homem misterioso da assembleia popular. Talvez tivesse quarenta anos. Sua pele era mais escura que a dela — essa era a cor da maioria dos descendentes africanos, ela supôs, ao contrário da dela, marcadamente indiana.

— Boa noite, Srta. Walker. — Ele fechou a porta e estendeu a mão. Kira levantou-se e apertou a mão dele.

— Já estava na hora.

— Peço mil desculpas pela demora. Meu nome é Sr. Mkele. — Ele apontou uma cadeira para Kira e puxou outra para ele. — Por favor, sente-se.

— Não tem o direito de me manter aqui…

— Peço desculpas, se é assim que se sente — disse Mkele. — Não estamos mantendo-a aqui, meu desejo foi apenas o de garantir sua segurança enquanto você esperava. Trouxeram comida?

— Não trouxeram nada.

— Deveriam ter trazido. De novo, peço desculpas.

Kira o olhava com cautela. Aos poucos, a raiva que sentia por ter ficado presa tanto tempo naquela sala transformava-se em suspeita.

— Por que se apresentou como senhor Mkele? — perguntou. — Não tem um posto?

— Não sou do exército, Srta. Walker. — Mas está numa instalação militar.

— Assim como você.

Kira mantinha a expressão rígida, tentando não franzir o cenho. Alguma coisa naquele homem a incomodava. Ele não havia feito nada além de falar calmamente, um modelo de boas maneiras e cortesia, ainda assim… ela não colocaria a mão no fogo por ele. Olhou para a cadeira que ele ofereceu, mas manteve-se em pé e cruzou os braços.

— Você disse que estou aqui para a minha segurança. Contra o quê?

O homem levantou a sobrancelha.

— Essa é uma pergunta interessante vinda de alguém que acabou de chegar da terra de ninguém. Meu entendimento é que alguém tentou explodi-la há menos de dois dias.

— Não a mim pessoalmente, mas tentou.

— Meu título oficial, Srta. Walker, é o de chefe da inteligência, não do exército, mas de toda a ilha. Na prática, significa dizer que sou o chefe da inteligência de toda a raça humana. Meu trabalho hoje é assegurar que ainda haverá uma raça humana amanhã e faço isso sabendo das coisas. Considere, se assim o desejar, o que sabemos no momento. — Ele levantou a mão e contou nos dedos. — Um: alguém, potencialmente da Voz, ou, que os céus nos protejam, um Partial, deflagrou outro bem-sucedido ataque contra as forças de East Meadow. Dois: alguém altamente proficiente em explosivos e, talvez, em tecnologia de rádio. Três: esse alguém matou um mínimo de três pessoas. Agora, dada a natureza desagradável desses três pequenos detalhes que sabemos,

acredito que irá concordar comigo que a enorme quantidade de coisas que não sabemos é incrivelmente preocupante, para não dizer coisa pior.

— Bem, é — disse Kira, assentindo com a cabeça. — Só que não estou mais na terra de ninguém, estou numa base militar. Aqui deve ser o lugar mais seguro da ilha.

Mkele olhava para ela sem se alterar.

— Alguma vez já viu um Partial, Srta. Walker?

— Em pessoa? Não. Eu tinha apenas cinco anos durante a guerra e desde então eles nunca mais foram vistos.

— Como pode ter certeza? Kira franziu a testa, pensativa.

— O que quer dizer? Ninguém vê um Partial há anos, eles estão… bem, se estou viva, então, é porque eles aparentemente também nunca me viram.

— Vamos supor — disse Sr. Mkele —, apenas por um momento, que os planos dos Partials, e não sabemos quais são eles, sejam muito maiores em abrangência do que o assassinato de uma adolescente.

— Não precisa ofender. — De novo, peço desculpas.

— Então o problema aqui é esse? — perguntou Kira, a voz expressando mais do que um toque de exasperação. — Partials? Mesmo? Não temos ameaças mais importantes com que nos preocuparmos?

— Se um Partial estiver planejando algo grande — disse, ignorando a pergunta dela —, algum ataque traiçoeiro contra nós, nossos recursos ou qualquer outro aspecto de

nossa vida, a maneira mais eficiente de fazer isso seria infiltrando-se diretamente entre nós. Eles se parecem exatamente como nós; poderiam andar entre nós sem medo de serem descobertos. Você é médica, deveria saber disso tão bem quanto qualquer outra pessoa.

Kira franziu o cenho.

— Os Partials foram embora, Sr. Mkele. Eles nos encurralaram nesta ilha e depois desapareceram. Nunca foram vistos em nenhum lugar. Nem aqui, nem na fronteira, nem em lugar algum.

Mkele deu um sorriso breve e zombeteiro.

— A complacente inocência de uma geração

babylândia. Você disse que tinha cinco anos quando os

Partials se rebelaram. O mundo que você vê é o único que conhece. Quanto da rebelião você se recorda, Srta. Walker? Quanto do velho mundo? Se não sabe nem o que um Partial é capaz, como saberá o que um batalhão deles pode fazer?

— Temos problemas muito maiores que os Partials — repetiu Kira, tentando não perder a calma. Parecia a mesma velha atitude que percebia no hospital — na verdade, de todos os adultos, uma insistência teimosa e brutal de lidar com o ontem ao invés do hoje. — Os Partials destruíram o mundo, eu sei, mas isso foi há onze anos, e então desapareceram. Enquanto isso o vírus RM continua matando nossas crianças, a tensão está aumentando por causa da Lei da Esperança, e a Voz está lá fora atacando fazendas e roubando provisões, e eu não acho…

— A Voz — disse Mkele — é ainda mais humana que os Partials.

— Aonde quer chegar?

— Aqui, Srta. Walker. Os Partials talvez tenham mesmo desaparecido, mas não vão precisar preparar um ataque direto à ilha se as tensões entre o povoado e a Voz continuarem crescendo. O vírus RM está desempenhando um papel muito mais pérfido que os Partials poderiam arquitetar: nossa incapacidade de produzir crianças saudáveis e as subsequentes medidas que tomamos para lidar com isso…

— Você quer dizer a Lei da Esperança.

— Entre outras coisas, sim… elas estão dividindo a ilha ao meio. Não consigo acreditar que o ocorrido de ontem não tenha relação com isso. A não ser que haja provas contundentes do contrário, vou concluir que o ataque fazia parte de um plano para desestabilizar a civilização humana e assim apressar nossa extinção.

— Você é uma pessoa incrivelmente paranoica. Mkele inclinou a cabeça para o lado.

— Fui encarregado, como já disse, de cuidar da segurança da raça humana. É meu trabalho ser paranoico.

A paciência de Kira estava por um triz.

— Tudo bem, então. Vamos acabar logo com isto. O que você quer saber?

— Conte sobre a clínica veterinária. — O quê?

— A clínica à qual você e Marcus Valencio foram enviados para um resgate. O que viu lá?

— Pensei que estivesse interessado na bomba.

— Já conversei com outras testemunhas que estavam no local antes e durante a explosão e as informações que me passaram sobre o local são mais valiosas que as suas. Por outro lado, você esteve pessoalmente na clínica. Me conte como foi.

— Era uma clínica — disse Kira, procurando algo interessante para dizer. — Era como todas as outras clínicas que nós estivemos em missão: velha, fedorenta e caindo aos pedaços. Uma matilha de cães vive ali e, hum…, o que mais quer saber?

— Viu algum cachorro enquanto esteve lá? — Não, por quê? Isso é importante?

— Não faço ideia — disse Mkele —, embora me pareça estranho que uma matilha de cães selvagens falhe em defender seu território contra um grupo de invasores.

— Verdade — concordou Kira. — Talvez o esquadrão de resgate que esteve lá alguns dias antes tenha espantado os animais.

— É possível.

— Hum… o que mais…? — disse Kira. — Começamos a separar o medicamento e a bomba explodiu alguns minutos depois. Por isso não tivemos tempo de testar o aparelho de raios X.

— Então você viu a parte externa do prédio, a recepção e o depósito de medicamentos.

Kira balançou a cabeça. — Isso.

— Viu alguma coisa fora do comum?

— Não me vem nada à cabeça. Exceto… — Ela pausou, lembrando-se das marcas no pó. — Agora que você mencionou, os frascos de comprimidos tinham sido mexidos antes de chegarmos lá.

— Mexidos?

— Mudados de lugar — disse Kira —, como se alguém tivesse examinado os remédios a procura de algo.

— Muito antes de vocês chegarem?

— Não muito. Havia manchas e rastros na poeira, tanto no armário quanto no balcão.

— Poderia ter sido, como você sugeriu em relação aos cães, o esquadrão de resgate que passou por lá antes de vocês.

— Pode ser — disse Kira —, mas nunca vi nenhuma patrulha vasculhar os remédios dessa forma.

O Sr. Mkele contraiu os lábios, pensativo.

— Alguma droga que você encontrou ali poderia ser usada para fins recreativos?

— Você acha que um dos patrulheiros estava tentando se drogar?

— É uma das muitas possibilidades.

Kira fechou os olhos, forçando o cérebro para se lembrar do nome dos remédios.

— Não tenho certeza. A esta altura já ficou automático, entende? A gente sabe quais remédios duram e quais não e

vai separando as caixas, cada qual num monte, sem realmente pensar no que está fazendo. Mas as clínicas veterinárias sempre têm analgésicos, como o Rimadyl. — Uma dose caprichada de qualquer analgésico pode fazer você alucinar. Mas também pode matar, a não ser que se use as nanopartículas militares, que obviamente não serão encontradas numa clínica veterinária. Fora isso… — Ela ficou em silêncio, pensando. Se ela fosse da Voz, vivendo numa região selvagem e entrando em brigas com a Rede de Defesa, estaria preocupada com coisas maiores que analgésicos para fins recreativos. Começava a entender de onde vinha o raciocínio de Mkele e pensou na clínica como um alvo militar.

— Clínicas como aquela possuem muitos medicamentos que podem ser realmente úteis a um grupo de rebeldes — disse. — Antibióticos, vermífugos, talcos contra pulga e xampus. Existe um grande número de coisas de que um bando de agressores numa floresta poderia fazer bom uso.

— Interessante — disse Mkele. — Você terá que perdoar minha ignorância quando o assunto é clínica veterinária, mas você acredita que exista alguma maneira de encontrar um registro do inventário? Seria possível determinar, com a menor margem de erro possível, o que eles tinham, o que está faltando e o que foi alterado?

— Duvido que tenham alguma coisa no papel — respondeu Kira —, mas a clínica tinha computadores. Você poderia ligá-los num gerador e torcer para o inventário estar armazenado no disco rígido. Se o arquivo ficar numa rede

externa, não será seu dia de sorte. — Os computadores eram usados no hospital, graças ao painel solar, mas o velho mundo usava computadores para tudo, todos conectados numa rede mundial que Kira sequer conseguia imaginar. Esse sistema entrou em colapso junto com a rede de energia e tudo que havia nele perdeu-se para sempre.

— Faremos isso — disse Mkele, balançando a cabeça. — Mais alguma coisa que possa nos ajudar?

Kira deu de ombros.

— Se me lembrar de algo, com certeza você ficará sabendo.

— Muito obrigado pelo seu tempo — disse Mkele, indicando com um gesto o caminho da porta. — Está liberada.

No documento Dan Wells - Partials (páginas 78-93)