4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS
4.2 CARACTERIZAÇÃO DAS BRINCADEIRAS PELOS EDUCADORES
O quadro 2 está relacionado a caracterização das brincadeiras, como elas são conduzidas e a descrição de algumas brincadeiras que acontecem na instituição, segundo o relato dos educadores.
Quadro 2 – Brincadeiras, segundo relato dos educadores.
BRINCADEIRAS, SEGUNDO RELATO DOS EDUCADORES.
Categorias Subcategorias E1 E2 E3 E4 E5
DIRI GIDAS
Jogos de montar “quebra-cabeça, lego, monta-monta.” Cinco marias “[...] malabares, como uma das crianças
trouxe e apresentou para as outras crianças, apenas um deles, que entendeu que é o juntar [...] eu deixei cada um brincar do jeito que conseguia.” Amarelinha “ [...] levantando um pé e pulam depois
os dois juntos, a intenção da brincadeira nessa idade é só a de pular.”
Bilboquê jogar a bolinha dentro do pote
Elástico “ [...] tem uma música na brincadeira de pular o elástico, que é “chocolate”, Cho-co-la-te, que é pular dentro e pular fora,com duas crianças segurando o elástico, no tornozelo e no joelho.” Pião “[...] não conseguem fazer com o pião
tradicional, mas os que são feitos na instituição, de sucata, eles conseguem girar. (brinquedo adaptado)
Peteca “[...] batendo com a palma da mão na peteca e atirando para o outro pegar.” Bola ao alvo “[...] feita de sucata, o alvo é um
garrafão de água de 5 litros. Uma criança fica com o alvo e a outra criança se afasta um pouco, segurando uma bola de tecido.”
Pular corda “[...] Pulam individualmente e a outra maneira é dois educadores, cada um segurando numa ponta e balançando a corda, ou apenas esticando, subindo e as crianças, vão pulando, passando por baixo.”
Telefone com fio
“[...] feito de sucata. Eles querem falar e ouvir ao mesmo tempo, bota na boca, fala, aí o outro está só ouvindo [...] eles gostam de falar, mas não esticam, então já é um brinquedo que tem que ser para criança maior mesmo, porque tem que estar bem esticadinho, senão não ouve.”
Passa anel “[...] eles escondem o anel nas mãos, fechando as mãos e passando para a mão do amigo, com as crianças de 3 e 4 anos de idade o objetivo é que elas escondam o anel.”
Corrida do saco “[...] um saco, a criança entra e vai pulando até chegar na linha para ser o vencedor.”
Circuito no pátio
“[...] bambolês, corda e outros brinquedos do pátio, como a casinha/escorregador e todos fazem a sequencia dos brinquedos, pulam, correm, caminham. Sempre
respeitando o limite de cada criança.”
Dança das almofadas
“[...] uma adaptação da “dança das cadeiras”, aonde pego um CD com várias músicas e a medida que vou baixando o volume as crianças correm para sentar em qualquer almofada [...]”
Música: mão na cabeça, no
joelho...
“mão na cabeça, na cintura, no joelho e no dedão do pé, dá uma voltinha e um pulinho e agora como é que é?” [...] e manda eles fazerem alguma coisa “ah, agora podem sair correndo, meninas para um lado, meninos para o outro”.
Jogos de empilhar
“feitos com sucata, potes, etc, as crianças empilham, depois derrubam.” LIVRES Dia do brinquedo “ [...] dia em que as crianças trazem brinquedos de casa, vários brinquedos.”
Bola “[...] pega a bola e vai criando
situações em que as crianças vão chutar a bola, pegar com a mão [...] segurar a bola, falar o nome de fulano e aquele fulano pega a bola [...]podendo utilizar também os nomes das cores, frutas, etc.”
Pedrinhas “[...] os meninos provavelmente vão
pegar os caminhões e vão enchendo de areia, de pedrinha [...]. Aí, as meninas gostam de fazer bolinhos [...] se tu der espaço, eles por si só vão trocando. Uma boneca de repente, a comidinha que se está fazendo no momento vai entrar no caminhão ou não, ou vai ter um parabéns.” “[...] as brincadeiras nas pedrinhas, as crianças pegam baldinhos, pazinhas, pratinhos e enchem de pedrinhas, depois jogam e enchem de novo.”
Na instituição onde ocorreram as entrevistas e observações das brincadeiras, nota-se, através do relato dos educadores, bem como das observações obtidas, que as brincadeiras acontecem em todos os momentos, mesmo quando são atividades de rotina da própria instituição, como fazer higiene, refeição e organizar a sala ou as crianças na hora de ir embora. Segundo relato dos educadores pode-se caracterizar a brincadeira de duas maneiras: livres e dirigidas ou direcionadas.
As brincadeiras livres caracterizam-se por serem brincadeiras onde as crianças escolhem com o que vão brincar, cabendo ao educador mediar quando solicitado. Geralmente, o educador fica observando, mas pode participar ativamente brincando com as crianças. As brincadeiras dirigidas ou direcionadas caracterizam-se pela escolha do brinquedo ou brincadeira pelo educador, que parte de uma intencionalidade, ou seja, a partir de seu planejamento, qual a finalidade de propor umas brincadeiras e não outras. Na brincadeira dirigida, as crianças são direcionadas a tal brincadeira, no entanto, a maneira com a qual eles vão brincar, depende exclusivamente delas, ficando a cargo do educador participar ativamente da brincadeira ou apenas mediar quando achar necessário.
Os educadores descreveram algumas brincadeiras que acontecem na instituição, vale ressaltar que levaram em consideração seus planejamentos semanais. Como o planejamento da educadora E1, esse ano, é trabalhar com o “resgate de brincadeiras antigas” (sic), como: bilboquê, pião, amarelinha, cinco marias, entre outras, ela se focou em descrever tais brincadeiras. Contudo, essas são brincadeiras que exige da criança um nível de entendimento de regras, pois são brincadeiras que tem uma maneira específica de brincar, como, por exemplo, a brincadeira de cinco marias, que ela explicou como se brinca: “coloca os cinco saquinhos no chão, ou cinco pedrinhas [...] aqui a gente brinca com saquinhos. Tem que pegar um saquinho desse e jogar para o alto e com a mesma mão que jogou tem que tentar juntar uma do chão e a do alto antes que caia. Essa é a brincadeira. Deixa a que colocou do lado e vai tentando juntar todas do chão. Mas aqui, as crianças brincam só de jogar e pegar, jogo um e pega, joga o outro e pega [...]. Só assim que eles brincam, porque a gente tem que adaptar a idade, crianças de 3, 4 anos não tem a mesma coordenação de crianças maiores.”(sic). Como, nessa instituição, o trabalho é voltado para crianças de 4 meses a 4 anos de idade, as brincadeiras, como essas, por exemplo precisam ser adaptadas, o que ocorre na maioria das brincadeiras citadas por E1. Na brincadeira das cinco marias, as crianças brincam como “malabares”, ou seja, jogar para cima e tentar pegar com a mesma mão, a brincadeira foi
apresentada dessa maneira pela criança que levou o brinquedo. A educadora E1, explicou a brincadeira, mas adaptou a idade das crianças, deixando-os brincar da maneira que conseguiam.
As brincadeiras descritas pelos educadores que acontecem na instituição são mais voltadas para brincadeiras dirigidas ou direcionadas com seus grupos de crianças. O entrevistado E2, descreveu duas brincadeiras que podem ser dirigidas ou livres. Na sua descrição, ele pontuou como uma brincadeira com bola pode se iniciar e a partir dessa brincadeira, que pode começar pelas crianças, o educador pode direcionar ou mediar e ensinar outras brincadeiras com a bola, as crianças aprendem e conseguem ver outra possibilidade de se brincar com uma bola, numa outra vez, ela lembra e consegue brincar sozinha ou então convida um amigo para brincar, ensinando a ele como é. Na fala de E2 podemos notar como isso acontece: “[...] Isso é uma brincadeira que tu pode estar interagindo e aí elas vão estar vendo como é que é a brincadeira, vão estar conhecendo um pouco. Se é um grupo, por exemplo, o grupo que eu tenho agora é um grupo que está em descoberta, descobrindo um monte de coisinhas, então assim, o nome de cores, de frutas, né, que pode estar brincando.” (sic)
Outra brincadeira descrita, que geralmente é livre, mas pode se tornar direcionada e a brincadeira nas pedrinhas que E2 descreveu, sendo livre. A educadora E4 também citou as brincadeiras nas pedrinhas, que no caso dela que está trabalhando com crianças de 4 meses a 2 anos de idade tem outra intencionalidade, já que as crianças menores estão descobrindo outras coisas e ainda não tem o mesmo nível de concentração de crianças de 3 e 4 anos de idade. Essa brincadeira parte das crianças, ali as crianças escolhem com o que e como querem brincar, pegam vários objetos e os transformam em várias coisas, como por exemplo, os baldes que viram formas de bolo, as pás que viram velas para cantar parabéns, o escorregador que vira forno para os bolos, caçambas de caminhão que viram panelas, bonecas que são filhas e eles fazem comidinhas com as pedrinhas, imitando o que acontece em suas casas e nos meios sociais onde vivem.
O quadro 3 está relacionado ao que chama mais atenção dos educadores nas brincadeiras das crianças.
Quadro 3 – O que chama mais atenção nas brincadeiras
O QUE CHAMA MAIS ATENÇÃO NAS BRINCADEIRAS
E1 E2 E3 E4 E5
Descoberta “[...] a forma das descobertas deles, né,
porque num primeiro momento quando tu inicia com um grupo tu vê que eles estão descobrindo brincadeiras que eles podem fazer entre eles, e depois, quando tu já está num percurso com o grupo, já percebe que eles tem bastante coisas que eles querem brincar entre eles [...]”
Compreensão “ [...] pela idade
deles, é a forma de compreensão que eles têm pelas brincadeiras.” Brincadeiras que as crianças escolhem “Acredito que as brincadeiras livres onde as crianças escolhem o que querem brincar são interessantes, pois mostra o que é mais significativo pra eles.”
Satisfação “[...] é que todos, todos, sem exceção
nenhuma, eles querem brincar, gostam de brincar e eles ficam super
empolgados quando eu falo vamos brincar de tal coisa.”
“ [...] eles sentem prazer em tudo, eu sinto que eles gostam porque cada vez motiva mais, eles não gostam da mesmice, de vez em quando tu tens que dar alguma coisa diferente para eles [...], eu vejo isso, satisfação neles. “
Expectativas “[...] a grande expectativa que criam
a cada nova brincadeira que surge, vão criando e muitas mudamos algumas coisas ficando melhor ainda
Ao abordar questões sobre o que chama mais a atenção dos educadores nas brincadeiras das crianças, percebe-se que a satisfação, o gostar de brincar aparece nas falas de dois educadores. Um deles salienta a importância de trazer novidades para não ficar na mesmice, motivando cada vez mais as crianças a brincarem.
Também foi trazido na fala dos educadores aspectos como: compreensão das brincadeiras. Por serem crianças pequenas, muitas pessoas subestimam achando que as crianças não entendem, mas a E3 relatou que a maneira como essas crianças compreendem as brincadeiras chama a atenção, pois mesmo parecendo uma brincadeira, como por exemplo, a amarelinha, que tem como objetivo pular um número por vez, as crianças compreendem como se brinca e adaptam ao que elas conseguem.
Outro aspecto trazido foi das expectativas das crianças com as brincadeiras que os educadores vão propor, elas sentem prazer nas novidades e isso vai depender também da proposta do educador.
Os dois últimos aspectos foram relacionados às descobertas das crianças e as brincadeiras que elas escolhem quando estão brincando livremente, mostrando o que é mais significativo para elas. Esses dois aspectos chamam a atenção dos educadores, pois mostra a maneira que as crianças estão construindo suas percepções. Corroborando com o estudo de Queiroz, Maciel e Branco (2006), que trazem que a brincadeira vai estruturando a criança no que ela é capaz de fazer em cada momento, ou seja, ela vai tendo possibilidades de se expressar de diferentes maneiras, de se comunicar e de se relacionar com o ambiente ao qual ela está inserida. Dessa maneira, durante seu desenvolvimento, as crianças vão construindo diferentes competências, o que permitirá que elas compreendam e atuem mais amplamente no mundo.
Quadro 4 – Realização de brincadeiras com as crianças
REALIZAÇÃO DE BRINCADEIRAS COM AS CRIANÇAS
E1 E2 E3 E4 E5
FACILIDADES
“[...] facilidades, todas tiveram, porque eles gostam então é muito fácil brincar com eles, essas brincadeiras, do resgate das brincadeiras antigas.” “[...] quando tu tens, me reporto a questão, quando tu tens a facilidade de ter acesso, voz com o grupo, você consegue propor. Quando você não tem isso com o grupo, você tem que se fazer de ações de algumas coisas que te ajude a perceber que você é referência para o grupo.”
“[...] é o fato de eles serem crianças, de eles estarem sempre aberto às brincadeiras, a escutar.”
“[...] as crianças já estão adaptadas as brincadeiras sejam elas dirigidas (as que tem uma intenção) ou livre são aceitas, sempre considerando o tempo das crianças
“[...] não é totalmente fácil, mas não pode desistir, eu acho que vai do teu jeito, o teu caminho ali.”
DIFICULDADES
“[...] quando é um brinquedo que eles não sabem ainda, que tem que explicar e quando o brinquedo não consegue ser, quer dizer, quando o brinquedo não é voltado a idade deles.” “[...] é legal que existam porque é um sinal de movimentação do grupo, esse sinal pode repercutir no grupo e todo mundo achar, porque um grupo de crianças pode chegar e falar “não, essa brincadeira é chata” ou não é legal, dependendo se o grupo já fala, como é o caso, ele pode te mostrar isso claramente.”
“[...] depende do dia, tem dias que eles estão mais agitados, mas eu acho que não chega a ser uma dificuldade, eu acho que faz parte de cada um, né, tem dias que a gente quer fazer as coisas e tem dia que a gente não quer.”
“[...] acontecem no processo de adaptação, pois é preciso de algum tempo para conhecer cada criança.”
“[...] eu não vejo dificuldades, porque tu faz as brincadeiras baseado no que eles entendem.”
Quando abordados em relação às facilidades e dificuldades em realizar brincadeiras com as crianças, os educadores explanaram que encontram facilidades, pois são crianças que gostam de brincar e estão sempre abertas às brincadeiras, E4 relatou que o fato de já estarem adaptadas é importante para que as brincadeiras aconteçam de maneira mais tranquila.
Para o educador E2 a facilidade está quando se tem voz com o grupo, portanto, o acesso é mais fácil em realizar ações e promover as brincadeiras. Já a educadora E5 relatou que não é tão fácil assim, pois algumas vezes a brincadeira que é proposta não é aceita e segundo ela é importante não desistir.
Em relação às dificuldades é possível constatar que está relacionada com questões como: crianças não adaptadas ainda; a maneira que eles estão, por exemplo, se estão agitados ou calmos; brinquedos ou brincadeiras que as crianças não conhecem e não são para a idade deles, porém E5 constata que não encontra dificuldade já que se devem propor brincadeiras apropriadas para a idade das crianças.
O quadro 5 está relacionado com o que os educadores levam em consideração ao planejarem as brincadeiras que serão propostas.
Quadro 5 – O que leva em consideração no planejamento das brincadeiras.
O QUE LEVA EM CONSIDERAÇÃO NO PLANEJAMENTO DAS BRINCADEIRAS
E1 E2 E3 E4 E5
Tempo “ [...] levo o tempo, porque como
são pequenos, cada um tem o seu tempo, não pode se estender muito.”
“[...] tempo deles, que eu acho que é bem importante assim. Respeitar, conhecer.”
Como eles estão “[...] levo também em consideração
como eles estão, se eles estão muito agitados as brincadeiras tem que ser calmas, se eles estão mais calmos, aí pode dar uma agitadinha e depois dar uma baixada.”
“[...] como é que está o grupo, o que eu posso estar fazendo, mais instigador num determinado momento.”
“[...] conhecê-los, eu acho que é o mais importante assim.”
Algo que faça sentido/ gera prazer para a criança
“[...] aquilo que dá prazer, tudo que gera prazer é importante, de que aquilo faz sentido para a criança, aquilo te deu prazer naquele momento, tanto pra ti mover quanto pra ti promover.”
Brincadeiras preferidas
“[...] é, uma brincadeira que eu sei que eles gostam.”
Limites e possibilidades
“ [...] Até onde conseguir, tu vai pensar em coisas que possam estar né, possibilitando uma maior amplitude.”
Fala “[...] que nesse momento
deles assim é muito, então a gente sabe que tem aqueles que falam bem, aqueles que entendem bem.”
Ao planejar as brincadeiras algumas considerações precisam ser levadas em conta, em se tratando de crianças nessa faixa etária. Um aspecto que foi relatado pela maioria dos entrevistados foi o de que se deve observar como as crianças estão no momento, se estão agitados ou calmos, por exemplo, e para isso é preciso conhecer o grupo, tendo sensibilidade para fazer uma leitura apropriada do grupo. Outro aspecto também relatado é o tempo, E1 e E4 relataram que levar o tempo em consideração é importante, pois não é possível se estender muito nas brincadeiras, as crianças se cansam e é necessário respeitar o tempo de cada um, para que as brincadeiras propostas não se tornem algo desinteressante. Promover brincadeiras que façam sentido e geram prazer também foi um aspecto levantado pelo educador E2, ele nos mostra que é importante fazer sentido para as crianças, mas também para o educador que vai propor a brincadeira. Outros aspectos como: brincadeiras preferidas e a fala também foram relatados. A educadora E3 disse que ao planejar as brincadeiras dirigidas leva em consideração as brincadeiras preferidas, isso confirma com o que o educador E2 nos mostra, que ao planejar as brincadeiras é importante que se tenha sensibilidade na leitura do grupo e que se proponha brincadeiras que façam sentido e geram prazer para as crianças. Por último, a educadora E5 traz que a fala deve ser levada em consideração, pois vai se percebendo como as crianças estão compreendendo o que está sendo dito. Rosa, Kravchychyn e Vieira (2010) nos mostra que o desenvolvimento da linguagem é de fato importante, pois com a fala desenvolvida outras funções psicológicas são desenvolvidas, as crianças vão se tornando mais autônomas em relação às brincadeiras e as simbolizações.
Segundo os educadores, não tem uma brincadeira que eles não gostem de brincar, tem brincadeiras que eles cansam e por isso deve-se estar ligado na leitura do grupo para que se promovam brincadeiras interessantes e com conteúdos novos. As brincadeiras preferidas citadas foram as do pátio, principalmente quando envolve o faz-de-conta, brincadeiras relacionadas à fantasia, como do lobo mau, da bruxa, etc. Isso foi notado nas observações das brincadeiras com as crianças. O pátio, ou seja, o local onde as crianças podem brincar livremente acaba se tornando cenário de muitas brincadeiras de faz-de-conta, onde a imaginação e a criatividade andam juntas.
Os educadores relataram que não estipulam tempo para as brincadeiras, apenas que se deve levar em conta a idade das crianças, pois assim, as brincadeiras propostas serão de acordo com a idade, por exemplo, não é possível propor uma brincadeira que exige concentração, como montar quebra-cabeça, para crianças muito pequenas. Outro fato é que
como existe uma rotina na instituição, de alimentação, higiene, sono etc., as crianças já se organizam a partir disso, elas vão se guiando pela movimentação do espaço e por ter a rotina elas acabam sabendo o que vem em seguida. Isso é importante par a criança se sentir segura.
Quadro 6 – Participação nas brincadeiras.
PARTICIPAÇÃO NAS BRINCADEIRAS
Categorias Subcategorias E1 E2 E3 E4 E5
DIRIGIDAS
Ativamente “ [...] participo ativamente, eu sento junto e brinco junto.”
“[...] sempre presente na brincadeira
“[...] tento estar sempre junto com eles, indiferente de elas serem dirigidas ou não [...] a participação é ativa, 100%, a gente sempre está presente com eles, em todos os momentos, assim, eu penso.” Direcionando “Participo
direcionando [...]” “Acho que mais para a gente direcionar
[...], vou dizendo aquilo que eu vou querer, aquilo que eu quero alcançar.”
Intervindo “[...] ou tu vai fazer uma intervenção
pura e simplesmente ali, colocada, tácita, vou participar, vou brincar, ou tu entra na brincadeira com eles, mesmo sendo dirigida, de forma que é, é brincar, a promover tua espontaneidade, a tua criatividade que aí é aquele movimento de se lançar, eu aprendo junto com eles, algo que eles tem para me passar também, não aquele movimento do adulto que vai se impor...”
LIVRES
Ativamente “sento e brinco em
alguns grupos [...]” “[...] estou sempre junto nas brincadeiras.”
Intervindo “[...] ou eu observo,
para estar mediando.” “Nas livres eu tento deixar livres mesmo,
só intermediando mesmo.” Fonte: elaboração da autora, 2012.
Tanto nas brincadeiras livres quanto nas brincadeiras dirigidas os educadores relataram que a participação deles é ativa, ou seja, estão sempre presentes nas brincadeiras com as crianças, brincando e fazendo as intervenções quando necessário. Apenas nas brincadeiras dirigidas, duas educadores disseram que participam só direcionando. Fazendo um contraponto com as observações das brincadeiras obtidas, pode-se dizer que nas brincadeiras livres o que mais foi notado era que os educadores apenas mediavam conflitos entre as crianças quando eram solicitados, ou seja, nas disputas de brinquedos, alguma criança que chamava o educador para ajudar a montar um brinquedo que não conseguia ou para reclamar de alguma criança que estava atrapalhando a brincadeira. Cerisara (1998) aponta para essas questões trazendo que mesmo que a brincadeira seja livre, não significa que os adultos não