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4. MATERIAL E MÉTODOS

4.5. Características Avaliadas

A colheita foi realizada aos 38 dias após a semeadura (Figura 6A), quando as plantas se apresentaram completamente desenvolvidas e com características comerciais (Figura 6B, C e D). Foram avaliadas as seguintes características:

 Teor de clorofila: foi utilizado o clorofilômetro modelo Chlorophyll Meter Spad- 502 Plus (Figura 7A), com os resultados apresentados em unidades SPAD, determinada em uma amostra de 10 plantas escolhidas aleatoriamente na parcela útil, selecionando cinco folhas de cada, por meio de cinco leituras, obtendo o valor médio de teor clorofila por planta;

 Altura de planta (cm): foi avaliada utilizando uma régua graduada, a partir do colo da planta até a extremidade superior das folhas (Figura 7B);

 Número de molhos: foi estimado pesando-se a parte aérea de 10 plantas da área útil da parcela (0,125 m2) numa balança digital com precisão de quatro casas decimais (Figura 7C e D). Foi considerado uma unidade de molho o peso fresco correspondente a 100 g da parte aérea (caule + folhas);

 Produtividade de massa fresca (kg ha-1): foi obtida mediante os dados de massa fresca da parcela útil, estimando-os para um hectare;

(A) (B)

20

 Receita bruta (R$ ha-1): para o cálculo da receita bruta, foi considerado o valor de R$ 8,33 reais o quilo do coentro comercializado na CEASA de Pernambuco (CEASA-PE, 2014).

Os dados obtidos foram submetidos à análise variância, por meio do programa estatístico Sisvar (FERREIRA, 2008), com o estudo das médias do efeito quantitativo das doses de fósforo em análise de regressão (p<0,05) e os qualitativos pelo teste de tukey (p<0,05).

Figura 6. Plantio de coentro aos 38 dias após a semeadura (A); planta de coentro com características comerciais (B) e (C); molho comercial de coentro (D).

Fonte: BARBOSA, W. S. S.

(A) (B)

(C) (D)

21 Figura 7. Uso do clorofilômetro Spad-502 Plus (A); medição da altura de plantas com régua graduada (B); pesagem de 100 g de massa verde (caule + folhas) (C) e (D), para o crescimento e produtividade de cultivares de coentro sob adubação fosfatada.

Fonte: BARBOSA, W. S. S.

(C) (D)

(A) (B)

22 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não houve efeito significativo da interação entre cultivares e doses de fósforo em todas as características avaliadas. Foram verificados efeitos significativos entre as cultivares de coentro e as doses de P2O5 para todas as variáveis respostas analisadas, exceto para o teor de clorofila com as plantas adubadas em diferentes doses de fósforo (Tabela 3).

A cultivar ‘Tabocas’ apresentou maior teor de clorofila (intensidade de verde) que a cultivar ‘Verdão’, com valores de 45,26% e 44,04%, respectivamente (Tabela 3). Provavelmente ocorreu a influência do fator genético, em que predominou um verde mais brilhante na cultivar ‘Tabocas’.

Segundo Taiz e Zeiger (2004), a clorofila é o pigmento utilizado para realizar a fotoquímica (o primeiro estágio do processo fotossintético), enquanto que os demais pigmentos auxiliam na absorção de luz e na transferência da energia radiante para os centros de reação, sendo assim chamados de pigmentos acessórios. De acordo com a POTAFOS (2005), o fósforo desempenha função chave na fotossíntese, no metabolismo de açúcares, no armazenamento e transferência de energia, na divisão celular, no alargamento das células e na transferência da informação genética.

A intensidade de verde é uma característica notável, principalmente nas hortaliças folhosas, cujo consumidor avalia no ato da escolha dos molhos, ou seja, quanto maior o brilho e a intensidade do verde presume-se que é um produto fresco e de melhor qualidade.

23 Tabela 3. Resumo da análise de variância e médias para o teor de clorofila, altura de planta, número de molhos, produtividade e receita bruta de cultivares de coentro em função de doses de fósforo.

Fontes de variação Valores de Quadrado Médio1

Doses de (P) 3,11ns 6,60* 148609240,68* 1486095,62* 103200590,23*

Regressão linear 0,04ns 29,66** 697762956,48** 6977648,40** 484556432,39**

Regressão Quadrática 2,63ns 0,20ns 21340266,93ns 213403,66ns 14819485,22ns

Desvio regressão 0,73ns 1,56ns 11398325,84ns 113981,32ns 7915500,99ns

Cultivares 17,89* 51,91** 471835498,35** 4718350,59** 327663932,43**

FXC 5,00ns 3,50ns 26572736,30ns 265728,06ns 18453328,72ns

Bloco 17,87** 5,74ns 40841057,46ns 408410,81ns 28361861,80ns

Resíduo 2,81 2,57 50013208,95 500132,65 34731368,36

CV (%) 3,76 13,11 23,76 23,76 23,76

1 *Significativo a 5% de probabilidade; ** significativo a 1% de probabilidade; e ns Não significativo.

2 As médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).

Para as demais variáveis analisadas, observou-se que a cultivar ‘Verdão’, quando comparada com ‘Tabocas’, proporcionou incrementos significativos nas características agronômicas do coentro. Houve aumento em altura, número de molhos, produtividade e receita bruta, da cultivar ‘Verdão’ em relação à ‘Tabocas’, de 18,57 cm, 23,55% unidades, 23,55% ha-1 e 23,55% ha-1, respectivamente. A cultivar verdão é uma das mais plantadas no Brasil, pois possui uma boa capacidade produtiva.

24 Melo et al., (2009), estudando as características morfológicas de nove cultivares de coentro (Americano, Asteca, Palmeira, Português, Santo, Supéria, Tabocas, Tapacurá e Verdão) e a linhagem HTV-9299 (Hortivale Ltda), verificaram que as cultivares Tabocas e Verdão apresentaram valores estatísticos similares na variável altura de plantas durante o ponto de colheita, com valores de 22,34 e 24,31 cm, respectivamente. As mesmas cultivares também apresentaram maiores massas de dez plantas, com 116,42 e 107,86 g, respectivamente, e de massa de folíolos de 39,21 e 35,32 g, respectivamente.

As doses de P2O5 empregadas (0, 50, 100, 200, 300 e 400 Kg ha-1) apresentaram efeito significativo nas características agronômicas e econômicas do coentro. Para as variáveis avaliadas: altura de plantas, número de molhos, produtividade e receita bruta (Figuras 8, 9, 10 e 11), verificou-se que a dose de 400 Kg ha-1 P2O5 proporcionou às plantas uma resposta superior às demais doses.

Os máximos valores em altura de plantas (Figura 9) foram obtidos com a dose estimada de 400 Kg ha-1, oscilando de 11,26 a 13,50 cm entre 0 e 400 kg ha

-1, incrementando 19,89% em relação à testemunha. Os valores obtidos seguem o padrão comercial desejado, diferindo das plantas encontradas no mercado consumidor, que apresentam características não desejadas, como o estiolamento provocado pela não realização do desbaste e uso racional de fertilizantes.

Diferentes estudos relatam que as hortaliças podem elevar seu crescimento em altura associada ao emprego do macronutriente fósforo.

Daflon et al. (2011), estudando a deficiência de fósforo na cultura do coentro, utilizando solução nutritiva com e sem fósforo, com avaliações aos 5, 10 e 30 dias após o início dos tratamentos (DAIT), verificaram que não houve diferença significativa para ambos os tratamentos aos 30 dias, tendo em vista que os autores forneceram solução completa as plantas a partir do 22º dia. Entretanto, nesse trabalho, foi possível observar os sintomas de deficiência em fósforo, a

25 fósforo (0, 50, 100, 150 e 200 kg ha-1 de P2O5) na cultivar ‘Verdão’. Nesse trabalho, a dose de máxima eficiência agronômica foi estimada em 93 kg ha-1 de P2O5, pois favoreceu o maior crescimento em altura de planta.

Experimentalmente, têm sido obtidas maiores respostas em produtividade às aplicações de nitrogênio e de fósforo. O correto fornecimento dos nutrientes essenciais aos processos biológicos e fisiológicos da planta resulta no acréscimo da produtividade e qualidade do produto obtido, porém, a carência de nutrientes como o fósforo pode limitar o desenvolvimento da planta.

O fósforo desempenha papel importante na fotossíntese, na respiração, no metabolismo de açúcares, na divisão celular, no alargamento das células e na transferência da informação genética, é constituinte de estruturas moleculares, principalmente proteínas e ácidos nucléicos, está envolvido na transferência de energia e possui função regulatória em muitas reações metabólicas (GUIMARÃES et al., 2011; MALAVOLTA et al., 1997).

Figura 8. Altura de planta de coentro em função de doses de fósforo.

Fonte: BARBOSA, W. S. S.

Da mesma forma que a altura de planta, a aplicação da dose estimada de 400 kg ha-1 de P2O5 ha-1 resultou em número máximo de molhos ha-1 e

26 produtividade (Figuras 9 e 10), com rendimento de 35.858 molhos e produtividade de 3.585,82 kg ha-1, havendo um acréscimo relativo à testemunha de aproximadamente 43% no rendimento de molhos e produtividade. Existe uma relação direta entre maior número de molhos e produtividade. Nas hortaliças folhosas, a importância do fósforo para o crescimento da planta está associada ao papel da síntese de proteínas, por constituir nucleoproteínas necessárias à divisão celular, atuando no processo de absorção iônica (MALAVOLTA, 2006).

Para Raij (1991), o fósforo em quantidades adequadas estimula o desenvolvimento radicular incrementando a produção. O mesmo autor relata que esse elemento apresenta alta mobilidade na planta, transferindo-se rapidamente de tecidos velhos para regiões de meristemas ativos, proporcionando maior atividade celular e, consequentemente, aumento da área foliar.

Figura 9. Número de molhos de coentro em função de doses de fósforo.

Fonte: BARBOSA, W. S. S.

Naves Filho et al. (2004) avaliaram o efeito de doses de fósforo (0; 160;

320; 480; 640 kg ha-1 de P2O5) no rendimento da cenoura cv. Nantes. Esses autores observaram também um efeito linear crescente das variáveis estudadas em relação ao aumento das doses de fósforo, sendo que a maior dose (640 kg ha

-27

1), possibilitou um incremento médio de 11,06 g na variável massa fresca de raiz, obtendo um rendimento estimado de 24,5 t ha-1.

A comercialização do coentro é realizada em feiras livres, mercados públicos, supermercados e quitandas em forma de molhos, e quando estes se apresentam frescos, sendo o rendimento de molhos um parâmetro muito importante para a rentabilidade do produtor (MARQUES e LORENCETTI, 1999).

Em trabalho realizado por Biscaro et. Al. (2006), foi observaram, nas características avaliadas, a resposta polinomial quadrática em função da aplicação de P2O5 no plantio (0,100, 200 e 300 kg ha-1) na Alface ‘Verônica’.

Verificaram que a dose máxima estimada de 216,36 kg ha-1 de P2O5 proporcionou número máximo de 5,11 folhas. Os mesmos autores obtiveram altura máxima de plantas de 9,35 cm, estimada com a dose 181,22 kg ha-1 de P2O5.

Coutinho et al. (2008), utilizaram as doses de 0, 25, 50, 100 e 150 mg kg-1 de P aplicadas na forma de fosfato monoamônio (MAP) em três cultivares de alface: Regina (tipo lisa), Verônica (tipo crespa) e Lucy Brown (tipo americana), cultivadas em amostras dos solos: Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA) e Argissolo Vermelho-Amarelo (PVA). Verificaram que no LVA a doses de 50 mg kg

-1 de P já proporcionaram concentrações consideradas adequadas desse nutriente na parte aérea dos três cultivares de alface, que segundo TRANI; RAIJ (1996) é de 4,0 a 7,0 g kg-1. Porém, no PVA a dose 100 mg kg-1 de P foi a que possibilitou a concentração adequada para as cultivares de alface.

28 Figura 10. Produtividade de massa fresca de coentro em função de doses de fósforo.

Fonte: BARBOSA, W. S. S.

Com relação à receita bruta (Figura 11), houve crescimento linear com o aumento das doses de fósforo, sendo a de 400 kg ha-1 de P2O5 considerada aquela que proporcionou maior aumento em receita bruta do coentro, com valor estimado de R$ 29.882,00 reais ha-1, 43% superior a dose 0 kg ha-1. OLIVEIRA et al. (2002) obtiveram maior rendimento máximo estimado de massa verde de 51 t ha-1 com as doses de 93 e 112 kg ha-1 de P2O5. Neste mesmo trabalho, o tratamento com 110 kg ha-1 de P2O5 mostrou uma maior eficiência econômica, proporcionando o rendimento de 50,55 t ha-1, incremento de 15,1 t ha-1 na produção de massa verde e com o valor aproximado àquele da massa verde.

Mota et al. (2003) avaliaram duas fontes de fósforo, superfosfato simples (18% de P2O5) e termofosfato magnesiano (17% de P2O5), e quatro doses (0, 300, 600, 900 kg ha-1 de P2O5) na cultura da alface. Para o superfosfato simples houve resposta da regressão quadrática, em que as doses de 672 e 617 kg ha-1 de P2O5

apresentaram as maiores produções total e comercial, respectivamente. Quanto ao termofosfato magnesiano verificou-se aumento linear na produtividade. Com o uso da dose de 583 kg h-1 de P2O5 obtiveram maior comprimento de caule (6,7 cm), sem no entanto, prejudicar o valor comercial.

29 Figura 11. Receita bruta de coentro em função de doses de fósforo.

Fonte: BARBOSA, W. S. S.

Os resultados evidenciam que a cultura do coentro pode ser uma excelente fonte de renda, principalmente se forem utilizadas tecnologias que aumentem seu potencial produtivo, como o uso de cultivares adaptadas e produtivas, e a utilização de doses adequadas do adubo fosfatada.

30 6. CONCLUSÃO

A cultivar ‘Verdão’ apresenta maior crescimento e rendimento na produção de coentro.

A dose de 400 kg ha-1 de P2O5 é agronomicamente mais produtiva e incrementa a receita bruta do produtor de coentro.

31 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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