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5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1. QUESTÕES VOLTADAS PARA ESCALA DE ANÁLISE DA ARQUITETURA

5.2.4 Características do grupo familiar residente

Os itens dessa questão demonstram as características das famílias que moram no residencial e são representados pela composição familiar, idade, profissão e escolaridade.

Esses dados são fundamentais na determinação do programa de necessidades da residência e na compreensão da cultura local que também é fator determinante na tomada de diversas decisões para melhorias, não apenas arquitetônicas, urbanísticas ou ambientais, mas, principalmente, sociais e de relações humanas. Daí a importância de pensar a sustentabilidade nas mais diversas esferas para qualificar essas comunidades.

Composição do grupo familiar:

Predominantemente as famílias são bem tradicionais e compostas basicamente de mãe, pai e filhos. Existem algumas variações, porém não fogem do que é de costume, pais e mães solteiras que moram com seus pais, acabam trazendo o(s) filho(s) e, quando ainda no relacionamento, também seus parceiros. Filhos que trazem os pais idosos para morar junto e aqueles que trazem outros parentes, como tios e primos.

Idade:

Figura 48 – Gráfico da quantidade de moradores por faixa etária

Fonte: Elaborado pelo autor.

Para organizar a análise desses dados, sugeriu-se faixas etárias de acordo com as fases da vida (Figura 48) que facilitam a interpretação. Sendo assim definiu-se da seguinte maneira:

fase infantil (0 a 9 anos), adolescente (10 a 19 anos), adulto (a partir dos 20 anos) e idoso (a partir dos 60 anos). Vale ressaltar que mesmo não seguindo as classificações exatas sugeridas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Estatuto do Idoso e da Organização Mundial da Saúde (OMS), todos foram consultados para orientar a classificação aqui sugerida.

De acordo com o exposto no parágrafo anterior e no gráfico da Figura 48, evidencia-se o predomínio de pessoas adultas que moram no residencial, seguidas pelo público infantil, depois pelos adolescentes e por fim os idosos que representam a menor parcela. Seguem as quantidades de pessoas classificadas dentro de cada fase: infantil 110, adolescente 78, adulto 163, idoso 20.

Profissões:

As profissões são bastante variadas, por esse motivo serão apenas descritas através das verbalizações aquelas mais citadas na aplicação do formulário. Todas se referem aos diferentes membros que compõe o grupo familiar.

Verbalizações advindas das entrevistas: sobre as profissões

Estudante; operador de máquinas; faxineira em empresa terceirizada; do lar/dona de casa; trabalha em obras de construção civil; doméstica; serviços gerais; auxiliar de cozinha;

funcionária pública federal; pedreiro; auxiliar de limpeza; motorista (táxi/ônibus/caminhão); jovem aprendiz (comercio); padeira; faxineira domiciliar/diarista;

cozinheira; vendedora/promotora de vendas; funcionário público estadual; recicladora;

ferreiro; carpinteiro; auxiliar de creche; eletricista de automóveis; técnica em enfermagem;

autônomo; oficial de redes; cuidadora de idosos; estagiário; auxiliar administrativo;

camareira; chapeador; borracheiro; frentista; atendente em rede de lanchonete; lavador de veículos; garçom aposentado; micro empreendedor individual (comerciante); mecânico;

psicóloga; militar aposentado; pedagoga; cuidadora de crianças (babá); colocador de gesso;

militar; profissional gráfico; operador de recapagem; atendente comercial; instalador de piscinas; segurança; repositor de mercado; encanador/técnico hidráulico; costureira; eletricista predial; técnico em secretariado/ secretária; nutrição hospitalar; esteticista; copeira; porteiro;

estofador; higienista; chefe de cozinha; metalúrgico; professora de séries iniciais.

Obs.: Em negrito as profissões que mais se repetiram. Alguns moradores não quiseram falar sobre as suas profissões e nem do próximo item, a escolaridade.

Escolaridade:

Figura 49 – Gráfico síntese da escolaridade dos moradores

Fonte: Elaborado pelo autor.

Para analisar a escolaridade dos moradores organizou-se os níveis de ensino conforme a definição do artigo 21 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) “Art.

21. A educação escolar compõe-se de: I - Educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. II - Educação superior.”

Dentre esses níveis de ensino, incluiu-se também o técnico, que no Brasil é voltado para alunos do ensino médio ou para aqueles que já possuem esse grau de instrução: ele pode ser realizado concomitantemente ou após o término do mesmo, visando formação e profissionalização mais rápidas, para inserção no mercado de trabalho.

É importante destacar que a quantidade de pessoas em cada nível de ensino representadas no gráfico síntese (Figura 49), nem sempre corresponde ao número total dos que concluíram cada etapa, mas sim é representativa daqueles que tiveram ou estão tendo acesso ao estudo. Para melhor compreender essa questão, segue um gráfico adicional representado na Figura 50 que considera, em cada nível, se a pessoa concluiu (Conc.), está em andamento (And.) ou parou de estudar (PE).

Figura 50 – Gráfico adicional da escolaridade das famílias

Fonte: Elaborado pelo autor.

Dos 89 pais que frequentaram o Ensino Fundamental, apenas 31 concluíram. No Ensino Médio, dos 56 que informaram ter chegado a esse grau de instrução 33 completaram.

Já no Ensino Técnico, 06 relataram ter concluído esse nível, o que não acontece no Ensino Superior onde, dos 08 que tiveram acesso, apenas 02 concluíram.

Em relação aos filhos, dentre os entrevistados, 30 crianças frequentam a Educação Infantil no Residencial, e dos 133 que chegaram ao Fundamental 01 concluiu, outros 127 seguem estudando e 05 tiveram acesso mas pararam de estudar. No Ensino Médio dos 23 que Frequentaram ou frequentam esse nível, 10 concluíram, 11 estão em andamento e 02 tiveram acesso, mas não continuaram estudando. Houve também 04 moradores, dentre os pais, que declararam nunca terem estudado.

Obs. Duas famílias se abstiveram ao responder essa questão.

Total de moradores na residência:

Figura 51 – Gráfico do número de moradores na residência pelo número de famílias

Fonte: Elaborado pelo autor.

O gráfico da Figura 51 expressa a quantidade de moradores por residência, fator muito importante que influencia no atendimento às necessidades específicas de espaço que cada família requer e por consequência no conforto. Ao avaliar essa questão, é importante ter em mente que todas as residências possuem dois dormitórios, fato que condiciona o uso a pelo menos três usuários, garantindo conforto.

Dessa forma é possível perceber que existem 52 famílias com até 3 moradores e 45 com 04 a 07 moradores em suas residências. Dentre essas, vale destacar um caso específico em que no espaço da residência entregue pelo programa moram 06 pessoas (dois adultos e quatro crianças) e nos espaços ampliados, inclusive com dois pavimentos, moram mais 11 pessoas, totalizando 17 moradores no mesmo terreno. “Eu consegui onde morar, mas meu tio e meus primos não conseguiram, eu não ia deixar eles morando na rua”, relata o morador que abrigou mais duas famílias, em seu lote, além da sua. É importante mencionar que essa família conta apenas com um banheiro para todos. Também existem casos em que moram de 8 a 10 pessoas em uma residência.

Renda mensal da família:

Figura 52 – Gráfico da renda mensal média das famílias

Fonte: Elaborado pelo autor.

O gráfico da Figura 52 representa a média salarial disponibilizada mensalmente pelas famílias entrevistadas que considerou desde quem conta com rendimentos menores de um salário mínimo (SM) por mês, até aqueles sem renda fixa (SRF).

Fica evidente que a maioria das famílias entrevistadas sobrevive com um ou dois salários mínimos e que esse valor chega no máximo a quatro. Houve também quem não respondeu (NR) essa questão, duas famílias: uma optou por não informar e outra não sabia.

Obs.: Valor do salário mínimo nacional - R$ 954,00 e regional - R$ 1196,47 (dezembro de 2018).

Membro(s) da família que respondeu à entrevista:

Dentre os entrevistados que responderam o formulário, a maioria é representada somente por mães (62%), seguidas pelos pais (18%). Também houve os que responderam juntos (só pai e mãe 6%) e o restante, equivalente a 14%, é representado por famílias que responderam todos juntos, filhos maiores de 15 anos de idade, esposa, avó, genro ou irmão.