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Caracterização da paisagem costeira do Rio Grande do Sul

No documento LUCAS TERRES DE LIMA (páginas 55-64)

4. Resultados e Discussão

4.1. Caracterização da paisagem costeira do Rio Grande do Sul

A paisagem costeira do Rio Grande do Sul é composta por um grande número de sistemas, tanto naturais quanto antrópicos, distribuídos no espaço na

Figura 19 - (A) Ferramenta Reclassify. (B) Ferramenta Iso Cluster.

Fonte: do autor.

(A) (B)

forma de manchas e organizados nesse trabalho em dez classes de paisagem conforme o Quadro 3. Essas classes foram determinadas com o objetivo de haver uma separação simples entre elas, porém deixando bem caracterizada se a mancha é natural ou antrópica.

Por exemplo, no contexto desse trabalho, o importante não foi qual tipo de atividade rural que está sendo realizada e sim identificar que naquela mancha existe uma atividade humana no espaço que anteriormente apresentava-se natural, ou seja, se é uma mancha de caráter antrópico rural.

Quadro 3 - Nome, Constituição e Caráter das Classes da Paisagem.

ID Nome Constituição Caráter

1 Antrópico Rural Pequenas e grandes propriedades de terra com

qualquer tipo de atividade rural. Antrópico 2 Antrópico Urbano Cidades, vilarejos e demais ocupações urbanas. Antrópico

3 Areias e Dunas

Dunas móveis e fixas sem vegetação, áreas expressivas de areia, como em deltas, mendreandos

de rios e paleodunas expostas.

Natural

4 Campos Remanescentes Campos naturais, com pouca ou sem presença de

atividade pecuária. Natural

5 Recursos Hídricos Todos os tipos de corpos d’água: rios, córregos,

lagos, lagoas, canais de irrigação, etc. Natural 6 Cultivos Florestais Plantações de Eucaliptos, Acácias, Pinus ou

qualquer outro cultivo florestal identificado. Antrópico 7 Dunas Vegetadas Dunas fixadas por vegetação natural gramínea ou

arbórea. Natural

8 Estradas Rodovias federais, estaduais e municipais

pavimentadas ou não. Antrópico 9 Matas Nativas Matas ripárias, de restinga e remanescentes

florestais de mata atlântica. Natural 10 Áreas Úmidas Banhados, marismas, campos úmidos e

encharcados. Natural

Fonte: do autor.

Em uma visão geral, o ambiente costeiro caracteriza-se por uma paisagem plana e aberta, que abriga grandes lagoas e extensos sistemas de produção agropecuária. Todo o território classificado abrange 2.661.861,80ha e é formada por

55.095 manchas. A paisagem costeira reúne uma grande diversidade de elementos, mas é sua uniformidade que antes de tudo se impõem ao observador.

De acordo com o mapa final das classes da paisagem (Mapa 1), a linha de costa compreende um vasto cordão de areia, sem elevações, sem ilhas, sem rios ou formação de deltas; do alto, tudo que se pode observar é um paralelismo evidente entre os elementos que compõe a paisagem e seus limites naturais, o oceano e as serras.

Assim, por toda a sua extensão, os elementos se sucedem em faixas paralelas e em ordem, do oceano ao interior: linha de praia, dunas móveis e vegetadas, área úmidas, campos naturais e áreas de cultivo e criação, matas de restinga, lagunas e lagoas, áreas de cultivo e criação, florestas e serras.

Mapa 1 - Mapa das classes do Ambiente Costeiro do Rio Grande do Sul.

Fonte: do autor.

As áreas de cultivo e pastagem, que compõem a classe Antrópico Rural possuem 19.429 manchas e é a classe mais abrangente com 1.759.098,14ha (66,09%), presentes em toda a extensão da planície, refletindo o tipo de uso histórico e dominante, que transformou esse espaço natural e formou a paisagem costeira do litoral gaúcho (Mapa 2A). A classe Antrópico Urbano se extende por 82.120,11ha e possui 124 manchas. Destaca-se a região metropolitanea de Porto Alegre, localizada ao noroeste do Mapa 2B que está representada uma parte no limite de estudo. Em seguida, mais ao sul, encontram-se as cidades de Pelotas e Rio Grande, cidades essas que se apresentam em expansão econômica devido a grandes investimentos de nível federal no Porto de Rio Grande. No litoral norte, há um agrupamento expressivo de cidades praianas, porém não há mesma incidência ao sul, destacando-se apenas pela praia do Cassino que está localizada perto da cidade de Rio Grande.

Mapa 2 - (A) Mapa da classe Antrópico Rural. (B) Mapa da classe Antrópico Urbano.

Fonte: do autor.

(A) (B)

A classe Áreas Úmidas abrange 197.996,86ha, ou seja, 7,44% do total do limite do estudo e possui 5.597 manchas. A distribuição da classe Áreas Úmidas no ambiente costeiro é mais expressivo ao sul. Essa configuração talvez seja explicada pela geomorfologia da planície costeira, mas a ausência em algumas áreas ao norte pode ser por causa da expansão agrícola, assim como alguns visíveis retalhamentos de manchas de Áreas Úmidas ao sul (Mapa 3A).

A classe Areias e Dunas possui 1.759.098,14ha, abrangendo 4,08% do total do limite de estudo e contém 3.946 manchas. A classe tem maior densidade na linha de costa, junto ao oceano, mas também há algumas manchas ao oeste da paisagem de paleodunas, deltas de rios e também praias formadas pela Laguna dos Patos (Mapa 3B).

Os Campos Remanescentes estão organizados em 901 manchas distribuídas por toda a planície costeira, abrangendo 3,89% do limite de estudo (103.415,39ha).

São manchas que apresentavam um caráter natural e que foi identificada por sua textura que diferenciava de cultivos agrícolas e manchas de áreas úmidas em

Mapa 3 - (A) Mapa da classe Áreas Úmidas. (B) Mapa da classe Areias e Dunas.

Fonte: do autor.

(A) (B)

diferentes imagens observadas. A maior mancha encontra-se ao sul sobre os cordões litorâneos, perto da cidade de Rio Grande. Outras manchas são encontradas ao norte pela linha de costa (Mapa 4A).

As manchas de Cultivos Florestais também estão distribuídas por toda planície costeira em manchas de diversos tamanhos (Mapa 4B). O número de manchas da classe Cultivos Florestais é 3.516 e é interessante lembrar que os cultivos florestais foram recentemente introduzidos pelo homem e já se apresentam mais expressivas que classes de caráter natural como Matas Nativas e Dunas Vegetadas, ocupando 3,72% ou 98.979,08ha do limite de estudo.

As dunas vegetadas estão presentes em quase toda a extensão da linha de costa com 783 manchas, representando um percentual baixo de 1,80% do total da planície costeira, com 47.784,11ha (Mapa 5A). Suas manchas exibem importantes ecossistemas e são frequentemente impactadas por manchas de cultivo florestal, principalmente o pinus sp. que além de dividir espaço, se expandem sobre as manchas de dunas vegetadas através da dispersão de sementes.

Mapa 4 - (A) Mapa da classse Campos Remanescentes (B) Mapa da classe Cultivos Florestais.

(A) (B)

Fonte: do autor.

As estradas não são uniformemente distribuídas e tem uma maior densidade ao norte próximo da cidade de Porto Alegre (Mapa 5B). Mesmo assim, estão presentes em quase todo o território, salvo alguns ambientes naturais como áreas de dunas e banhados que ainda se encontram preservados. A classe Estradas possui 1.366 manchas e cobre 0,44% do território com 11.656,51ha.

Mapa 5 - (A) Mapa da classe Dunas Vegetadas. (B) Mapa da classe Estradas.

Fonte: do autor.

A classe Matas Nativas é pouco expressiva na planície costeira, com 3,72%

da área de estudo, abrangendo 74.609,14ha. Esse resultado é provavelmente devido a formação geomorfológica da planície costeira, pois é uma região recente e de transição comparada às outras regiões do Rio Grande do Sul com formações geológicas mais antigas que apresentam matas expressivas. A classe Matas Nativas contém 7.299 manchas e as mais evidentes são as manchas de matas ciliares, identificadas por sua forma linear (Mapa 6A). As demais manchas são encontradas ao norte e na costa, porém apresentam-se menores e mais fragmentadas.

Provavelmente, o maior responsável pela fragmentação das matas existentes na

(A) (B)

planície costeira é a expansão agrícola e urbana, que historicamente degrada os ambientes naturais em busca de ocupação e áreas para cultivo.

A classe Recursos Hídricos possuem 12.134 manchas que estão distribuídas por toda a planície costeira e é a grande quantidade de lagoas e lagunas que chama a atenção do observador. Para a realização da quantificação das classes da paisagem, foi retirado do cálculo a área da Lagoa dos Patos, Lagoa Mirim e Lagoa Mangueira, pois o estudo está direcionado para a paisagem da porção terrestre. A retirada desses corpos d’água no cálculo melhorou a visualização da quantidade de outros elementos da paisagem do ambiente costeiro (Mapa 6B), deste modo, a classe Recursos Hídricos apresenta 6,67% (177.674,67ha) de todo o local de estudo, sem a retirada a classe representaria 53,39%. A poluição, desvios, estrangulamentos e a criação de represas são os principais fatores que interferem no arranjo e dinâmica desses elementos.

De acordo com os gráficos (Gráfico 1A e B), a classe Antrópico Rural tem a maior área sem a contabilização da Lagoa dos Patos, Mirim e Mangueira. A classe

Mapa 6 - (A) Mapa da classe Matas Nativas. (B) Mapa da classe Recursos Hídricos.

Fonte: do autor.

(A) (B)

Áreas Úmidas torna-se a segunda mais expressiva, seguido de Recursos Hídricos, Areias e Dunas, Campos Remanescentes, sendo todas classes naturais. Ao analisarmos os gráficos percebe-se que a classe Cultivos Florestais abrange área maior que toda a abrangência de manchas urbanas e estradas que ocupam o limite de estudo.

Essa observação facilita entender a magnitude da ocupação dos cultivos florestais no ambiente costeiro do Rio Grande do Sul ao perceber que a soma do perímetro urbano das cidades de Rio Grande, Pelotas, Porto Alegre e uma parte de sua região metropolitanea, o restante das manchas de Antrópico Urbano e o total de área da classe Estradas, todas elas juntas apresentam-se menores que área total da classe Cultivos Florestais, essas que também são maiores que as manchas de Matas Nativas e Dunas Vegetadas.

O somatório da área das classes Antrópico Urbano, Antrópico Rural, Estradas e Cultivo Florestais, que são classes de caráter antrópico, apresentam 73,34% de

Gráfico 1 - (A) Gráfico de porcentagem das classes. (B) Gráfico de pictograma indicando a porcentagem das classes.

.

Fonte: (A) do autor. (B) INFOGR.AM (2014)

(A) (B)

todo o local de estudo com 1.951.853,83ha em comparação com os 26,66% do somatório da área das classes Areias e Dunas, Campos Remanescentes, Recursos Hídricos, Dunas Vegetadas, Matas Nativas e Áreas Úmidas que são as classes de caráter natural que juntas somam 710.007,97ha de todo o limite de estudo. Esses valores demonstram que a planície costeira apresenta um dominío de atividades humanas em geral, restando menos de 30% de ambientes naturais preservados.

No documento LUCAS TERRES DE LIMA (páginas 55-64)

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