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CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA E INSTRUMENTOS DE

CAPÍTULO II CONFIGURANDO O AMBIENTE

2.3 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA E INSTRUMENTOS DE

No próximo capítulo, são apresentados os resultados da tentativa de mapeamento da possibilidade de resignificação conceitual a partir de indicativos (denominados como etapas), com base em uma leitura sobre a dinâmica estabelecida diante do processo de modelização na elaboração de Projetos Temáticos, fundamentada na Teoria dos Campos Conceituais. Assim, buscou-se encontrar tais indicativos no produto da transposição didática feita pelos licenciandos, que são os Projetos Temáticos por meio de suas Unidades de Ensino em INSPE B e C, entregues aos professores no final das disciplinas, pois, parte-se da ideia de que, ao encontrar tais indicativos nas Unidades de Ensino, pode-se dizer que os licenciandos compartilham da possibilidade de uma resignificação conceitual.

Contudo, por se tratar de Projetos Temáticos elaborados em grupos, compreende-se a necessidade de verificar qual é o resultado do encaminhamento dado ao processo de elaboração, sobre a abordagem dedicada aos conceitos de maneira individual. Isto é, a Unidade de Ensino pode apresentar a visão de poucos componentes do grupo, enquanto outros não compartilharam seus pontos de vista ou não

estavam completamente envolvidos no processo de elaboração, ocultando uma possível dependência entre os colegas, em função do entendimento de um ou mais componentes.

É necessário pontuar que, quando se fala em Projeto Temático, considera-se todo seu processo de elaboração, desde o início da modelização em INSPE B e sua Unidade de Ensino escrita, para atender ao compartilhamento sobre o entendimento do fenômeno inicial, com seus pares, futuros professores de Física, até a reconstrução ou mesmo a modificação na modelização adotada, já em INSPE C, em atividades para o entendimento do fenômeno natural ou aparato tecnológico por estudantes de Ensino Médio, e sua finalização com o material escrito.

Nessa perspectiva, a pesquisa realizada enquadra-se como qualitativa, pois se almeja uma compreensão sobre o encaminhamento do processo de elaboração do Projeto Temático, propósito do acompanhamento das disciplinas de INSPE B e C, ao invés de dados quantitativos para interpretação de tal processo. Para Lüdke e André (1986):

A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. [...] Os dados coletados são predominantemente descritivos. [...] A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto. [...] O “significado” que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador. [...] A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo (p. 11 – 13).

Tal aproximação com o ambiente da pesquisa, e a relevância do significado que os indivíduos pesquisados atribuem ao processo em que se encontram, distancia a pesquisa de uma forma rígida (isto é, num delineamento que não possibilita mudanças do projeto inicial), criando abertura para a inserção ou reavaliação da extensão de algum instrumento. Como indicado por Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998), as pesquisas qualitativas apresentam diferenças quanto ao nível de estruturação preestabelecido:

[...] enquanto os pós-positivistas trabalham com projetos bem detalhados, os construtivistas sociais defendem um mínimo de estruturação prévia, considerando que o foco da pesquisa, bem como

as categorias teóricas e o próprio design só deverão ser definidos no decorrer do processo de investigação. (p. 147).

Para tanto, tem-se duas etapas de coleta de dados:

Para a primeira coleta de dados, partiu-se do seguinte pressuposto: devido à dinâmica apresentada para a elaboração de Projetos Temáticos, verifica-se o processo de modelização, a associação a um Tema e a mediação de seus professores e colegas ao longo do processo. Tal configuração de uma situação diferenciada para o processo de conceitualização pode favorecer a resignificação conceitual dos licenciandos envolvidos. Para tanto, deve-se investigar, por intermédio de uma leitura, a busca de elementos na construção de Projetos Temáticos que possibilitem a identificação de uma possível resignificação conceitual. Dessa forma, uma das coletas de dados consiste na busca pelas Unidades de Ensino entregues aos professores das disciplinas de INSPE B e C, pois se espera encontrar no material escrito uma descrição de quais elementos se mostraram relevantes para a construção de seu Projeto Temático a ponto de relatá-los a um futuro leitor.

Já para a segunda coleta de dados, partiu-se do seguinte pressuposto: ao considerar que os licenciandos tenham participado de tal situação diferenciada, à qual se verificou a possibilidade de ampliação de significado ou resignificação conceitual pelos componentes do grupo, parte-se, então, para a seguinte questão: que tipo de evolução expressaria um indivíduo, quando questionado sobre alguns conceitos físicos envolvidos em sua pesquisa, em relação ao seu colega que não teve sua pesquisa relacionada aos mesmos conceitos físicos? Esperava-se que, por ter construído uma reflexão em seu Projeto Temático que extrapole a satisfação em respostas conduzidas por definições e relações matemáticas, o licenciando construísse uma argumentação com base em outros conceitos e suas relações, justificando as abstrações e idealizações necessárias, indicadas na introdução deste trabalho, conduta que pode ser levada ao seu futuro perfil profissional.

Logo, para a segunda coleta de dados, foram utilizados outros instrumentos de pesquisa, como questionários e entrevistas com perguntas relacionadas a alguns conceitos físicos do campo conceitual de Ondulatória. Os questionários foram distribuídos em INSPE B, para todos os licenciandos, independentemente se seu tema abordado no

Projeto possuía relação com o campo conceitual de Ondulatória, retornando 24 questionários. Ao final de INSPE C, novamente foram distribuídos os mesmos questionários, com o intuito de verificar qualquer evolução quanto às suas argumentações, retornando 26 questionários. Ao final, contrastaram-se as argumentações entre aqueles que possuíam seu tema relacionado com os conceitos físicos de Ondulatória e aqueles que não tiveram contato com essa área, com o intuito de verificar quais eram as possíveis variações.

A opção por questionários como instrumento de pesquisa ocorreu devido à sua praticidade e receptividade, portanto, pelo fato de terem sido distribuídos em aula e pelo fato dos licenciandos terem disponibilizado da mesma aula para responder as questões, houve um retorno integral dos questionários. Isso facilitou a coleta de dados, mesmo de licenciandos pouco participativos ou introvertidos. Já a opção por questões de natureza aberta apresentou-se devido à maior possibilidade do licenciando em explicar detalhadamente os aspectos que considera relevantes sobre a questão apresentada.

Entretanto, ao final da segunda coleta de dados, percebeu-se que alguns licenciandos mostraram-se confusos em suas respostas, criando aberturas para uma dupla interpretação, e/ou deixando algumas perguntas em branco, inviabilizando qualquer parecer sobre sua argumentação quanto aos conceitos físicos. A solução encontrada foi dar continuidade à pesquisa utilizando outro instrumento, a entrevista, o que favoreceu uma retomada às questões não esclarecidas. Utilizando as próprias respostas dos licenciandos, pôde-se aprofundar ainda mais os dados encontrados. O roteiro para a entrevista semiestruturada foi o mesmo questionário utilizado anteriormente, contudo, como indicado por Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998), aproximando-se da interação de uma conversa, no intuito de esclarecer dúvidas. As entrevistas foram agendadas conforme a disponibilidade dos licenciandos, num total de nove entrevistas ao longo de três semanas. Devido à dificuldade em anotar todos os pormenores da entrevista desde seu comportamento, como as falas do licenciando, optou-se em gravá- las e a duração das gravações variou entre 22 a 58 minutos. Segundo Lüdke e André, “[...] há toda uma gama de gestos, expressões, entonações, sinais não verbais, hesitações, alterações de ritmo, enfim, toda uma comunicação não verbal cuja captação é muito importante para a compreensão e a validação do que foi efetivamente dito.” (1986, p. 36).

Diante de tal delineamento, verifica-se que a pesquisa qualitativa segue a abordagem de um Estudo de Caso, como afirmam Lüdke e André (1986):

[...] o caso se destaca por se constituir numa unidade dentro de um sistema mais amplo. O interesse, portanto, incide naquilo que ele tem de único, de particular, mesmo que posteriormente venham a ficar evidentes certas semelhanças com outros casos ou situações. (p. 17).

O processo de elaboração do PT configura o caso e apresenta, como sua particularidade, um afastamento dos moldes tradicionais para o processo de conceitualização, no contexto de um sistema que é a formação do professor. Como indicado na citação, provavelmente o licenciando depara-se com afastamentos do molde tradicional ao se envolver com outras atividades, como em uma iniciação científica, no entanto, a conjuntura proporcionada pela disciplina mostra-se como uma especialidade do caso.

Portanto, segundo André (2005), utiliza-se o Estudo de Caso perante um interesse em particular, no qual se pretende compreender profundamente essa instância particular em sua complexidade e totalidade, retratando o dinamismo de uma situação, em uma forma muito próxima de seu desenvolvimento natural.

CAPÍTULO III – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS