3.1 – Apresentação
Os sabões são encontrados no mercado de inúmeras formas e as mais comuns são; barras cortadas em medidas cômodas para uso geral, pasta para limpeza de louças e talheres acondicionada em embalagem própria, líquido para fins determinados (sabonete líquido perfumado p. ex.), pó ou micro granulado comumente utilizado para lavagem de roupas ou pisos (não confundi-lo com o detergente em pó), costumam aparecer nas prateleiras de venda com estampas e diversas formas, ainda com belos desenhos e coloridos de várias cores, muito perfumados são conhecidos como sabonetes de toucador, usados, inclusive, para decoração e artesanato decorando e perfumando ambientes, cremosos para barbear, pastas espumosas e mentoladas em tubos utilizados como creme dental, esterificados para alguns tipos de xampus para cabelos. Existem ainda determinados tipos com finalidades especiais que excederiam o objetivo desta apresentação, um exemplo seria o sabão de lítio, utilizado como graxa lubrificante para componentes mecânicos.
Obviamente a principal é a higiene sendo, ainda, o sabão, usado com fins medicinais servindo de veículo para determinados tipos de drogas, na indústria têxtil para preparação de tecidos que receberão mordentes químicos e posterior tingimento, para remoção de algumas tintas e colas e, também, a fabricação de tintas e colas, desinfecção ambiental, principalmente hospitais e logradouros públicos, tem finalidades plastificantes e adesivas em produtos agrodefensivos, devendo-se, ainda, salientar que o sabão tem larga ação germicida.
3.3 – Evidências comuns:
A que melhor se destaca é a detergência, provoca ou ajuda a formação de emulsões, normalmente espuma em presença de água e atrito. Não é esse, entretanto, um fator obrigatório, existem muitos tipos de sabão que não espumam, na água hidrolisa facilmente, no aspecto se mostra de acordo com a forma apresentada ou seja, sólido, líquido, pastoso, etc.., geralmente é gelatinoso e pegajoso em qualquer forma e por mais isento de água que esteja, ao tato se demonstra úmido, mesmo que completamente seco, isso se deve ao fato deste ser higroscópico (absorve água da atmosfera ambiente), na verdade, ele até aumenta de peso quando muito exposto ao ar e apresenta na superfície a umidade absorvida, denominada erroneamente de “suor” do sabão, pois este não “sua” de
dentro para fora, absorve porém, de fora para dentro a água que se observa na sua superfície.
3.4 – Reação industrial e maturação:
Vários processos são utilizados para a fabricação dos sabões. Descreveremos os mais utilizados sem, no entanto, aprofundar o tema, sendo este abordado em capítulo próprio com maior ênfase.
3.4.a Processados a frio:
É fabricado pelo sistema de empaste e misturas de lixívias fortes a frio (temperatura ambiente), reagindo, portanto, exotermicamente (reação que produz calor espontaneamente), atinge um pico de temperatura e volta, então, a esfriar.
Esse sabão é fabricado em pequenos volumes, sendo, por esse motivo, trabalhado em pouco tempo (horas ou mesmo minutos), armazenados em lotes e aguardam finalização da reação, onde se observa algum movimento do material, rachaduras, encolhimento, “suor” superficial (gotas de água e glicerina) gelatinização, enfim, a maturação é o tempo em que se observa a ocorrência da acomodação molecular do produto recém-formado.
3.4.b – Precipitação a quente:
O sabão é produzido com vapor sempre indireto (nos dias atuais não se
reação pode ser de empaste, de grão, de semigrão, sob pressão ou processo contínuo.
Reação de empaste: - É o mesmo processo
descrito para a saponificação a frio. A utilização do calor tem o objetivo de catalisar a reação com o intuito, exclusivo, de acelerar o processo.
Preparação em grão: - O produto é aquecido
em grandes quantidades em caldeiras próprias com lixívias fracas e sucessivas até a formação de uma emulsão, a qual fica sob agitação constante e contínua durante horas e mesmo dias. Quando essa massa toma “o ponto”, passa-se cuidadosamente a lavagem com soluções salinas (processo conhecido por salinização). Esse procedimento separa o material em duas partes distintas; uma, o grão, sabão tecnicamente puro, flutua sobre a outra, a sublixívia, a água com sal, excesso de soda e glicerina que deverá ser, posteriormente, separada.
Esse tipo de fabricação está praticamente em desuso, por ser, extremamente antieconômico, atualmente.
Processo de semigrão: - É uma versão do
anterior, apenas que contém algumas gorduras de empaste, é produzido com lixívias fortes e sofre a lavagem (salinização) na fase de pré-formação (pasta em franco intumescimento).
Processo contínuo: - Fabricação,
desdobramento, acabamento e embalagem em um único processo totalmente automatizado. É o mais usado atualmente e com muitas variações mecânicas e procedimentais.
3.5 – Cargas como, quando, onde...
A utilização de cargas na fabricação do sabão tem como finalidade principal abaixar os custos. Há, entretanto, conseqüências com tendências mais negativas do que positivas nesta prática. O que nos leva a um julgamento de maior profundidade e muito criterioso antes de optar por essa atitude “econômica”. Pois, muitas das vezes, a aparente vantagem não passa de um engodo para o consumidor e mesmo para o produtor, conduzindo o último a prejuízos, as vezes, de difícil reparação, a imagem de mercado por exemplo.
3.5.a – Comentários às cargas:
Água: - De longe, o mais interessante,
seria desnecessário dizer que é porque é a mais barata das cargas possíveis de aplicação. No entanto, essa carga vem atrelada a tanta dificuldade, operações e “truques” que se é obrigado a fazer para manter determinados volumes desta no produto que a aparente vantagem pode se transformar num “pesadelo” que assusta, inclusive, o consumidor.
“dores de cabeça”, são muito restritos os sabões que aceitam grandes quantidades deste. Sabe-se, no entanto, que o sabão de coco, por exemplo, suporta até (6) seis vezes o seu volume em água de salmoura ao ponto de saturação (água com 24% de sal dissolvido), isso seria um milagre se o produto não ficasse uma “indecência” comercial, pois a qualidade final seria medíocre. È, extremamente, trabalhoso produzi-lo, verdadeira obra de “artista”, existem, porém, produtores que vêem vantagem nisso. Mas, é claro, que o mercado consumidor atingido deve ser pouco ou nada exigente.
Açúcar: - Tem grande interesse quando
se pretende obter transparência no sabão produzido. Retém muita água, porém, como o sal, estimula a “sudação”1, produz, também,
o contato “melado” grudando nas mãos quando segurado e, quando seca a água superficial, ficam os cristais de açúcar agindo como “lixa” ao ser, o sabão, esfregado na pele.
Cloreto de potássio: - Utilizado para
encorpar os produtos em pasta. Também retém água e diminui a eficiência do sabão.
Silicato de sódio: - Se utilizado com
muita moderação (muita mesmo), na fabricação, o sabão melhora sensivelmente em alguns aspectos, o produto fica com