5. RESULTADOS
5.3 CARACTERÍSTICAS ATRIBUÍDAS PELOS CONSUMIDORES AO CONSUMO
O consumo de produtos ambientalmente corretos tem estreita relação com a imagem que os consumidores têm sobre esse tipo de produto. Assim, é necessário identificar as características atribuídas a oferta e utilização desses produtos para que se possa conhecer melhor a forma com que os consumidores percebem a viabilidade de consumo dos produtos ecológicos.
Na Figura 10 está representado o grau de concordância dos participantes com relação a informações referentes a características atribuídas pelos consumidores ao consumo de produtos ecológicos. No eixo vertical estão as afirmações referentes aos produtos ecológicos e no eixo horizontal está a escala percentual de indivíduos que indicaram discordar, discordar parcialmente, concordar parcialmente e concordar.
Figura 10 – Distribuição percentual referente a características atribuídas pelos consumidores ao consumo de produtos ecológicos. Fonte: elaboração da autora, 2009.
Como pode ser visto na Figura 10 a afirmação “não há muitas propagandas de produtos ecológicos” obteve 5% de discordância, 8% de discordância parcial, 38% de concordância parcial e 48% de concordância. 1% dos participantes não responderam a questão. Quanto a afirmação “considero que há pouca oferta de produtos ecológicos” houve 3% de discordância, 11% de discordância parcial, 43% de concordância parcial e 42% de concordância. 2% dos participantes não respondeu a questão. A afirmativa “considero que os produtos ecológicos são muito caros” obteve 13% de discordância, 18% de discordância parcial, 48% de concordância parcial e 19% de concordância. 2% dos participantes não respondeu a questão. A afirmativa “considero que os produtos ecológicos não são de boa qualidade” obteve 75% de discordância, 16% de discordância parcial, 6% de concordância parcial e 1% de concordância. 1% dos participantes não respondeu a questão.
A partir dos dados é possível perceber que os universitários identificam certos fatores que dificultam o consumo de produtos ecológicos tornando-os menos
atrativos. As afirmações de maior concordância dos participantes indicam que há pouca oferta e pouca propanda de produtos ecológicos e que seus preços são relativamente altos. No entanto, os produtos ecológicos não são considerados como sendo de baixa qualidade pelos consumidores, o que pode ser considerado como um fator positivo.
É possível relacionar certa confusão existente quanto à classificação dos produtos como sendo ecológicos com as afirmações dos consumidores de que não há muitas propagandas de produtos ecológicos (48% de concordância) e a oferta desses produtos é baixa (43% de concordância parcial). Pode-se pensar que o contato dos consumidores com os produtos ecológicos pode ficar reduzido devido a escassez de oferta e propaganda e isso pode levar a um desconhecimento acerca dos produtos ecológicos. Também pode-se pensar que o motivo pelo qual a escolha de certos produtos ecológicos esteja em grande parte ligada à outros benefícios que o produto pode trazer seja uma outra consequência da falta de oferta e propaganda de produtos ecológicos, pois, dessa forma a causa ambiental, que deixa de ser valorizada por meio da propaganda, pode ficar em segundo plano quando comparado à questões como economia e benefícios à saúde.
Nepomuceno (2005) diz que os significados atribuídos ao produto pelos consumidores serve de base para compreender seus comportamentos de compra e que esses significados são a soma de uma percepção previamente formada sobre o objeto com a influência dos significados construídos na interação com outras pessoas. Logo, identificar características atribuídas pelos consumidores aos produtos ecológicos é uma forma de investigar a percepção dos indivíduos sobre esses produtos. De forma geral pode-se perceber que os dados indicam que os consumidores consideram que os produtos ecológicos não são muito divulgados por propagandas (48% de concordância), sua oferta é relativamente escassa (43% de concordância parcial), são, de certa forma, produtos caros (48% de concordância parcial) e possuem qualidade equivalente aos outros produtos não ecológicos (75% de discordância de que possuem qualidade inferior a outros produtos). Dessa forma é possível se aproximar da percepção formada pelos consumidores a respeito do consumo de produtos ecológicos e pode-se avaliar que os dados indicam mais fatores que influenciam negativamente o consumo de produtos ecológicos do que fatores que poderiam servir de incentivo para o consumo desses produtos.
Blackwell (2005) afirma que os indivíduos somente estão dispostos a comprar um produto se suporem que este pode satisfazer as suas necessidades. Segundo o autor, é necessário conhecer a forma de consumo dos indivíduos para que seja possível criar um produto que satisfaça as suas necessidades. Dentre as informações colhidas dos consumidores a respeito das características atribuídas aos produtos ecológicos pode-se supor que aquela que indica uma maior possibilidade de satisfação pelo consumo é a suposição de que os produtos ecológicos têm qualidade equivalente aos produtos não ecológicos (75% de discordância de que possuem qualidade inferior a outros produtos), no entanto, é de se questionar o que levaria o consumidor a comprar um produto que é mais caro (48% de concordância parcial) que os não ecológicos. Para isso seria necessário conhecer que necessidades os consumidores esperam satisfazer com a compra de produtos ecológicos. De qualquer forma, é possível avaliar que a oferta e a propaganda de produtos são meios de gerar no consumidor a suposição de que determinados produtos podem satisfazer as suas necessidades, logo, a falta de oferta e propaganda pode inibir o consumo de produtos ecológicos.
Dias (2007) afirma que as características técnicas dos objeto de consumo não são tão importantes quanto a percepção que o indivíduo forma sobre ele. Dessa forma pode-se pensar que talvez a qualidade do produto não seja realmente tão importante no momento da compra e que o fato que realmente deva ser enfatizado para investigar a atratividade de um produto seja a afirmação dos consumidores de que não há muitas propagandas sobre produtos ecológicos (48% de concordância) nem muita oferta destes (43% de concordância parcial), pois é possível que esses fatores tenham considerável influência sobre a percepção que os consumidores formam sobre esses produtos uma vez que há a concorrência de uma divulgação massiva de produtos não ecológicos. Em concordância, Gade (1998) afirma que a propaganda é criadora de necessidades e modificadora de atitudes.
É possível avaliar que dentre as quatro características avaliadas (propaganda, oferta, preço e qualidade), três apontam características que podem desestimular a compra de produtos ecológicos. A falta de propagandas, os preços altos e a baixa oferta de produtos ecológicos possivelmente são fatores que podem interferir negativamente no aumento do consumo de produtos ambientalmente corretos.
5.4 IMPORTÂNCIA ATRIBUÍDA PELOS CONSUMIDORES AO CONSUMO DE