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Características das Escolas e Relatos de Projetos

CARACTERÍSTICAS DAS ESCOLAS E RELATOS DE PROJETOS

Neste capítulo, faço uma caracterização das escolas nas quais trabalham os professores participantes desta pesquisa. Para isto, utilizo seus relatos nas entrevistas e as fichas das escolas preenchidas por eles. Esta caracterização tem por objetivo proporcionar uma reflexão sobre a interferência da organização das escolas nos trabalhos com projetos. Além disto, trago quinze exemplos de projetos desenvolvidos pelos professores entrevistados. Após a leitura e releitura de suas entrevistas, elaborei os relatos destes projetos. Desta forma, as informações neles constantes, nem sempre se encontram em um mesmo trecho da entrevista. O objetivo de apresentar estes relatos é servir como referências para os professores que queiram trabalhar com projetos em suas escolas.

3.1 – Caracterização das escolas 3.1.1 – Escola de Carla

É uma escola tradicional da rede estadual de ensino em Araras-SP. Em 2005 completou 45 anos de existência. Segundo Carla, é uma escola bem cuidada, está sempre “arrumadinha”. Tem um jardim “superbonitinho” na frente. O banheiro dos professores(as) é limpo, com toalhinhas de papel e detergente líquido. Neles há até vasinhos de flores. São

esses detalhes, coisas que Carla nunca havia visto em outras escolas, que, segundo ela, a faz diferente das demais.

A escola conta com uma boa biblioteca, com muitos livros e mesinhas para estudos, além de uma máquina de xérox. Alunos, professores e o pessoal da secretaria podem usá-la a um preço de 10 centavos por cópia. Há uma professora readaptada17 que é responsável pelo xérox e pela biblioteca.

O laboratório de informática tem 10 computadores, mas está instalado em uma sala pequena, onde não cabem todos os alunos. Para utilizá-lo com os alunos, teria que deixar a metade deles na sala de aula, o que, segundo Carla, dificulta bastante, pois o laboratório fica longe das salas de aula. Por esse motivo os professores normalmente não utilizam os computadores em suas aulas, nem mesmo Carla. Além disso, ele fica a maior parte do tempo ocupado com alunos, que participam de atividades de reforço em período contrário ao de suas aulas, impossibilitando assim, o seu uso pelos professores e alunos regulares do período.

A escola tem ainda, um espaçoso laboratório de Física e Química, porém com poucos recursos; duas salas com televisão e videocassete; um aparelho de DVD e uma caixa de som com amplificador. As salas de TV são usadas com bastante freqüência pelos professores.

Com relação aos projetos, eles acontecem de forma isolada, cada professor se envolve naqueles projetos pelos quais tem interesse. No início do ano, na época do planejamento, todos os professores recebem uma relação dos projetos nos quais a escola está envolvida. Desta forma, o professor pode planejar sua participação neles. Segundo Carla, há uma infinidade de projetos, entre eles: ‘Hora da Leitura’; ‘Números em Ação’; ‘Trilhas de Letras’. Atualmente, “tudo é projeto!”, diz ela.

Além desses, há o projeto: “Afetividade, Sexualidade e Drogas”, inspirado no programa “Bate Papo com a Galera”, que foi elaborado por uma professora de Biologia em parceria com a coordenadora pedagógica da escola. Os alunos sentam em círculo e tiram suas dúvidas com a professora. Esse projeto foi bastante divulgado na imprensa local e enviado para a Secretaria de Estado da Educação, que enviará uma verba para sua continuidade. Ele é tido como interdisciplinar, porém está em aberto: o professor que quiser, pode desenvolver o que foi previsto nele. Caso contrário, não há 17

O professor que por problemas de saúde, precisar se afastar das atividades de sala de aula, mas que deve permanecer trabalhando em outras funções na escola, é chamado “Professor Readaptado”. Normalmente, os professores readaptados são designados para trabalharem nas bibliotecas.

exigência para a participação de todas as disciplinas. Além disso, não há um momento de os professores se reunirem para planejarem suas ações. No entanto, ele é conhecido como o projeto da professora de Biologia, porque foi ela quem tomou frente nele, embora tenham sido previstas as atividades, que os professores de outras disciplinas poderiam desenvolver.

3.1.2 – Escola de Célia e Márcia

Célia e Márcia trabalham na mesma escola. É uma escola pequena, situada em um bairro próximo ao centro de Rio Claro e atende a cerca de 700 alunos do Ensino Fundamental, distribuídos nos períodos da manhã e tarde.

Dispõe de um grupo de professores bem formados, que estudaram em universidades conceituadas e muitos deles, continuam seus estudos fazendo especialização, mestrado e doutorado. A maioria de seus professores é efetiva18. Eles são interessados e tudo que a direção e coordenação pedem para fazer, elas são atendidas. Essa participação ativa dos professores chega a surpreender o corpo administrativo da escola.

Tem uma biblioteca boa, com uma professora readaptada que trabalha lá e se dedica muito a atender aos alunos e professores, e a “enfeitar” a biblioteca. Há um horário de atendimento estipulado para os alunos, que têm uma cultura de ir à biblioteca para fazer pesquisas, leituras e retirar livros.

A escola ainda não tem sala de informática, porque na época que o governo equipou as escolas de 5ª a 8ª séries com computadores, ela atendia uma clientela de 1ª a 4ª série. Recebeu recentemente cinco computadores, mas que ainda não foram instalados.

Por esse mesmo motivo, a escola não possui alguns materiais, como os Parâmetros Curriculares de 5ª a 8ª séries. É preciso pedi-los emprestado a outras escolas, ou que estes sejam impressos por professores, que têm computador em casa, e levados às reuniões, nas quais irão utilizá-los.

Na escola da Célia e Márcia, os temas dos projetos são definidos já no início do ano. Na época do planejamento, a coordenação e direção, juntamente com os professores decidem quais temas serão trabalhados em cada bimestre. No ano de 2005, 18

Professor efetivo é aquele que foi admitido mediante aprovação em concurso público. São os titulares de cargo. Os demais são contratados temporariamente.

foram desenvolvidos os projetos: “Água”, no 1º bimestre, “Energia Elétrica”, no 2º e “Reciclagem”, no 3º.

Escolhidos os temas, todos os professores tentam encaixar algumas atividades sobre eles em suas disciplinas. Nos Horários de Trabalho Pedagógico Coletivos (HTPCs), os professores se reúnem por área de atuação e discutem o quê cada um fará para contemplar o tema que será estudado.

Há um entrosamento significante entre os professores e o pessoal da administração. Márcia atribui esta qualidade ao fato de haver muitos professores efetivos na escola. Eles compromissados e atendem a todos os pedidos da direção e coordenação. Até a bibliotecária envolve-se nos projetos. Ela participa das reuniões de professores e toma conhecimento dos temas que serão trabalhados em cada bimestre. Assim, quando é um tema trabalhoso de se encontrar em livros, normalmente a bibliotecária pesquisa na Internet, elabora algumas apostilas e disponibiliza-as para consultas na biblioteca.

Na opinião de Célia, esta escola é qualitativamente superior a todas, onde havia trabalhado antes. Os professores trabalham satisfeitos, porém ela percebe que o baixo salário pago pelo governo, pode levá-los a mudar de profissão. E com isso, a Educação poderá perder excelentes professores.

3.1.3 – Escola de Joyce

A escola em que Joyce trabalha fica em um bairro da periferia de Rio Claro, e atende por volta de 1300 alunos do Ensino Fundamental e Médio, distribuídos nos três períodos: manhã, tarde e noite.

Possui, segundo Joyce, um ambiente bastante aconchegante, limpo e organizado. As salas de aulas têm cortinas e ventiladores, e assim que se danificam, a diretora logo providencia o reparo dos mesmos. Quase não há depredação do espaço físico pelos alunos. Os banheiros, em termos de conforto, são os melhores que Joyce já presenciou em escolas públicas.

No período da manhã e da tarde funcionam salas ambientes. No período da noite não, porque nas trocas de salas, os alunos saíam e não voltavam mais. Outro motivo está no fato de não utilizarem todas as salas, já que à noite são menos turmas do que no diurno, e não sendo salas ambientes, algumas ficam ociosas. Desta forma, são menos salas para limpar no dia seguinte.

Tem uma sala de vídeo e uma biblioteca, mas não tem bibliotecário. Os professores de Língua Portuguesa têm a chave; eles a emprestam aos de outras disciplinas, quando precisam usar a biblioteca. Há também aluno monitor, que fica responsável pela chave e por anotar os livros retirados pelos colegas.

A escola tem também, uma sala de informática, com 10 computadores e Internet banda larga, além de um técnico, que presta assistência aos equipamentos desta sala. Os professores podem chamá-lo, quando os computadores apresentam algum problema técnico, sendo solucionado rapidamente.

Os computadores são bastante usados pelos professores em suas aulas. A sala de informática é grande, cabem os 40 alunos, que têm em média em cada turma. Além das mesas com os computadores, há algumas no centro da sala, para acomodar os alunos que não estiverem usando os computadores. Há professores que conseguem trabalhar com todos os alunos da classe ali, este é o caso de Joyce. E há aqueles que preferem deixar a metade dos alunos, sozinhos na sala de aula, fazendo outra atividade, enquanto os demais utilizam os computadores e depois, trocam as turmas.

Outros professores além de Joyce, trabalham com projetos em sua escola. Alguns deles sugeridos pela coordenação pedagógica, mas Joyce afirma encontrar muita dificuldade no trabalho com projetos grandes, como é o caso desses em que seleciona um tema para envolver todas as disciplinas. Somente quanto o tema for favorável para trabalhar o conteúdo que estiver tratando em suas turmas, é que acata a sugestão da coordenação, mas mesmo assim, não se sente vinculada ao projeto da escola. Para ela, esse tipo de trabalho ainda é bastante segmentado.

3.1.4 – Escola de José Antônio

José Antônio trabalha em uma escola da Rede Estadual de Ensino da Bahia, em Salvador e atende alunos do Ensino Fundamental e Médio, distribuídos nos três períodos, sendo que no período noturno são alunos da EJA – Educação de Jovens e Adultos, do Ensino Médio.

A escola conta com 15 salas de aula, 01 laboratório de informática, 01 biblioteca, 01 quadra esportiva e 01 auditório. Das 15 salas de aula, 04 possuem TV e Vídeo. Dispõe ainda de Retro-Projetores, Data Show, Episcópio (Projetor), entre outros.

Segundo José Antônio, os professores têm total liberdade para utilizar os recursos disponíveis na escola, bem como as dependências dela. Geralmente o Auditório é utilizado para as apresentações de seminários, peças de teatro, palestras e os produtos finais dos projetos.

Quase a totalidade dos professores do período noturno desta escola trabalha com projetos. Segundo ele, no início, a direção e os funcionários da escola não valorizavam este tipo de trabalho, mas com o passar do tempo começaram a apoiar, tanto financeiramente, como marcando presença nas apresentações das atividades desenvolvidas. José Antônio considera importante esse incentivo dado pelo pessoal da administração da escola, nos trabalhos com projetos, e considera importante também, a disponibilização de recursos pedagógicos, materiais, pessoais e instalações necessários ao desenvolvimento das atividades dos projetos.

Normalmente, o grupo de professores da área de Ciências da Natureza e Matemática, ao qual José Antônio pertence, sugerem temas que eles acreditam serem interessantes para trabalhar os conteúdos de suas disciplinas. Ao longo dos últimos sete anos, esses professores desenvolveram os seguintes temas: Água, Canudos x MST, Saúde, Fome, Violência, Trabalho e Desemprego, Energia e Tecnologia. A cada ano foram implementadas algumas modificações ao Projeto desenvolvido no ano anterior. Para isso foram considerados todos os pontos de melhoria apontados nas avaliações finais do projeto anterior, na tentativa de corrigirem as falhas. O projeto água, desenvolvido em 2001, bem como o relatório final do mesmo, se encontra nos anexos VI e VII, respectivamente.

As atividades dos projetos desenvolvidos por eles são planejadas pelo grupo dos professores da área e sua execução, fica sob a orientação do professor da disciplina a que o conteúdo a ser tratado corresponde. Desta forma, o professor de Matemática, desenvolve com seus alunos, somente as atividades correspondentes à Matemática.

3.1.5 – Escola de Marta

A escola em que Marta trabalha atende a cerca de 1400 alunos do Ensino Fundamental, da Rede Municipal de Belo Horizonte, com uma média de 30 a 35 alunos por classe. Conta com 60 professores, 8 coordenadores e 16 funcionários. É composta

por 22 salas de aula, onde funcionam salas ambientes. Algumas delas são utilizadas apenas com crianças do 1º ciclo (crianças menores).

Dispõe de dois pátios grandes, duas quadras, sendo uma coberta, uma cantina, uma sala de vídeo, biblioteca, brinquedoteca, sala dos professores, sala da coordenação, sala da direção, secretaria, entre outras dependências.

Outros professores da escola, além de Marta, trabalham com projetos, mas eles não fazem integração dos assuntos que estão estudando. Cada um desenvolve seu trabalho isoladamente. Não há ainda, o envolvimento da direção e coordenação pedagógica nos projetos desenvolvidos pelos professores. Estas ficam neutras, não incentivam nem criticam, são indiferentes a respeito dos trabalhos deles.

Às vezes em que Marta desenvolveu seus projetos, foi um trabalho individual. Ela organizava tudo sozinha. Desde carregar carteiras, organizar o espaço para as apresentações, até preparar as atividades para os alunos, tudo era feito por ela, incluindo digitar, imprimir e xerocar tais atividades. O que, segundo ela, demandava muito esforço “físico e mental” de sua parte. Nestas situações, diz ela, os alunos ficam mais agitados, eles querem ajudar, mas criam certo tumulto, que deixa o professor ainda mais cansado.

3.1.6 – Escola de Mateus

Conforme já disse na apresentação de Mateus, no capítulo II, sua experiência com projetos se deu em duas escolas: uma pública e outra particular. Tanto na escola pública como na particular havia outros professores que trabalhavam com projetos, mas esses trabalhos aconteciam de forma individual. Não havia um momento em que os professores pudessem preparar seus projetos coletivamente. Alguns professores que não se envolviam nos projetos, criticavam sua forma de trabalhar, dizendo para ele aproveitar enquanto era jovem, porque dali a pouco perderia esse “pique”, enquanto que outros o incentivavam, o ajudavam. Com alguns deles, Mateus até fez parcerias no desenvolvimento de projetos, ora sugerido pela direção da escola, ora planejado de maneira informal, no horário do “cafezinho”. O que predominava em seus projetos era o trabalho individual, planejado por sua própria iniciativa.

Faço neste momento a caracterização das duas escolas em que Mateus trabalhava:

3.1.6.1 - Escola Pública

Está situada na periferia de Canoas, no Rio Grande do Sul, e atende a cerca de 2000 alunos do Ensino Fundamental (de 1ª a 4ª e de 5ª a 8ª séries) e Ensino Médio, distribuídos nos três períodos: manhã, tarde e noite. Sendo que, no período noturno só há Ensino Médio e Fundamental de 5ª a 8ª. O número de alunos por classe varia de 35 a 50.

Com relação ao espaço físico, dispõe de um playground, um pátio bem grande, um refeitório, um quadra esportiva, uma sala de TV e vídeo, além de outras dependências.

A sala de vídeo era bastante usada pelos professores, sem qualquer exigência da direção. Mas, com o tempo, alguns deles começaram a utilizá-la de forma inadequada, passando desenhos e filmes sem ligação com sua disciplina. A partir daí, a direção começou a exigir que os professores fizessem um documento com os objetivos a serem atingidos toda vez que fossem usá-la.

Atualmente a escola possui uma sala de recreação, com uma vasta variedade de jogos e materiais didáticos, porém na época em que os projetos foram desenvolvidos por Mateus, esta sala não existia.

Segundo Mateus, os professores, principalmente os do noturno, são bastante unidos. Na época que ele trabalhava lá, a diretora era muito amiga deles. Ela os ajudava até mesmo a resolverem seus problemas particulares. Desta forma, ela cativava os professores, que atendiam a todos os seus pedidos.

3.1.6.2 - Escola Particular

É dirigida por freiras. Está situada em Canoas-RS, e atende a cerca de 1200 alunos, com o número máximo de 39 por turma. Se esse número chegar a 40, a turma é dividida em duas. Os níveis de ensino em que atende são: Educação Infantil, Ensino Fundamental - de 1ª a 4ª e de 5ª a 8ª séries - e Ensino Médio.

No que se refere à estrutura física da escola, além das salas de aula e demais dependências, conta com um ginásio de esportes, um laboratório de Biologia, um laboratório de informática, uma sala de vídeo e TV, uma sala pequena com vários materiais: Fantoche, Poliedros, Flipchart (aparato usado por pintor), e uma sala maior com cadeiras, para serem utilizadas em atividades diversas.

Na sala de TV, há um piano usado pelo professor de música com as turmas de 1ª a 4ª série. Além das aulas de música, há ainda, neste nível de ensino, aulas de Inglês e de Educação Física ministradas por especialistas destas áreas.

3.1.7 – Escola de Pedro

A escola em que Pedro trabalha está situada na região central de Limeira e atende a cerca de 1600 alunos do Ensino Fundamental e Médio, distribuídos nos três períodos: manhã, tarde e noite.

Conta com 15 salas de aula, uma biblioteca bem montada, um laboratório químico/físico, uma sala de TV, vídeo e DVD e uma de informática com 10 computadores. Tanto a sala de informática quanto a de vídeo, segundo Pedro, podem e devem ser utilizadas por todos os professores em suas aulas, desde que seja agendado o horário com antecedência, para não acontecer de haver dois ou mais professores querendo utilizá-las ao mesmo tempo.

Com a mudança da grade curricular em 2005, não foi possível manter as salas ambientes, o que, segundo Pedro, dificulta um pouco o trabalho dos professores, principalmente com relação a materiais específicos de cada área, pois quando eram ambientes, esses materiais ficavam nas salas correspondentes a cada disciplina. Da forma como voltou a ser, o professor precisa carregar todo o material que for utilizar, para cada uma das salas que irá trabalhar.

Na escola do Pedro há bastante incentivo para a formação continuada dos professores. Todos: diretores, coordenadores e outros professores têm dado bastante apoio, tanto para a formação continuada, como para a implementação da proposta de trabalhos com projetos na prática de sala de aula.

Como a maioria das escolas estaduais de São Paulo, a direção e coordenação pedagógica propõem temas, para que os professores de todas as disciplinas os desenvolvam em sua prática de sala de aula. São nesses projetos – os sugeridos pela escola - que Pedro se envolve.

3.1.8 – Escola de Rose

É uma escola nova, situada em Salvador, num bairro com facilidade de acesso. Era um prédio da Petrobrás, que foi transformado em uma espaçosa escola de

Ensino Médio, da Rede Estadual da Bahia. É formada por três alas. Em cada uma delas funciona uma série do Ensino Médio. Além disso, tem outro pavilhão onde funciona o Ensino Profissionalizante. Por ser de fácil acesso, atende alunos de vários bairros, tanto do subúrbio como da região central.

É chamada de “Escola Modelo”, por isso sempre recebe recomendações do governo estadual, para que lá desenvolvam experiências novas. Além disso, há recomendações para que os professores, diretores e coordenadores sejam todos concursados.

As salas são amplas (cabem 30 carteiras), arejadas e têm ventiladores. Além das salas de aulas, conta ainda com um laboratório de Química e Física - sem uso, uma biblioteca, um auditório – onde os alunos normalmente apresentam peças teatrais produzidas por eles, uma sala de informática - utilizada apenas por um professor de informática que ministra cursos aos alunos em período contrário aos de suas aulas.

Os demais professores, segundo Rose, não estão utilizando os computadores em suas aulas, talvez porque não sabem manuseá-los de forma adequada. Recentemente começou a divulgação de cursos de informática a distância, mas mesmo assim o professor precisa ter computador para manipular, e o que parece é, que eles ainda não têm acesso aos computadores. Rose tem conhecimento em utilizar os computadores, já que em sua graduação, usava-os na universidade.

Sua escola, por ser modelo, recebeu mais de trinta computadores, mas não têm manutenção. Normalmente, tem cinco, seis, funcionando. Nas outras escolas da Bahia, Segundo Rose, a situação é a mesma. Há escolas que receberam dez computadores e apenas dois funcionam.

No ano de 2002, a coordenação pedagógica da escola elaborou um

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