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DEPARTAMENTO COMERCIAL PROGRAMAÇÃO

3. FUNDAMENTACÃO TEÓRICA: A MCDA – C

3.3 FUNDAMENTOS DA MCDA-C

3.3.1 Características do Julgamento Humano

De acordo com Ensslin, Ensslin e Petry (2001), há 3 dimensões dos julgamentos que são comuns a praticamente todas as escolhas. Os julgamentos normalmente são baseados em:

(i) Valores e Objetivos; (ii) Preferências;

Identificar os valores e objetivos do Decisor em relação a um determinado contexto é uma maneira de considerar aquilo que realmente importa para uma decisão. Trata-se de uma habilidade que quando desenvolvida, assegura decisões focadas no problema percebido pelo gestor.

Além disso, os julgamentos de valor normalmente expressam as preferências das pessoas. Aqui a preferência se propõe a representar a intensidade com que determinados aspectos são desejados em relação a outros. É esta preferência quem irá permitir construir escalas, inicialmente ordinais e depois cardinais, para medir o desempenho destes aspectos ou objetivos julgados relevantes. Preferir uma alternativa em detrimento de outra ou priorizar possibilidades de ação são representações dessas preferências.

Os prognósticos refletem as previsões das pessoas sobre aquilo que lhes parece que irá acontecer. Nos processos decisórios isto ocorre quando o decisor cria, com a ajuda de modelos ou em sua própria mente, uma ação ou cenário, real ou imaginário, e visualiza suas conseqüências.

Atualmente, a psicologia cognitiva apresenta-se como uma importante disciplina no estudo da mente e, consequentemente, dos julgamentos humanos. A psicologia cognitiva faz uma analogia da mente humana com um processador de informações. Embora essa abordagem tenha muitas limitações, provê importantes reflexões e modelos úteis para lidar com vários aspectos da cognição humana.

Nos estudos da psicologia cognitiva a respeito do processamento da informação pela mente humana, foram evidenciados vários de seus aspectos, dentre os quais sua capacidade limitada de processamento. Essa limitação implica em, pelo menos, quatro importantes características:

(i) A percepção da informação é seletiva;

(iii) A capacidade de processamento limitada leva ao uso de heurísticas; (iv) A memória é reconstruída.

A percepção da informação pela mente humana não é compreensível, é seletiva. Diante de uma infinidade de informações impressionando os sentidos humanos a cada momento, o processamento consciente das informações dá-se apenas sobre um pequeno número de aspectos selecionados e retidos dentro das possibilidades presentes. Ensslin, Ensslin e Petry (ibid.) afirmam, por exemplo, que há evidências de que o ser humano retém apenas 1/70 avós da informação presente em seu campo visual.

Uma importante causa dessa seleção é a própria antecipação do indivíduo. Através da expectativa que tem de algo, em decorrência de fatores físicos e emocionais, o indivíduo pré- seleciona o que perceberá, vendo apenas aquilo que quer ver. As tendenciosidades decorrentes dessa antecipação surgem como conseqüências das próprias características do funcionamento da mente humana.

Além de várias distorções e ilusões cognitivas de nossos julgamentos, apresentadas por Macedo (2003), vale destacar o funcionamento da mente humana como um processador de padrões. A habilidade do ser humano de identificar características gerais de uma determinada realidade permite-lhe generalizá-las e conceber padrões. Se por um lado isso é positivo por não tornar necessário reaprender tudo a todo o momento, por outro lado, tende a enquadrar novas idéias e percepções em padrões pré-existentes.

A seqüência em que as informações são apresentadas também influencia o julgamento humano. Isso ocorre porque as informações são obtidas ao longo do tempo, numa sucessão de eventos. No decorrer da obtenção da informação, o julgamento humano vai evoluindo num processo de aprendizagem. Caso as variáveis apresentadas o fossem noutra seqüência, poderiam implicar em diferentes aprendizados e conclusões.

Para simplificar o processo decisório, adequando-o a capacidade limitada de processamento, a mente humana tende a usar heurísticas. As heurísticas constituem atalhos mentais, regras ou “macetes” que permitem a mente chegar a uma conclusão sem passar por uma análise racional completa, passo-a-passo. Heurísticas são uma herança evolutiva muito útil por permitir decisões rápidas e com pouco gasto de energia, mas assim como a intuição, com as qual estão intimamente relacionadas, apresentam sérias limitações para avaliações e julgamentos em contextos complexos.

Enquanto a memória de um computador registra os dados exatamente como foram gravados, a memória humana trabalha com a reconstrução de suas informações a cada acesso. A memória está organizada em cadeias esparsas conectadas por ligações mais ou menos frágeis e que podem ser combinadas de diferentes maneiras cada vez que são evocadas.

A maior parte dos julgamentos humanos dos adultos é constituída por aspectos já presentes na memória da pessoa, no entanto, diferentes combinações das mesmas memórias ou a associação dessas memórias prévias (referências) com novas informações externas permitem chegar a criatividade, a diferentes inferências, entendimentos e visões de mundo e, consequentemente, novos e diferentes julgamentos.

Considerando apenas as características supracitadas, a mente humana poderia ser comparada a um computador limitado e ineficiente. Entretanto, percebe-se o quanto essa comparação é inadequada ao consider a manifestação humana por um prisma mais amplo.

Aspectos como a intuição, emoções, livre-arbítrio, intencionalidade e ética, por exemplo, também são características da mente e permitem ao ser humano se diferenciar de qualquer computador, por mais avançado que seja.

A utilização de uma metodologia para o apoio a decisões que, por um lado aproveite as potencialidades da mente humana e, por outro lado, respeite suas limitações, terá resultado

mais adequado em contextos complexos. A abordagem utilizada nesse trabalho busca levar em conta essas características do julgamento humano.