Anexo I – Dados do Setor de Distribuição de Energia Elétrica no Brasil –2006
4.2 Características do Sistema Elétrico Brasileiro
O sistema elétrico brasileiro tem a predominância de geração de energia de fonte hidráulica. Constituído de usinas hidrelétricas e reservatórios plurianuais de grande porte, distribuídas em diferentes bacias hidrográficas com forte interdependência entre si. Grande parte dessas usinas se localiza em cascatas no curso de um mesmo rio, mantendo dependência entre elas.
A geração térmica exerce função complementar nos momentos de reduzido estoque de água, baixo nível pluviométrico e picos de uso do sistema. As grandes distâncias entre as fontes de geração e os centros de consumo provocam a dependência no uso intensivo de linhas de transmissão. Isso faz o SEB ser diferente de todos os grandes sistemas elétricos no mundo.
Segundo os dados do Balanço Energético Nacional4 (BEN) de 2007, realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Oferta Interna de Energia Elétrica (OIEE) no Brasil atingiu 460,5 TWh, em 2006, crescimento de 4,2% em relação ao ano de 2005. Desse total, a geração de energia hidráulica participa com 75,8% da oferta de energia elétrica no Brasil. As demais fontes se distribuem em biomassa (4,2%), gás natural (4,0%), nuclear (3,0%), derivados de petróleo (2,5%), carvão (1,6%), eólica (0,05%) e energia importada líquida (8,9%), nesses números incluem- se a geração elétrica de autoprodutores (ver Anexos C e D).
O Brasil possui vantagem comparativa em relação ao mundo em fontes internas de energia renovável, em 2006 representavam 44,5% da Oferta Interna de Energia (OIE), no total de 221,6 milhões de tep (tonelada equivalente de petróleo), significativamente maior que a média mundial de 12,7%, em 2005 (ver Anexo E).
De acordo com os dados do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE)5 2007-2016, realizado pela Empresa de Pesquisa Energética, a capacidade instalada no país, no final de 2006, era de 96.294 MW para um total de 1.595 usinas em operação. A participação das hidrelétricas é de 72,1% da capacidade total, com 633 usinas; as térmicas a gás natural participam com 10,6%, tendo 101 usinas operativas (ver Anexo F). As empresas geradoras estatais são maioria nesse setor, representando cerca de 72% da capacidade instalada no país. O destaque são as
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EPE (2007b).
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subsidiárias da Eletrobrás com 37.941 MW, participação relativa cerca de 39%, formadas por Chesf, Furnas, Eletronorte, Eletrosul, Eletronuclear, CGTEE e 50% da Usina de Itaipu. Os grupos do setor privado que mais atuam nesse segmento são Tractebel, AES, Duke Energy, CPFL, Neoenergia (Iberdrola), Endesa, El Paso e Energias do Brasil (EDP).
O segmento de transmissão do país está dividido em duas partes: o Sistema Interligado Nacional (SIN), que integra os subsistemas elétricos das regiões Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte, representa 97% do mercado nacional. E o formado pelo Sistema Isolado, composto por grupo de sistemas isolados, em sua maioria, localizados na região Norte, representa 3% do mercado nacional (ONS, 2007). O SIN é composto pelas instalações das empresas geradoras e transmissoras, agrupadas nesses quatro subsistemas interligados. Essa interconexão dos subsistemas permite transmitir excedentes de energia de uma região para outra, otimizando o uso dos reservatórios de diferentes bacias hidrográficas, equalizando os preços entre submercados, funcionando como um sistema de transmissão único (ver Anexo G).
Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2007-2016, a extensão da
Rede Básica6 de transmissão era de 85 mil km; a extensão das redes de
transmissão com tensão abaixo de 230 kV era de 112,19 mil km, totalizando 197,19 mil km de extensão da rede de transmissão no país (ver Anexo H). Em relação às subestações a capacidade total de transformação é de 245.233 MVA em 449 instalações. O setor elétrico é muito concentrado em número de empresas. As empresas estatais é maioria nesse segmento, detêm 89% da estrutura da Rede Básica, com destaque para as empresas do grupo Eletrobrás: Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletrosul, que participam com 66% do total do país. O grupo privado de maior expressão nesse segmento é a ISA Capital do Brasil S. A., grupo colombiano, que adquiriu em 2006 a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP).
O segmento de distribuição de energia no Brasil é composto por 64 empresas concessionárias. Segundo ANEEL forneceram energia a 47 milhões de unidades consumidoras, das quais 87% são consumidores residenciais, presente em mais
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Integra a Rede Básica do SEB, linha de transmissão e subestação com tensão de suprimento igual ou superior a 230 kV.
99% dos municípios brasileiros. Esse setor apresenta-se concentrado, as 10 maiores distribuidoras participam com 63% da energia vendida no Brasil. O setor privado tem a maior participação relativa, com 71% do total do país, devido ao programa de privatização iniciado em 1995 (ver Anexo I e P). São 45 empresas controladas por grupos diversificados como nacionais, norte-americanos, espanhóis e portugueses. As estatais estão divididas em 7 empresas federais, 8 estaduais e 4 municipais. As concessionárias de distribuição atendem a mais de dois terços da energia elétrica consumida no país (72%) (ANEEL, 2007).
Outra categoria importante de consumo são os consumidores livres, àqueles com demanda igual ou superior a 3 MW, tensão de fornecimento igual ou superior a 69 kV, ou com qualquer tensão, desde que o suprimento tenha sido efetivado após 27 de maio de 19957. Essa categoria participa com 19% da energia elétrica consumida no país, representadas pelas grandes indústrias eletro-intensivas do país (ANEEL, 2007).
As comercializadoras de energia elétrica são empresas que atuam no mercado dos consumidores livres, reduzindo os custos de transação, entre os geradores, produtores independentes de energia e consumidores. Operam com base na teoria de portfólio de compra e venda de energia, oferecem liquidez ao mercado, com oferecimento de produtos e serviços de energia similares aos do mercado financeiro8 e de commodities. As empresas estão diversificadas em grupos privados, públicos, investidores nacionais e internacionais e grandes indústrias.
Em 2006, de acordo com o Balanço Energético Nacional 2007, o consumo final de energia do país foi de 390 TWh. A região Sudeste respondeu por 54,6% do consumo, seguida pela região Nordeste, com 16,3%; Sul, com 16,4%; Norte, com 5,1% e Centro-Oeste, com 7,6%. Nesse ano, os consumidores da classe industrial foram responsáveis por 47% do consumo de energia, que chegou a 183,4 TWh; a classe residencial, por 22% (85,8 TWh); e a comercial, por 14% (55,2 TWh), as demais classes somam 17% (ver Anexo J).
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Outro grupo de consumidores que podem escolher seu fornecedor de energia é o composto pelas unidades com demanda maior que 500 kW atendidos em qualquer tensão, desde que a fonte dessa energia seja oriunda das fontes incentivadas, como PCH, Biomassa, Eólicas e Cogeração Qualificada.
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De acordo com a ANEEL, o mercado nacional de energia elétrica apresenta taxa de crescimento em torno de 5% ao ano e a demanda poderá atingir o patamar de 100 mil MW em 2016. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2007-2016 demonstra a necessidade de investimento de US$ 6,84 bilhões ao ano, durante os próximos 10 anos, para expandir a matriz energética do Brasil (geração e transmissão) e atender o crescimento médio previsto do PIB, cerca de 4,5%. Esses números consideram o risco de insuficiência da oferta de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional não superior a 5%, em cada um dos subsistemas que o compõem. Como critério de garantia considera também que o custo marginal de expansão, estimado em R$138/MWh, seja igual ao custo marginal da operação, em cada subsistema.
A necessidade de garantir a estabilidade do setor requer recursos e rentabilidade adequados aos investimentos, para favorecer novos aportes num setor estratégico e de capital intensivo.