CAPÍTULO II – CARACTERÍSTICAS LOGÍSTICAS DO PROCESSO DE TESTAGEM ON-LINE
2.4 Características Ambientais e Acessibilidade
O ambiente informatizado confere algumas vantagens diante da versão tradicional quando discutimos a dimensão da multimídia. As propriedades do ambiente informatizado podem exibir uma variedade de formas de apresentar seu conteúdo, adicionando características possíveis no próprio computador, como sons, imagens, movimentos e gravações. Em 2005 foi desenvolvido, por exemplo, um sistema digital de análise de leitura a partir da gravação de textos pelos pacientes, as observações do fonoaudiólogo e o processamento de erros detectados. (Lima, 2005). Na área de testagem dentro da fonoaudiologia encontramos o Avalie 3.0, o FonoFlex, que faz avaliações fonoaudiológicas e de desenvolvimento através de jogos, o AudioReport, que desempenha avaliações audiométricas, o FonoView, para avaliação e monitoramento da fala oral e o VoiceReport (Book Toy Livraria, 2007)
Dentro da psicologia uma das vantagens que um instrumento computadorizado pode ter diante dos testes tradicionais é a de exibir as questões de modo randômico ou aleatório com
facilidade. Esta proposta subsidia os Testes Adaptativos Computadorizados (TAC). Os TAC são procedimentos que se reorganizam sua exibição para adaptarem-se ao usuário a partir de seu nível de dificuldade atendido precedentemente (Revuelta e Ponsoda, 1998). A versão informatizada pode apresentar uma interface onde usuário pode focar, por exemplo, em uma questão de cada vez, facilitando seu julgamento e discriminação de respostas, ou ainda, facilitando o re-teste ao fornecer o escore final de seu primeiro teste e já agendar o re-teste. Se a exibição de itens for feita uma de cada vez, o teste informatizado pode proporcionar uma redução de erros por parte da atenção do cliente avaliado, pois o mesmo poderá focar-se em um de cada vez. Além disso, o resultado imediato do teste, a utilização de perguntas aleatórias e a medição de tempo por questão e algoritmos de exibição de itens desestimulam manobras escusas e o efeito da familiaridade na execução dos testes informatizados (International Test Comission, 2005). De acordo com Kingsburry e Houser (1999) os testes informatizados, de
uma forma geral, requerem menos tempo para aplicação, têm menor possibilidade de cópia, proporcionam condições semelhantes de aplicação a todos os avaliados.
Desenvolver métodos psicométricos que possam avaliar adequadamente comportamentos e descrições inverossímeis, como a mentira e o engano é fundamental na área jurídica (Rovinski, 2005). A possibilidade de se ter mais dados por item além da própria resposta, a sua posição no processo adaptativo de teste (Prometric, 2004), identificação da questão que foi alterada, seu tempo de execução e o número de vezes em que esta questão foi alterada ou alternada com outras proporcionam maior riqueza na análise de dados que seriam pertinentes na área forense, indicando rupturas de respostas e a intenção de falsear resultados de respostas. Além disso, com a possibilidade de controle de tempo, é possível inferir quando o usuário que fez o teste respondeu após ter lido a sentença ou apenas respondeu aleatoriamente (Stange, 2001).
Na versão tradicional o recebimento dos testes via correio e a atualização dos testes pode demorar dias, e há o gasto com manuais, crivos e testes impressos (Naglieri et al., 2004), mas na interface computadorizada estas dificuldades são anuladas frente às facilidades conferidas pela tecnologia e pela troca de dados instantânea. A avaliação e a descrição dos resultados dos testes podem sair tão logo a última questão seja respondida (Naglieri et al., 2004). Na saída de dados para compor o resultado, a forma informatizada pode oferecer formas diferentes na exibição dos escores e da descrição das respostas corrigidas, além de indicações e encaminhamentos. Porém há um ponto de divergência entre os autores quanto a veracidade das respostas dos usuários que fazem testes informatizados. É possível que os entrevistados tendam a fantasiar quadros comportamentais, engrandecer-se ou a fingir sintomas quando percebem que suas respostas podem não ser checadas (Richman et al.,1999).
Já Olea e Hontangas (1999) argumentam que os testandos tendem a exibir maior ansiedade quando estão realizando um teste informatizado e ao mesmo tempo argumentam que os mesmos tendem a ser mais honestos e sinceros. Não existem estudos conclusivos sobre esta suposta distorção, e nem se a versão lápis e papel está livre deste aspecto de auto-imagem. (Berguer, 2006). Este nível de distorção afetaria a média dos resultados, ocasionando uma interpretação dos dados errônea.
Richman et al. (1999) organizaram uma meta-análise de 61 estudos publicados sobre estudos informatizados entre 1967 e 1997 e concluíram que os testes informatizados, com raras exceções, apresentam menos distorções de auto descrição que os tradicionais testes de lápis e papel, ainda mais quando é possível responder ao teste sozinho e retornar as respostas. Outro ponto que a tecnologia pode oferecer para reduzir o índice de distorções nas auto- avaliações é a aplicação dos testes informatizados em paralelo com o acompanhamento via áudio, mantendo o nível de anonimato e aumentando a segurança do testando no processo (Parshall & Balizet, 2001).
A testagem via internet expande as possibilidades do psicometrista em atuar, visto que ele não precisa estar no ambiente físico de aplicação do teste, logo, em ambientes onde não existem psicólogos é possível que a testagem esteja possível. Esta facilidade no acesso interativo ajuda a pessoas que necessitam da testagem e não podem se locomover ao consultório do psicólogo ou local de aplicação. (Naglieri et al., 2004). Nas versões tradicionais são raros os instrumentos somente verbais ou que não utilizem lápis para a marcação das respostas. Na versão informatizada através de periféricos como o mouse, “telas de pressão” sensores de movimento e de som podem ajudar deficientes físicos e pessoas com problemas motores a serem avaliadas para o levantamento de dados neuropsicológicos, auxiliando, também, no processo de reabilitação (Silva & Oliveira, 2003).
No quesito acessibilidade as maiores vantagens estão do lado dos testes informatizados. É possível programar o dia, a hora e o local da aplicação do teste, e a aplicação pode ser feita sem a presença de um psicólogo. Logo, em populações mais abrangentes e longas distâncias é mais indicado a avaliação de testes informatizados para o levantamento de dados. E em tese o que fosse investido em salas apropriadas para a aplicação dos tradicionais testes de lápis e papel poderia ser remanejado para uma pequena sala com computadores que realizariam a ampla testagem em várias sessões (Luetch, 2005).
Ter um instrumento informatizado também facilita o processo de re-teste, que pode inclusive ser agendado, pois é mais fácil assegurar e reproduzir as mesmas condições de aplicação do teste. Estas condições dependem prioritariamente de um ambiente calmo, distância adequada de leitura do monitor, fácil manuseio dos periféricos do computador, tempo para execução do teste, um computador acessando a Internet e a página do teste disponível (quando o teste for on-line). Outra vantagem é que o tempo é rigidamente controlado nos testes informatizados, logo todo candidato tem exatamente o mesmo tempo real de acesso ao teste (Internet Test Comission, 2005).