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2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

2.1 Caracterização do estudo

A questão central deste estudo foi investigar os efeitos causados pela vivência dos alunos com a seqüência didática. Nosso intuito foi verificar os efeitos da seqüência na construção do conceito de perímetro enquanto grandeza, a partir do olhar delineado pelas reflexões presentes em nosso aporte teórico.

A pesquisa foi realizada na Escola Estadual Dr. Antônio Correia de Araújo, local onde atuo como formadora do núcleo de São Lourenço da Mata e Camaragibe. O recorte pretendido inicialmente seria apenas trabalhar com um 5º ano, entretanto, após os resultados de nosso piloto, realizado com o 4º ano, resolvemos expandir o nosso universo de análise também para essa turma. Dessa maneira, nosso recorte passou a ser constituído por 14 alunos da turma do 4º ano e 14 alunos do 5º ano, do II Ciclo de aprendizagem, antigas 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental, com idades variando entre 9 e 15 anos, pertencentes ao Projeto Alfabetizar Com Sucesso2.

O aumento de nossa amostra se deu porque entendemos que a nossa análise ficaria enriquecida, considerando o fato do 4º ano nunca ter tido contato com o conceito de perímetro, e a outra turma, o 5º ano, além de ter trabalhado esse conceito no ano anterior, tinha realizado também trabalhos com construções geométricas planas e espaciais. Essas diferenças de perfil das turmas puderam nos trazer mais dados importantes para nossa análise.

Um dado importante nessa proposta metodológica foi que o trabalho dos

alunos foi realizado em duplas. Essa escolha se deu por dois motivos principais. O primeiro motivo, e mais importante, é que o trabalho em dupla pôde

permitir a um observador identificar como os alunos resolvem os conflitos de ordem sócio-cognitiva que apareçam durante a vivência da seqüência.

O segundo é que os trabalhos realizados em grupos podem proporcionar aos alunos troca de informações, exposição e debate sobre os conflitos existentes. Leal (2005) afirma que este tipo de trabalho em duplas é bastante eficaz por que.

“Os alunos levantam hipóteses, discutem e argumentam sobre suas idéias de forma mais intensa, sem que precisem disputar a fala com um grupo maior. Nesses casos, a

3.

O Projeto Alfabetizar Com Sucesso é um projeto de alfabetização promovido em parceria entre a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco e o Instituto Ayrton Senna, que envolve as turmas das antigas alfabetização e 1ª a 5º anos do Ensino Fundamental, atualmente I e II Ciclos.

passagem do professor pelas duplas não ocorre com tanta freqüência quanto no momento em que estão em grupo. No entanto, quando ele passa por uma dupla, tem mais condição de entender a lógica utilizada pelo aluno e intervir de modo mais direto, ajudando-a a pensar sobre a sua própria hipótese” (LEAL, 2005, pg.103).

Antes da resolução do módulo, os alunos foram submetidos individualmente a um pré-teste que teve como finalidade detectar os conhecimentos prévios. O momento da resolução das atividades do pré-teste do módulo se caracterizou pela não utilização da caixa de ferramentas. Após a vivência do módulo foi aplicado um pós-teste destinado a verificar em que medida o trabalho com a seqüência didática permitiu modificar as concepções dos sujeitos.

No 4º ano, do total de 19 alunos da turma foram considerados apenas 14 sujeitos, sendo formadas 7 duplas. Coincidentemente no 5º ano, de um total de 20 alunos, foram considerados apenas 14 sujeitos, formando também 7 duplas. O critério utilizado para consideração do aluno como sujeito foi o de ter acima de 85 % na participação das sessões, ou seja, ter apenas uma falta que não fosse no pré- teste ou no pós-teste.

A caixa de ferramentas se apresenta como um elemento suporte para o aluno, ela é constituída de alguns objetos não convencionais, denominados ferramentas, tais como a régua não graduada de plástico, fio de telefone, cordão, canudos de plástico, lastex, palitos de churrasco. Os itens lastex e fio de telefone foram acrescentados à caixa de ferramentas, proposta inicialmente pela pesquisadora, em concordância com o orientador.

A escolha se deu porque as ferramentas eram bem flexíveis, entretanto o lastex poderia causar um conflito relacionado à sua viabilidade (ou não) devido à sua elasticidade. A caixa de ferramentas também possuía alguns materiais, aqui denominados de acessórios: lápis, papel ofício, tesoura, cola, borracha e caixa de caneta hidrocor, que dependendo da forma como o aluno a utilizou, podia se transformar também em variável.

Os materiais constituintes da caixa de ferramentas permitiram aos alunos estabelecerem comparações diversas, viabilizando a utilização de unidades de medida não convencionais na resolução das questões contidas na seqüência didática,

assim como a formulação de estratégias diversificadas na busca da solução dos conflitos de ordem cognitiva que surgiam.

A seqüência didática aplicada aos alunos consta de um módulo que compreende um pré-teste, seguido de uma intervenção e um pós-teste. Antes da aplicação da seqüência nos alunos, os professores das turmas dos 4º e 5º anos foram orientados, em encontros com uma carga horária de 10 horas.

2.1.1 Apresentação e vivencia das seqüências didáticas com o professor:

Esta etapa se propôs a formar o professor como participante de nossa pesquisa. Nesse momento, as professoras tiveram contato com nosso material, para discutirmos sobre alguns limites de sua formação e a superação de possíveis dificuldades de aprendizagem, observados a partir da vivência do pré-teste, das sessões do módulo e do pós-teste.

A caixa de ferramentas também foi trabalhada com as professoras para que tivessem condição de compreender as questões referentes ao uso das ferramentas e posterior orientação dos alunos. Outro instrumento fundamental na análise, além do protocolo do aluno, foi à ficha de observação. Nela os observadores registraram dados sobre o processo de construção do aluno.

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