3. O Produto logístico
3.3. Características do produto
De acordo com Ballou (2001) as características mais importantes do produto que influenciam a estratégia logística são os atributos dos produtos em si – peso, volume, valor, perecibilidade, inflamabilidade e substituibilidade - que quando combinados são indicativos da necessidade de armazenagem, estocagem, transportes, manuseio de materiais e processamento de pedidos. Estes atributos podem ser mais bem discutidos em quatro categorias: quociente peso- volume, quociente peso-valor, substituibilidade e características de risco.
3.3.1. Quociente peso-volume
A medida da relação entre o peso e o volume de um produto é de significativa importância para entender como os custos de transporte e estocagem estão diretamente ligados a eles.
Os produtos que são densos, ou seja, que têm um alto quociente peso-volume (bobina de aço, alimentos enlatados, material impresso), mostram boa utilização dos equipamentos de transportes e instalações de estocagem, com os custos de ambos tendendo a ser baixos. Porém, para os produtos de baixa densidade (bolas de praia infladas, botes, batatas fritas), a capacidade dos equipamentos de transporte em volume é completamente atingida antes do limite do peso de carregamento ser alcançado. Também os custos de manuseio e espaço, que são baseados no peso, tendem a ser altos em relação ao preço de venda dos produtos.
3.3.2. Quociente valor-peso
O valor monetário dos produtos que estão sendo movimentados e estocados é um fator importante no desenvolvimento de uma estratégia logística.
Produtos que apresentam baixo quociente valor-peso, como por exemplo, carvão, minério de ferro, bauxita e areia, têm baixos custos de estocagem, mas possuem alto custo de movimentação, como porcentagem de seus preços de venda. Baixos valores de produtos significam baixos custos de estocagem, uma vez que o custo de manutenção de estoques é fator dominante no custo de estocagem. Já os custos de transporte estão ligados ao peso e quando o valor do produto é baixo, os custos de transporte representam uma grande parte do valor de vendas.
O alto quociente valor-peso de produtos como jóias, equipamentos eletrônicos, equipamentos de informática e outros, apresentam características contrárias às relatadas anteriormente, ou seja, alto custo de armazenagem e baixo custo de transporte.
Conseqüentemente, empresas que lidam com produtos de baixo quociente valor-peso estão focadas em negociar taxas de transportes cada vez mais favoráveis, enquanto as que lidam com produtos de alto quociente valor-peso procuram minimizar a quantidade de estoques que mantêm. 3.3.3. Substituibilidade
Produtos que apresentam tal característica são aqueles que são facilmente substituídos por uma segunda marca caso o cliente não o encontra prontamente disponível no mercado. Exemplos desses produtos são os alimentícios e os farmacêuticos.
Em grande parte, o profissional de logística não tem muito controle sobre a substituibilidade dos produtos, porém o esforço para disponibilizar o produto de sua empresa a todo o momento que ele é procurado pelo consumidor é de fundamental importância, pois evita que o cliente procure por outra marca além daquela que já está acostumado e que a empresa experimente a amargura trazida pela queda de suas vendas.
3.3.4. Características de risco
Características como perecibilidade, inflamabilidade, valor, tendência a explodir e facilidade de ser roubado são bastante relevantes ao profissional de logística que está preocupado com a estratégia de distribuição de seus produtos para garantir que eles cheguem ao consumidor a um custo satisfatório. Nestes casos, os custos de transporte e estocagem são mais altos em termos monetários absolutos e como porcentagem do preço de vendas.
Um produto bastante visado em termos de roubo por exemplo (canetas, remédios, relógios e cigarros), exige cuidados especiais de transporte e manuseio, como escoltas e armazéns bem cercados e seguros. Já um produto perecível (peixes, carnes, frutas e sangue) exige cuidados como refrigeração adequada para transporte e estocagem o que implica em maiores custos.
Enfim, um tratamento especial, quer seja para transporte, armazenagem ou manuseio, adiciona custos de distribuição aos produtos que apresentam algum tipo de risco.
3.4. Embalagem do produto
A grande maioria dos produtos é distribuída em embalagens, exceto um número limitado de itens, como por exemplo, matérias-primas e automóveis. As despesas com embalagens ocorrem por diversos motivos, como os apresentados a seguir (BALLOU, 2001):
♦ Facilitar a estocagem e o manuseio;
♦ Promover melhor utilização de equipamentos de transportes;
♦ Fornecer proteção a produtos (evita reclamações dos consumidores por danos); ♦ Promover a venda de produtos;
♦ Alterar a densidade de produtos; ♦ Facilitar o uso de produtos;
A embalagem protetora é uma dimensão do produto importante para o planejamento logístico, pois apesar de implicar em maiores custos, ela pode ser essencial para adequar a forma, volume e peso do mesmo, atributos fundamentais na determinação de características de para sua armazenagem, manuseio e transporte. Além disso, as embalagens muitas vezes são essenciais para o setor de marketing atingir seus objetivos, uma vez que desempenham um papel bastante importante na atração do consumidor final e no aumento das possibilidades de vendas.
Capítulo 4
4. Administração da produção
4.1. Planejamento e controle da produção
O planejamento e controle da produção é responsável pelo planejamento e controle do fluxo de materiais através do processo de produção. Isso envolve prever a demanda do mercado de forma que a produção seja planejada para ser capaz de atendê-la, implementar as ações planejadas para que tornem realidade, controlar a atividade produtiva e administrar o estoque, ou seja, os materiais e suprimentos que fornecem uma reserva intermediária para garantir as diferenças entre as taxas de demanda e de produção.
De acordo com Arnold (1999), há cinco tipos de insumos básicos para o planejamento e controle da produção.
♦ Descrição do produto, que mostra como ele deve aparecer em cada estágio da produção, evidenciando os componentes utilizados para se fabricar o produto e as submontagens durante os vários estágios de fabricação.
♦ As especificações do processo, que destacam os passos necessários para se fabricar o produto final através de um conjunto de instruções detalhadas sobre as operações requeridas, a seqüência de operações, os equipamentos e acessórios exigidos e o tempo- padrão necessário para desempenhar cada operação.
♦ O Tempo necessário para a realização das operações, expresso no tempo-padrão, constituindo o período de tempo utilizado por um trabalhador mediano, que trabalha em um ritmo normal para a realização da tarefa.
♦ Equipamentos e a força de trabalho disponíveis para se processar o trabalho.
♦ Quantidades necessárias, que são obtidas por previsões, encomendas de clientes,
encomendas para repor estoques e plano de reposição de matérias. 4.2. Atividades do planejamento e controle da produção
As atividades de planejar e controlar a produção são bastante complexas e seus graus de dificuldade variam conforme as características de cada empresa, que pode fabricar poucos produtos diferentes ou muitos produtos. O sucesso de um sistema de planejamento depende de questões relacionadas com prioridade e capacidade. Informações como o que se pretende fabricar, o que é necessário para que essa fabricação ocorra, o que a empresa possui e do que ela precisa, são essenciais para a sobrevivência no mercado.
Ao passo que o mercado estabelece as prioridades em termos de consumo, determina quais produtos, em que quantidade e quando são necessários, a produção elabora planos para que a demanda do mercado seja satisfeita. Para a elaboração desse plano há a necessidade de se avaliar a capacidade de produzir os bens ou serviços requeridos pelos clientes. Isso envolve avaliar os recursos pertencentes à empresa (maquinas, operadores, finanças) e a disponibilidade de materiais nos fornecedores. De acordo com Arnold (1999), o relacionamento que deveria existir entre prioridade e capacidade é de equilíbrio, demonstrado pela figura 4.1 a seguir.
Capacidade (recursos) Prioridade (demanda) Capacidade (recursos) Prioridade (demanda)
4.3. Sistema de planejamento e controle da produção
O sistema de planejamento e controle da produção (PCP) envolve diversas atividades inteiramente relacionadas que se desdobram desde os objetivos e metas estabelecidos no plano estratégico de negócios de uma empresa até o controle da atividade de projeto e compras.
O plano estratégico de negócios, realizado pela alta administração envolve informações das áreas de Marketing, Finanças, Produção e Engenharia, para que uma empresa seja capaz de visualizar onde pretende atuar no futuro, quais os serviços e produtos oferecer no mercado, quais as melhores opções de investimentos, se os recursos que possui são suficientes e como os projetos de novos produtos ou modificações dos existentes deve ocorrer de forma a fabricá-los da maneira mais econômica possível.
Através das informações providas pelo plano estratégico de negócios, desenvolve-se o plano de produção, com um nível de detalhamento não tão elevado. Neste plano de produção são estabelecidas quantidades de produtos a serem fabricados por um determinado período, os níveis de estoques desejados, os recursos necessários para atender a demanda dos clientes e a disponibilidade de recursos financeiros necessários. O plano de produção estabelece os padrões de produção que possam atingir os objetivos do plano estratégico de produção
Depois de concluído o plano de produção, ele se desdobra em um plano de fabricação de itens individuais finais, o chamado programa-mestre de produção (do inglês master production schedule – MPS). O nível de detalhamento do MPS é maior que o do plano de produção para que
seja possível obter informações como: em que período e em qual quantidade deve ser produzido um item do modelo X.
De forma mais detalhada que as etapas descritas anteriormente, o plano de fabricação e compras de componentes (do inglês material requirements plan – MRP) estabelece quando os
Finalmente, representando a fase de implementação e controle de produção, realiza-se o controle da atividade de compras e de produção (ACP), para que sejam mapeados os fluxos de matérias-primas para a fábrica e o fluxo de trabalho na fábrica, respectivamente.
Essas cinco atividades descritas anteriormente devem ocorrer de forma que alguns objetivos sejam alcançados no sentido de suprir as exigências, cada vez maiores, do mercado. Esses objetivos de desempenho são (SLACK, CHAMBERS, JOHNSTON, 2002):
♦ Vantagem de qualidade: fornecer bens e serviços isentos de erros;
♦ Vantagem em rapidez: minimizar o tempo entre o consumidor solicitar os bens e
serviços e recebê-los (lead time de entrega), aumentando a disponibilidade dos mesmos;
♦ Vantagem de confiabilidade: manter os compromissos de entrega assumidos com os
consumidores;
♦ Vantagem de flexibilidade: estar em condições de mudar ou adaptar as atividades de produção para enfrentar circunstâncias inesperadas, oferecendo variedade de bens e serviços bastante amplas para satisfazer as possibilidades dos consumidores;
♦ Vantagem de custo: quanto menor o custo de produzir bens e serviços pelas empresas, menor pode ser o preço para os seus consumidores
4.4. Suprimento e distribuição física
O suprimento/distribuição física inclui uma série de atividades relacionadas à movimentação de materiais desde o processo fornecedor, passando pelo processo produtivo até, até o processo cliente ou consumidor. Essas atividades envolvem transporte, estocagem, armazenamento, preparação de embalagens, manuseio de materiais e recebimento de encomendas.
balanceamento da capacidade e da demanda de uma empresa, que vão dar subsídios para ela tenha um bom plano de planejamento e controle da produção.