COLORIMETRIC AND SPECIFIC MASS CHARACTERIZATION OF MAIN WOODS SPECIES MARKETED IN MATO GROSSO
3.2. CARACTERÍSTICAS COLORIMÉTRICAS
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Foram observadas variações consideráveis para todos os parâmetros colorimétricos avaliados (TABELA 3). Para a luminosidade (L*) os valores variaram de 40,44 a 82,46. Nishino et al. (1998), que estudaram noventa e sete espécies da Guiana Francesa, encontraram valores entre 36 e 78,98, os quais são semelhantes ao deste trabalho, ou seja, ocorreu grande variação na luminosidade.
TABELA 3 - PARÂMETROS COLORIMÉTRICOS DO PLANO TANGENCIAL DE ESPÉCIES COMERCIALIZADAS NO ESTADO DE MATO GROSSO NO ANO DE 2015
Espécies L* a* b* C h
Schizolobium amazonicum 81,10A 5,77E 26,38C 27,06B 77,47B
Simarouba amara 82,46A 3,81H 24,07C 24,38C 81,03A
Parkia sp 75,16B 6,97F 28,90B 29,76B 76,23B
Couratari sp 69,07C 9,08E 26,80C 28,33B 71,40C
Castilla ulei 70,12C 7,48F 27,73B 28,72B 74,90B
Enterolobium schomburgkii 57,50E 12,01D 27,24A 29,8B 66,20D
Bagassa guianensis 54,21F 11,68D 26,62B 29,09B 66,22D
Clarisia racemosa 57,08E 10,65D 30,63A 32,46A 70,73C
Apuleia sp 61,44D 13,13C 30,59A 33,34A 66,71D
Sclerolobium sp 61,92D 10,4D 21,45D 23,84C 64,14E Vochysia sp 63,05D 14,3B 22,70D 26,88B 57,61F Hymenolobium sp 61,28D 13,09C 24,73C 27,99B 62,07E Trattinnickia sp 66,29C 11,4D 26,9C 29,34B 67,48D Pouteria sp 51,25F 15,45B 22,83D 27,58B 55,83G Astronium sp 46,87G 15,75B 23,93C 28,65B 56,62G
Hymenaea sp 49,27G 17,96A 25,63C 31,36A 54,64G
Guarea sp 60,27D 16,20B 26,33C 30,93A 58,38F
Protium sp 57,42E 14,37B 27,84B 31,34A 62,69E
Qualea sp 52,61F 15,39B 25,78C 30,03B 59,17F
Goupia glabra 54,47F 15,39B 25,55C 29,91B 58,72F
Cedrelinga catenaeformis 53,19F 11,31D 19,34E 22,41D 59,72F
Enterolobium contortisiliquum 54,81F 11,97D 21,26D 24,41C 60,59F Dipteryx sp 53,74F 12,34C 22,27D 25,48C 60,95F Tabebuia sp 47,42G 6,97F 19,26E 20,51D 70,16C Mezilaurus itauba 48,18G 5,41G 21,19D 21,87D 75,67B Dialium guianense 40,43H 13,33C 17,14F 21,73D 51,91H Manilkara sp 41,68H 12,97C 14,78F 19,68D 48,87H Ocotea sp 41,41H 10,73D 18,85E 21,69D 60,31F
Erisma uncinatum 47,31G 12,68C 18,76E 22,66D 56,00G
Cariniana sp 50,12F 13,68C 19,71E 24,00C 55,18G Média 57,43 11,69 23,84 26,82 63,65 Máximo 82,46 17,96 30,63 33,34 81,03 Mínimo 40,43 3,81 14,78 19,68 48,87 Desvio Padrão 10,82 3,5 4,02 3,84 8,19 Coeficiente de variação (%) 18,97 29,85 16,87 14,29 12,88
Médias seguidas de mesma letra em cada coluna, não diferem estatisticamente pelo teste de Scott-Knott em 5% de significância de probabilidade
TABELA 4 - CORES DO PLANO TANGENCIAL DAS ESPÉCIES MAIS COMERCIALIZADAS DO ESTADO DE MATO GROSSO NO ANO DE 2015
Espécies Cores
Schizolobium amazonicum Esbranquiçado**
Simarouba amara Branco-acinzentado*
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CONTINUAÇÃO DA TABELA 4
Parkia sp Esbranquiçado**
Couratari sp Amarelo-claro*
Castilla ulei Amarelo-claro*
Enterolobium schomburgkii Marrom-oliva*
Bagassa guianensis Marrom-oliva*
Clarisia racemosa Amarelo-acastanhado**
Apuleia sp Bege-amarelado** Sclerolobium sp Rosa-acinzentado* Vochysia sp Rosa* Hymenolobium sp Rosa* Trattinnickia sp Marrom-oliva* Pouteria sp Rosa* Astronium sp Amarelo-amarronzado* Hymenaea sp Amarelo-amarronzado* Guarea sp Amarelo-amarronzado* Protium sp Amarelo-amarronzado* Qualea sp Amarelo-amarronzado*
Goupia glabra Amarelo-amarronzado*
Cedrelinga catenaeformis Marrom-claro*
Enterolobium contortisiliquum Marrom-claro*
Dipteryx sp Marrom claro*
Tabebuia sp Oliva*
Mezilaurus itauba Castanho-oliváceo**
Dialium guianense Marrom-escuro*
Manilkara sp Marrom escuro*
Ocotea sp Pardo-amarelado**
Erisma uncinatum Marrom-claro*
Cariniana sp Marrom-avermelhado*
*Cores determinadas a partir da tabela proposta por Camargo e Gonçalez (2001); **Cores nomeadas pelo autor
As coordenadas cromáticas a* e b*, também foram parecidas com os valores encontrados por Silva et al. (2017), que estudaram trinta espécies tropicais comercializadas no Brasil e obtiveram os seguintes limites 3,03 e 18,98 para o eixo cromático verde-vermelho e 4,95 e 32,90 para o eixo azul-amarelo, enquanto no presente trabalho verificou-se valores de 3,81 e 17,97 para o eixo cromático verde-vermelho e 14,79 e 30,63 para o eixo azul-amarelo. Para a saturação de cor (C), Silva et al. (2017) obtiveram os valores mínimo e máximo de 15,55 e 33,76, respectivamente, valores parecidos com deste trabalho. Gouveia (2008), estudando três espécies tropicais (Simarouba amara, Sextonia rubra e
Cariniana micrantha) observou a variação dos valores de 57,24 e 82,3 para
o ângulo de tinta (h), já neste estudo os valores observados variaram de 48,88 a 81,03.
As espécies Schizolobium amazonicum, Simarouba amara e
Parkia sp foram as espécies mais claras, pois apresentaram maiores
valores de luminosidade (L*) e valores baixos da coordenada cromática do eixo verde-vermelho (a*). Já as espécies mais escuras foram Dialium
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guianense, Manilkara sp. e Ocotea sp., pois obtiveram os menores valores
para luminosidade e valores altos para a coordenada cromática do eixo verde-vermelho (a*). Estes resultados corroboram com o de Silva et al., (2017), que averiguaram como a espécie mais clara a Simarouba amara e a mais escura a Dialium guianense. Das três espécies tropicais estudadas por Gouveia (2008), a Simarouba amara também se apresentou como a mais clara.
Todas as espécies apresentaram a superfície tangencial mais amarelada, conforme Mesquita (2016) quanto maior a quantidade do parâmetro b*, o ângulo de tinta (h) vai tender a ser superior a 45º, o que confirma maior participação da cor amarela. As espécies Clarisia
racemosa, Apuleia sp. e Parkia sp. foram as que apresentaram maiores
valores para o eixo b*, este parâmetro teve mais influência da saturação (C) do que o parâmetro do eixo verde-vermelho, sendo estas espécies as mais puras. Silva et al. (2017), encontraram maiores valores de b* nas espécies de Morus sp., Clarisia racemosa e Apuleia leiocarpa sendo consideradas as mais puras. Grey (2006), explica que uma cor mais saturada será mais pura e vibrante, enquanto uma cor menos saturada aparecerá mais fraca e com menor pureza.
As madeiras de Dialium guianense, Simarouba amara, Couratari sp., Dipteryx sp., Qualea sp., apresentaram para os parâmetros colorimétricos valores médios semelhantes aos encontrados por Silva et al. (2017), Gouveia (2008), Costa (2011), Paula et al. (2016), Nishino et al. (1998). Porém para as espécies Hymenaea sp., Cariniana sp., e Parkia sp., os valores encontrados foram diferentes dos encontrados por Costa (2011), Barros et al. (2014) e Nishino et al. (1998). Conforme Gonçalez (1993), vários fatores podem influenciar na coloração da madeira, como anatomia, composição química, método de derrubada, posição da amostra na árvore, meio ambiente, altura, diâmetro, idade da árvore e fatores genéticos inerentes a cada espécie.
A partir da análise multivariada de Cluster, as madeiras das espécies florestais avaliadas foram separadas em três grupos (FIGURA 1), na qual foram avaliados os pontos de alta mudança de nível (CRUZ e REGAZZI, 2001; MANLY, 2008).
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FIGURA 1 - AGRUPAMENTO DE CLUSTER DA COR E MASSA ESPECÍFICA DA MADEIRA DO PLANO TANGENCIAL
DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES FLORESTAIS
COMERCIALIZADAS NO MATO GROSSO
O grupo 1 foi composto pelas espécies de cores mais claras e com baixos valores de massa específica como o Schizolobium
amazonicum, Simarouba amara, Parkia sp., Couratari sp. e Castilla ulei e
representaram 16,7% das espécies. Essas espécies apresentaram valores altos para luminosidade e ângulo de tinta em comparação com os outros grupos, porém tiveram baixos valores para o eixo verde-vermelho (a*).
Melo et al. (2013), explicaram que baixos valores para o eixo verde-vermelho (a*) podem indicar um baixo percentual de extrativos presentes na madeira. Gonçalez et al. (2014), trabalhando com a espécie
Simarouba amara encontraram valores colorimétricos semelhantes com a
espécie de Balfourodendron riedelianum. Conforme Camargos e Gonçalez (2001), a madeira é considerada de cor clara quando o valor da luminosidade for acima de 56. Como todas as espécies deste grupo obtiveram valores de luminosidade acima deste valor, permaneceram juntas. Moreschi (2014), afirmou que geralmente as madeiras mais leves e mais macias são sempre mais claras que as mais pesadas e duras.
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O grupo 2 foi composto pelas espécies Enterolobium
schomburgkii, Bagassa guianensis, Clarisia racemosa, Apuleia sp., Sclerolobium sp., Vochysia sp., Hymenolobium sp., Trattinnickia sp., Pouteria sp., Astronium sp., Hymenaea sp., Guarea sp., Protium sp., Qualea sp., Goupia glabra, Cedrelinga catenaeformis, Enterolobium contortisiliquum e Dipteryx sp. representaram 60% das espécies. Essas
espécies apresentaram dominância das colorações amarelo-amarronzado e marrom-claro, e obtiveram valores intermediários para a massa específica e parâmetros colorimétricos em relação aos grupos 1 e 3.
Esse grupo apresentou os maiores valores para o eixo verde-vermelho e para a saturação (C) em comparação com outros grupos. Já para os parâmetros de luminosidade e ângulo de tinta, apresentou valores inferiores ao do grupo 1 e superiores ao grupo 3. As espécies Bagassa
guianensis, Qualea sp., Clarisia racemosa, Dipteryx odorata, Hymenolobium petraeum e Apuleia leiocarpa também foram agrupadas em
um mesmo grupo nos estudos realizados Silva et al. (2017).
O grupo 3 compreendeu 23,3% das espécies, sendo integrado por Tabebuia sp, Mezilaurus itauba, Dialium guianense, Manilkara sp.,
Ocotea sp, Erisma uncinatum e Cariniana sp e apresentaram cores mais
escuras com predominância do marrom-escuro e foram as que apresentaram maiores valores para massa específica. Este grupo apresentou valores superiores do eixo verde-vermelho em relação ao grupo 1, e obteve os menores valores para o eixo azul-amarelo, luminosidade e ângulo de tinta. Isso pode ser explicado por Camargos e Gonçalez (2001), que afirmaram que quando a madeira apresentar valor da luminosidade igual ou inferior a 56 será considerada escura. Segundo Gouveia (2008), valores abaixo de 15 para o eixo amarelo-azul (b*) e acima de 6 para o eixo verde-vermelho (a*), faz com que a coloração vermelha sobressaia, caracterizando a cor marrom das espécies. As espécies desse grupo foram as que mais enquadraram nesses requisitos, especialmente a espécie
Manilkara sp.
Na Tabela 5 são apresentados os parâmetros colorimétricos do plano transversal das madeiras estudadas. De modo geral, comparando o plano transversal com o tangencial, todas as espécies tiveram variações
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nos parâmetros colorimétricos, principalmente para a luminosidade (L*) que foi o que mais reduziu (8,16%). Essa redução na luminosidade está de acordo com o resultado encontrado por Atayde et al. (2011) para a madeira de Brosimum sp., que verificaram este parâmetro menor na seção transversal do que nas seções radial e tangencial. Conforme Nishino et al. (2000), no plano transversal, as fibras podem reduzir a luminosidade, não em virtude dos orifícios dos lumens, mas por causa da luminosidade das substâncias na parede celular.
TABELA 5 - PARÂMETROS COLORIMÉTRICOS DO PLANO TRANSVERSAL DE ESPÉCIES COMERCIALIZADAS NO MATO GROSSO NO ANO DE 2015
Espécies L* a* b* C h
Schizolobium amazonicum 74,02A 5,93E 26,48A 27,16B 77,25B
Simarouba amara 76,03A 3,59F 23,35B 23,63C 81,31A
Parkia sp 71,19A 6,87E 29,78A 30,56A 76,96B
Couratari sp 65,38B 7,40D 24,03B 25,16B 72,86C
Castilla ulei 59,52C 8,09D 26,40A 27,63B 73,14C
Enterolobium schomburgkii 50,80D 9,62C 21,08C 23,19C 65,16E
Bagassa guianensis 45,28E 10,88B 20,93C 23,59C 62,45F
Clarisia racemosa 48,86D 9,30C 23,00B 24,85B 67,79D
Apuleia sp 53,79D 12,76B 26,17A 29,14A 63,98E
Sclerolobium sp 62,54B 9,99C 19,38C 21,81C 62,70F
Vochysia sp 57,32C 13,77A 23,42B 27,23B 59,49F
Hymenolobium sp 56,20C 12,08B 23,79B 26,72B 63,08F
Trattinnickia sp 57,65C 11,39B 24,79B 27,42B 65,40E
Pouteria sp 52,38D 12,82B 20,38C 24,09C 57,55G
Astronium sp 42,03E 13,78A 21,51C 25,56B 57,45G
Hymenaea sp 42,22E 13,20A 17,66C 22,08C 52,75H
Guarea sp 57,32C 15,59A 25,07B 29,54A 58,07G
Protium sp 51,85D 14,64A 28,49A 32,05A 62,81F
Qualea sp 49,71D 13,64A 22,83B 26,63B 59,17F
Goupia glabra 52,61D 13,53A 26,25A 29,66A 62,25F
Cedrelinga catenaeformis 50,50D 10,99B 20,50C 23,29C 61,7F Enterolobium contortisiliquum 51,97D 12,04B 21,06C 24,28C 60,09F Dipteryx sp 56,04C 9,28C 20,26C 22,29C 65,37E Tabebuia sp 43,34E 4,84F 15,88D 16,64D 73,05C
Mezilaurus itauba 41,97E 5,03F 16,42D 17,19D 72,88C
Dialium guianense 36,03F 8,96C 10,70E 13,98D 49,39H
Manilkara sp 43,38E 12,22 15,03D 19,38D 50,87H
Ocotea sp 44,40E 8,52B 18,95C 20,78C 65,78E
Erisma uncinatum 42,15E 12,76B 17,57C 21,73C 53,92H
Cariniana sp 45,72E 14,09A 18,97C 23,63C 53,39H
Média 52,74 10,59 21,67 24,37 63,60 Máximo 76,03 15,59 29,78 32,05 81,31 Mínimo 36,03 3,59 10,70 13,98 49,39 Desvio Padrão 9,91 3,2 4,25 4,19 8,1 Coeficiente de variação (%) 18,78 30,24 19,61 17,18 12,74
Médias seguidas de mesma letra em cada coluna, não diferem estatisticamente pelo teste de Scott-Knott em 5% de significância de probabilidade
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TABELA 6 - CORES DO PLANO TRANSVERSAL DAS ESPÉCIES MAIS COMERCIALIZADAS DO ESTADO DE MATO GROSSO NO ANO DE 2015
Espécies Cores
Schizolobium amazonicum Branco*
Simarouba amara Branco-acinzentado*
Parkia sp Esbranquiçado**
Couratari sp Oliva-amarelado*
Castilla ulei Oliva-amarelado*
Enterolobium schomburgkii Oliva*
Bagassa guianensis Marrom-claro*
Clarisia racemosa Amarelo-acastanhado**
Apuleia sp Amarelo-amarronzado* Sclerolobium sp Rosa-acinzentado* Vochysia sp Rosa* Hymenolobium sp Rosa* Trattinnickia sp Marrom-oliva* Pouteria sp Marrom-claro* Astronium sp Marrom-avermelhado* Hymenaea sp Marrom-escuro* Guarea sp Rosa* Protium sp Amarelo-amarronzado* Qualea sp Bege-rosado**
Goupia glabra Amarelo-amarronzado*
Cedrelinga catenaeformis Marrom-claro*
Enterolobium contortisiliquum Marrom-claro*
Dipteryx sp Rosa-acinzentado*
Tabebuia sp Pardo-acastanhado**
Mezilaurus itauba Castanho-olivácea**
Dialium guianense Marrom-arroxeado*
Manilkara sp Marrom-escuro*
Ocotea sp Oliva*
Erisma uncinatum Marrom-escuro*
Cariniana sp Marrom-avermelhado*
*Cores determinadas a partir da tabela proposta por Camargo e Gonçalez (2001); **Cores nomeadas pelo autor.
Conforme Gonçalez et al. (2014), estudando a espécie
Simarouba amara, afirmaram que a luminosidade (L*) é maior na direção
tangencial do que na direção radial, e se a indústria requerer madeira mais clara, o corte do tronco deve ser tangencial aos anéis de crescimento. Já Atayde et al. (2011), afirmaram que para obter madeiras mais avermelhadas o corte deve ser tangencial e se desejar madeiras com tons mais amarelo-avermelhado o corte deve ser radial, conforme as preferências do mercado.
Os eixos verde-vermelho (a*) e azul-amarelo (b*) também reduziram, já a saturação (C) aumentou e o ângulo de tinta (h) se manteve. Consequentemente, ocorrem mudanças na classificação das cores proposta por Camargos e Gonçalez (2001) e também no agrupamento de Cluster (FIGURA 2).
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FIGURA 2 - AGRUPAMENTO DE CLUSTER DA COR E MASSA ESPECÍFICA DA MADEIRA DO PLANO TRANSVERSAL
DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES FLORESTAIS
COMERCIALIZADAS NO MATO GROSSO
No plano transversal as espécies Schizolobium amazonicum,
Apuleia sp., e Ocotea sp., obtiveram classificação de cor (TABELA 6), já
que no plano tangencial (TABELA 4) não se enquadraram em nenhum grupo de cor proposto por Camargos e Gonçalez (2001), sendo assim, foram determinadas as seguintes cores esbranquiçado, bege-amarelado e pardo amarelado, respectivamente.
As espécies Goupia glabra, Qualea sp. e Tabebuia sp. também não se enquadraram em nenhum grupo de cores, assim como as espécies
Parkia sp., Clarisia racemosa e Mezilaurus itauba não se encaixam em
nenhum grupo de cores nos dois planos. Assim como a espécie Brosimum sp. estudada por Atayde et al. (2011) que não enquadrou em nenhum grupo de cor.
As espécies Simarouba amara, Sclerolobium sp., Vochysia sp.,
Hymenolobium sp., Trattinnickia sp., Protium sp., Cedrelinga catenaeformis, Enterolobium contortisiliquum, Manilkara sp. e Cariniana sp.
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mantiveram as cores do plano tangencial. Já as espécies restantes mudaram de cores tendendo a ser mais escuras.
Para o plano transversal as madeiras avaliadas também foram separadas em 3 grupos na análise multivariada de Cluster, com a mesma distância de corte do plano tangencial, que foi escolhida visualmente no dendrograma em razão da distância euclidiana. O grupo 1 deixou de ter as espécies Couratari sp. e Castilla ulei, que foram para o grupo 2, que também recebeu as espécies Tabebuia sp., Mezilaurus itauba e Ocotea sp. do grupo 3. Já o grupo 3 obteve as espécies Astronium sp. e Hymenaea sp., anteriormente agrupadas no grupo 2.
Conforme Pimentel-Gomes e Garcia (2002), para os planos tangencial e transversal (TABELAS 3 e 5), a luminosidade, o azul-amarelo (b*), a saturação (C) e o ângulo de tinta (h) apresentaram média heterogeneidade, já para o eixo verde-vermelho (a*) ocorreu alta heterogeneidade, provavelmente isso ocorreu, pois tiveram uma tendência de ser mais amarelas que vermelhas.
Para os três grupos ocorreram diferenças estatísticas significativas para os parâmetros colorimétricos e massa específica pelo teste de Scott-Knott (TABELAS 2, 3 e 5). O mesmo ocorreu com o trabalho realizado por Silva et al. (2015), que estudaram oito espécies nativas do Rio Grande do Sul, que denotaram diferenças estatística significativa para as espécies.
A partir da análise estatística (FIGURA 3) observou-se que há diferença estatística significativa entre os planos tangencial e transversal para todos os parâmetros exceto para o ângulo de tinta (h). Atayde et al (2011) encontraram diferença estatística significativa para todos os parâmetros dos planos tangencial e transversal para a madeira Brosimum sp. Conforme estes autores, as condições dos sítios podem ter influenciado no desenvolvimento da planta, na qualidade da madeira e suas propriedades.
Barros et al. (2014), também encontraram diferença entre os planos tangencial e transversal para a luminosidade (L*), eixo verde-vermelho (a*) e saturação (C) para a espécie Caryocar glabrum.
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Médias seguidas de mesmas letras minúsculas na coluna, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade. Onde: L: luminosidade; a* e b*: coordenadas cromáticas dos eixos verde-vermelho e azul-amarelo, respectivamente; C: saturação da cor; h: ângulo de tonalidade.
FIGURA 3 - TESTE DE MÉDIA DOS PARÂMETROS COLORIMÉTRICAS DOS PLANOS TANGENCIAL E TRANSVERSAL
Na Tabela 7 encontra-se a matriz de correlação entre os parâmetros colorimétricos da face longitudinal tangencial. A luminosidade (L*) obteve correlação significativa e negativa com o eixo verde-vermelho (a*). Entretanto, a luminosidade teve correlação significativa e positiva com o eixo azul-amarelo, que apresentaram valores mais altos que o eixo a*. A luminosidade (L*) e o eixo azul-amarelo (b*) obtiveram correlações positivas com o ângulo de tinta (h), provavelmente isso ocorreu pelo fato desta última variável ter apresentado valores elevados e estar mais próximo do o eixo b*, que apresentou tons amarelados, portanto quanto mais amarela for a madeira, mais clara ela será. A luminosidade apresentou correlação com a saturação (C), provavelmente isso ocorreu, pois, as madeiras apresentaram mais pigmentação amarelada, o que pode ter causado maior claridade.
57,43a 11,69a 23,84a 26,82a 63,65a 52,74b 10,59b 21,67b 24,37b 63,6a 0 10 20 30 40 50 60 70 L* a* b* C h TANGENCIAL TRANSVERSAL
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TABELA 7 - CORRELAÇÃO DE PEARSON PARA OS PARÂMETROS COLORIMÉTRICOS E MASSA ESPECÍFICA DA FACE TANGENCIAL DAS MADEIRAS DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES COMERCIALIZADAS NO ESTADO DE MATO GROSSO Parâmetros colorimétricos a* b* C h d L* -0,52(0,0031) 0,612(0,0003) 0,40(0,0297) 0,75(<,0001) -0,69(<,0001) a* 0,025(0,8957) 0,34(0,0652) -0,85(<,0001) 0,38(0,0374) b* 0,93(<,0001) 0,52(0,0031) -0,19(0,2940) C 0,18(0,3510) -0,05(0,7738) h -0,41(0,0230)
Entre parênteses o p-valor ao nível de 5% de significância. Onde: L: luminosidade; a* e b*: coordenadas cromáticas dos eixos verde-vermelho e azul-amarelo, respectivamente; C: saturação da cor; h: ângulo de tonalidade; d: massa específica.
Os parâmetros que tiveram maior correlação foram entre o eixo azul-amarelo (b*) e a saturação (C), pois esse parâmetro depende das coordenadas cromáticas a* e b*. As espécies Clarisia racemosa, Apuleia sp. e Parkia sp., por exemplo, obtiveram maiores valores de b* e altos valores para a saturação. Como as madeiras tiveram uma tendência de ter cores amareladas, o eixo verde-vermelho (a*) não teve tanta influência na saturação (C). Já o ângulo de tinta (h) teve uma correlação negativa com o eixo verde-vermelho (a*).
Melo et al. (2013) também encontraram correlações positivas para a madeira de Schizolobium amazonicum entre o eixo azul-amarelo (b*) e a saturação (C), e entre a luminosidade (L*) e o ângulo de tinta (h), já para o eixo verde-vermelho (a*) e ângulo de tinta (h) também obtiveram correlação negativa.
A massa específica apresentou correlação positiva com o eixo verde-vermelho (a*). Mori et al. (2004) afirmam que a medida que o teor de polifenóis aumenta na madeira, provavelmente a cor avermelhada também irá aumentar, e a presença de tais constituintes está relacionada ao acréscimo na massa específica da madeira (SILVA et al., 2015). Esses últimos autores também encontraram correlação positiva para o eixo-verde vermelho (a*) e massa específica.
119
Já com o a luminosidade (L*) e ângulo de tinta (h), a massa específica obteve correlações negativas, provavelmente isso ocorreu pelo fato das madeiras com cores mais claras tenderem a ter menores massas específicas, ou seja, quanto maior for o parâmetro de luminosidade (L*) e ângulo de tinta (h) menor será a massa específica, pois o ângulo de tinta (h) estará mais próximo do eixo azul-amarelo (b*) confirmando maior claridade para a madeira. Silva et al. (2015) encontraram correlação negativa entre a massa específica e luminosidade na seção tangencial para as espécies Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze, Myrocarpus frondosus Allemao e Luehea divaricata Mart. & Zucc. Melo et al. (2013) e Mori et al. (2004) não encontraram correlação significativa entre a massa específica e os parâmetros colorimétricos.
120 4. CONCLUSÃO
As cores marrom-oliva, amarelo-amarronzado e marrom-claro foram as mais frequentes. As madeiras tiveram uma tendência de ser mais amarelas que vermelhas.
A seção transversal obteve coloração mais escuras que a seção tangencial.
As madeiras mais claras apresentaram menores massas específicas, e as mais escuras obtiveram maiores massas específicas.
121 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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