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Características: representatividade, discursividade, respeitabilidade e compromisso com

2. O INSTITUTO DO AMICUS CURIAE NO DIREITO BRASILEIRO: UM TERCEIRO

2.2 Características: representatividade, discursividade, respeitabilidade e compromisso com

Os poderes e deveres do amicus curiae tem relação com o grau de interesse na defesa de direitos institucionais que justifique e motive a sua atuação. Assim, o amicus curiae pode intervir no processo para ofertar informações, depoimentos, pareceres, documentos,

58 Categoria fiscalizatória.

59 OLIVEIRA, Thaís de Bessa Gontijo de. O amicus curiae e o reconhecimento da possibilidade de uma atuação parcial. In: BARROS, Flaviane de Magalhães; MACHADO, Felipe Daniel Amorim. (Org.). Anais do 5o

Congresso de Constituição e Processo: hermenêutica e jurisdição constitucional. Belo Horizonte: Initia Via, 2013, p. 510.

60 Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a ordem dos Advogados do Brasil – OAB.

61 Existe uma lacuna na doutrina nacional no tocante à eficácia do ingresso do amicus curiae e as possíveis consequências positivas e negativas do seu emprego.

32 experiências, artigos e memoriais, apresentar sustentação oral, manifestação em audiência, praticar atos de instrução, inclusive produzindo provas 62 ou interpor determinados recursos.

Todas as situações acima narradas podem ocorrer, se o amicus curiae não figurar como parte na causa, pois não pode estar titulando e defendendo interesse próprio, e sim pro societate, ou seja, sua atuação deve ocorrer de forma “desinteressada”, sem se vincular a uma das teses trazidas pelas partes.

Os poderes do amicus curiae devem ser dimensionados pelo órgão jurisdicional à luz do caso concreto (art. 138, § 2º). Esses poderes variarão conforme a necessidade de esclarecimento do Judiciário e conforme a possibilidade de subsídios a serem prestados pelo terceiro. Essas faculdades podem limitar-se à apresentação de memoriais ou informações, mas também podem envolver prerrogativas bem mais amplas, como a participação em prova pericial, o oferecimento de sustentação oral ou ainda o aporte de outras provas. 63

O amicus curiae possui interesse público 64, coletivo e social 65, e não meramente jurídico, em razão de ir além da individualidade, com vistas não à favorecer alguma das partes, e sim à informar e esclarecer o juízo, com detalhes e interpretações peculiares e sob óticas diversas, consoante aos interesses e anseios do grupo de pessoas que representa.

Quer dizer, o amicus curiae não possui interesse na lide, ou ainda melhor dizendo, possui interesse indireto, porque a consequência de sua atuação acaba beneficiando o autor ou o réu. Seu interesse está na correta aplicação do direito a partir da sua contribuição nos autos. 66

O Brasil, adota viés restritivo à intervenção do amicus curiae, no qual o seu ingresso nas lides está sujeito à análise de representatividade. A representatividade adequada, em conformidade com o que foi escrito acima, é a capacidade de contribuir no julgamento do processo, mediante aporte de informações para ajudar o juiz a julgar (corretamente) o mérito da pretensão.

Os critérios de representatividade não estão expressos na legislação brasileira, mas a análise das aptidões, reputação, fins institucionais, qualidades, campos de atuação, capacidade

62 BUENO, 2012, p. 566.

63 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Novo curso de processo civil: tutela dos direitos mediante procedimento comum. São Paulo: Ed. RT, 2015. v. 2. p. 99.

64 BUENO, Cassio Scarpinella. Amicus curiae no Processo Civil Brasileiro: um terceiro enigmático. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 340-343 e 478.

65 DEL PRÁ, Carlos Gustavo Rodrigues. Amicus curiae: instrumento de participação democrática e de aperfeiçoamento da prestação jurisdicional. Curitiba: Juruá, 2008, p. 112-114.

66 BUENO, Cassio Scarpinella. Amicus curiae no Processo Civil Brasileiro: um terceiro enigmático. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 443-444.

33 técnica, seriedade, magnitude dos interesses representados, tempo de existência são de fundamental acuidade para apuração da atuação do amicus curiae.

O ministro Luiz Fux, pontuou que “a habilitação de entidades representativas se legitima sempre que restar efetivamente demonstrado o nexo entre as finalidades institucionais da entidade postulante e o objeto da ação direta” 67, pois assim se garantirá (pelo menos em tese), a qualidade da participação do interveniente.

Portanto, a base que assenta e justifica os poderes e deveres do amicus curiae reside no fato de que ele exercerá legitimamente o seu múnus se atuar como terceiro, fiscalizando a aplicação do direito material e fornecendo informações, orais ou escritas, relevantes 68 para o julgamento da causa e formação da convicção e cognição do magistrado. Por conseguinte, a intervenção do amicus curiae encontra-se limitada às questões que validaram sua admissibilidade.

Enfim, os poderes do amicus curiae geram muita polêmica. As polêmicas não foram enfrentadas diretamente pelo atual Código de Processo Civil, em particular ao que prevê o § 2o, do artigo 138, que diz que caberá ao juiz ou relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae.

Significa que compete ao juiz ou relator que deferir o pedido de intervenção, indicar desde já os poderes do amicus curiae, de forma a evitar discussões (protelatórias) posteriores no processo. E essa decisão, que pode tolher significativamente tais poderes, será definitiva, uma vez que o amicus curiae dela não poderá recorrer, haja vista vedação legal expressa, e as partes, embora tenham legitimidade para recorrer, não terão interesse recursal.

Afinal, o amicus curiae prima pelo aperfeiçoamento dos instrumentos necessários à efetivação do direito, haja vista que permite a participação de colaboradores na hermenêutica constitucional de um caso sujeito à exame. Melhor dizendo, possibilita que a sociedade, em determinadas causas de relevo nacional e grande repercussão, representada pela figura do amicus curie, traga ao processo sub judice informações salutares e relevantes e dados técnicos que julgar devido/pertinente.

67 STF, MC na ADI 5.298/RJ, rel. Min. Luiz Fux, decisão monocrática publicada no DJe 20.04.2015.

68 Os elementos e argumentos trazidos pelo amicus curiae não podem já estar contidos no processo, caso contrário, não há razão de ser a sua intervenção.

34 Muito mais do que tratar de questões eminentemente técnicas, a intervenção do amicus curiae busca orientar o magistrado ou a corte sobre o potencial efeito expansivo da decisão ou provimento, debater as consequências e desdobramentos sociais.

A proposta é de que o amicus curiae trava a vontade da maioria devidamente temperada por justificações racionais.

2.3 Similaridades com o direito fundamental à saúde: participação social, políticas