• Nenhum resultado encontrado

10. PALEOBIOLOGIA DOS GASTRÓPODOS DA FORMAÇÃO JANDAÍRA

10.3 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA CLASSE GASTROPODA

10.3.1 Aspectos morfológicos

Os gastrópodos de um modo geral são constituídos por uma parte mole, o corpo

propriamente dito, e uma parte dura, a concha, que atua como um abrigo. Algumas

espécies são desprovidas de concha e em outras, ela é apenas vestigial.

O corpo apresenta duas regiões bem distintas, uma ventral, onde ficam a cabeça

e um pé grande e achatado e uma dorsal, composta pela massa visceral. A região ventral

pode ser observada quando o animal se desloca e a cabeça e o pé se distendem para

fora da concha.

Na cabeça estão um par de olhos e dois pares de tentáculos, na parte inferior, a

boca com a rádula, que é uma estrutura composta por uma fita membranosa, flexível,

com fileiras de minúsculos dentes, utilizados pelo animal para raspar. O pé é formado por

uma massa muscular, que funciona como órgão de locomoção. Entre a cabeça e o pé

não há uma delimitação muito precisa e esse conjunto está unido à massa visceral, que

está sempre enrolada e protegida dentro da concha (Figura 37a). Na massa visceral

estão localizados os diversos sistemas funcionais (Figura 37b).

Todo o corpo do animal é recoberto por um tecido fino, denominado de manto,

que é o responsável pela fabricação da concha calcária. Há uma cavidade entre o manto

e a concha, sobre a cabeça do animal, onde ficam localizadas as brânquias e as

aberturas dos sistemas excretor, reprodutivo e digestivo.

Essa posição anterior da cavidade do manto é um aspecto morfológico

característico dos gastrópodos, denominado de torção. É conseqüência de uma rotação

de 180° sofrida pelas vísceras e pela própria cavidade durante a evolução do grupo. Os

órgãos que se localizavam inicialmente na parte posterior do animal, após a torção

posicionaram-se sobre a cabeça.

O opérculo é outra estrutura morfológica típica do grupo. Trata-se de um disco

córneo ou calcário, que ocorre na parte posterior do pé. Quando o animal se sente

Sifão inalante Concha Olho Tentáculo Probóscide Opérculo Pé Coração Massa visceral Brânquia Cavidade do manto Cabeça Boca Rádula Ápice Volta Volta Columela Abertura Abertura Lábio externo Lábio interno Espira Volta corporal Canal sifonal

a

b

d

c

Figura 37 - Caracteres gerais dos gastrópodos. a) Cabeça-pé e massa visceral.

b) Sistemas funcionais. c) Feições externas da concha. d) Feições internas.

Modificado de CLARKSON(1986) e BARNES& RUPPERT (1996).

81

ameaçado, a cabeça e o pé são recolhidos para o interior da concha e o opérculo

funciona como um escudo protetor fechando a abertura.

A respiração dos gastrópodos se dá através de uma ou duas brânquias franjadas,

localizadas na cavidade do manto. A água é conduzida para dentro desta cavidade

através de um tubo denominado sifão inalante e depois é expelida pela abertura da

concha, formando assim uma corrente e garantindo a renovação constante de oxigênio e

alimento.

A concha é calcária, externa e enrolada de forma helicoidal. Sofre acréscimo,

principalmente, nas bordas da abertura para acompanhar o desenvolvimento do

organismo. É a parte que se preserva nos sedimentos, pois a parte mole se decompõe

logo após a morte do animal. Suas principais características morfológicas estão

representadas na figura 37c-d.

10.3.2 Gastrópodos predadores

Os fósseis mais característicos e abundantes da Formação Jandaíra pertencem à

família Naticidae, que são carnívoros predadores, responsáveis pelos furos circulares,

encontrados em muitas conchas de moluscos marinhos atuais. O trabalho de T

AYLOR

(1981) permite conhecer melhor o estágio de desenvolvimento dos carnívoros predadores

durante o Mesozóico. Esses gastrópodos passaram por diversas adaptações estruturais

para obter mais sucesso na captura de suas presas, tais como o desenvolvimento do

osfrádio, um órgão quimiosensorial capaz de detectar a proximidade da presa. Além

disso, as probóscides tornaram-se altamente distensíveis, os dentes da rádula

adaptaram-se para raspar, perfurar ou espetar a presa e adquiriram glândulas no pé e na

probóscide para ajudar na dissolução de carapaças.

Atualmente são conhecidas espécies tão vorazes que conseguem “engolir” uma

holotúria e até pequenos peixes por meio da probóscide, enquanto outras imobilizam o

organismo com o pé ou então soltam grande quantidade de muco. Em seguida, perfuram

a carapaça através da raspagem pela rádula somada ao ataque com ácidos secretados

pelas glândulas. Podem também usar o lábio externo como uma cunha para abrir as

conchas ou para quebrar pedaços dos bordos, por onde inserem a probóscide e

esguicham uma secreção tóxica. Outros imobilizam sua presa lançando dentes da rádula,

que são ocos e em forma de arpão, por onde injetam o veneno. Na figura 38 estão

ilustrados alguns desses hábitos de caçar desenvolvidos pelos gastrópodos.

Figura 38 Hábitos desenvolvidos pelos gastrópodos predadores para

capturar a presa (T- AYLOR

,

1981).

83

10.4 GASTRÓPODOS DA FORMAÇÃO JANDAÍRA

A fauna de gastrópodos da Formação Jandaíra caracteriza-se pelo grande

desenvolvimento das famílias Nerineidae e Trochactaeonidae, que estão entre os

fósseis mais característicos do Domínio Tetiano. A família Naticidae constitui o terceiro

grupo, representado principalmente pelo gênero Tylostoma. As famílias Nerineidae e

Trochactaeonidae, e o gênero Tylostoma alcançaram seu apogeu durante o Cretáceo e

extinguiram-se ao final desse período. Devido à importância e abundância desses três

grupos de gastrópodos na Formação Jandaíra, eles foram estudados detalhadamente e

são apresentados em tópicos à parte.

Outras famílias que alcançaram grande desenvolvimento no Cretáceo, como

Aporrhaidae e Cassiopidae, também estão representadas. Sete morfotipos da família

Aporrhaidae foram reconhecidos, mostrando sua diversidade dentro da formação.

Duas espécies foram atribuídas à família Cassiopidae, ambas baseadas em

apenas um exemplar. Essa família foi abundante em associações marinhas do

Cretáceo no Domínio Tetiano, vivendo em lagunas ou em regiões litorâneas.

O gênero Otostoma, da família Neritidae, ocorre em mais de uma localidade na

formação. Foi cosmopolita no Cretáceo Superior, extinguindo-se no Paleoceno. As

famílias Potamididae e Cerithiopsidae, estão representadas apenas com uma espécie

cada, mas são abundantes nos afloramentos onde ocorrem.

A fauna de gastrópodos na Formação Jandaíra é mais diversificada do que a que

está apresentada neste trabalho. Muitos fósseis, preservados sob a forma de moldes

internos, não puderam ser identificados. Alguns deles estão ilustrados nas figuras 48a,

48d e 48e.

10.4.1 Classificação sistemática

A classificação sistemática adotada neste trabalho é a de T

RACEY

et al. (1993).

As famílias, Nerineidae e Trochactaeonidae, e o gênero Tylostoma foram baseados em

estudos mais recentes feitos por B

ARKER

(1990), K

OUYOUMONTZAKIS

(1989), S

OHL

&

K

OLLMANN

(1985) e C

ALLAPEZ

& F

ERREIRA

S

OARES

(1991). Os trabalhos de W

ENZ

(1938-1944) e (1959-1960) foram consultados para descrição e distribuição geográfica dos

gêneros. No quadro 5 estão relacionadas as espécies aqui estudadas.

Muitas vezes os caracteres morfológicos das conchas não estão preservados,

impedindo, portanto, uma classificação segura. Os moldes internos que apresentavam

SUBCLASSE SUPERORDEM ORDEM SUBORDEM SEÇÃO SUPERFAMÍLIA FAMÍLIA GÊNERO ESPÉCIE

Archaeogastropoda Neritimorpha Neritoidea Neritidae Otostoma Otostoma assuana Cerithiidae Cerithium Cerithium mirimense

Pseudomesalia P. (Pseudomesalia) sp. a Cassiopidae

Gymnentome G. (Craginia) cf. turriformis Potamididae Pyrazus Pyrazus rioassuanus Cerithioidea Turritellidae Turritella Turritella euphrosynes T. independenciae T. natalensis T. rioassuana T. rosadoi T. thaliae Aporrhaidae sp. a Aporrhaidae sp. b Aporrhaidae sp. c Aporrhaidae sp. d Pterocerella Pterocerella? mossoroensis Stromboidea Aporrhaidae

Aporrhais Aporrhais ? baixaleitensisAporrhais sp. a Cerithiimorpha

Naticoidea Naticidae Tylostoma

Tylostoma brasilianum Tylostoma rochai Tylostoma mauryae Ptenoglossa Triphoroidea Cerithiopsidae Monroea Monroea mossoroensis Caenogastropoda

Neogastropoda Muricoidea Vasidae Tudicla Tudicla (Pyropsis) sp. Pyramidelloidea Architectonicidae Architectonica Architectonica ? sp.

Diozoptyxis D. biplicata D. baixadoleitensis Diozoptyxis sp. a Nerinea Nerinea brasiliana N. coutinhoi Nerinea sp. a Streptoneura Apogastropoda

Heterostropha Nerineoidea Nerineidae

Plesioptygmatis

P. mossoroensis P. rosadoi P. upanemensis Plesioptygmatis sp. a

Cephalaspidea Actaeonelloidea Trochactaeonidae Trochacteon

T. (Mexicotrochactaeon) burkhardti Trochactaeon elongatus Trochactaeon silvai Trochactaeon sp. a Euthineura Opisthobranchia

Tectibranchia Bulloidea Cylichnidae Cylichna Cylichna delicia

85

características que os diferenciava dos demais, foram aqui tratados de morfotipos.

Classe GASTROPODA Cuvier, 1797

Subclasse STREPTONEURA Spengel, 1881

Ordem ARCHAEOGASTROPODA Thiele, 1925

Subordem NERITIMORPHA Golikov & Starobogatov, 1975

Superfamília NERITOIDEA Rafinesque, 1815

Família NERITIDAE Rafinesque, 1815

Os gastrópodos da família Neritidae possuem um sistema de circulação de água

mais evoluído do que os outros Archaeogastropoda, fato que tem levado alguns autores

a classificá-los em uma subordem independente. Os representantes atuais desta família

pastam sobre superfícies rochosas, raspando algas, esponjas ou outros organismos que

crescem sobre elas.

Está representada na formação pelo gênero Otostoma, que foi cosmopolita

durante o Cretáceo Superior e extinguiu-se no Paleoceno. É um exemplo da evolução

continuada dos gastrópodos, que ultrapassaram os limites do Cretáceo para o Terciário.

Possui espécies registradas no Japão, Índia, sudoeste da Ásia, Europa, norte da África,

América do Norte e América do Sul. No Brasil ocorrem mais duas espécies, uma na

Formação Riachuelo, Albiano da Bacia Sergipe-Alagoas, e outra na Formação Maria

Farinha, Paleoceno da Bacia Pernambuco-Paraíba.

O gênero Otostoma ocorre em mais de uma localidade na formação. Segundo

B

EURLEN

(1967), haveria três morfotipos atribuídos a esse gênero, ocorrendo em

regiões bem distintas. Após o estudo do material verificamos que dois deles pertenciam

à mesma espécie e as diferenças relacionavam-se à preservação. A terceira forma,

coletada na localidade de Pureza, entre Natal e João Câmara, não foi examinada.

Gênero Otostoma d’Archiac, 1859

Otostoma assuana (Maury, 1925)

(Figura 39a-b)

Lyosoma assuana Maury, 1925, p. 538-539, est. 23, fig. 1. Otostoma assuana - Beurlen, 1964a, p. 76-78, est. 9, fig. 60. Otostoma assuana - Beurlen, 1967, p. 132-133.

a b c

Figura 39 - a) (DGM 6.863 - I ). b) Esquema de uma concha

completa de , com a abertura. c) sp. a.

(DGM 6.917 - I).

Otostoma assuana

Otostoma Pseudomesalia (Pseudomesalia)

Figura 40 -Família Turritellidae. a) (Maury, 1934). b)

(Beurlen, 1964). (Jenkins, 1913). d)

(Maury, 1925). e) (Beurlen, 1967). f)

(Maury, 1934). (a / f - Figuradas em M , 1934a; c / d - em M ,1925; b - em

B , 1964a; e - em B , 1967).

Turritella euphrosynes Turritella

independenciae Turritella natalensis Turritella

rioassuana Turritella rosadoic) Turritella thaliae

AURY AURY

EURLEN EURLEN

a b c

87

Descrição: Concha inflada, constituída em sua maior parte pela volta corporal; espira

baixa, enrolada quase num plano; volta corporal com duas carenas fortes, no primeiro

quarto e no meio da volta corporal; ornamentação composta de linhas de crescimento e

de costelas delicadas, discretamente espaçadas, dando à concha um aspecto estriado;

em cada costela ocorrem dois nódulos, o mais forte fica na parte distal, as linhas de

crescimento são nítidas posicionando-se sobre as costelas e os nódulos.

Material-tipo: Holótipo: DGM 973-I.

Localidade-tipo: Rio Açu, perto de Pendência, RN.

Material estudado: DG-CTG 905; DGM 973-I, DGM 974-I, DGM 975-I, DGM 988-I, MCT

6.860-I, MCT 6.863-I, MCT 6.864-I.

Dimensões: Holótipo: 18 mm de altura, 23 mm de largura. Maior exemplar, incompleto: 26

mm de altura e 42 de largura (MCT 6.863-I).

Ocorrências: Arredores de Gov. Dix-Sept Rosado e no km 73, 74 e 75 da E. F.

Mossoró-Gov. Dix-Sept Rosado, RN.

Ordem APOGASTROPODA Salvini-Plawen & Hasprunar, 1987

Subordem CAENOGASTROPODA Cox, 1959

Seção CERITHIIMORPHA Golikov & Starobogotov, 1975

Superfamília CERITHIOIDEA Férussac, 1819

Família CERITHIIDAE Férussac, 1819

A família Cerithiidae surgiu no Cretáceo, durante o Aptiano e vive até os dias de

hoje. Na Formação Jandaíra apenas uma forma foi atribuída ao gênero. Esse grupo

alcançou seu maior desenvolvimento na costa brasileira durante o Paleoceno, quando ali

viveu uma fauna diversificada e de grande porte. Ocorre em ambos domínios, Temperado

e Tetiano.

Gênero Cerithium Bruguière, 1789

Cerithium mirimense Jenkins, 1913

(Figura 42a)

Cerithium ? mirimense Jenkins, 1913 - p. 20, est. 20, fig. 8-8a. Cerithium mirimense - Maury, 1934, p. 150, est. 14, fig. 3. Cerithium mirimense - Beurlen, 1964a, p. 85.

Descrição: Concha muito pequena, turriculada, com oito voltas, espira cônica, volta

corporal grande e arredondada na base com linhas espirais; voltas ornamentadas com

88

dez costelas longitudinais, fortes, interrompidas nas suturas, às vezes alternadas a cada

volta; cordas espirais atravessam as costelas, que nas primeiras voltas da espira são em

número de quatro, aumentando para seis ou sete nas últimas voltas.

Localidade-tipo: Km 45 da E. F. Central do Rio Grande do Norte, cerca de 500 m depois

de Itapassaroca, RN.

Material-tipo: AMNH, número não designado.

Dimensões: 15 mm de altura, 6 mm de largura.

Ocorrências: Macaíba, João Câmara e Natal.

Observações: Segundo M

AURY

(1934a) a espécie é abundante nos calcários provenientes

da localidade-tipo. Assemelha-se ao subgênero Thericium Monterosato, 1890, cujo

registro mais antigo data do Turoniano, vivendo até hoje em mares das regiões tropicais.

Família CASSIOPIDAE Kollmann, 1979

A família Cassiopidae surgiu no Berriasiano e foi bem representada até o

Maastrichtiano, após essa época, há apenas um registro no Eoceno. Duas espécies

ocorrem na Formação Jandaíra, mas no Brasil ela só é abundante e diversificada na

Formação Santana, Albiano da Bacia do Araripe. Ocorre também na Formação

Riachuelo, Albiano da Bacia Sergipe-Alagoas, Formação Beberibe, Santoniano da Bacia

Pernambuco-Paraíba. É uma família característica do Domínio Tetiano.

Gênero Pseudomesalia Douvillé, 1916

Pseudomesalia (Pseudomesalia) sp. a

(Figura 39c)

Descrição: Concha turriculada, cônica, com 2 mm de espessura, com estrutura folheada;

oito voltas levemente destacadas, com os flancos planos, ornamentados com quatro

cordões espirais, iguais e eqüidistantes; volta corporal pouco abaulada e levemente

imbricada sobre a precedente.

Ocorrência: Arredores de Gov. Dix-Sept Rosado, RN.

Material estudado: DGM 6.917-I.

Dimensões: 50 mm de altura, 19 mm de largura, 13 mm de altura da volta corporal.

Observações: A concha apresenta-se coberta de briozoários, que mascaram os

caracteres diagnósticos, como detalhes da ornamentação e das linhas de crescimento.

89

Gênero Gymnentome Cossmann, 1909

Gymnentome (Craginia) cf. turriformis Stephenson, 1952

Craginia cf. turriformis – Beurlen, 1964a, p. 81-82.

Ocorrência: Fazenda Independência, mun. de Upanema, RN.

Material estudado: DG-CTG 859.

Observações: B

EURLEN

(1964a) baseou-se em um fragmento de concha, de grande

porte, cujas três voltas preservadas possuíam 80 mm de altura e 25 mm de largura.

Segundo o autor, trata-se de uma espécie à parte, mas do grupo de Craginia turriformis,

descrita do Cenomaniano da Formação Woodbine, no Texas.

Família POTAMIDIDAE H. & A. Adams, 1854

Surgiu durante o Cretáceo, no Aptiano ou Albiano, e é característico de ambientes

salobros e até mesmo terrestres, mas próximos à água. O gênero Pyrazus tem suas

origens no Turoniano e ocorre em vários localidades ao longo do Mar de Tétis. Está

representado atualmente por apenas uma espécie, que vive na Austrália.

Gênero Pyrazus Monfort, 1810

Pyrazusrioassuanus (Maury, 1925)

(Figura 41a-c)

Cerithium rioassuanum Maury, 1925, p. 544-547, est. 23, fig. 2. Pyrazus rioassuanus Beurlen, 1964a, p. 85-87, est. 9, fig. 62-64. Pyrazus rioassuanus Beurlen, 1967, p. 136-137.

Descrição: Concha turriculada, pouco esguia, de tamanho médio, com 8 voltas que

aumentam gradativamente; flanco das voltas plano, sutura linear, impressa, deixando a

lateral da espira plana; ornamentação consiste de oito a nove costelas axiais, contínuas

do ápice até a base da concha, interrompidas nas suturas; as costelas são cruzadas por

três sulcos espirais, que a dividem em quatro partes; abertura pequena, ovalada, um

pouco inclinada, lábio interno espesso e bem expandido sobre a base da concha.

Localidade-tipo: Rio Açu, perto de Pendência, RN.

Material-tipo: Holótipo: DGM 981-I.

Material estudado: DGM 981-I; MCT 6.918-I e MCT 6.919-I (cerca de 50 exemplares

provenientes da localidade “km 73 da E. F. Mossoró - Gov. Dix-Sept Rosado”).

90

Dimensões: Holótipo: 40 mm de altura e 17 mm de largura. Maior exemplar: 50 mm de

altura e 25 mm de largura.

Ocorrências: Arredores de Gov. Sept Rosado e km 73 da E. F. Mossoró - Gov.

Dix-Sept Rosado, RN.

Família TURRITELLIDAE Woodward, 1851

As espécies do gênero Turritella possuem conchas com muitas voltas,

fortemente enroladas, ornamentadas com costelas espirais. Em geral são gregárias e

vivem em zonas de ressurgência. Possuem hábito semi-infaunístico e podem

deslocar-se sobre o solo antes de deslocar-se enterrarem novamente. Alimentam-deslocar-se através de um

sistema ciliar, que desloca até a boca as partículas em suspensão na água.

A família Turritellidae surgiu no Valangiano-Aptiano e vive até os dias de hoje.

Seu desenvolvimento se deu mais próximo do final do Cretáceo. Não foi abundante na

Formação Jandaíra como na maioria dos depósitos do Domínio Tetiano, onde bancos

de calcário são constituídos quase que unicamente por conchas desses gastrópodos.

Foram identificadas seis espécies, das quais Turritella rosadoi e Turritella natalensis são

as únicas que encontram-se em pequenos bancos.

Gênero Turritella Lamarck, 1799

Turritella euphrosynes Maury, 1934

(Figura 40a)

Turritella euphrosynes Maury, 1934a, p. 143, est. 14, fig. 1. Turritella euphrosynes - Beurlen, 1964a, p. 80.

Descrição: Concha turriculada, flanco das voltas reto, sutura simples, rasa, mascarando

os limites das voltas; ornamentação consiste de três ou quatro linhas espirais mais fortes

e nos espaço entre elas, uma ou duas linhas espirais mais delicadas.

Localidade-tipo: Baixa do Leite, sudeste da cidade de Macau, RN.

Material-tipo: Holótipo: AMNH 24134.

Dimensões: 11 mm de altura e 7 mm de largura, com três voltas preservadas, mas

segundo M

AURY

(1934a), a altura total da concha deveria chegar a 23 mm.

Turritellaindependenciae Beurlen, 1964

(Figura 40b)

91

Descrição: Concha turriculada, esguia, ângulo apical com 25°; flanco das voltas planos,

suturas simples, rasas; voltas com 5 carenas espirais, eqüidistantes e iguais,

relativamente largas, com o topo arredondado e crenulado, largura das carenas é quase

igual a dos sulcos entre as carenas.

Material-tipo: Holótipo: DG-CTG 861.

Localidade-tipo: Fazenda Independência, mun. de Upanema, RN.

Dimensões: 22 mm de altura e 12 de largura, 7 mm de altura da volta.

Observações: A descrição foi baseada em dois fragmentos, mas que segundo B

EURLEN

(1964a) estavam bem conservados.

Turritella natalensis Jenkins, 1913

(Figura 40c)

Turritella natalensis Jenkins, 1913 - 451, est. 20, fig. 6-6a.

Turritella natalensis - Maury, 1925, p. 82-83, 470-471, est. 3, fig. 7. Turritella natalensis - Maury, 1934a, p. 142-143.

Turritella natalensis - Beurlen, 1964a, p. 79. Turritella natalensis - Beurlen, 1967, p. 136.

Descrição: Concha turriculada, esguia, com 16 a 22 voltas nos adultos; nas conchas

jovens o ângulo é mais agudo e as conchas são mais pontiagudas e delgadas; a volta na

concha adulta apresenta 3 cordões espirais finamente nodulosos, um proximal, junto à

base da volta, um segundo no centro, mais fraco e um distal, de tamanho mediano,

próximo à sutura; o distal é o mais forte e constante, pois os outros tendem a

desaparecer com a maturidade; às vezes, alguns cordões tornam-se espinhosos.

Localidade-tipo: Itapassaroca, em corte da E. F. Central do Rio Grande do Norte, RN.

Material-tipo: AMNH, número não designado.

Dimensões: Holótipo: 35 mm de altura e 6 mm de largura. O maior exemplar encontrado

apresentava 50 mm de altura, segundo M

AURY

(1934a), que examinou os espécimens

estudados por J

ENKINS

(1913).

Turritella rioassuana Maury, 1925

(Figura 40 d)

Turritella rioassuana Maury, 1925, p. 540-541, est. 22, fig. 10. Turritella rioassuana - Beurlen, 1964a, p. 80.

Descrição: Concha turriculada, com cerca de 15 voltas, ornamentadas com dois finos

cordões crenulados em volta da sutura, um proximal e um distal; no restante da volta

92

ocorrem pequenas linhas espirais, mais suaves, destacando-se apenas uma próxima à

base, que é um pouco mais nítida; flanco das voltas abaulado.

Localidade-tipo: Rio Açu, perto de Pendência, RN.

Material-tipo: Holótipo: DGM 978-I.

Dimensões: 18 mm de altura e 3 mm de largura.

Observações: No mesmo fragmento de calcário onde está o holótipo, existem mais

conchas desta espécie, não tão bem preservadas, algumas até de maior tamanho, mas

pouco acrescentam à descrição da mesma. As conchas apresentam-se orientadas,

indicando deposição em lugar com corrente de água.

Turritellarosadoi Beurlen, 1967

(Figura 40e)

Turritella rosadoi Beurlen, 1967, p. 134-136, fig. 20-21.

Descrição: Concha turriculada, de porte médio, esguia; voltas baixas, flancos quase

planos, sutura simples, pouco nítida; volta com quatro cristas espirais, estreitas, elevadas,

com o topo agudo; são eqüidistantes e iguais, exceto a crista mais distal, sobre a sutura,

que é a mais pronunciada, formando um colarinho.

Localidade-tipo: Toletes, mun. de Mossoró, RN.

Material-tipo: DG-CTG, número não designado.

Dimensões: 50 mm de altura e 30 mm de largura, segundo B

EURLEN

(1967).

Turritella thaliae Maury, 1934

(Figura 40f)

Turritella thaliae Maury, 1934a, p. 143, est. 14, fig. 2.

Descrição: Concha pequena, cônica, com cerca de nove voltas, altas, com os flancos

retos; sutura distinta, formando uma suave rampa na parte distal; na parte proximal da

volta, logo após a sutura, ocorrem duas linhas espirais finas; no restante do primeiro terço

não há ornamentação; no terço médio e superior das voltas apresentam linhas espirais

crenuladas, suaves, mais desenvolvidas, e entre elas linhas espirais finas, somente

visíveis com auxílio da lupa.

Localidade-tipo: Fazenda Independência, mun. de Upanema, RN.

Material-tipo: Holótipo: AMNH 24156.

Dimensões: 13 mm de altura e 7 mm de altura, 17 mm de altura da volta, segundo M

AURY

a b c

a b c

a b

Figura 41-Pyrazus rioassuanus M , 1925 a) Lado da abertura.

b) Lado dorsal. c) Detalhe do lábio interno preservado (DGM 6.918 - I).AURY

Figura 42 - a) (Retirado de M ,1934a). b)

B , 1964 (DGM 6.920 - I).

Cerithium mirimense

Monroea mossoroensis EURLEN AURY

Figura 43 -a / b) Concha completa de sp. (Retirada de

WENZ,1938 - 1944). c) Aporrhaidae sp. c. (DGM 6.928 - I).Drepanocheilus

94

Superfamília STROMBOIDEA Rafinesque, 1815

Família APORRHAIDAE Gray, 1850

São gastrópodos detritívoros, com hábito infaunal raso, que se alimentam

através de suas probóscides distensíveis. Possuem a concha fusiforme, turriculada ou

cônica, abertura com um canal anterior, lábio externo espessado apresentando uma