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2.5 O setor de transporte no Brasil

2.5.1. Características gerais do transporte de cargas

O transporte é normalmente a atividade logística que implica em maiores custos. Em função disso, as empresas buscam desenvolver redes logísticas eficientes, que minimizem os custos totais no escoamento de seus produtos para ganharem competitividade e se diferenciarem no mercado.

Segundo Nazário, Wanke e Fleury (2000), as empresas vêem na logística um diferencial competitivo com potencial de proporcionar uma melhoria no nível de serviços prestados aos clientes, como entregar o produto certo, na quantidade desejada, no horário e no lugar combinados com menor custo possível. Os autores ressaltam que esse nível de atendimento está diretamente relacionado às características operacionais e aos custos de cada modal de transporte.

A diferença qualitativa entre custos fixo e variável para os cinco principais modais está apresentada no Quadro 1.

Modal Custo Fixo Custo Variável

Ferroviário Alto

(equipamentos, terminais, via permanente etc.) Baixo

Rodoviário Baixo

(rodovias construídas com recursos públicos)

Médio

(Combustível e manutenção, principalmente)

Aquaviário Médio

(Navios, barcaças e equipamentos)

Baixo

(elevada capacidade de transporte) Dutoviário

Elevado

(construção, direito de acesso, capacidade de bombeamento etc.)

Muito baixo

Aeroviário Alto

(aeronaves, sistema de carga etc.)

Alto

(Combustível, manutenção, mão-de-obra etc.)

Quadro 1 - Estrutura de custos de cada modal

Fonte: Nazário, Wanke e Fleury (2000)

Além das diferenças estruturais de custos, esses modais apresentam características distintas que auxiliam o usuário na escolha de um ou outro meio de transporte como: velocidade (tempo do percurso), disponibilidade (capacidade de atendimento porta-a-porta), confiabilidade (capacidade de entrega dentro de prazos estipulados), capacidade (potencial para transportar qualquer tipo de produto) e freqüência (movimentação programada). Nazário, Wanke e Fleury (2000) apresentam as principais características de cada modal:

ƒ aéreo: o mais veloz;

ƒ rodoviário: maior disponibilidade e flexibilidade para entregas porta-a-porta; ƒ dutoviário: maior confiabilidade em função das condições intrínsecas de ausência

de congestionamento e maior freqüência devido à possibilidade de escoamento contínuo;

ƒ hidroviário: maior potencialidade em transportar qualquer tipo e tamanho de carga.

Dessa forma, a escolha pelo usuário de um ou outro modal se dará através da combinação entre custo e nível de serviço necessário para transportar o produto. Cabe ressaltar que o custo final de transporte é sempre ajustado pelo mercado, ou seja, por condições de oferta e demanda por transporte.

Quando se analisa conjuntamente esses atributos das diferentes modalidades de transporte, percebe-se que o rodoviário se destaca e, em função disso, predomina no escoamento

de produtos. Na Tabela 4 é apresentada uma pontuação para as características associadas a cada modal (quanto menor a nota, melhor a classificação do modal).

Tabela 4 - Características entre os modais de transportes Características

operacionais Ferroviário Rodoviário Aquaviário Dutoviário Aéreo

Velocidade 3 2 4 5 1 Disponibilidade 2 1 4 5 3 Confiabilidade 3 2 4 1 5 Capacidade 2 3 1 5 4 Freqüência 4 2 5 1 3 Resultado 14 10 18 17 16

Fonte: Nazário, Wanke e Fleury (2000)

Bulhões (1998) também destaca que modal rodoviário apresenta vantagens com relação às ferrovias e hidrovias, uma vez que esse possui uma grande flexibilidade para deslocar produtos por rotas alternativas, diferentemente desses outros modais que se restringem ao transporte de terminal a terminal.

Caixeta-Filho et al. (2001), citando ASLOG (Associação Brasileira de Logística) verificaram que o transporte rodoviário é recomendável para distâncias inferiores a 500 km; no caso das ferrovias, recomenda-se o seu uso para produtos que estejam distantes de seu destino final entre 500 a 1200 km; por fim, para distâncias superiores a 1200 km, o mais indicado seria a utilização de hidrovias.

No entanto, vale destacar que em muitos casos, a melhor opção para escoar cargas, especialmente as agrícolas é por meio da intermodalidade, que combina a utilização de mais de um modal. Segundo Lieb, 1978 apud Martins e Caixeta-Filho (1999), isso pode resultar em uma redução nos valores de fretes, pois é possível associar as especificidades de cada modal (custos e características operacionais), podendo gerar serviços com melhor qualidade e menor custo.

Segundo Nazário (2000), uma logística rodo-ferroviária permite uma redução nos custos de transporte, uma vez que o frete ferroviário para longas distâncias possui um valor inferior quando comparado ao modal rodoviário, agregando assim, um maior nível de serviço, com entrega porta-a-porta, resultando em uma melhor relação custo-benefício ao usuário.

No Quadro 2, elaborado pela American Trucking Association – ATA, pode-se verificar que a combinação entre distâncias e volumes pode direcionar na escolha do modal.

< 0,5 0,5 - 4,5 4,5 - 13,5 13,5 - 27 27 - 40 > 40 < 160 160 - 320 320 - 480 480 - 800 800 - 1600 1600 - 2400 > 2400 Volume (t) Distância (km) Rodoviário Ferroviário Intermodal (rodo-ferro)

Quadro 2 - Comparação entre os modais rodoviário, ferroviário e intermodal

Fonte: Nazário (2000)

Um exemplo citado por Nazário (2000) mostra a competitividade no uso do transporte intermodal, como o caso da soja de Goiás que chega até o terminal hidroviário em São Simão-GO por caminhão e daí segue por hidrovia por Pederneiras-SP, onde é colocada em vagões com destino ao porto de Santos. O custo dessa logística rodo-hidro-ferroviário é de US$ 25.0, enquanto que, o caminhão que sairia de Goiás cobraria entre US$ 34.50 e US$ 46.00 para chegar ao mesmo destino.

Um outro exemplo é citado em Lício e Corbucci (1996), onde a utilização apenas do modal rodoviário para escoar a soja da Chapada do Parecis-MT aos portos de Santos e Paranaguá eleva em 35% a 45% o preço da soja nesse mercado físico, dificultando a comercialização do produto. Essa logística poderia ser mais competitiva, por exemplo, caso envolvesse mais de uma modalidade de transporte.

Cabe enfatizar que, apesar do transporte intermodal possibilitar redução nos custos, muitos autores destacam que essa opção pode nem sempre ser a mais competitiva, pois em muitos locais há sérios problemas de infra-estrutura.

De acordo com a CEL/COPPEAD (2002), o modal rodoviário no Brasil apresenta problemas que afetam seu desempenho, como estradas em condições inadequadas, maior suscetibilidade ao roubas de cargas etc., quando comparado com outros modais. Além disso, a falta de regulamentação do setor abre espaço para entrada de mais autônomos nesse mercado, resultando na ampliação da oferta de transporte e conseqüentemente, na redução das tarifas praticadas, impossibilitando assim à renovação e manutenção da frota desses agentes. Assim,

para recuperar a diminuição no desempenho devido à idade média elevada dos veículos, os transportadores utilizam veículos com excesso de carga e ultrapassam a jornada de trabalho permitida. A atuação desses agentes no mercado de transporte prejudica outros modais, como as ferrovias e as hidrovias, que têm vocação para captar grandes volumes.

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