• Nenhum resultado encontrado

2.2 Representação de Burau ψ n

2.2.2 Características da representação de Burau

. (2.8)

2.2.2 Características da representação de Burau

Nessa seção estudaremos a representação de Burau ψn: Bn →GLn(Λ). Estabe-leceremos uma propriedade simples da imagem, mostrando que ela está contida em um subgrupo bastante restrito deGLn(Λ). Além disso, faremos uma primeira análise sobre o núcleo dessa representação.

Lembremos que uma involução é uma função invertível que é igual a sua própria inversa e deniremos o conjugado de Laurent, denotado por λ, como sendo

λ=X

k∈Z

λkt−k, λk∈Z.

A menos de menção contrária, a partir desse momento e até o nal dessa seção, o símbolo ¯ , chamado de barra, representará o conjugado de Laurent. Consideremos o automor-smo involutivo do anel de poliômios de Laurent Λ, ξΛ: Λ → Λ, denido por ξΛ(λ) = λ para todoλ∈Λ.

Para uma matriz A = (λi,j) sobre Λ denamos A = (λi,j) e AT = (λj,i) como sendo a matriz conjugada de Laurent e a matriz transposta deA, respectivamente.

Ademais, seja Ωn a matriz triangular inferior de ordem n sobre Λ com os termos da diagonal principal iguais a 1 e todos os termos diferentes de 0, iguais a 1−t, como na matriz abaixo:

O intuito na continuação é enunciar e demonstrar o Teorema 2.9, onde mostrare-mos que AΩnAT = Ωn quando A está na imagem da representação de Burau. Mas, para isso precisamos de algumas propriedades que nos guiarão nessa prova.

Proposição 2.8. SejamA e B matrizes quadradas invertíveis de ordem n. Então i) ATBT = (BA)T,

ii) (AT)−1 = (A−1)T, iii) A B =AB,

iv) (A)T =AT, v) (A)−1 =A−1.

Demonstração. As propriedades i) e ii) são clássicas da álgebra linear e podemos vê-las em [Ev, Teorema 1.5.2, item 4] e [Ev, Teorema 2.2.7], respectivamente. Por esse motivo não faremos tais demonstrações.

O item iii) segue imediatamente de ab = ab e a+b = a+b, pois, ao fazermos a multiplicação de matrizes conjugadas, caímos em um certo somatório de multiplicações de elementos conjugados. Ao aplicarmos as duas armações, chegamos onde queríamos.

Então, mostremos primeiro que ab=ab, para

a= X Ao fazermos a distributiva, obtemos

ab=X Agora analisemos o elementoa+b,

a+b= X

Obtemos que valea+b=a+b.

A propriedade iv) segue imediatamente, pois a transposta de uma matriz muda apenas o local do elemento, não mudando sua natureza, já o conjugado de Laurent, muda a natureza, não alterando o local do elemento.

Já para o item v), temos

A A−1 =AA−1 (pelo itemiii))

=I =I.

A vericação do inverso deA à esquerda é análoga. Logo, (A)−1 =A−1.

Teorema 2.9. Seja ψn: Bn → GLn(Λ) a representação de Burau. Para n ≥ 1 e A ∈ ψn(Bn)⊂GLn(Λ), temos

AΩnAT = Ωn. (2.9)

Demonstração. Iremos provar que a equação (2.9) vale para osU1, U2, . . . , Un−1(ver (2.4)).

Além disso provaremos que se a equação (2.9) vale para as matrizesA1eA2, então também valerá para a multiplicação e para os inversos. Dessa forma, conseguiremos a validade da equação (2.9) para qualquer elemento da imagem da representação de Burau.

Primeiro provaremos que se a equação (2.9) vale para a matriz A, então também valerá para sua inversa. Com efeito, multiplicando a equação (2.9) à esquerda por(A)−1 e à direita por(AT)−1, obtemos uma equação semelhante, ilustrada a seguir

AΩnAT = Ωn ⇒(A)−1AΩnAT(AT)−1 = (A)−1n(AT)−1

⇒Ωn =A−1n(A−1)T (usando a Proposição 2.8 itens ii) ev)). Concluindo que se vale a equação (2.9) para A, então, torna-se verídico também para A−1. Ainda mais, se a equação (2.9) é satisfeita paraA1 eA2, então também será para o produto entre eles.

A1A2n(A1A2)T =A1A2nAT2AT1 =A1nAT1 = Ωn.

Por m, provaremos que (2.9) vale para as matrizes Ui para todo i= 1, . . . , n−1. Para mostrar essa assertiva, faremos uma divisão em blocos das matrizesUi e Ωn da seguinte forma:

Ui =

Ii−1 0 0

0 U 0

0 0 In−(i+1)

, Ωn=

i−1 0 0

K2,i−12 0

Kn−(i+1),i−1 Kn−(i+1),2n−(i+1)

,

onde U é a matriz dada em (2.5),Ω2 é a matriz

De maneira similar, agora olhando para cada linha, é verdadeiro que Kn−i−1,2UT = Kn−i−1,2, pelo seguinte motivo

Partindo da demonstração do Teorema 2.9, ao aplicar a involução ξA: A → A e a transposta de matrizes em (2.9), obtemos:

AΩnAT = Ωn ⇒ AΩnAT = Ωn (aplicando ξA)

⇒ AΩnAT = Ωn

⇒ (AΩnAT)T = ΩnT (aplicando a transposta)

⇒ (AT)T(Ωn)TAT = ΩnT

⇒ A(Ωn)TAT = (Ωn)T.

Além do mais, por propriedades de multiplicação de matriz por escalar e entre matrizes, para qualquerA∈ψn(Bn) e quaisquer λ, µ∈Λ,

A matriz Θn é Hermitiana no sentido do conjugado de Laurent, ou seja, (Θn)T = Θn.

Agora, começaremos a discutir um pouco sobre o núcleo da representação de Burauψn: Bn →GLn(Λ). Na Denição 2.1 vimos que uma representação será el se for injetora. Uma maneira de vericar que de fato há delidade da representação é checar se seu núcleo é trivial.

Seguindo [KT, Capítulo 3], mostraremos na Seção 2.3 que Ker(ψ3) = {1}. Para n ≥ 4, a questão de ψn ser el permaneceu em aberta por um longo período de tempo.

Em 1991 foi provado por J. A. Moody que tal representação não é el para n ≥ 9, o qual pode ser visto em [Mo]. A posteriori, em 1993, D. D. Long e M. Paton renaram o

resultado de Moody, provando a não delidade da representação de Burau para n ≥ 6, que podemos ver em [LP]. Entretanto, apenas em 1999, S. Bigelow prova em [Bi1] que também não há delidade no caso n= 5.

Observemos que Ker(ψn) ⊂ Ker(ψn+1), perante à inclusãoBn ⊂Bn+1. Por essa feita, se Ker(ψn)6={1}, então teremos que Ker(ψm)6={1} para todo m≥n.

Teorema 2.10. O núcleo da representação de Burau ψn não é trivial para n≥5.

Demonstração. A estratégia dessa demonstração será exibir uma 5-trança diferente da trivial a qual está no núcleo da representação de Burau.

Seja

γ =σ4σ3−1σ2−1σ21σ2−1σ−21 σ2−2σ1−1σ−54 σ2σ3σ43σ2σ12σ2σ3−1 ∈B5. (2.11) Tomemos a 5-trança

ρ= [γσ4γ−1, σ4σ3σ2σ12σ2σ3σ4]

= (γσ4γ−1)−14σ3σ2σ12σ2σ3σ4)−1γσ4γ−1σ4σ3σ2σ12σ2σ3σ4 (2.12) Primeiramente vericamos através da permutação de tranças que as 5-tranças σ4σ3σ2σ21σ2σ3σ4, (γσ4γ−1)−14σ3σ2σ12σ2σ3σ4)−1γσ4γ−1 e por consequência ρ são puras, visto que todas possuem permutação de tranças trivial. Além disso, percebamos que

σ4σ3σ2σ12σ2σ3σ44σ3σ2σ12σ2σ3σ4−1σ24

4σ3σ2σ12σ2σ3σ4−1A4,5

4σ3σ2σ12σ2σ3−1σ23σ4−1A4,5

4σ3σ2σ12σ2σ3−1σ−14 σ4σ32σ4−1A4,5

4σ3σ2σ12σ2σ3−1σ−14 A3,5A4,5

4σ3σ2σ12σ2−1σ22σ3−1σ4−1A3,5A4,5

4σ3σ2σ12σ2−1σ−13 σ3σ22σ3−1σ−14 A3,5A4,5

4σ3σ2σ12σ2−1σ−13 σ4−1σ4σ3σ22σ−13 σ4−1A3,5A4,5

4σ3σ2σ12σ2−1σ−13 σ4−1A2,5A3,5A4,5

=A1,5A2,5A3,5A4,5. Desse modo,

ρ= (γσ4γ−1)−1(A1,5A2,5A3,5A4,5)−1γσ4γ−1A1,5A2,5A3,5A4,5

=γσ−14 γ−1A−14,5A−13,5A−12,5A−11,5γσ4γ−1A1,5A2,5A3,5A4,5. (2.13) Armamos que ρé um elemento não trivial doKer(ψ5: B5 →GL5(Λ)). A trança ρ de fato está no núcleo da representação e isso decorre da computação de multiplicação

de118 matrizes. Essa conta foi feita através de um programa de computador e não será posta nesse texto dada a sua extensão. Sabemos que as tranças A1,5A2,5A3,5A4,5 e sua inversa pertencem ao núcleo def5 (ver Subseção 1.7.2). Além do mais, quando aplicamos o mesmo homomorsmo de esquecimento em γσ−14 γ−1A−14,5A−13,5A−12,5A−11,5γσ4γ−1 podemos perceber que essa trança também pertence ao núcleo já que A−14,5A−13,5A−12,5A−11,5 se torna trivial, γσ4−1γ−1 e sua inversa têm permutação que mantém a quinta corda nela mesma, fazendo com que os extremos se cancelem. Para provarmos queρ não é trivial recorremos ao penteamento da trança e utilizamos as Proposições 1.27 e 1.28 para escrever ρ como produto dos geradores de Artin das tranças puras. Era preciso escrever ρ em relação aos geradores do Ker(f5), mas não foi possível atingir o objetivo por causa da extensão da escrita em geradores de Artin.

Observação 2.11. Com o intuito de provar que ρ é diferente da trança trivial, fez-se necessário a criação e a utilização de um programa feito em JAVA pelo programador e estudante de engenharia elétrica com ênfase em sistemas e computação da UERJ Ariel Gonçalves Freire em trabalho realizado juntamente comigo. O programa, intitulado por BraidBrusher, é composto por bibliotecas nas quais foram organizadas as Proposições 1.27 e 1.28, além dos possíveis cancelamentos.

Ao aplicar os conjugados em A−14,5A−13,5A−12,5A−11,5, calculou-se uma série de 53 itera-ções as quais são o passo a passo de como obter a escrita deρcomo produto dos geradores de Artin das tranças puras. Mas, por questão da extensa quantidade de páginas não traremos a trança escrita dessa forma nesse texto.

Observação 2.12. Até o momento da conclusão dessa dissertação o caso n = 4 sobre a injetividade da representação de Burau ψ4 ainda é um caso em aberto.

Documentos relacionados