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Capítulo 6 – Apresentação e análise dos resultados

6.2 Processo de requalificação

6.2.1 Características do processo

Segundo as entidades locais responsáveis pelo desenvolvimento e gestão do turismo, a ideia da requalificação da aldeia da Felgueira surgiu no papel em 1996, sendo realizada a primeira memória descritiva sobre a requalificação em 1998, e tendo-se iniciado os trabalhos no terreno em 2004.

“Em 1996 tivemos a ideia (…) em 1998 foi escrita a primeira memória descritiva daquilo que seria a requalificação da aldeia em que moldes seria feita embora que muito vago (…) em 1998, 1999 saiu a primeira memória descritiva e detalhes ao pormenor do que seria o projeto de requalificação na aldeia, definindo ao pormenor cada uma das ações e a forma como elas se interligavam.

Fisicamente e no terreno a requalificação na aldeia no âmbito deste projeto começou em 2004”(EL2);

“Pois não, pois não, não estava lá na junta. Foi quê há quinze anos.” (EL 3); “(…) foi em 1998 (…)”(EL 1).

Na aldeia do Trebilhadouro a data de arranque da requalificação não é consensual entre os entrevistados, no entanto depreende-se que o arranjo das infraestruturas, nomeadamente dos caminhos e do saneamento terá sido realizado pela Câmara Municipal nos anos de 2006 e 2007. Em 2009 o projeto de requalificação das infraestruturas de apoio estaria concluído e o restauro das habitações iniciou-se em 2010 ou 2011. De destacar que uma entidade refere que a requalificação se iniciou em 2013, diferenciando-se das afirmações dos restantes entrevistados.

“Os trabalhos de requalificação começaram pelo saneamento e pelos arruamentos, que foi a Câmara que fez em 2007. Depois o trabalho de recuperação das casas propriamente dito só começou em 2011. Em 2009 o projeto foi feito e começou em 2010 o restauro das casas.” (EL 5);

“Ano de 2006.” (EL 4); “Em 2013.” (EL1).

Relativamente ao término das intervenções efetuadas nestas aldeias, verificou-se que, na Felgueira, é unânime a opinião entre as entidades responsáveis pelo desenvolvimento e gestão do turismo, de que estas intervenções estão longe de estarem terminadas e de que ainda há muito por fazer, uma vez que, se algumas ações já terminaram,a maioria das ações que englobam o projeto nem sequer começaram, como se pode confirmar pelas respostas dos entrevistados.

“(…) Não (…) terminaram as intervenções que estavam previstas inicialmente (…) na Felgueira ainda há muito por fazer. As intervenções ainda estão longe de estarem terminadas (…)”(EL 1); “(...) Não! Ainda não terminaram, algumas ações, como são ações separadas (…) Algumas ações foram começadas e foram concluídas, outras ações ainda não foram sequer começadas no âmbito de todo o projeto, (…), ainda não terminou. Algumas ações ainda nem sequer começaram (…)”(EL2); “(…) Não, não, estão ainda muito atrasadas (…)”(EL 3).

No Trebilhadouro, apesar dos trabalhos de requalificação terem arrancado numa fase posterioraos daFelgueira,esta aldeiaencontra-se numafase mais adiantadado processo.Os arranjos do espaço público terminaram em 2007,como se pode confirmar pelo seguinteexcerto de uma entrevista, “Os trabalhos de reabilitação do espaço público terminaram em 2007 (…)” (EL 4). No entanto, de acordo com uma entidade local responsável pelo desenvolvimento e gestão do turismo, a intervenção ainda não terminou - “Não, ainda não estão terminadas.” (EL 1). Apesar de a intervenção não ter terminado, o que falta é uma parte residual, cerca de vinte porcento, segundo o responsável por uma entidade local. “ (…) Há lá cinco ou seis casas que não estão restauradas, mas que são de pessoas que não quiseram aderir ao projeto. O que está feito, o que está iniciado está

concluído. Agora há lá casas que não estão restauradas, mas será vinte por cento talvez, o resto está concluído.” (EL 5).

De acordo com Cruz (2008) a rede Aldeias de Portugal, onde estão incluídas a Felgueira e o Trebilhadouro, tem como objetivo a defesa do património natural e edificado das aldeias e a dotação das casas com as condições de habitabilidade necessárias no mundo moderno.

Relativamente à aldeia da Felgueira, os entrevistados referem que foram requalificadas algumas habitações, um restaurante, arruamentos, duas praças da aldeia, a eira comunitária, os moinhos da Sobrosa, percursos pedestres, sinalética, um parque de merendas e foi criada uma loja de artesanato. Embora grande parte do investimento neste processo tenha sido público, houve também investimento privado, particularmente na recuperação de habitações.

“Foram intervencionadas três casas e um restaurante.” (EL 1);

“Foi requalificados os moinhos da Sobrosa, (…) dois percursos pedestres, inicialmente o percurso turístico dos moinhos (…) o percurso varandas da Felgueira, foi requalificada a praça central, a praça principal são dois núcleos no centro da aldeia. Foi feito um parque de merendas, cá na aldeia, (…) duas ou três ruas no interior da aldeia, (…) eira comunitária, (…) sinalética, foi colocada alguma sinalética na aldeia (…) Investimento particular foi requalificado cerca de cinco a seis casas, (…) criada uma loja de artesanato. Passou por aqui a requalificação da aldeia em termos de ações concluídas.”(EL 2);

“(…) alguma parte que é pública, quer os arruamentos, quer uma casa que é da propriedade da associação e as outras foram particulares que recuperaram as suas

Habitações.” (EL 3).

No que diz respeito àreabilitação efetuada no Trebilhadouro, a nível do setor público, a aldeia foi dotada de infraestruturas base, como por exemplo infraestruturas de abastecimento de água, eletricidade, saneamento, vias de acesso e telecomunicações, como referem duas entidades locais responsáveis pelo desenvolvimento e gestão do turismo - “Vias, telecomunicações, energia elétrica, água e saneamento.” (EL 4); “Tudo. Foi tudo desde arruamentos, saneamento básico, água, luz (…)” (EL 5). A nível do setor privado foi restaurado um conjunto de casas e uma prensa, tendo ainda sido edificado o primeiro hotel na aldeia.

“Requalificado um conjunto de casas (…) Numas, requalificações completas, noutras, requalificações parciais.” (EL 1);

“(…) O restauro das casas. Até, inclusive uma prensa que lá havia foi restaurada. Tudo o que lá estava foi restaurado a cem por cento, tirando as casas que faltam, mas isso aí, são particulares, não pensaram aderir ao projeto, como tal, estão paradas.” (EL 5);

“Ao nível privado foram reabilitadas algumas habitações e construída uma pequena unidade hoteleira.” (EL 4).

Relativamente à recuperação do património arquitetónico construído, no que diz respeito à aldeia da Felgueira, segundo a EL 2, foram recuperadas a nível particular “(…) Á volta de seis, sete casas

(…)”(EL 2), segundo a EL 1 “(…) Três casas (…)” (EL 1) e o EL 3 não soube precisar quantas casas foram recuperadas - “Precisar assim o número exato não sei” (EL 3).

Naaldeia do Trebilhadouro o número de habitações requalificadas citadas pelos entrevistadosnão é consensual. No entanto, de acordo com asdeclarações de dois responsáveis pelo desenvolvimento e gestão do destino, o total de casas requalificadas pode rondar onze a treze casas.

“(…) treze ao todo.” (EL 1);

“Eu penso que entre onze a doze casas foram recuperadas.” (EL 5); “Dois privados que tinham a posse de 4 a 5 casas.” (EL 4).

De referir que, na aldeia da Felgueira, apesar de a recuperação das casas ter sido destinada ao alojamento turístico, estes meios de alojamento ainda não estão em funcionamento.

“Todas as intervenções foram destinadas a alojamento turístico, com exceção do restaurante.” (EL 1);

“Neste momento (…) ainda não há nenhuma casa registada no Instituto do Turismo como Alojamento Turístico. Por conversas que tenho tido com alguns proprietários das casas, eu penso que, nesta fase, quatro a cinco casas estão destinadas ao turismo.” (EL 2);

“Pela informação que eu tenho, não estão nenhuma. Acho que não está nenhuma neste momento, para turismo, são particulares, algumas que estão habitadas, outros são pessoas de fora que as adquiriram e agora vêm passar lá o fim de semana.” (EL 3).

Tal como na Felgueira, a reabilitação das habitações do Trebilhadouro foi para efeitos de alojamento turístico, exceto uma residência cuja reabilitação foi anterior à intervenção a nível das infraestruturas básicas da aldeia.

“(…) todas intervencionadas para alojamento de turismo.” (EL 1);

“Todas as que foram reabilitadas, incluindo a unidade hoteleira (…) Existe uma habitação não afeta ao turismo, cuja reabilitação é anterior à reabilitação do espaço público.” (EL 4);

“Todas. Há uma dessas casas que foi recuperada e foi ampliada para fazer um hotel (…) das casas antigas, das que havia, foram recuperadas cerca de onze e todas elas estão destinadas ao turismo de habitação.” (EL 5).

Relativamente à intervenção realizada nestas aldeias e, mais concretamente, na Felgueira, esta resultou de uma ação conjunta da Câmara Municipal de Vale de Cambra, da ADRIMAG, da ADCF e de privados, conforme se pode constatar pelos extratos das seguintes entrevistas.

“A ADRIMAG enquanto entidade financiadora. Na aldeia da Felgueira a ADCF e o município também interveio tanto num como noutro. (…)” (EL 1);

“(…) Câmara Municipal, (…) Associação Desportiva e Cultural da Felgueira, (…) Entidades particulares (…) todas essas partes com o apoio da ADRIMAG (…)”(EL 2),

No Trebilhadourointervierama ADRIMAG,como entidade financiadora, omunicípio,que dotou a aldeiadas infraestruturas básicas, e que adquiriu e reconstruiu uma casa que irá servir de receção, loja e café, e ainda por privados, que reconstruíram as habitações financiados, em parte, pela ADRIMAG.

“(…) Na aldeia do Trebilhadouro na aquisição e requalificação de uma casa para servir como espaço central, digamos assim (…)” (EL1).

“Município e os privados proprietários de habitações.” (EL 4).

“(…) Os proprietários, a ADRIMAG (…) e a Câmara Municipal, principalmente com os arruamentos, saneamento básico e água e ultimamente recuperaram uma casa para prestar apoio ao turismo na aldeia.” (EL 5).