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6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

6.3 CARACTERÍSTICAS E DINÂMICAS DA GESTÃO DO CONHECIMENTO NOS

Após apresentadas e discutidas individualmente, as categorias de análise [1] Gestão do Conhecimento Organizacional; [2] Parceria Público-Privada; e [3] Inovação Tecnológica, identificadas a partir da análise de conteúdo realizada nas entrevistas

semiestruturadas e aqui analisadas elencam-se alguns elementos evidenciados no mapeamento.

A cada entrevista é gerado um ponto das evidências das intersecções entre a respectiva entrevista e as unidades de registro codificadas na análise de conteúdo, conforme Figura 20. Neste sentido, quanto maior o ponto nas intersecções, maior o número de ocorrências das unidades de registro, o que mostra que nas entrevistas de cada um dos respondentes algumas temáticas se fazem mais presentes.

Um ponto que chama atenção está relacionado a necessidade de conscientização dos gestores técnicos quanto a importância da gestão do conhecimento (9 ocorrências). Percebe-se também a necessidade de inserir as práticas e as ferramentas de gestão do conhecimento no modelo de negócio da organização, permeando todos os processos e atores envolvidos diretamente no projeto (11 ocorrências). Tais percepções são corroboradas em estudos como os de Sluis (2004) e Strauhs et al (2015), Nonaka e Takeuchi (1997), Nonaka, Toyama e Hirata (2011), Davenport (1998), quando afirmam que a estratégia da organização, alinhada à inovação, está diretamente relacionada à cultura, ao clima organizacional, à gestão do conhecimento e à sustentabilidade.

Figura 20 - Representação visual da análise de conteúdo realizada em todas as entrevistas

Fonte: Autoria própria com auxílio do Software MAXQDA 10 (2018).

No que tange à ‘Gestão do Conhecimento Organizacional’, a criação, a retenção e a disseminação do conhecimento, elementos estes apresentados na literatura por Nonaka e Takeuchi (1997), Nonaka, Toyama e Hirata (2011), Davenport (1998), Choo (2006) e Hong (2011), dentre outros, são fundamentais, para que o conhecimento gerado seja ampliado e internalizado como parte da base de conhecimento da organização. Verificou-se que a utilização de espaços colaborativos, as ferramentas e a pratica organizacional como pontos fortes já estão introduzidos nos Projetos de Inovação Tecnológica (21 ocorrências).

Em contrapartida, aspectos como Cultura Organizacional, Gerenciamento do Conhecimento e etapas do Modelo SECI (Combinação e Internalização), precisam ser melhores desenvolvidas nos Projetos de Inovação Tecnológica (três ocorrências).

Outro elemento que chama a atenção é a forma pela qual ocorre o processo de aprendizado entre todos os envolvidos, com iniciativas distintas e elaboradas por cada gestor técnico, mas, eficazes na produção e integração do conhecimento e no aprendizado organizacional (oito ocorrências). Conforme apontado por Strauhs et al. (2015), as lições aprendidas são importantes para registrar o aprendizado durante o desenvolvimento do projeto de inovação. Identifica-se o que deu certo, o que deu errado e o que pode ser modificado nos processos internos e externos.

O Capital Intelectual, associado ao Conhecimento Tecnológico, é fator de destaque identificados (nove ocorrências), mas, necessitam da introdução de ferramentas e métodos de gestão de conhecimento. Com relação ao código ‘Parceria Público Privado’, algumas situações são vistas pelos entrevistados como desafios ou barreiras ao processo gestão do conhecimento. Dificuldades de acesso aos conhecimentos gerados, falta de preparo em práticas e ferramentas de gestão do conhecimento, falta de obrigatoriedade da utilização da gestão do conhecimento nos projetos, são algumas das dificuldades e barreiras a serem enfrentadas (18 ocorrências). Tais elementos já foram apresentados e discutidos na revisão da literatura por Nonaka e Takeuchi (1997), Nonaka, Toyama e Hirata (2011), Davenport (1998), Choo (2006) e Hong (2011).

A inovação Tecnológica, no contexto da gestão do conhecimento, apresenta algumas dinâmicas importantes para o desenvolvimento de novos produtos e processos. Principalmente o conhecimento tecnológico, como fonte primordial para o desenvolvimento do escopo do projeto e sua aplicabilidade na indústria e no consumidor final, já destacado por Tidd, Bessant e Pavitt (2008), Chesbrough (2012) e Porto (2013).

Com isso, todos os Códigos e Subcódigos são apresentados (frequência e porcentagem) evidenciando-se todas as categorias de contexto, categorias de análise e unidades de registros desta pesquisa, sendo as dez principais: 1- Gestão do Conhecimento\Ferramentas (13 ocorrências/9,22%), 2- Aprendizado\Aprendizado Organizacional (oito ocorrências/5,67%), 3- Conhecimento Interno e 4- Externo\Combinação do Conhecimento (sete ocorrências/4,96%), 5- Conhecimento Interno e Externo\Capital Intelectual (sete ocorrências/4,96%), 6- Projetos de

Inovação\Lições Apreendidas (seis ocorrências/4,26%), 7- Conhecimento Tecnológico\Estratégias de Inovação (cinco ocorrências/3,55%), 8- Gestão do Conhecimento\Cultura Organizacional (cinco ocorrências/3,55%), 9- Gestão do Conhecimento\Espaços Colaborativos (cinco ocorrências/3,55%) e 10- Tecnologia\Conhecimento (quatro ocorrências/2,84%), conforme Quadro 15.

Quadro 15 - Representação visual de todos os códigos na análise de conteúdo

Fonte: Elaboração própria com auxílio do Software MAXQDA 10 (2018).

Neste contexto, a Figura 21 apresenta as principais práticas e ferramentas de gestão do conhecimento, aplicado nos projetos de inovação tecnológica e vivenciados

pelos gestores técnicos participantes dessa pesquisa. As informações foram obtidas por meio das entrevistas lidas, registradas e codificadas dentro do Software MAXQDA (Figuras 12 e 13). Na sequência estruturou-se a representação visual e análise de conteúdo de cada palavra-chave (Figuras 14, 15, 16, 17, 19 e 20 e Quadros 11, 12 e 15), possibilitando identificar as principais práticas e ferramentas de gestão do conhecimento.

Figura 21 - Principais práticas e ferramentas de gestão do conhecimento, vivenciadas pelos gestores técnicos participantes dessa pesquisa

Fonte: Autoria própria (2018).

Com base na Figura 21, verifica-se que a informação e o conhecimento são considerados importantes em todas as etapas do processo de inovação dos projetos de inovação. A organização utiliza-se de ferramentas, processos, pessoas e ambientes físicos e virtuais. Estas ações estimulam a gestão do conhecimento, proporcionando a interação entre as equipes do projeto, a criação do conhecimento, as lições aprendidas, a cultura organizacional, dentre outros benefícios.

Identificou-se compartilhamento do conhecimento entre colaboradores envolvidos nos Projetos de Inovação Tecnológica, sendo absorvidos e utilizados por todos. Os processos de criação e gestão do conhecimento ocorrem de forma intrínseca, integrados com alguns espaços colaborativos, permitindo a empresa inovar. Sob estes aspectos, e considerando os dados apresentados, são necessárias a estruturação de estratégias organizacionais voltadas a GC, permitindo a criação, reúso e compartilhamento do conhecimento.

Por fim, a organização que quiser capitalizar o conhecimento que possui, deverá entender como o conhecimento é criado, compartilhado e aplicado. As práticas e ferramentas de gestão do conhecimento são fundamentais e essenciais para a gestão adequada e eficaz do conhecimento organizacional, sistematizando todo o processo, alinhando a cultura organizacional, ao sistema de aprendizado, as tecnologias e as ferramentas. A gestão do conhecimento permite à organização criar vantagens competitivas, diferenciar-se no mercado e proporcionar a inovação tecnológica (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008; CHOO, 2006; DAVENPORT, 1998; NONAKA; TAKEUCHI, 1997; PORTO, 2013; STRAUHS et al., 2012; NONAKA; TOYAMA; HIRATA, 2011).