• Nenhum resultado encontrado

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. Caracterização da população

Os participantes deste estudo totalizaram 119 crianças na faixa etária de 06 a 18 meses de idade, num total de vinte (20) creches públicas do município de Aracaju/SE; sendo 58 do gênero feminino e 61 do gênero masculino, das quais nenhuma delas foi excluída pelos motivos anteriormente citados. Por outro lado, em uma das creches (creche 10) não foi encontrada nenhuma criança no intervalo de idade pesquisada (de 06 a 18 meses) e nem foi encontradas crianças na faixa etária de 07 meses. A idade média das crianças foi de 14,60 meses e desvio padrão de ± 3,36. A idade média com que as crianças começaram a frequentar a creche foi de 9,71 meses sendo seu desvio padrão de ± 3,98 meses. Destas 119 crianças, 61,86% começaram a frequentar a creche na faixa etária 6 a 12 meses, 26,27% entre 13 a 18 meses e o restante, 11,86%, menos de 06 meses ou não souberem responder. Percebeu-se que praticamente todas as crianças permanecem o dia todo na instituição, ou seja, turno integral, no horário das 07h00min às 17h30min. Na tabela 01 mostram-se dados neonatais das crianças.

Tabela 01 - Caracterização das crianças das creches públicas através da média e

desvio padrão em relação aos dados perinatais, Aracaju, Set 2011- Mai 2012

Média Desvio padrão

Peso ao nascer (g) 3262,04 481,76

Perímetro cefálico (cm) 37,18 3,04

Comprimento ao nascer (cm) 48,35 2,86

APGAR 1º minuto 8,37 1,10

APGAR 5º minuto 9,41 0,76

Com relação ao tempo de gestação das crianças percebeu-se que: 87,9% nasceram a termo, 7,8% pré-termo e 4,3% pós-termo; sendo que 62,1% das crianças nasceram por parto normal e 37,9% por parto cesariano. Pelos dados colhidos observou-se que 28,2% das gestações foram planejadas e 71,8% das gestações não foram planejadas. Destas últimas, 89,1% foram posteriormente desejadas (80% pelo pai e pela mãe, 18% somente pela mãe, 2% somente pelo pai) e 10,9% foram indesejadas. Observou-se também que tanto no APGAR 1° minuto

quanto no APGAR 5° minuto as notas prevaleceram no intervalo de 8-10, indicando desta maneira que as crianças ao nascimento encontravam-se em estado de saúde ótimo a excelente, e que provavelmente não necessitaram de outros cuidados adicionais, isto é, manobras para auxiliá-las a respirar, levando a um bom prognóstico com respeito à saúde neurológica da criança (sequela neurológica). Estes resultados demonstraram ser um grupo de crianças com potencial para um desenvolvimento motor adequado por não apresentarem riscos biológicos, neste sentido foi somente analisado o possível risco dos fatores ambientais ao desenvolvimento motor normal da criança.

Quanto à caracterização familiar, a tabela 02 mostra os valores médios e desvios padrões de diversas variáveis.

Tabela 02 - Caracterização familiar das crianças assistidas nas creches, Aracaju,

Set 2011- Mai 2012

Discriminação Média Desvio padrão

Quantidade de filhos 2,44 1,62

Quantidade de gestações 2,74 1,96

Abortos (induzido e espontâneo) 0,22 0,54

Quantidade de consulta pré-natal 7,51 5,09

Idade do pai (anos) 30,49 7,62

Idade da mãe (anos) 27,63 6,31

Renda familiar (R$) 737,23 528,20

Na tabela 02 pode-se observar que a quantidade de consultas pré-natais foi em média 7,51 que está acima do número mínimo de consultas recomendadas pelo Ministério da Saúde que é de seis consultas pré-natais com intervalo de uma consulta mensal até o sétimo mês, quinzenal no oitavo e semanal no nono mês (VILLAR, 2000; ALENCAR, 2001). Por outro lado, constatou-se que 98,3% das entrevistadas realizaram os cuidados de pré-natal adequadamente possibilitando uma gestação saudável sem complicações e um parto seguro e desta maneira diminuindo as chances das crianças ao nascimento apresentarem fatores de riscos biológicos ao desenvolvimento.

Percebe-se também que a renda familiar é relativamente baixa para uma família que possui em média 2,44 filhos. Halpern et al. (2000); Mancini et al. (2004) e Grantham-McGregor et al. (2007), afirmam que os atrasos no desenvolvimento motor das crianças estão associados com a situação socioeconômica desfavorável, pois a baixa renda familiar se associa a dificuldades, comoalimentação inadequada,

condições sanitárias insatisfatórias, baixa escolaridade e inadequada estimulação no lar, fatores estes podem gerar deficiências no desenvolvimento motor. A renda familiar baixa aumenta a vulnerabilidade biológica da criança, levando a resultados desfavoráveis no desenvolvimento (Andraca et al., 1998).

Quanto à escolaridade e estado civil dos pais observa-se o seguinte (tabela 03): 94% dos pais possuem ensino médio e 46,4% deles não são casados, vivendo em casas separadas; desta forma as crianças não tem referência paterna, uma vez que as mães são as responsáveis pelas crianças.

Tabela 03 - Escolaridade e estado civil dos pais das crianças assistidas nas creches

públicas, Aracaju, Set 2011- Mai 2012

Classificação Porcentagem Escolaridade dos pais Nenhuma

Ensino Fundamental Ensino Médio Superior 06,70 91,60 94,00 07,70 Estado civil dos pais Solteiro(a)

Casado(a) Separado(a)/Divorciado(a) Viúvo(a) 46,40 45,50 07,20 00,09

Estes dados relacionam-se à declaração de Perucchi e Beirão (2007) e Bossardi e Vieira (2010) que afirmam que o número de lares administrados por mulheres está aumentando, revelando que as mulheres estão ocupando cada vez mais, no contexto atual das famílias brasileiras, o papel de provedoras do sustento da família; alterando desta maneira a antiga função materna que era de prover as condições de cuidados adequados e estimulação ao desenvolvimento das crianças. No entanto, pelos resultados obtidos, são bem visíveis as transformações sociais nas últimas décadas, principalmente quanto à estrutura familiar. Desta maneira estas modificações podem estar afetando o desenvolvimento motor das crianças.

Quanto à escolaridade dos chefes ou responsáveis pela família, conforme o relatório da Unicef (2006), afirma que a escolaridade dos chefes ou responsáveis pela família afeta substancialmente o nível de desenvolvimento de seus filhos devido à vulnerabilidade na primeira infância.

Para Antonio et al. (1996), uma criança menor de 24 meses que tenha nascido com peso inferior a 3000g, ter pais classificados como subproletariado ou proletariado propriamente dito, com renda familiar per capita inferior a um salário-

mínimo e cuja escolaridade da mãe seja inferior a quatro anos podem ser considerados crianças com potencial de desenvolvimento motor inadequado.

Portanto, compreende-se que o melhor acesso a informação (escolaridade) e melhores condições sócio-econômicas favorecem o desenvolvimento motor adequado das crianças, pois proporcionaram uma variedade de estimulação adequada no lar.

Documentos relacionados