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5.3 A ÁREA DE ESTUDO: SUB-BACIAS DOS RIOS JACARAÍPE E PIRANEM

5.3.3 Características populacionais e de moradia

Conforme comentado anteriormente, a partir da década de 1970, a Serra passou por um intenso processo de urbanização com o aumento acelerado e progressivo de sua população. Este crescimento ocorreu pela implantação de conjuntos habitacionais, pela abertura de loteamentos e pela ocupação espontânea, caracterizada principalmente por invasões em áreas de interesse ambiental, determinadas como Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação. Segundo a Prefeitura Municipal da Serra (PMS), em 2004, a Serra possuía aproximadamente 190 bairros, sendo que 118 destes eram reconhecidos pela Lei Municipal nº 2.229, de novembro de 199963.

Esta “explosão demográfica” pela qual a Serra passou causou, entre outros problemas, a falta de moradia. A oferta de casas não acompanhou a necessidade posta pela cidade e, assim, foi iniciado este, que é um dos maiores problemas que o município da Serra, ainda hoje, possui e que está diretamente ligado à ocupação e ao avanço da cidade sobre as áreas de interesse ambiental.

As políticas habitacionais do município serrano até o final da década de 1990 estavam a cargo dos governos federal e estadual, mas, com a aprovação da Constituição Federal de 1988, e o incentivo pela municipalização das políticas públicas, a Serra começou a se inteirar mais a respeito das ações sobre habitação possíveis de serem implantadas pela municipalidade, buscando para isso parceria federal, a fim de conseguir verbas públicas.

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SERRA. Prefeitura Municipal da Serra/Secretaria de Planejamento Estratégico. Serra em Números: indicadores sociais e econômicos do município. 2ª ed., Serra, 2004.

Mas foi no início deste século que o município conseguiu suas melhores parcerias, fechando projetos com o Programa de Arrendamento Residencial64 (PAR); o Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social65 (PSH); o Programa Habitar Brasil, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)66; o Programa “Bem Viver”67; e, mais recentemente, o Programa Minha Casa, Minha Vida68, além de parcerias não-governamentais.

Dentre estes programas, destaca-se o PSH, que atendeu prioritariamente populações de mais baixa renda, atingindo vários bairros pertencentes às sub-bacias de estudo, como, por exemplo, Divinópolis, Novo Porto Canoa e Cidade Pomar. Bairros que coincidentemente estão próximos e que possuem ocupações irregulares surgindo em seu entorno e avançando respectivamente sobre importantes áreas de interesse ambiental, como o morro do Vilante, o corredor ecológico Duas Bocas – Mestre Álvaro e ainda fundos de vale que se interligam à lagoa Juara.

Segundo dados apresentados pelo Gráfico 2, a Serra é o quarto município da região metropolitana em déficit habitacional, necessitando, desta forma, aumentar a oferta de moradia. Esta oferta de moradia deve fazer parte do escopo do planejamento urbano e ambiental da cidade, procurando respeitar as limitações impostas pelas leis urbano- ambientais, como a Lei de Parcelamento do Solo.

Situações atuais – como a ocupação de áreas com declividades superiores a 30%, áreas alagáveis, margens de rios, córregos e lagoas – estão em desacordo com as leis ambientais, devendo ser coibidas a fim não só de proteger a paisagem ambiental, mas também a qualidade de vida da população serrana.

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O PAR tem por objetivo propiciar moradia nos grandes centros urbanos à população de baixa renda, sob a forma de arrendamento residencial com opção de compra. Destinado às famílias com renda mensal de até seis salários mínimos.

65 O PSH foi desenvolvido pelo governo federal/Ministério das Cidades, em parceria com prefeituras, a fim de

atender às necessidades habitacionais da população de baixa renda, que tenha prioritariamente a mulher como chefe de família.

66 O Programa Habitar-Brasil/BID objetiva a promoção de intervenções em assentamentos subnormais,

localizados em regiões metropolitanas, capitais de Estado e aglomerações urbanas.

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O “Bem Viver” foi desenvolvido pelo município da Serra, a fim de, que através de um conjunto de ações integradas, se realizem investimentos em obras de infraestrutura, Programas de Geração de Ocupação e Renda, Ações de incentivo ao exercício da Cidadania e Assistência Social.

68 O Programa “Minha Casa, Minha Vida”, em parceria com os Estados e municípios, tem por objetivo construir

habitações para famílias com renda prioritária de até três salários mínimos, abrangendo também famílias de até dez salários mínimos.

Gráfico 2 – Déficit habitacional na Região Metropolitana da Grande Vitória.

Fonte: IJSN. Diagnóstico do déficit habitacional para os municípios do Estado do Espírito Santo – 2009.

Os projetos de moradia destinados ao preenchimento deste déficit habitacional geralmente contemplam famílias de menor renda. A partir disso, vale destacar que, segundo o Censo do IBGE de 2000, a maioria dos bairros com um grande percentual de famílias com renda até um salário mínimo está localizada na região de estudo (Figura 68).

Ainda conforme a Figura 68 destaca-se na região das sub-bacias dos rios Jacaraípe e Piranem os bairros Cidade Pomar, São Pedro, Planalto Serrano, Divinópolis e Campinho da Serra II, contendo mais de 50% das famílias com renda inferior a um salário mínimo.

Outro dado que contribui para demonstrar a necessidade por habitação de um município é a quantidade de aluguel social praticado. O programa de aluguel social da Serra funciona com o intuito de atender principalmente as famílias em situação eminente de risco, ou seja, que ocupavam áreas com risco de alagamento ou desmoronamento, geralmente de interesse ambiental.

A Figura 69 indica que a maior parte dos bairros, bem como o maior número de famílias vivendo com aluguel social, também está concentrada na área de estudo.

Figura 69 – Número de famílias inscritas no programa aluguel social nas sub-bacias dos rios Jacaraípe e Piranem.

6 GESTÃO DO TERRITÓRIO SERRANO: DOS PROBLEMAS DE ONTEM AOS DESAFIOS DE HOJE

6.1 CRESCIMENTO URBANO E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL DAS BACIAS DOS