ARL fora de controlo
A NEXO I – L ISTA DE PAÍSES , COM CÓDIGO DE 3 LETRAS
C. Nunes, F Vala
3.2 Caracterização das classes socioeconómicas
Definir uma designação para cada classe socioeconómica constitui um desafio à capacidade de interpretar, combinar e dar sentido às diferentes dimensões que caracterizam uma dada classe e que, simultaneamente, a tornam diferente de outra. A atribuição de uma designação implica, por isso, avaliar e caracterizar as semelhanças e dissemelhanças intra e inter classes. A Figura 2 apresenta os valores médios de cada classe nas cinco componentes principais considerando o conjunto das duas áreas metropolitanas e a AML e AMP separadamente.
O urbano consolidado abrange 5 390 subsecções estatísticas (9% do total) nas quais residia, em 2011, cerca de 14% da população residente nas duas áreas metropolitanas (17% na AML e 10% na AMP). A principal característica distintiva desta classe face ao restante território metropolitano é o envelhecimento. Conjugando com os valores médios das restantes cinco componentes, conclui-se que se tratam de territórios envelhecidos, qualificados, densamente habitados e com uma mobilidade pendular pouco expressiva.
O (sub)urbano novo qualificado abrange 3 761 subsecções estatísticas nas quais, em 2011, residia cerca de 15% da população residente nas duas áreas metropolitanas (18% na AML e 11% na AMP). Esta classe caracteriza territórios mais jovens, qualificados e densamente habitados relativamente ao contexto dos dois espaços metropolitanos.
A operacionalização de uma tipologia socioeconómica para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto
119 O (sub)urbano não qualificado é a classe socioeconómica que abrange o menor número de subsecções estatísticas (3 642) nas quais, em 2011, residia cerca de 16% da população residente nas subsecções estatísticas das duas áreas metropolitanas (21% na AML e 7% na AMP). A característica que mais distingue esta classe é a menor qualificação da população residente e do edificado. Paralelamente, são espaços densamente habitados cuja população residente vivencia movimentos pendulares expressivos.
A classe referente aos espaços integrados de menor densidade abrange 15 009 subsecções estatísticas nas quais residia, em 2011, cerca de 21% da população residente nas duas áreas metropolitanas (24% na AML e 16% na AMP). As subsecções estatísticas classificadas nesta classe correspondem ao local de residência de uma população com mobilidade pendular acentuada, revelando territórios funcionalmente integrados. Paralelamente, constituem territórios menos urbanizados e com um grau de qualificação acima da média metropolitana.
Os espaços autocentrados de menor densidade constituem a classe socioeconómica com maior número de subsecções estatísticas (15 869). Nestes territórios, residia, em 2011, 24% da população residente nas duas áreas metropolitanas. Esta média é o reflexo de uma proporção de 6% para a AML e de mais de metade da população residente na AMP. O principal fator distintivo desta classe é a menor expressão da urbanização mas também o facto de serem territórios que revelam uma integração funcional menos expressiva face ao conjunto das duas áreas metropolitanas. Esta classe apresenta-se mais caracterizadora do território da AMP do que da AML.
Por fim, nas 4 592 subsecções estatísticas associadas aos espaços de imigração residia, em 2011, 8% da população residente nas duas áreas metropolitanas (12% na AML e apenas 2% na AMP). Esta classe sobressai pela maior expressão da dimensão relativa à imigração, revelando médias aquém da referência metropolitana para as restantes componentes.
C. Nunes, F. Vala
Urbano consolidado (Sub)urbano novo qualificado
(Sub)urbano não qualificado Espaços integrados de menor densidade
Espaços autocentrados de menor densidade Espaços de imigração
Figura 2 - Valores médios das componentes principais por classe socioeconómica, 2011.
-1,5 0,0 1,5 Envelhecimento Qualificação Urbanização Imigração Mobilidade pendular AM AML AMP -1,5 0,0 1,5 Envelhecimento Qualificação Urbanização Imigração Mobilidade pendular AM AML AMP -1,5 0,0 1,5 Envelhecimento Qualificação Urbanização Imigração Mobilidade pendular AM AML AMP -1,5 0,0 1,5 Envelhecimento Qualificação Urbanização Imigração Mobilidade pendular AM AML AMP -1,0 0,0 1,0 Envelhecimento Qualificação Urbanização Imigração Mobilidade pendular AM AML AMP -2,5 0,0 2,5 Envelhecimento Qualificação Urbanização Imigração Mobilidade pendular AM AML AMP
A operacionalização de uma tipologia socioeconómica para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto
121
AML AMP
Figura 3 - Classes socioeconómicas, 2011.
´
km
0 5
Urbano consolidado (Sub)urbano novo qualificado (Sub)urbano não qualificado Espaços integrados de menor densidade Espaços autocentrados de menor densidade Espaços de imigração Município Espaços vazios
´
km 0 5 Urbano consolidado (Sub)urbano novo qualificado (Sub)urbano não qualificado Espaços integrados de menor densidade Espaços autocentrados de menor densidade Espaços de imigração Município Espaços vaziosC. Nunes, F. Vala
4 Conclusões
Em síntese, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto constituem territórios heterogéneos e fragmentados.
A Figura 3 apresenta as seis classes socioeconómicas à escala da subsecção estatística em 2011 e revela que os territórios metropolitanos se apresentam fragmentados e heterógenos (Salgueiro, 1998, 1999) tendo em conta as características do parque habitacional e da população. A heterogeneidade apresenta-se mais acentuada na AML do que na AMP, dada a distribuição territorial e populacional mais equitativa entre as várias classes socioeconómicas na AML. A fragmentação dos espaços metropolitanos, no caso da AML, é especialmente notória em torno dos designados eixos de expansão suburbana que se formam a partir dos territórios limítrofes ao município de Lisboa. Estes eixos estendem-se, na margem Norte do Tejo, ao longo das vias de comunicação rodoviárias e ferroviárias, designadamente, nas linhas de Sintra e de Cascais e na linha da Azambuja, envolvendo territórios de Loures e de Vila Franca de Xira. Na margem Sul do Tejo, destaca-se o arco Almada-Montijo e a área centrada no município de Setúbal. Na AMP, o processo de suburbanização revela uma oposição centro-periferia que evidencia a centralidade do Porto e a dinâmica metropolitana que se estende a partir deste, formando uma coroa de expansão circunferencial que abarca Matosinhos, Maia, Valongo, Gondomar e Vila Nova de Gaia.
Referências
FERRÃO,J.(2003).Dinâmicas Territoriais e Trajetórias de Desenvolvimento, 1991- 2001, Revista de Estudos Demográficos, 34: 17-25.
INE (2014). Tipologia Socioeconómica das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto 2011, INE, Lisboa.
INE(2004a).Tipologia Sócio-económica da Área Metropolitana de Lisboa 2001, INE, Lisboa.
INE(2004b). Tipologia sócio-económica da Área Metropolitana do Porto 2001, INE, Lisboa.
INE(2000a).Tipologia sócio-económica da Área Metropolitana de Lisboa 1991, INE-DRLVT, Lisboa.
INE(2000b). Tipologia sócio-económica da Área Metropolitana do Porto à escala da subsecção estatística (censos 1991), INE-DRN, Lisboa.
MALHEIROS,J. &VALA,F.(2004). A problemática da segregação residencial de base étnica – questões conceptuais e limites de operacionalização: o caso da Área Metropolitana de Lisboa, Revista de Estudos Demográficos, 36: 89-109.
A operacionalização de uma tipologia socioeconómica para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto
123 SALGUEIRO, T.B. (1999). Ainda em torno da fragmentação do espaço urbano,
Inforgeo, 14: 65-76.
SALGUEIRO,T.B.(1998).Cidade pós-moderna: Espaço fragmentado. Território, 4: 39-53.
VICKERS,D.&REES,P. (2007). Creating the UK National Statistics 2001 output area classification, Journal of the Royal Statistical Society, 170(2): 379-403.
Classificação e Análise de Dados Métodos e Aplicações III
125
Dificuldades na ANOVA com dois fatores não paramétrica com
células omissas
Dulce G. Pereira1 · Anabela Afonso2
Resumo Na análise de variância com dois fatores por vezes há combinações de
níveis dos fatores que não são observadas. A inexistência destas combinações dificulta a análise dos dados, pois depende do número de células omissas e da sua localização. Já foram propostas algumas abordagens mas apenas para a ANOVA paramétrica. Uma das alternativas não paramétricas à ANOVA consiste em aplicar a abordagem paramétrica às ordens dos valores observados. Neste trabalho ilustraremos que na presença de células omissas este processo pode não ser o mais adequado, sendo necessária mais investigação nesta área.
Palavras-chave: ANOVA, Dados Omissos, Hipóteses de Tipo IV, Modelo de
Efeitos Fixos, Modelo de Médias, Somas de Quadrados.
1 Introdução
Muitas experiências envolvem o estudo do efeito de dois ou mais fatores numa variável resposta. Admitindo que existem dois fatores R e C, com r e c níveis respetivamente, diz-se que o delineamento é fatorial quando cada réplica contém todas as rc combinações de níveis destes dois fatores (Montgomery, 2013). No entanto, é usual na prática encontrarem-se situações em que o número de observações por célula não é igual (delineamento desequilibrado) e até podem não ter sido observadas algumas das combinações de níveis (células omissas). Este tipo de situações por vezes ocorre devido a várias razões, que podem ser por conveniência de delineamento devido por exemplo a custos associados, mas também porque o investigador não consegue controlar em absoluto a experiência (por ex., plantas que morrem). Quando o investigador tem controlo sobre a experiência, deve ter muito cuidado para garantir que todas as combinações de níveis dos fatores sejam observadas.
Para a análise dos dados de um delineamento com células omissas foram propostos vários tipos de abordagens paramétricas. Montgomery (2013) propôs
1 CIMA/IIFA e Departamento de Matemática/ECT, da Universidade de Évora, [email protected] 2 CIMA/IIFA e Departamento de Matemática/ECT, da Universidade de Évora, [email protected]