1.6. Características Biológicas do Adolescente
1.6.2. Características Psicológicas e Cognitivas do Adolescente
A adolescência foi criada historicamente pelo homem, levando em conta os aspetos relacionados com a representação desta fase na vida das pessoas, bem como com os aspetos sociais e psicológicos. Trata-se de um período natural do desenvolvimento humano, sendo caracterizado por marcas corporais, mudanças de comportamento, desenvolvimento de habilidades, conhecimento e novas significações
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sobre a realidade social, o que se repercutirá na constituição dos sujeitos (Contini & Koller, 2002).
Na adolescência o indivíduo vive um tempo de grande impacto em decorrência das modificações no corpo e na mente. Deste modo o adolescente busca novas formas de adaptação da sua realidade ao mundo, tornando-se necessário a busca pelo descobrimento da sua própria identidade (Campagna & Souza, 2006). A literatura define que é neste período que ocorre a formação da identidade, mas outros estudos destacam que este é um processo contínuo até que se chegue à próxima fase, a do adulto jovem.
De acordo com Jean Piaget (1972, citado por Saewyc, 2013), que descreveu a transição da infância para a adolescência como o movimento do pensamento operativo concreto para o abstrato, nos jovens esse pensamento tende a decorrer entre os 11 e 14 anos de idade, o mesmo inclui a capacidade de pensar em termos abstratos, pensar em possibilidades e hipóteses. O pensamento hipotético alinha-se às questões de possibilidades, logo, é permitido ao adolescente criar possibilidades e explicações alternativas e comparar o concreto com o que pensam. Desta forma, associam o comportamento a conceitos abstratos como a atração, estatuto de adulto ou felicidade com perspetiva futura, pelo que as operações mentais se tornam mais abstratas, complexas, lógicas e reflexíveis.
Nesta etapa, caracterizada pelas mudanças na estrutura psicológica e social do indivíduo, é comum o surgimento de dificuldades e incertezas. Essas mudanças relacionam-se com as transformações na labilidade de humor. De acordo com Ferreira et al (2007), nesta fase é comum o surgimento de dúvidas e questionamentos de como viver a vida, o modo de ser, de estar com os outros e, até planear o futuro como ingressar na universidade ou conquistar oportunidades de emprego. Para Saewyc (2013), essas ações irá depender da habilidade de pensar de forma hipotética. Neste aspeto deve levar-se em consideração o contexto social (histórico, político e económico) em que o indivíduo está inserido.
Face às características típicas da adolescência, espera-se que o adolescente esteja inserido num contexto de aporte positivo, para que possa ultrapassar os desafios desta etapa do ciclo vital saudavelmente; para isso, é necessário que descubra o seu papel na sociedade, bem como seus princípios, valores, crenças, atitudes e vontades, sendo essa etapa decisiva e de grande importância para eventos futuros (Compagna & Souza, 2006).
No estudo de Filipini, Prado, Felipe & Terra (2013), realizado com adolescentes de 12 - 14 anos de idades, os autores avaliaram o conhecimento do adolescente referente às modificações físicas e psíquica, apuraram sentimento ora de tristeza ora de alegria para além de ansiedade com manifestações em ambos os géneros em consequencia das
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modificações do corpo e da mente. Rusany & Szwarcwal (2000) afirmam que os adolescentes estão sujeitos a vulnerabilidades emocionais que propiciam atitudes e condutas diversas geradoras de dúvidas e inquietações. Nesta fase as influências contextuais tomam maior proporção, pois compromete a tomada de decisões de condutas de maneira a contribuir na decisão de estilo de vida.
Nesta fase de transição entre a infância e a idade adulta, é comum o interesse do adolescente em se inserir algum grupo e assim aos poucos ocorre a construção da imagem da pessoa como um adulto independente e autónomo (Silva & Mattos, 2004). No entanto, dependendo da forma como esta identidade é formada, o comportamento e as atividades a serem desempenhadas podem ser ou não facilitadas.
Nesta fase é comum a necessidade de pertencer ao grupo, através da busca de pares identificatórios, que amparem a necessidade de pertença do adolescente e contribuam para a formação da sua identidade. E, através deste processo, gradualmente, a imagem de um adulto independente estabelece-se. Dependendo da forma como esta identidade se estabelece, o exercício de suas funções poderá vir a ser facilitado ou não. Do mesmo modo, que se o processo de desenvolvimento biopsicossocial ficar comprometido, o seu desempenho tende a ser difícil e penoso (Krauskopf, 1995 citado por Ruzany, 2000).
Para um melhor entendimento sobre o desenvolvimento psicossocial e cognitivo do adolescente, Stang & Story (2005) sugerem a divisão da adolescência em anos, sendo este dividido em três estágios: início da adolescência (11-14 anos), intermédio da adolescência (15-17 anos) e adolescência tardia (18-21 anos). Cada um desses períodos distintos de desenvolvimento é marcado pelo domínio de novas habilidades emocionais, cognitivas e sociais apontadas no Quadro 4, pois cada fase é delineada de acordo com o crescimento e desenvolvimento do adolescente.
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Quadro 4 - Estágios de desenvolvimento na adolescência.
Estágios Relacionadas a emoção Relacionadas ao cognitivo Relacionadas ao social Início da adolescência Ajuste a imagem de um novo órgão, a adaptação à sexualidade emergente Pensamento concreto;
Início de conceito moral Forte efeito de pares
Intermédio da adolescência Estabelecimento de separação emocional dos pais Surgimento de pensamento abstrato, a expansão das habilidades verbais e moral convencional; Aumento a adaptações às exigências escolares Aumento de comportamento de risco a saúde; Interesses sexuais em pares; Planos iniciais de formação profissional Final da adolescência Estabelecimento de um sentido pessoal de identidade; ainda mais a separação dos pais
Desenvolvimento do abstrato, o pensamento complexa;
Surgimento de moralidade pós-convencional
Maior controlo dos impulsos; emergente autonomia social; criação de capacidade profissional
Fonte: Extraído de Stang & Story (2005, p. 5)
Mesmo que o indivíduo tenha a capacidade de pensar de forma racional, quando se deparam com confrontos como restrições de tempo, stresse pessoal ou pressão dos pares, é muito provável o abandono desse tipo de pensamento, tornando-os vulneráveis aos efeitos stressantes (Saewyc, 2013).
Em síntese, percebeu-se que as características psicológicas do adolescente passam por aspetos de transformações cognitivas principalmente em relação ao processo de construção do pensamento abstrato, além das mudanças emocionais e do processo de individualização.