Há 2 elementos da dignidade da pessoa humana: (i) elemento negativo; e
1.9. Características dos Direitos Humanos
Em razão da consolidação dos Direitos Humanos no estudo do Direito Internacional Público, por meio da edição de inúmeros tratados internacionais, hoje é possível enumerar diversas características que permeiam o estudo dos Direitos Humanos. Estudar essas características tem por finalidade permitir conhecer o atual estágio de desenvolvimento da proteção dos Direitos Humanos na esfera internacional e respectivas consequências que a aplicação interna no ordenamento jurídico brasileiro. Vamos enunciar as principais características dos Direitos Humanos, destacando as informações que entendemos as mais importantes.
Superioridade Normativa (ou jus cogens)
Sup
erioridade
Existem normas de direitos humanos que são hierarquicamente superior no ordenamento internacional (conceito).
A superioridade dos Direitos HUmanos é, ao mesmo tempo, superior materialmente (de conteúdo) e formal (pois são consideradas "jus cogens").
Para parte da doutrina os direitos houmanos de primeira dimensão são jus cogens. Ousa-se afirmar, ainda, que todos os direitos humanos são jus cogens em razão da matéria que disciplinam
Historicidade
Universalidade
Em relação à característica da universalidade, vejamos, inicialmente um esquema que destaca os principais pontos e, em seguida, alguns comentários mais aprofundados dada a importância da matéria.
His
toric
idade
Os Direitos Humanos decorrem de formação histórica, surgindo e se solidificando conforme a evolução da sociedade (conceito)
Base para o estudo das dimensões dos Direitos Humanos
O conflito entre universalistas e relativistas ficou patente na elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), os países questionaram a redação de alguns direitos, desqualificando a ideia de que haveria um consenso de humanidade. Entretanto, em razão das Guerras Frias, que implicaram diversas violações aos Direitos Humanos, foi realizada a Conferência Mundial sobre Direitos Humanos do qual resultou a consagração da universalidade dos Direitos Humanos.
Em contraposição, surgiu debate no sentido de que a DUDH constitui imposição de pensamento de países ocidentais
• Os direitos humanos destinam-se a todas as pessoas e abrangem todos os territórios.
• Não se deve desconsiderar as diferenças, mas, respeitando as particularidade, objetiva-se encontrar um modo de proteger a condição humana, independentemente do sexo, da cor, da religião ou condições econômicas e sociais.
UNIVERSALI SMO
• As concepções morais variam de acordo com as diversas sociedades.
• As diferenças não residem apenas na pessoa em si, ou seja, na condição humana, mas no contexto social perante o qual estão inseridos.
• Não existe como justificar a concepção moral da pessoal desprendido do contexto no qual ela está inserida.
RELATIVISM O
hegemônicos, não contemplando a visão de povos asiáticos e africanos.
Essencialidade
Os direitos humanos são essenciais, e diante dessa condição (e característica), gozam de status normativo diferenciado perante o ordenamento jurídico, ao menos o brasileiro. Como exemplo, veja-se que o §3º, do art. 5º, da CRFB/88 confere status de emenda constitucional aos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que sejam recepcionados no Brasil mediante o quórum de referida espécie legislativa. Veja-se, pois, o mencionado dispositivo constitucional:
Art. 5º […]
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
Inalienabilidade
Os direitos humanos não podem ser vendidos, alienados. É o próprio ordenamento nacional que fixa a impossibilidade de disposição desses direitos, tendo em vista a proteção da pessoa humana.
Inexauribilidade
Os direitos humanos são inesgotáveis, isto é, não estão sujeitos a rol taxativo. Admite-se, sempre, a ampliação do leque de direitos humanos, mas não sua redução.
Sobre a inexauribilidade dos direitos humanos, veja-se o parágrafo segundo, do art. 5º, da CRFB/88:
Art. 5º […]
§ 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. (grifo nosso)
Imprescritibilidade
Por via de regra, os direitos humanos são exercitáveis a qualquer tempo. E desse fato decorre a impossibilidade de estarem sujeitos a prazo prescricional. Mesmo que não exercidos durante certo lapso temporal, os direitos humanos não deixam de ser exigíveis em razão disso.
Durante o estado de sítio, por exemplo, são admitidas restrições pontuais aos direitos humanos, mas finda aquela situação, voltam os direitos humanos a serem plenamente assegurados. E veja-se que, embora se admita a restrição, não se pode falar em supressão.
Irrenunciabilidade
Os direitos humanos não podem ser objeto de renúncia por seus titulares. Ao albergar a irrenunciabilidade como característica, o Estado tutela as pessoas humanas, impedindo que elas possam, por seu arbítrio, abrir mão de direitos que são inerentes à sua condição existencial.
Inviolabilidade
É dever do Estado, bem como dos particulares, não violar os direitos humanos. No entanto, caso ocorra à violação, o Estado tem o dever de agir de maneira eficaz e voltada a sanar a lesão o mais rápido possível, bem como adotar as medidas necessárias para que a violação não volte a ocorrer.
Vedação ao Retrocesso
A evolução dos direitos humanos é crescente. Portanto, não se admite a mitigação na proteção, tão menos a extinção de nenhum direito humano.
O rol de direitos humanos pode ser ampliado, mas não minorado. Por isso se diz, inclusive, que existem “dimensões” e não “gerações”
de direitos. Enquanto a primeira expressão comporta uma somatória de direitos, a segunda é indicativa de restrição, de exclusão de direitos.
Limitabilidade
Em que pesem serem inalienáveis, inexauríveis, irrenunciáveis e imprescritíveis, os direitos humanos não são ilimitados.
A restrição, isto é, a limitação de direitos é perfeitamente possível, desde que respeitados os limites nacionais e internacionais regentes da temática. É em decorrência da limitabilidade que se defende, por exemplo, a inexistência de direitos absolutos.
Complementariedade
Uma das marcantes características que permearam a evolução dos direitos humanos é a complementariedade. Segundo esta característica, um direito completa o outro. É por isso, entre outros motivos, que se defende a existência de “dimensões” e não de “gerações” de direitos.
Caberia o uso da expressão “geração” se os direitos excluíssem uns aos outros, mas como isso não ocorre, deve ser utilizada a
expressão “dimensão”, que indica somatória, complementação de uns em relação aos outros.
Efetividade
De nada adiantaria a mera previsão abstrata de direitos se o Estado não dispusesse dos meios necessários à sua concretização. Conferir efetividade significa fazer incidir na realidade social, isto é, transformar o “dever ser” em “ser”.
Em relação aos direitos humanos, é prática (infelizmente) usual em muitos países a previsão abstrata de direitos, aos quais, no entanto, não é dada qualquer efetividade. Entre os direitos que mais sofrem com essa situação estão os relacionados à liberdade religiosa.
Concorrência
É de fundamental importância recordar, sempre, que os direitos humanos não incidem isoladamente. Eles até podem incidir de maneira isolada, mas isso não é a regra, ao contrário. A regra é que os direitos humanos coexistam, isto é, que eles possam ser exercidos conjuntamente, sem que um anule o outro.
Os direitos humanos são fundamentais para a vida em sociedade, sob os 2 aspectos: (i) formal, em função da previsão pela CF/88 e Tratados Internacionais, uma vez que o direito passou por uma votação diferenciada que fez com que fosse incluído na CF/88; e (ii) material, com o reconhecimento da indisponibilidade de um direito que não esteja na CF/88 ou nos Tratados Internacionais, apenas na legislação infraconstitucional.
Imprescritibilidade, Inalienabilidade e
Indisponibilidade/Irrenunciabilidade dos Direitos Humanos Os direitos humanos não se perdem com o transcurso do tempo, não se pode atribuir dimensão pecuniária aos direitos humanos e não se pode abrir mão deles.
Proibição do Retrocesso/Efeito Cliquet/do Não-Retorno da Concretização/do Entrincheiramento
Trata-se da vedação de eliminação da concretização já alcançada na proteção de algum direito humano, admitindo-se apenas aprimoramentos e acréscimos. Mas não se confunde com a proibição de efeitos retroativos, uma vez que esta tem o escopo de proteger o ato jurídico perfeito, ao passo que o Efeito Cliquet veda o retrocesso.
A vedação ao retrocesso não é absoluta, sendo admitida se presentes 3 requisitos, cumulativamente:
(i) justificativa na estrutura jusfundamental; (ii) superação do crivo da proporcionalidade; e
(iii) preservação do núcleo essencial do direito envolvido.
2.1 ‒ Introdução
Vimos no capítulo anterior, a Teoria Geral dos Direitos Humanos, que teve por objetivo nos situar na matéria como um todo. Agora vamos começar a filtrar nosso assunto para chegarmos até a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP). Em razão dos eventos históricos, conforme vimos na parte das dimensões, a expansão dos Direitos Humanos ocorreu no planeta todo em planos diferentes. No plano internacional, a criação da ONU deu origem ao sistema global de Direitos Humanos. Já no plano regional, países geograficamente próximos e com características sociais, econômicas e culturais semelhantes uniram-se na defesa dos Direitos Humanos, dando origem aos denominados sistemas regionais de Direitos Humanos. Assim, temos atualmente um Sistema Global de Direitos Humanos, capitaneado pela ONU, e
sistemas regionais, que se formam no âmbito dos continentes americano, europeu e africano.
O Sistema Global é o que será objeto de nossos estudos, posto que abrange a DUDH e o PIDCP.
2.2 - Precedentes Históricos da ONU
A primeira fase de internacionalização dos Direitos Humanos possui três acontecimentos que destacaram-se.
O primeiro deles é a Cruz Vermelha, criada pela Convenção de Genebra de 1864. Nesta Convenção foram fixadas um conjunto de leis para amenizar o sofrimento de soldados prisioneiro, doentes e feridos em guerra, bem como para atentar às