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Capítulo II – Justificativa da Reforma do Estado e reforço da sociedade civil:

3.3 Organizações sem Fins Lucrativos conveniadas com a SMAS: a

3.3.4 Características do relacionamento com a SMAS

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NV

As fontes próprias são aquelas oriundas de eventos, de vendas de produtos e/ou serviços, ou de uma campanha de associados. Em 4 OSFL essa fonte não foi citada, em 2 ficou em 4º lugar, em 1 organização ficou em 3º lugar, e em outra em 7º lugar na cobertura de custos das OSFL. Acreditamos que por ser uma estratégia de financiamento que exige gastos com recursos humanos e materiais, as organizações abrem mão desse tipo de fonte pelo custo que ela gera.

3.3.4 Características do relacionamento com a SMAS.

Para colhermos informações sobre o relacionamento das OSFL com a SMAS, elegemos seis eixos: o levantamento dos serviços, programas e projetos desenvolvidos; o poder decisório das OSFL na definição de diretrizes, metas e finalidades das ações; período de relacionamento com a SMAS, as formas de

acesso ao convênio com a SMAS; os custos cobertos pelo convênio; as outras formas de apoio oferecidas pela SMAS e as formas de prestação de contas.

Serviços, programas e projetos desenvolvidos

O programa mais citado na lista de projetos e programas realizados pelo convênio com a SMAS é o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), programa federal para famílias com crianças e adolescentes na faixa de 7 a 15 anos, que além da bolsa, prevê atividades complementares fora do horário escolar (jornada ampliada). As atividades que ficaram em segundo lugar no total de respostas foram: os abrigos e o Programa Agente Jovem.

Quanto aos serviços de abrigo, uma das OSFL gerencia dois abrigos públicos (um para adolescentes e outro para adultos em situação de rua), e duas recebem apoio nutricional para manutenção de abrigos próprios (um de idosos e outro de adolescentes).

O Programa Agente Jovem, também é um programa federal, direcionado para adolescentes de 15 a 17 anos, que preferencialmente estejam fora da escola, e tem como objetivo propiciar ferramentas para profissionalização dos adolescentes. Estes também recebem uma bolsa e prestam serviços à comunidade. Três OSFL citaram desenvolver o programa

Duas organizações citaram gerenciar Centros Integrados de Assistência Social (CEMASI), uma delas encerrava no período do trabalho de campo o convênio de gestão do CEMASI. A SMAS chama esse tipo de “parceria” de co-gestão. O diretor do abrigo é um funcionário público, mas quem contrata a mão-de-obra terceirizada é uma OSFL.

As outras atividades citadas foram: Programa de (PAIF), programa de aumento de escolaridade e profissionalização de jovens (PROJOVEM), projetos voltados para crianças em situação de rua (Trupe da Criança), crianças vítimas de abuso sexual (Projeto Sentinela), programa de atenção a pessoas com deficiência (PPD), participação no Conselho Municipal da Criança e do Adolescente19 e creche.

TABELA 8: Programas e projetos desenvolvidos

Programas e Projetos Gerência Fazenda Modelo 1

Gerência creche 1

Total de respostas 21

Poder decisório na definição de diretrizes, metas e finalidades das atividades desenvolvidas pelo convênio com a SMAS.

As OSFL que recebem apoio nutricional para garantir o atendimento em creches e abrigos definem o número de atendimentos e a rotina de trabalho, porém as OSFL que são conveniadas para executar programas de governo não possuem a mesma autonomia, conforme relata o representante de uma OSFL pesquisada:

19 A OSFL não esclareceu o motivo e como recebia subsídios da SMAS para participar do CMDCA.

A proposta vem pré-definida a nível federal, muda conforme a região. A Prefeitura já dá um modelo, quais comunidades serão atendidas, onde vai funcionar, quanto jovens... tudo isso é fechado. O projeto tem um modelo, um padrão.

Os conteúdos desses programas são realizados pela OSFL, mas eles devem estar submetidos ao crivo da SMAS que avaliará se estes estão afinados com as diretrizes gerais (como a maioria são programas nacionais essas diretrizes são orientadas pelo nível federal). Vemos como problema a SMAS já orientar onde será implementado e quantas pessoas serão atendidas sem a prévia consulta a OSFL.

Então, o argumento de que as OSFL estão mais próximas da realidade local, portanto, tendo mais legitimidade para atuar, é nesse caso refutado, pois algumas vezes a organização pode ser obrigada a atuar em uma comunidade que não conhece, não tem um histórico de atuação, como a exemplo dos problemas vividos pela organização 01, que apresentou uma proposta de prevenção ao uso de drogas em uma comunidade onde o tráfico era atuante, sendo impossibilitada de continuar as atividades no local.

TABELA 9: Poder decisório na definição de diretrizes, metas e finalidades

Definição de diretrizes, metas e finalidades Freqüência Absoluta

Secretaria 4 Organização 3 Ambos 1

Total de respostas 8

Período de relacionamento com a SMAS

Uma vez firmado convênio com a SMAS as OSFL costumam renovar a parceria. Porém, no caso específico dos programas governamentais, estes possuem um período de duração (em geral 1 ano) e quando renovados, não são para atender o mesmo grupo. No período de renovação, renovam-se também as pessoas atendidas no programa.

TABELA 10: Período de relacionamento com a SMAS

Tempo de Convênio Freqüência Absoluta

Menos de 1 ano 1

Entre 1 e 3 anos 2

Entre 3 e 5 anos 2

Mais de 5 anos 3

Total de respostas 8

Formas de acesso ao convênio com a SMAS

No trabalho de campo identificamos que existem duas formas de acesso ao convênio com a SMAS: uma é submetendo uma proposta de acordo com o edital de um programa, ou sendo convidado pela SMAS para apresentar uma proposta de convênio. Em ambos os casos a aprovação do convênio passa por uma banca examinadora da Prefeitura e pela validação do Conselho Municipal de Assistência Social20.

20 Prerrogativa da Política Nacional de Assistência Social e das Normas Operacionais Básicas que atribuem ao CMAS o papel de aprovar a proposta orçamentária da política de assistência, aprovar a aplicação do Plano Municipal de Assistência Social, inscrever entidades de assistência social, bem como, cancelar o registro de entidades, cujo motivo pode ser a má aplicação de recursos públicos repassados.

Na Zona Oeste, 4 das OSFL pesquisadas disseram ter apresentado uma proposta para concorrer a um edital público, 4 disseram ter recebido carta-convite, por serem notoriamente reconhecidas pelo trabalho de referência que realizam, e os outras 2 restantes não sabiam informar, pois o relacionamento com a SMAS superava a marca de cinco anos de existência.

Os critérios para que uma organização receba uma carta-convite não são claros, e pode pressupor relações clientelistas, o que também não podemos afirmar.

TABELA 11: Formas de acesso ao convênio com a SMAS

Acesso

Freqüência Absoluta

Edital público 4

Através de outra OSFL 0

Convite 2 Desconhece 2

Total de Respostas 8

Custos cobertos pelo convênio com a SMAS

Já foi identificado que a cobertura de custos do convênio com a SMAS para as OSFL é relevante, sendo a SMAS uma das principais fontes de financiamento, em alguns casos a única fonte. Portanto, os custos cobertos incluem na mesma medida quesitos essenciais: custos com pessoal, alimentação, recursos didáticos e insumos.

TABELA 12: Custos cobertos pelo convênio com a SMAS

Custos Cobertos

Freqüência Absoluta

Pessoal 6 Alimentação 6 Recursos didáticos e insumos 6

Outros 1

Total de Respostas 19

Outras formas de apoio

Tentamos levantar se as OSFL reconheciam que existiam outras formas de colaboração oferecidas pela SMAS, para além do repasse financeiro. Elegemos cinco eixos: doações, transferência de renda para o público-alvo, assessoria técnica e profissional, micro crédito e cessão de espaço físico. As OSFL também receberam a opção de marcar a opção outros, caso o questionário não contemplasse uma forma de apoio realizada.

Mesmo sabendo que a transferência de renda para o público-alvo não é um apoio direto para a OSFL, acaba sendo uma forma de colaboração indireta, pois constitui-se mais um atendimento oferecido pela organização. O público em potencial passa a procurar a OSFL em busca do recurso que é disponibilizado via programa governamental.

TABELA 13: Outras formas de apoio

Outras formas de apoio

Freqüência Absoluta

Doações 0

Transferência de renda para o público-alvo 5

Assessoria técnica e profissional 3

Cessão de espaço físico 3

Total de Respostas 11

Formas de prestação de contas

As formas de prestação de contas propostas no questionário são todas elas realizadas no relacionamento entre as OSFL e a SMAS, a saber: relatório financeiro, relatório de atividades e visitas da Secretaria. As duas OSFL que registraram outras formas de prestação de contas faziam referência às reuniões mensais do Projeto Divulgação.

Duas organizações sinalizaram que as visitas dos técnicos da Secretaria não são freqüentes, uma delas chegou a justificar pelo fato de reconhecer que a CRAS possui excesso de trabalho.

TABELA 14: Formas de prestação de contas

Prestação de contas Freqüência Absoluta

Relatório financeiro 8

Relatório atividades 8

Visitas da Secretaria 8

Outros 2

Total de Respostas 26

Consideramos importante não apenas levantar os dados objetivos do relacionamento com a SMAS, mas também obter informações sobre o que as OSFL pensavam ser seu papel na implementação da política de assistência e como estavam posicionadas acerca dos debates atuais sobre a emergência de um terceiro setor.

3.3.5 A visão das organizações pesquisadas sobre o papel das OSFL