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Características dos Contratos Administrativos

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Os contratos administrativos possuem determinadas características específicas que os diferenciam sobremaneira dos contratos submetidos a outros regimes jurídicos.

Conforme o disposto no artigo 55, da Lei de Licitações, são consideradas cláusulas necessárias em todo contrato administrativo:

a) o objeto e seus elementos característicos; b) o regime de execução ou a forma de fornecimento; c) o preço e as condições de pagamento, os critérios, data-base e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios de atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento; d) os prazos de início de etapas de execução, de conclusão, de entrega, de observação e de recebimento definitivo, conforme o caso; e) o crédito pelo qual correrá a despesa, com a indicação da classificação funcional programática e da categoria econômica; f) as garantias oferecidas para assegurar sua plena execução, quando exigidas;

g) os direitos e as responsabilidades das partes, as penalidades cabíveis e os valores das multas (...).

O artigo 55 da Lei 8.666/93 enumera ainda como cláusulas necessárias para os contratos celebrados com a Administração Pública as seguintes:

(...) h) as hipóteses de rescisão contratual; i) o reconhecimento dos direitos da Administração Pública, em caso de rescisão unilateral por ela mesma, nas hipóteses de inexecução total ou parcial do contrato; j) as condições de importação, a data e a taxa de câmbio para conversão, quando for o caso; k) a vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a dispensou ou a inexigiu, ao convite e à proposta do licitante vencedor; l) a legislação aplicável à execução do contrato e especialmente aos casos omissos; m) a obrigação de o contratado manter, durante toda a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações por ele assumidas, todas as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação.

Nos contratos celebrados pela Administração Pública com pessoas físicas ou jurídicas, como regra e ressalvados os casos excepcionais, deve constar sempre como competente o foro da sede da Administração Pública para dirimir qualquer questão contratual, ressalvadas as exceções legais (GOMES, 2012, p. 153).

Considerando os contratos administrativos, não no sentido amplo empregado na Lei 8.666/93, mas no sentido próprio e restrito, que abrange apenas aqueles acordos de que a Administração é parte, sob o regime jurídico publicístico, derrogatório e exorbitante do direito comum, podem ser apontadas as seguintes características: presença da Administração Pública como Poder Público, finalidade pública, obediência à forma prescrita em lei, procedimento legal, natureza de contrato de adesão, natureza intuitu personae, presença de cláusulas exorbitantes e mutabilidade (DI PIETRO, 2014, p. 273).

Segundo Carvalho Filho (2014, p.180), a relação jurídica do contrato administrativo possui algumas peculiaridades próprias de sua natureza. Assim é que esse tipo de contrato reveste-se das seguintes características:

1. Formalismo, porque não basta o consenso das partes, mas, ao contrário, é necessário que se observem certos requisitos externos e internos; 2. Comutatividade, já que existe equivalência entre as obrigações, previamente ajustadas e conhecidas; 3. Confiança recíproca (intuitu

personae), porque o contrato é, em tese, o que melhor comprovou

legislador a só admitir subcontratação de obra, serviço ou fornecimento até o limite consentido, em cada caso, pela Administração, isso sem prejuízo de sua responsabilidade legal e contratual (art. 72 do Estatuto); 4. Bilateralidade, indicativa de que o contrato administrativo sempre há de traduzir obrigações para ambas as partes.

Os contratos administrativos são negócios jurídicos que exigem a participação do Poder Público, buscando a proteção de um interesse coletivo, o que justifica a aplicação do regime público e um tratamento diferenciado para a Administração. Além desses aspectos, outras características podem ser identificadas: a) consensual, porque se torna perfeito e acabado com uma simples manifestação de vontade, e os demais atos decorrentes dessa manifestação representam o adimplemento do contrato, sua execução; b) formal, porque não basta o consenso de vontades, é necessária também a obediência a certos requisitos, como os estabelecidos no artigos 60 a 62 da Lei 8.666/93; c) oneroso porque tem valor economicamente considerável, devendo ser remunerado na forma convencionada; d) cumulativo, porque se exige equivalência entre as obrigações, previamente ajustadas e conhecidas; e) sinalagmático, porque se exige reciprocidade das obrigações; f) de adesão, característica, para a maioria da doutrina, sempre presente nos contratos administrativos, tendo em vista que o contratado não tem a possibilidade de discutir cláusula contratual. Nesses contratos, uma das partes, no caso a Administração, tem o monopólio da situação e todas as cláusulas são impostas unilateralmente, tendo o contratado a liberdade de decidir se quer ou não participar da relação jurídica; g) personalíssimo, porque exige confiança recíproca entre as partes. É intuitu personae, porque o contrato representa a melhor proposta dentre as apresentadas. Esse fato restringe a possibilidade de subcontratação (MARINELA, 2012, p. 451).

A duração dos contratos administrativos ficará adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários, conforme previsto no artigo 57 da Lei de Licitações, exceto quando relativos às seguintes hipóteses legais:

a) aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se houver interesse da Administração e desde que isso tenha sido previsto no ato convocatório; b) à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que deverão ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e condições mais vantajosas

para a Administração Pública, limitada a sua duração a sessenta meses, e podendo, em caráter excepcional, ser prorrogado em mais até doze meses, conforme o art. 57, § 4º; c) ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática, podendo a duração estender-se pelo prazo de até quarenta e oito meses após o início da vigência do contrato; d) às hipóteses previstas nos incisos IX, XIX, XXVIII e XXXI do art. 24 da Lei de Licitações, cujos contratos poderão ter vigência por até cento e vinte meses, caso haja interesse da Administração.

Observa-se ainda que, conforme o artigo 57, § 1º, da Lei 8.666/93, os prazos de início de etapas de execução, de conclusão e de entrega admitem prorrogação, mantidas as demais cláusulas do contrato e assegurada a manutenção de seu equilíbrio econômico-financeiro, desde que ocorra algum dos seguintes motivos, devidamente estabelecidos em processo:

a) alteração do projeto ou especificações pela Administração Pública; b) superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das partes, que altere fundamentalmente as condições de execução do contrato; c) interrupção da execução do contrato ou diminuição do ritmo de trabalho por ordem e no interesse da Administração Pública; d) aumento das quantidades inicialmente previstas no contrato, nos limites permitidos pela Lei de Licitações; e) impedimento de execução do contrato, por fato ou ato de terceiro, reconhecido pela Administração em documento contemporâneo à sua ocorrência; f) omissão ou atraso de providências a cargo da Administração Pública, inclusive quanto aos pagamentos previstos de que resulte, diretamente, impedimento ou retardamento na execução do contrato, sem prejuízo das sanções legais aplicáveis aos responsáveis.

O artigo 57, §§ 2º e 3º, da Lei de Licitações determina ainda que toda prorrogação de prazo deverá ser justificada por escrito e previamente autorizada pela autoridade competente para celebrar o contrato, sendo vedada a celebração de contrato administrativo com prazo de vigência indeterminado.

Marinela (2012, p. 458) explica que o prazo deve estar expressamente previsto no edital e deve corresponder à disponibilidade orçamentária, isto é, deve ser compatível com a previsão orçamentária, caso contrário haveria um grande conflito para o ano seguinte: o contratado exigiria o pagamento do contrato, enquanto a Administração teria que se recusar a pagar por falta de recurso. Também não é possível exigir que a lei orçamentária do ano seguinte ao da celebração do contrato faça essa previsão para garantir o seu adimplemento pois, estar-se-ia condicionando a atuação legislativa do Estado à previsão contratual do

administrador e violando o princípio da separação dos poderes, contrariando o texto constitucional.

As características peculiares dos contratos administrativos, bem como os prazos fixados legalmente, decorrem dos princípios que devem ser observados pelo administrador público, especialmente, nesses casos, o princípio da legalidade tendo em vista que a Administração Pública em todas as suas esferas deve obediência aos preceitos normativos estabelecidos.

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