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CARACTERÍSTICAS DAS POLÍTICAS DE ESTADO E DE GOVERNO

No documento Escola Superior de Guerra (páginas 143-147)

CAMPOS DE APLICAÇÃO DO PODER NACIONAL

I) inexiste doutrina abrangente que possamos denominar Teoria

1.5 CARACTERÍSTICAS DAS POLÍTICAS DE ESTADO E DE GOVERNO

A fim de inserirem-se adequadamente no processo de

Desenvolvimento Nacional, as Políticas de Estado e de Governo devem

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1.5.1 Representatividade

É o sentido de participação de todos os membros da sociedade no esforço do Desenvolvimento, que deve ser comum. A legitimidade do Governo não é suficiente à condução do processo desenvolvimentista. Por isso, o apoio das elites da nação aos governantes é fundamental, posto serem imperiosos a coesão e o consenso da sociedade em torno de ideias, metas e procedimentos claramente definidos pelo governo que facilitem a implementação da Política de Desenvolvimento.

Para tanto, é preciso que haja um amplo entendimento dos Objetivos de Estado e de Governo e, nesse sentido, a comunicação social será um instrumento extremamente importante na disseminação dos objetivos gerais a alcançar e na justificativa de suas razões. É claro que o consenso nem sempre será alcançado, mas, nos regimes democráticos, as maiorias estimulam seus governantes, que atuam em função delas. O consenso deverá ter a amplitude e a representatividade necessárias de modo a colaborar para o sucesso dos planos elaborados e servir de caixa de ressonância capaz de, realimentando com novos dados a evolução conjuntural, permitir as correções necessárias do que foi planejado.

1.5.2 Realismo

A fim de evitar frustrações e decepções, as Políticas Governamentais devem ser realistas, isto é, guardar sentido de possibilidade real com os meios disponíveis. Importante comentar que isso é muitas vezes esquecido pelo desejo, quiçá ânsia, de alguns governantes em antecipar, prematuramente, ou até mesmo renunciar à conquista de etapas imprescindíveis do processo desenvolvimentista, o que acaba por levar o País a alcançar níveis mais elevados de Desenvolvimento, em curto prazo, mas sem a indispensável sustentabilidade do crescimento econômico (VEIGA, 2010). Destarte, é imprescindível saber o que se quer e querer o que se pode, fato aparentemente simples, porém muitas vezes esquecido pelo desejo de governantes em pular etapas para levar o País a níveis mais elevados de desenvolvimento.

1.5.3 Autenticidade

A cópia de modelos forâneos bem como a adoção de objetivos desvinculados das aspirações nacionais constitui erro grave na formulação das Políticas Governamentais. Os objetivos – quer sejam Objetivos de Estado, quer sejam Objetivos de Governo − contidos nas Políticas Governamentais devem ser genuinamente nacionais, guardando respeito e coerência com as tradições e o caráter nacionais. Políticas Governamentais não devem meramente atender

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a pressões psicológicas dos meios de comunicação de massa sobre o ambiente nacional. Habermas (2003) refere-se a isso como a opinião pública determinada por interesses privados que intentam legitimar-se na esfera pública. Sobre tais pressões, é inequívoco que a comunicação social, particularmente aquela veiculada por meios de comunicação de massa, exerce pressões psicológicas diversas sobre o ambiente nacional, criando, assim, toda sorte de necessidades e aspirações relacionadas a determinados padrões de bem-estar. Há nações que, em decorrência de características próprias e de diferentes estágios de desenvolvimento (inclusive cultural), orientam suas políticas segundo condições que lhes são específicas, não podendo, portanto, servir como modelo plenamente aplicável aos nossos anseios. Assim sendo, repisa-se que os objetivos contidos nas políticas de Estado e de Governo devem ser genuinamente nacionais, guardando, dessa forma, respeito e coerência com a História da Nação, suas tradições, seu caráter e suas aspirações.

1.5.4 Integralidade

Para sua efetivação, o Desenvolvimento Nacional deve abranger as cinco Expressões do Poder Nacional. Nesse sentido, a análise das conjunturas (nacional e internacional), elementos essenciais para a adequada, exequível e aceitável formulação das Políticas de Estado e de Governo corretas e acuradas, auxiliará sobremaneira o entendimento pragmático da ocorrência de conflitos e dilemas, detectando a necessidade de adoção de relevantes ações específicas em determinado campo de expressão do Poder Nacional que lhe empreste certa prevalência, sem descurar das demais.

1.5.5 Sentido Humanístico

Como o objetivo final de todo o processo desenvolvimentista deve ser o aumento do bem-estar e da justiça social, o Desenvolvimento deve ter como referência a valorização do Homem.

Na realidade, o Desenvolvimento só se verifica quando, ao longo de todo o processo, o indivíduo se realiza como pessoa e, também, quando toda e qualquer mudança se processa para assegurar-lhe os direitos fundamentais à vida, à liberdade e à dignidade. Consequentemente, o Desenvolvimento deverá atender aos desejos e aspirações do Homem, em seu permanente vir-a-ser. É essa busca que confere ao Desenvolvimento o sentido dinâmico que o caracteriza.

Nada obstante, no caminho dessa busca, o governo deve procurar manter o indispensável equilíbrio entre a repartição e a concentração de recursos, a fim de garantir, concomitantemente, o ritmo almejado ao processo

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desenvolvimentista conjugado ao atendimento o mais equânime possível dos anseios da sociedade. Isso somente será atingido se o Homem for o principal beneficiário do processo em todos os campos de expressão do Poder Nacional, pois nenhum esforço de desenvolvimento será justificável se não levar em conta a dignidade humana.

1.5.6 Flexibilidade

A reorientação das Políticas Governamentais e de suas estratégias pode ser necessária, tendo em vista o dinamismo das conjunturas nacional, regional e global. Por decorrência, tal dinamismo pode determinar a necessidade de reorientação da Política de Desenvolvimento e, até mesmo, a alteração (total ou parcial) dos Objetivos (de Estado e/ou de Governo) a atingir. Nesse sentido, cabe salientar que a intervenção do Estado na vida nacional, notadamente em aspectos afetos à Expressão Econômica do Poder Nacional, deve ser apenas orientadora e indutora do setor privado, ao qual, em regimes democráticos, compete importante ação executiva na consecução de planos e na busca de metas a atingir.

Nesse diapasão, a análise das conjunturas nacional, regional e global − etapa anterior à formulação das políticas − implica a necessidade de estimativas tão perfeitas quanto possíveis.

Nada obstante, a realimentação com novos dados e o acompanhamento natural da efetividade, da eficiência e da eficácia dos planos, programas e projetos governamentais impõem a imprescindibilidade de suas respectivas avaliações, em decorrência das quais podem ser indicadas necessidades de modificações.

Para efeito de análise de sua efetividade, eficiência e eficácia, o Desenvolvimento Nacional deve ser examinado segundo cada um dos elementos estruturais, aspectos e variáveis dos campos de expressão que compõem o Poder Nacional. Para tanto, estudos de toda ordem podem ser realizados com enfoques específicos, devendo-se utilizar indicadores que permitam avaliar o estágio do processo desenvolvimentista.

Além disso, como o Desenvolvimento Nacional é um processo global, portanto, sinergético, governantes e suas equipes de planejamento devem ter a exata noção de que mudanças a implantar devem ocorrer de forma cuidadosa, integrada e harmônica, pois terão implicações em todos os campos de expressão do Poder Nacional. O problema é complexo, uma vez que nas sociedades democráticas a intervenção do Estado na vida nacional deve ser precipuamente orientadora e indutora das ações do setor privado.

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1.6 O DESENVOLVIMENTO NACIONAL E AS ESTRATÉGIAS DE ESTADO E DE

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