6. A AVALIAÇÃO QUADRIENAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-
7.5. CARACTERÍSTICAS DOS PERIÓDICOS RELEVANTES E NÃO-
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• Técnica, como por exemplo, se os artigos publicados possuem os principais metadados em inglês (títulos, resumos e palavras-chave); se o periódico atribui um identificador universal a cada artigo (DOI), se o periódico atribui um identificador universal a cada autor (ORCID ou outro), facilidade de acessar o conteúdo da revista, entre outros; • Escopo, ou seja, se é especializado em um domínio do conhecimento ou disciplina, se
atende a um nicho emergente ou se é multidisciplinar;
• Audiência a que se dirige, ou seja, se é internacional, regional ou local; se é dirigido a pesquisadores, à comunidades de prática ou a outras audiências;
• Sistema de garantia de qualidade dos artigos publicados, como por exemplo possuir um corpo editorial compostos por especialistas da área e um processo rigoroso de revisão por pares; transparência das políticas editorias (direitos do autor, retratação, ética e outras);
• Políticas de conteúdo das bases de dados e outras políticas das empresas que as fabricam, como por exemplo, o tamanho, escopo e audiência das bases, quando e em quanto aumentar o conteúdo/escopo e quais critérios de seleção aplicar.
Analisamos 3 características técnicas dos periódicos não indexados relevantes para a Área Ensino. Verificamos que 78% possuem os principais metadados em inglês, porém apenas 43% atribuem um identificador universal a cada artigo, o que é uma condição fundamental para que o mesmo possa ser processado pelas bases de dados. O identificador universal ORCID, que visa cumprir o mesmo objetivo em relação aos autores e está rapidamente se tornando um padrão, é um dos requerimentos para submissão de artigos em 9% dos títulos não indexados e opcional em 56%. Não foi possível obter informação sobre 12 periódicos, o que nos leva a acreditar que estes não atendem às 3 características analisadas. De todas formas, podemos concluir uma parte significativa dos periódicos não indexados relevantes para a Área Ensino não atende alguns requerimentos técnicos que fazem parte dos critérios de indexação das principais bases de dados internacionais. A Figura 12 ilustra 3 características técnicas dos periódicos não indexados relevantes para a Área Ensino.
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Figura 12: Características técnicas dos periódicos não indexados relevantes para a Área Ensino.
Quanto ao escopo dos periódicos não indexados relevantes para a Área Ensino, podemos aplicar métodos bibliométricos para analisar o conjunto das publicações e identificar seu foco disciplinar. Estes métodos tornam-se mais eficazes quando aplicados sobre os resumos ou textos completos dos artigos. Porém, dado que as Plataformas Sucupira e Lattes, que são as mais amplas fontes de informação sobre a Ciência no Brasil, não contém esta informação, e que se trata de um conjunto de artigos não indexados, muitos dos quais sem identificadores universais, nossa alternativa é realizar uma análise sobre os títulos dos artigos.
Uma nuvem de palavras foi criada com os títulos dos artigos não indexados da Área Ensino no quadriênio 2013-2016, para ilustrar a categoria de palavras mais frequente. Realizamos a mesma análise com os títulos dos artigos indexados. Em ambos os casos, as palavras “Ensino”, “Professor”, “Educação” e suas variações foram as mais frequentes, conforme podemos observar na Figura 13.
Figura 13: Nuvens de palavras com os títulos dos artigos da Área Ensino no quadriênio 2013-2016, não indexados (esquerda) e indexados (direita).
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Não encontramos uma diferença significativa entre as categorias de palavras mais usadas nos artigos indexados e não indexados, exceto pela sua posição na ordem de frequência. É interessante observar que a palavra “Brasil” e suas variações aparecem em 5ª posição, com 159 (11%) ocorrências nos títulos dos artigos indexados e apenas em 12ª posição nas publicações não indexadas, com 304 (5,7%) ocorrências. O Quadro 17 contém as categorias de palavras mais frequentes nos títulos dos artigos não indexados e indexados, publicados pela Área Ensino, no período 2013-2016.
Quadro 17: Categorias de palavras mais frequentes nos títulos dos artigos não indexados e indexados, publicados pela Área Ensino, no período 2013-2016.
Artigos não indexados (5.255) Artigos indexados (1.442) Frequência Categoria de Palavra Posição Categoria de Palavra Frequência
1,899 Ensino 1ª Ensino 373 1,121 Matemática 2ª Professor 268 1,108 Educação 3ª Educação 253 1,096 Professor 4ª Ciência 233 995 Ciência 5ª Brasil 159 639 Formação 6ª Formação 140 546 Aprendizagem 7ª Química 140 479 Aluno 8ª Matemática 127 457 Escola 9ª Saúde 106 390 Didática 10ª Análise 103
Uma análise mais detalhada dos 3 periódicos não indexados mais relevantes para a Área Ensino foi feita através de consulta aos seus respectivos sites na internet.
O periódico Acta Scientia, publicado em acesso aberto pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), sob a responsabilidade do PPG Ensino de Ciências e Matemática, foi o que publicou maior quantidade de artigos (134) do Ensino, dentre os periódicos não indexados no período estudado (O Acta Scientia começou a ser indexado pela base Scopus a partir de 2018). O escopo da Acta Scientia é claramente definido no site do periódico:
“[...] artigos de pesquisa científica, devidamente embasados nos referenciais teóricos da área de Ensino de Ciências e Matemática consagrados na literatura científica, [...] que resultem em contribuição relevante, em comparação com estudos anteriores, para o conhecimento científico da área de Ensino de Ciências e Matemática.” (Ulbra, 2019).
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Entre 2013-2016 o Acta Scientia recebeu 607 submissões e publicou 253 artigos. Isto significa que 53% dos artigos publicados por este periódico no período possuíam pelo menos um autor afiliado a um PPG da Área Ensino. Em 2106, quando o Ensino possuía 2.170 docentes e 8.726 discentes, o Acta Scientia contava com 713 usuários cadastrados e 632 leitores cadastrados (Ulbra, 2019). Estes números cresceram consideravelmente após a indexação na base Scopus, alcançando 1.637 usuários e 1.499 leitores cadastrados em 2019, embora o número de submissões não tenha crescido proporcionalmente. Mesmo com este crescimento, percebe-se que se trata de um periódico de pequena circulação, dedicado a um público acadêmico no Brasil.
O segundo periódico não indexados que publicou mais artigos da Área Ensino no período estudado foi a Revista Amazônica de Ensino de Ciências – ARETE, com 131 artigos. Trata-se de uma publicação em acesso aberto do Programa de Pós-Graduação em Educação e Ensino de Ciências da Universidade do Estado do Amazonas. Seu escopo é especializado em trabalhos que tenham como objeto de investigação a Educação em Ciências e o Ensino de Ciências (UEA, 2019). O site do periódico não apresenta estatísticas sobre submissões, publicações, usuários ou leitores.
O periódico Educação Matemática Pesquisa foi o terceiro mais relevante para a Área Ensino entre 2013-2016, tendo publicado 127 artigos da área. Este periódico está coberto pelo buscador bibliográfico Google Scholar e possui índice h5 de 9. É uma publicação em acesso aberto do PPG Educação Matemática da PUC-SP, que tem o objetivo de:
“[...] constituir-se em um espaço de divulgação científica da área, em âmbito internacional. [...] dissemina temas contemporâneos – presentes em chamadas de trabalhos e agendas investigativas nacionais ou internacionais recentes - além de trazer interessantes e relevantes questões novas, para o desenvolvimento da área.” (PUC-SP, 2019).
Entre 2013-2016 o periódico Educação Matemática Pesquisa recebeu 521 submissões e publicou 228 artigos. Isto significa que 56% dos artigos publicados por este periódico no período possuíam pelo menos um autor afiliado a um PPG da Área Ensino. Em 2106, o Educação Matemática Pesquisa contava com 2.550 usuários cadastrados e 2.75 leitores cadastrados. Estes números praticamente dobraram nos últimos anos, alcançando 301 submissões, 5.254 usuários e 5.000 leitores cadastrados em 2019 (Ulbra, 2019).
Percebemos que os 3 periódicos mais relevantes para a Área Ensino que não estavam indexados nas principais bases de dados internacionais no Quadriênio de Avalição 2013-2016 são
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publicações oriundas dos próprios programas da Área. Este é o caso da maioria dos periódicos relevantes e não indexados. Os dados de artigos publicados pelos periódicos Acta Scientia e Educação Matemática Pesquisa mostram que estes são muito dependentes da Área Ensino, pois uma proporção muito elevada dos artigos que eles publicam são provenientes dos PPGs da Área.
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