O contrato de “leasing” é um contrato bilateral, oneroso, consensual, comutativo, de execução sucessiva, formal, “intuitu personae”, por tempo determinado, nominado, típico e por adesão.
a – Bilateral ou Sinalagmático
A celebração do contrato impõe vantagens e ônus para ambas as partes, que devem ser cumpridas para manter-se até o final a relação jurídica sacramentada.
O contrato de “leasing”, por criar obrigações para ambas as partes, caracteriza-se como um contrato bilateral. Por um lado, o locador/arrendante e promitente vendedor com todas as obrigações próprias e respectivas de cada posição jurídica desempenhada, e por outro lado, o locatário/arrendatário e comprador eventual do bem arrendado, também assumem as obrigações que decorrem normalmente dessa qualidade.
A bilateralidade, uma vez que, o contrato impõe obrigações mútuas de parte a parte, deverão ser cumpridas ate o final do contrato.
b – Oneroso
A onerosidade decorre da própria natureza do negócio (aluguéis altos visando garantir, em prazo contratual determinado, a amortização do preço do equipamento acrescido de custos administrativos e financeiros e dos lucros da empresa), podendo ser o “leasing” considerado normalmente mais oneroso que os demais contratos.
Geralmente é utilizado por empresas de grande porte, desinteressando-se assim as de pequeno porte, porque a sua aplicação é mais onerosa que o financiamento bancário, porém substitui este, tornando- se até mais apropriado em hipótese de empresas que não podem dispor do
capital para fins de investimentos, na aquisição do material, e que estejam na esperança de segura rentabilidade do negócio.
c – Consensual
O dinamisno das operações mercantis, por si só, explicam e justificam a consensualidade como imperativo categórico do contrato de “leasing”, que foge das formalidades dos contratos solenes bastando, assim, o acordo expresso das partes para a existência do “leasing”.
Basta o acordo (manifestação de vontade) expresso das partes para o contrato de “leasing” aperfeiçoar-se e, conseqüentemente, admitir-se-á prova de sua existência e obrigações pelos meios admitidos em direito.
Especialmente pelas propostas, instrumentos particulares, faturas, faturas pró-forma, correspondências, notas fiscais, notas de embarque e transporte das mercadorias, etc, sem os rigores do formalismo.
d – Comutativo
Cada uma das partes se obriga a uma prestação certa e equivalente, ou seja, há a prestação de serviços e a correspondente contraprestação. As obrigações e benefícios de uma parte devem estar no mesmo grau ou em proporção equivalente, aos benéficos e ônus da outra parte. Haverá correspondência de direitos e deveres para cada lado da relação bilateral.
As vantagens e obrigações das partes contratantes são certas e suscetíveis de apreciação imediata desde o momento em que se aperfeiçoa o contrato. As partes conhecem, desde o momento da celebração, a medida de suas obrigações e podem aquilatar a sua equivalência.
As obrigações do “leasing” são de cumprimento duradouro. As prestações do devedor prolongam-se por um certo período de tempo, satisfazendo o preço ao longo de um prazo. Compreende este contrato um período de tempo irrevogável (corresponde a um contrato de locação de duração de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos, que, convencionado no início como o utilizador , coincide na grande maioria dos casos com a amortização fiscal do bem; até a sua expiração o locatário fica alugado, de maneira irrevogável, ao pagamento dos aluguéis convencionados).
f – Formal
A Lei nº 6.099/74 modificada pela Lei 7.132/84, no seu art. 5º caracteriza o contrato de “leasing” como formal, pois este para configurar-se, exige certas formalidades como descrição do objeto do contrato, prazo de vencimento, valor das contraprestações e a forma de pagamento etc, que lhe dão um caráter nitidamente formalista, apesar da liberdade quanto à exteriorização, podendo o contrato ser manifestado por instrumento solene ou particular.
Os contratos de “leasing” devem ser formalizados por instrumento público ou particular, especificando o conteúdo mínimo para a sua concretização, o que caracteriza como um contrato formal ou solene, conforme preceitua o art. 7º do anexo à Resolução nº 2.309/96 do Banco Central do Brasil.
g – “Intuitu Personae”
As convenções realizam-se em consideração especial à pessoa da locatária e a produtividade que ela é capaz de imprimir no ramo de seu negócio. Sendo assim, a locatária terá que desempenhar todas as obrigações que forem assumidas, em função deste aspecto, ressalvada a possibilidade da inclusão de cláusula permissiva da cessão de contrato com a concordância por escrito da locadora-vendedora.
h – Por Tempo Determinado
De acordo com a natureza do negócio, o contrato de “leasing” não poderá deixar de ser por tempo determinado, e de preferência a curto ou médio prazo, servindo assim de substitutivo aos financiamentos bancários em média de 3 (três) a 7 (sete) anos.
i – Nominado e Típico
O contrato de “leasing” foi definido pela Lei nº 6.099/74 modificada pela Lei nº 7.132/84, que deu-lhe enquadramento legal próprio tornando-se um contrato típico (objeto de denominação legal) e nominado, uma vez que acolhido pelo legislador brasileiro que o coloca em regime tributário especial, sendo assim definido em lei, com características e denominações próprias.
Assim, pode-se sustentar que o contrato de “leasing” é típico, pois possui regulamentação completa.
J – Por Adesão
Com relação a esta característica, o tema não é pacífico. Os doutrinadores divergem no tocante ao contrato de “leasing” ser “de adesão” ou “por adesão”.
Para Orlando Gomes, o contrato de adesão é aquele no qual a participação de um dos contratantes sucede pela aceitação em bloco de cláusulas formuladas antecipadamente, de modo geral e abstrato, pela outra parte, para constituir o conteúdo normativo e obrigacional de futuras relações concretas.
Segundo o art. 1º do Anexo a Resolução 2.309/96, do Banco Central do Brasil, a parte arrendadora deve ser pessoa jurídica que tenha como
objeto principal de sua atividade a prática de operações de arrendamento mercantil, bancos múltiplos com carteira de arrendamento mercantil e instituições financeiras. Assim, há que se supor que o arrendador tem um maior poder de negociação em face do arrendatário, o que faz a contratação ocorrer predominantemente através de cláusulas predispostas ou condições gerais pré-impressas que o arrendatário deve aceitar ou rejeitar, sem poder negociar sobre a sua modificação parcial, caracterizando-o como contrato de adesão. Ou seja, como as cláusulas já aparecem previamente elaboradas, não havendo assim oportunidades para o interessado discuti-las e contestá- las e, muito menos para recusá-las.
Já para outros doutrinadores, entre eles Cláudio Santos, o que caracteriza o contrato de adesão é a circunstância de que aquele a quem é proposto não pode deixar de contratar, por isso que tem necessidade de dar satisfação a um interesse que, por outro modo, não pode ser atendido, e, segundo esse entendimento, o contrato de “leasing” é um contrato por adesão, visto que é semi-regulado, na medida em que a legislação impõe que nele constem cláusulas mínimas ou essenciais, ou é contrato-tipo, como, aliás, o são a totalidade dos contratos bancários, e, conseqüentemente, esse fato não implica a obrigatoriedade de contratação por parte do arrendatário, já que este pode valer-se de outro tipo de negócio, como, por exemplo, o financiamento puro e simples, ou se utilizar de outra instituição financeira para a concretização da avença em condições mais vantajosas.