CAPÍTULO 2: O PROBLEMA DA COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA NA VISÃO DO CONSUMIDOR
2.3 Comercialização de Energia
2.3.3 Características dos Contratos de Fornecimento
Os contratos de energia possuem, seja tradicionalmente ou definidos por regulamentações, algumas características típicas diferenciadas por segmento do ACR ou do ACL, em razão disso, são abordados nessa seção.
Em sua maioria, estes contratos têm entre as informações principais, as seguintes características: nomes das empresas dadas como partes de vendedora ou compradora; os montantes de energia negociados com ou sem flexibilidades, modulação e sazonalização; os preços e reajustes contratuais; as garantias e as penalidades; os prazos de fornecimento, dentre outras.
Seguem, assim, os principais pontos negociados pelas partes na contratação, separadas por ambientes de mercado, para mostrar ao consumidor as possíveis variações e até mesmo as vantagens de cada segmento.
2.3.3.1 Contrato de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado - CCEAR
Conforme divulgado pela ANEEL e pela CCEE, os vencedores de cada leilão de energia do ACR deverão firmar contratos bilaterais com todas as distribuidoras em proporção às respectivas declarações de necessidade negociada. A única exceção é o leilão de ajuste, onde os contratos são específicos entre agente vendedor e o agente de distribuição. São assim, especificadas as durações mínima e máxima para os CCEAR provenientes dos leilões "A-5" ou "A-3" (15 a 30 anos) e "A-1" (5 a 15 anos), bem como as demais características reguladas contratuais (ANEEL c, 2012).
A grande vantagem por parte dos geradores em firmarem contratos com as distribuidoras é o fato de eles obterem uma garantia de receita por longos prazos e menores riscos de inadimplência, o que, consequentemente, favorece na aquisição de financiamentos para suas obras na construção de novas usinas.
Por parte do consumidor existe uma redução de processos no ACR, visto que ele possui contrato com a distribuidora que é responsável pelo seu abastecimento como um todo, apesar de não haver vantagem financeira como no caso do ACL. Mas é fundamental que os consumidores acompanhem os leilões visto que as distribuidoras participantes deverão futuramente repassar ao ambiente cativo os custos negociados pelos montantes contratados, conforme repasse da tarifa regulada pela ANEEL.
Conforme regulamentação, as concessionárias são responsáveis pelos serviços de distribuição, conhecidos como “o livre acesso”, e são inclusive fiscalizadas pela ANEEL com a aplicação de penalidades descontadas diretamente do consumidor afetado, que são os índices de comportamento de possíveis cortes de fornecimento de energia, não permitindo assim que as distribuidoras possam privilegiar os consumidores que comprem sua energia. Dentre esses índices tem-se o índice de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) que indica o número de horas em média que um consumidor fica sem energia elétrica durante um período. E, a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC) indica quantas vezes, em média, houve interrupção na unidade consumidora (ANEEL c, 2012).
Nos leilões regulados existem as duas modalidades de contrato CCEAR: por quantidade ou por disponibilidade. Os Contratos de Quantidade de Energia são aqueles nos quais os riscos hidrológicos da operação energética são assumidos pelos geradores, e, os Contratos de Disponibilidade de Energia são aqueles nos quais tanto os riscos, quanto os ônus e os benefícios da variação de produção em relação à energia contratada são alocados ao mercado e repassados aos consumidores regulados.
È natural à existência de contratos que tenham geração localizada em outros submercados. Como o contrato regulado é registrado no submercado do vendedor, o contrato do comprador pode causar exposições com as diferenças de PLD entre os submercados envolvidos. Se os preços dos submercados são iguais, a movimentação financeira líquida associada ao mercado de curto prazo é nula, mas se forem diferentes, a diferença de preços entre eles é multiplicada pelo montante contratado mensal. Assim, exposições financeiras positivas são resultantes de contratos que estiverem registrados em submercado com valores maiores do que o PLD.
2.3.3.2 Contrato de Compra e Venda de Energia Elétrica - CCVEE
Os Agentes Comercializadores podem comprar e vender energia por meio de contratos celebrados de compra e venda de energia elétrica (CCVEE) e podem representar usinas pertencentes a produtores independentes e autoprodutores. E todos os geradores devem apresentar lastro, proveniente de geração própria ou contratos de compra, para atendimento a 100% do montante de seus contratos de venda de energia (CCEE b, 2011).
Os Consumidores Livres devem também apresentar cobertura, proveniente de contratos de compra, para atendimento de 100% de seu consumo de energia. A verificação do lastro é realizada mensalmente pela CCEE, com base nos dados de geração e nos contratos de compra e de venda dos últimos 12 meses (média móvel). A não comprovação de lastro implica ao agente em pagamento de penalidades conforme definido na Resolução da ANEEL nº 109 de 2004.
Quando os limites de contratação e lastro definidos nas regras de comercialização não são cumpridos, os agentes são notificados pela CCEE e estão sujeitos à aplicação de penalidade financeira. Mas, os agentes podem, conforme os procedimentos, apresentar contestação para análise e definição de aplicação ou de cancelamento.
Os CCVEEs possuem além de preços competitivos que propiciam economia financeira, dentre outras definições gerais já citadas, montantes de energia negociados livremente com prazos e períodos diferenciados.
Como exemplo, ilustrado na Figura 2.14, o montante de energia contratado médio, dados em megawatt hora por ano (MWh/ano), pode ser dividido (no caso exemplo de um consumidor que tenha um consumo variável durante o ano) com uma sazonalização mensal e até uma modulação de consumo horária, além de uma flexibilidade adicional mensal (apenas como lembrete, as definições de termos gerais utilizados no setor estão disponíveis nos ANEXOS 1 e 2).
Figura 2.14: Sazonalização e modulação da garantia física contratada Fonte: modificado de (CCEE b, 2011)