Após a exploração inicial dos argumentos processuais e a elaboração do roteiro semiestruturado de entrevistas, empreendidos na primeira etapa da pesquisa, iniciamos a segunda etapa, com a operacionalização do trabalho de campo.
No trabalho de campo, foram realizadas as entrevistas com os participantes da pesquisa, entre os meses de junho a setembro, do ano de 2016.
Os contatos iniciais, com os participantes, de acordo com a conveniência e/ou com as informações disponíveis nos processos em estudo, foram realizados por abordagem presencial, por convite formal entregue em mãos, por convite formal encaminhado por e-mail ou por contato telefônico. Dentre os 15 (quinze) profissionais e cidadãos abordados, 12 (doze) aceitaram participar da pesquisa, desses, 8 (oito) tinham seus nomes citados nos processos, os quais, indicaram os outros 4 (quatro) representantes de instituições envolvidas nos litígios.
Em um dos casos em estudo, o cidadão-autor havia falecido e, devido a insuficiência dos dados de contato nos autos processuais, não conseguimos localizar seus familiares, entretanto, em virtude da incoerência de datas e de informações observadas na documentação processual, investigamos mais a fundo o seu caso, procurando respostas sobre o andamento de seu processo que, mesmo transcorrido 5 (cinco) anos após o seu óbito, encontra-se ativo no TJRJ. Tais informações serão apresentadas nos resultados da pesquisa.
O dia e horário das entrevistas foram determinados pelos próprios participantes, de acordo com a disponibilidade de suas agendas, apenas em 2 (dois) casos, foram desmarcadas e remarcadas a pedido dos participantes.
Do total de 12 (doze) entrevistas, 8 (oito) foram formais, realizadas presencialmente, mediante a assinatura do TCLE; e, 4 (quatro), foram informais, realizadas por meio de anuência verbal, por telefone, sem a assinatura do TCLE.
Dentre os participantes formais da pesquisa, 7 (sete) concordaram com a gravação da entrevista e apenas 1 (um) não concordou com a gravação, neste caso, o pesquisador anotou presencialmente todas as informações relevantes para este estudo.
Os participantes informais, são os 4 (quatro) cidadãos, dos casos em estudo que, verbalmente em ligação telefônica, concordaram em participar da pesquisa. Esses quatro cidadãos, são pessoas idosas, aposentados ou “do lar”, que não estão habituados a esse universo de pesquisa científica, e, portanto, ficaram com receio de agendar uma entrevista presencial (em sua residência ou em qualquer outro local). Entendemos que esse receio está diretamente associado à insegurança social em que vivemos atualmente, o que é uma situação compreensível que faz com que nós, como pesquisadores, não insistamos no agendamento de entrevistas em casos assim, com risco de ultrapassarmos os limites éticos de uma abordagem e não estabelecermos vínculo com o participante, mesmo que por outras vias que não a presencial.
Cabe ressaltar, que todos esses participantes informais, apesar de não agendarem um encontro presencial, foram extremamente atenciosos e colaborativos por telefone, respondendo as questões da pesquisa.
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Devido a dificuldade no agendamento dessas entrevistas presenciais e a consequente impossibilidade de assinatura do TCLE, os cidadãos foram informados, por telefone, sobre os objetivos da pesquisa e prestados os esclarecimentos quanto a todas as etapas do processo, riscos, benefícios e divulgação de resultados. Assim, em atenção ao item IV.8 da Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 466 de 12 de dezembro de 2012 (BRASIL, 2013b), que expressa que “Nos casos em que seja inviável a obtenção do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ou que esta obtenção signifique riscos substanciais à privacidade e confidencialidade dos dados do participante ou aos vínculos de confiança entre pesquisador e pesquisado, a dispensa do TCLE deve ser justificadamente solicitada pelo pesquisador responsável ao Sistema CEP/CONEP, para apreciação, sem prejuízo do posterior processo de esclarecimento", deste modo, enviamos uma notificação ao CEP em 14/10/2016, informando e justificando esse fato, através da Plataforma Brasil, que foi aceita no dia 20/10/2016.Entretanto, após a correção da versão do projeto já aprovado pelo CEP, em 07/11/2016 foi encaminhado um parecer com a seguinte pendência “Este CEP entende que a dispensa de assinatura do TCLE só é permitida em casos de impossibilidade de entrar em contato com os participantes da pesquisa. Neste projeto, o contato foi realizado existindo evidências de uma autorização verbal e de que as entrevistas já teriam sido realizadas. Assim, a solicitação não se justifica [...] a emenda fica em pendência para apresentar os mecanismos que serão usados para conseguir as assinaturas dos quatro participantes do grupo ‘cidadãos’ [...]”, neste sentido, por acreditar que a insistência em marcar um encontro presencial, para a assinatura do TCLE, geraria o risco de ultrapassarmos os limites éticos de uma abordagem, que poderia resultar no rompimento do vínculo estabelecido com o participante (mesmo que por via não presencial), optamos por não utilizar os seus relatos, diretamente transcritos, nos resultados, contudo, suas contribuições permitiram orientar o pesquisador na contextualização do estudo e para a construção de um saber empírico, visto que, o conhecimento da situação atual desses cidadãos, autores dos processos em estudo, desvela aspectos a cerca da resolutividade, tanto do sistema de justiça quanto do sistema de saúde, que podem ser vocalizados para tantos outros cidadãos que se encontram na mesma situação, ou seja, assim como não foram particularizadas informações processuais, dos cidadãos dos casos em estudo, não foram particularizadas informações a respeito de suas situações atuais, assim, procurou- se uma aproximação da realidade, a partir da generalização dos fatos por eles apontados, uma vez que, não há como negligenciar uma descoberta, especialmente, quando se desconstrói o epílogo (desfecho) esperado e permite acrescentar um posfácio (adendo) ao resultado do litígio.
Embora, na metodologia, os cidadãos estejam incluídos entre os participantes, por não terem assinado o TCLE, foram excluídos da pesquisa, durante a operacionalização do trabalho de campo.
Deste modo, seus relatos informais, não foram incluídos nessa pesquisa, mas, como enunciado anteriormente, ofereceram informações valiosas, que contribuíram para a compreensão dos problemas evidenciados nos relatos formais e para as conclusões do presente estudo.
As entrevistas presenciais, com os participantes formais, foram realizadas nas respectivas instituições de trabalho dos profissionais-participantes, com uma duração total, aproximada, de 536
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(quinhentos e trinta e seis) minutos, que corresponde a uma média de 67 (sessenta e sete) minutos para cada entrevista.As transcrições tiveram uma duração total, aproximada, de 4.380 (quatro mil trezentos e oitenta) minutos, que corresponde a uma média, aproximada, de 547 (quinhentos e quarenta e sete) minutos para cada entrevista.
Os participantes formais da pesquisa, com idade média, aproximada, de 42 (quarenta e dois) anos, 3 (três) do sexo masculino e 5 (cinco) do sexo feminino, são, em sua maioria, funcionários públicos concursados ou ocupam cargos e funções de confiança, no geral, desembargadores e coordenadores de núcleos de instituições do sistema de justiça e coordenadores de núcleos de instituições do sistema de saúde.
O quadro 02, expressa informações gerais a cerca do sistema, cargo ou função, instituição, posição argumentativa ou grupo dialético, dos participantes da pesquisa, bem como, seus respectivos códigos, utilizados ao final de cada relato apresentado nos resultados, procurando garantir a privacidade e o anonimato dos profissionais entrevistados.
Quadro 02. Informações gerais sobre os participantes da pesquisa:
PROFISSIONAIS-PARTICIPANTES DA PESQUISA
Sistema Cargo ou Função Instituição Grupo Dialético Código23
Justiça Desembargador (1) TJRJ Sintéticos D2 Desembargador (2) D4 Promotor Estadual MPRJ P12
Defensor Público Estadual DPGERJ Tético DP11
Procurador Estadual PGERJ
Antitéticos PE10 Saúde Gestor/Coordenador (1) SESRJ G1 Gestor/Coordenador (2) G3 Gestor/Coordenador (3) G7
Fonte: Elaborado pelo autor em 2017.
A terceira etapa da pesquisa, onde são apresentados os resultados, as análises e as discussões, é expressa nos três capítulos seguintes, que delimitam distintas etapas dos conflitos que envolvem as demandas ajuizadas para a aquisição de medicamentos oncológicos de alto custo, a considerar: o pré-contencioso, com as ações extrajudiciais; o contencioso, na microjustiça de medicamentos; e, o pós-contencioso, com as situações atuais dos cidadãos-demandantes.
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As entrevistas de número 5, 6, 8 e 9 foram realizadas com os cidadãos, códigos C5, C6, C8 e C9, que foram excluídos da pesquisa, devido a impossibilidade da assinatura do TCLE, assim, seus relatos transcritos, não serão apresentados nesse estudo.