Neste estudo a cultura e insumo a ser analisado é a soja. Segundo levantamento realizado em setembro de 2007/2008 da SEAB -Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento por meio do DERAL – Departamento de Economia Rural,
a soja e a principal cultura oleaginosa atualmente produzida no Brasil e participou com aproximadamente 57% da produção média de grãos oleaginosos dos últimos anos, tendo sido a cultura que mais cresceu em área e importância econômica durante as últimas décadas. A produção mundial tem aumentado gradativamente, Apesar da produção mundial de oleaginosas ser crescente, os estoques relativos, relação percentual entre os estoques de passagem e o consumo, têm permanecido estáveis, com previsão de redução para a próxima safra, principalmente porque a demanda aumentou, graças à destinação de óleos vegetais para combustível, superando a produção.
60 A tabela 2 mostra a evolução da produção mundial de grãos dos últimos 5 anos, ou seja, de 2004 a 2009.
TABELA 2 – OLEAGINOSAS - OFERTA E DEMANDA MUNDIAL - 2004/05 A 2008/09 (EM MILHÕES DE TONELADAS)
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2007/08: Preliminar 2008/09: Estimativa
Oleaginosas: Copra, algodão, semente de palma, amendoim, colza, soja, girassol
Ainda conforme dados da SEAB - Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento – DERAL – Departamento de Economia Rural, conforme levantamento efetuado no ano de 2005 e 2006, o Paraná é considerado o maior produtor de grãos e o segundo maior de soja, perdendo somente para o estado de Mato Grosso. A tabela 3 mostra a produtividade do estado do Paraná em relação à produtividade brasileira.
TABELA 3 – SOJA: ÁREA, PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE DO BRASIL E DO PARANÁ – 2005/06
A tabela 4 demonstra o núcleo regional, área colhida, produção, produtividade e percentual de participação no estado.
TABELA 4 – ÁREA, PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE NO PARANÁ, POR NÚCLEO REGIONAL – 05/06
FONTE: SEAB / DERAL * Área Plantada 3.902.370 há. (2007).
No núcleo regional de Cornélio Procópio, a área plantada corresponde a 273.000 ha, e a produção de 609.062 toneladas, a produtividade é de 2.231 kg/ha, representando 6% da área de plantio de todo o Estado. Na Região de Assaí, que pertence ao núcleo de Cornélio Procópio, segundo o censo do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2007, a quantidade produzida de soja em grão foi de 66.000 toneladas, o valor da produção foi de R$ 31.350.000,00 reais de soja em grão, a área plantada foi de 24.000 hectare soja em grão, a área colhida 24.000 hectare de soja em grão, e com o rendimento médio 2.750 quilogramas por hectare.
Em relação à oferta e procura mundial, segundo DEAB / DERAL, houve um aumento do consumo mundial de grãos oleaginosos nas últimas safras que causou redução nos estoques, principalmente, logo após a destinação de óleos vegetais para combustível. E, ainda, de acordo com o Departamento de Agricultura Americano espera-se uma produção mundial de oleaginosas recorde, contudo, a
62 safra sul-americana está iniciando e a sua consolidação depende das condições climáticas durante os próximos meses. A tabela 5 discrimina o estoque inicial, produção, consumo, estoque final estimativa de consumo em percentuais dos anos de 2004 a 2009.
TABELA 5 – OLEAGINOSAS – OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – 2004/05 A 2008/09
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2007/08: Preliminar 2008/09: Estimativa
Oleaginosas: Copra, algodão, semente de palma, amendoím, colza, soja, girassol
A soja vem se expandindo de modo considerável na América do Sul que, atualmente, produz cerca de 50% do total mundial, principalmente, no Brasil, na Argentina e no Paraguai. O Brasil ocupa a segunda posição na produção mundial e tende a passar para a primeira nos próximos anos caso mantenha a atual tendência de crescimento de acordo com as informações da SEAB (2008).
Segundo a SEAB (2008), nos últimos anos, os norte-americanos reduziram a sua participação nas exportações mundiais de soja em grãos, enquanto que o Brasil e a Argentina mostraram expressivo aumento, deste modo, tanto o Brasil como a Argentina triplicou as exportações, levando o Brasil a se firmar como maior exportador, de acordo com a tabela 6 (USDA de setembro de 2008).
TABELA 6 - SOJA EM GRÃOS – PRINCIPAIS PAÍSES PRODUTORES – 2004/05 – 2008/09
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2007/08: Preliminar 2008/09: Estimativa
Ainda de acordo com a análise de Hubner (2008), o crescimento do comércio mundial foi notável durante os últimos anos e, apesar de o USDA estar estimando uma ligeira redução no comércio mundial para a safra 2008/09, o mercado de soja tende a permanecer aquecido nos anos seguintes, sendo possíveis eventuais recuos nas cotações se a expansão da produção for superior a demanda. A tabela 7 mostra os principais países exportadores.
TABELA 7 – SOJA EM GRÃO – PRINCIPAIS PAÍSES EXPORTADORES – 2004/05 – 2008/09
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2007/08: Preliminar 2008/09: Estimativa
Nota-se que o comércio global cresceu expressivamente durante os últimos anos, mantendo a tendência de consumo ascendente. A China e a União Européia, como pode se observar na tabela 8 continuam sendo os grandes importadores de soja em grão. Os chineses que há pouco tempo compravam menos que os europeus, hoje superam, realizando 46,5% das importações de soja, o dobro do que a União Européia compra e esta tendência deve aumentar ainda mais a sua participação nos próximos anos.
TABELA 8 – SOJA EM GRÃO – PRINCIPAIS PAÍSES IMPORTADORES – 2004/05 – 2008/09
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2007/08: Preliminar 2008/09: Estimativa
64 Para o Departamento de Agricultura Americano - USDA, desde a safra mundial de 2004/05 até a 2006/07, que foi recorde, o consumo foi menor do que a produção e resultou em elevação dos estoques mundiais e consequente redução das cotações. A partir da safra 2007/08, o consumo estimado pelo USDA aumentou e causou redução nos estoques, com reflexo direto nas cotações que tiveram aumento considerável. A tabela 9 demonstra a oferta de demanda mundial da soja – 2004/05 a 2008/09.
TABELA 9 – SOJA EM GRÃO – OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – 2004/05 A 2008/09
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2007/08: Preliminar
2008/09: Estimativa
A busca de substitutos para o petróleo e a preocupação pela redução de poluentes na atmosfera deu nova importância aos produtos agrícolas, mediante diferentes possibilidades, entre elas: a produção de óleos ou de etanol para uso como combustível puro ou em mistura com derivados de petróleo. Mas a destinação de produtos que poderiam ser utilizados como alimento, como por exemplo: o uso do milho e da soja na produção de combustíveis reflete em aumento na demanda de outros produtos, como o trigo. O aumento desta demanda reflete em redução nos estoques mundiais e aumento nas cotações. Atualmente, a cotação da soja na bolsa de Chicago, está no maior patamar desde 2004, superando a importância de US$ 550,00 por tonelada em junho de 2008, devido à incerteza quanto ao clima sobre as lavouras dos EUA. Com a normalização das condições das lavouras houve um recuo dos preços internacionais que, hoje, estão em volta de US$ 450,00 segundo a SEAB (2008). A figura 8 demonstra a evolução dos preços do ano de janeiro de 2000 a setembro de 2008.
FIGURA 8 – SOJA EM GRÃOS – COTAÇÕES BOLSA DE CHICAGO – JAN/00 A SET/08 FONTE : CBOT
Segundo a CONAB, o Brasil colheu 60,1 milhões de toneladas na safra de 2007/08, sendo que o USDA estima que na próxima temporada o nosso país colherá por volta de 62,5 milhões de toneladas. A cada ano aumentam as exportações brasileiras de soja em grão e, possivelmente, esta aumentará mais um pouco, já que a demanda interna encontra-se estagnada. A tabela 10 mostra oferta e demanda de soja em grão no Brasil.
TABELA 10 – SOJA EM GRÃO – BRASIL - OFERTA E DEMANDA – 2003/04 A 2007/08
FONTE: CONAB ( agosto de 2008) www.conab.gov.br 2007/08: preliminar
O farelo e o óleo são alguns dos derivados da soja. O volume mundial de farelo de soja produzido e o consumido têm sido equivalentes e crescentes ao longo dos últimos anos. Historicamente, o farelo de soja foi destinado para a composição de rações enquanto que o óleo de soja era utilizado na indústria química e alimentícia onde completa com outros óleos mais valorizados como o de girassol, o milho e o da canola. Presentemente, com a nova utilização do óleo para formulação de biodiesel, este auxilia na valorização da soja de acordo com o a Análise da
66 Conjuntura Agropecuária da SEAB (2008). Na tabela 11 percebe-se o aumento da demanda pelo farelo de soja.
TABELA 11 – FARELO DE SOJA – OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – 2004/05 A 2008/09
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2007/08: Preliminar
2008/09: Estimativa
Segundo a SEAB (2008), nos últimos anos, ocorreu ligeiro aumento na produção nacional de farelo de soja, porém o volume exportado diminuiu, enquanto que o consumo interno aumentou e o estoque teve pouca alteração. Nota-se que em relação ao farelo a demanda continua aquecida, tanto para a exportação bem como para o consumo interno em alimentação animal. Na tabela da CONAB (2008), a seguir, verifica-se o estoque inicial, produção, importação, consumo, exportação e estoque final (ver tabela 12).
TABELA 12 – FARELO DE SOJA – BRASIL - OFERTA E DEMANDA – 2003/04 A 2007/08
FONTE: CONAB ( agosto de 2008) www.conab.gov.br 2007/08: preliminar
farelo de soja: produção e consumo crescentes e estoque relativo no menor percentual dos últimos anos, como comprova a tabela 13 da USDA (2008).
TABELA 13 – ÓLEO DE SOJA –OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – 2004/05 A 2008/09
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2007/08: Preliminar
2008/09: Estimativa
Segundo a CONAB (2008), a moagem interna de soja aumentou nos últimos anos, resultando numa maior produção de óleo, mesmo assim, os estoques vêm diminuindo por causa do consumo que está crescendo. O fato é devido a destinação do óleo de soja para combustível, fazendo com que os preços se mantenham acima da média histórica, entretanto tudo dependerá das condições climáticas na América do Sul. A tabela 14 apresenta a oferta e demanda no Brasil do período de 2002 a 2007.
TABELA 14 – ÓLEO DE SOJA –OFERTA E DEMANDA NACIONAL – 2002/03 A 2006/07
FONTE: CONAB ( agosto de 2008) www.conab.gov.br 2007/08: preliminar
68 consumo humano, ração animal, indústrias diversas, ou para combustível, abrindo maior espaço para a soja que é o principal substituto para diversos outros grãos, devido à sua versatilidade, como é comprovado na tabela 15 da USDA (2008).
TABELA 15 – GRÃOS –OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – 2004/05 A 2008/09
FONTE: USDA (setembro de 2008) www.faz.usda.gov 2006/07: Preliminar
2007/08: Estimativa
De modo geral, as exportações aumentam a cada ano que passa, porém é notável a participação da China nas exportações. Observa-se, na tabela 16, elaborada pela SEAB/DERAL, que a Europa demandou menos nos últimos anos, entretanto outros países que compravam em menor quantidade houve um crescimento considerável.
TABELA 16 – COMPLEXO SOJA – BRASIL – EXPORTAÇÕES POR DESTINO – 2002 A 2007
FONTE: BB/SECEX/DECEX Elaboração: SEAB/DERAL
A cada dia, a área da soja tem aumentado, elevando ainda mais o interesse entre os participantes dos elos desta cadeia produtiva, fazendo com que as ações colaborativas e competitivas fiquem mais sensíveis. As estratégias colaborativas, que segundo Barney (2001) podem ter vários sinônimos como – coletivas, cooperativas, alianças, relações, ligações, foram definidas como alianças estratégicas e que não há envolvimento de ativos entre os parceiros. De acordo com Costa (2006, p. 40), de certa forma há um envolvimento, pois compartilham informações, recursos e competências, há uma suposição de que interferem ou modificam os resultados da organização. No entanto, quando o assunto é estratégia competitiva, a primeira idéia que se tem é que estratégia aborda os conteúdos como: missão e objetivo da organização, segundo Wright et al. (2000), porém para Porter (1989) as estratégias não possuem vida fora dos objetivos que perseguem, visto que são uma estrutura que fornece a direção para as ações a serem tomadas.
Hunt (2000) definiu competição como a luta constante entre firmas por vantagens comparativas em recursos que renderão posições de vantagem competitiva em um ou mais segmentos do segmentos do mercado e, portanto, desempenho financeiro superior.
Um breve histórico da soja, no Paraná, é norteador para uma melhor compreensão deste produto em destaque nos dias de hoje. Segundo Domit (2007) a cultura da soja foi introduzida comercialmente no Paraná na década de 50. Entretanto, passou a ter representatividade econômica somente no final da década de 60 (KASTER; MENOSSO, 1992) e, a partir deste período, houve uma ampliação constante nas áreas cultivadas e na produtividade dessa cultura (IBGE, 1973-2003). No Paraná, de acordo com análise da SEAB (2007), o início da produção de soja ocorreu na década de 70, com expressivo crescimento nas décadas seguintes, principalmente a partir de 1990.
O gráfico 1 demonstra a evolução da produtividade das lavouras de soja no Paraná que em 1970 era de 1,5 milhões de toneladas e alcançaram em 2007 a marca de 11,8 milhões de toneladas e, respectivamente, o rendimento médio de 1144 kg/ha e 2987 kg/ha.
70
GRÁFICO 1 – SOJA – PARANÁ – REND. MÉDIO – DÉCADA 70 À ATUAL. FONTE: SEAB/DERAL; IBGE (2007)
A soja por ser considerada uma commodities, com mercado garantido, a cada dia tem áreas de plantio no Paraná e Brasil aumentadas.
O grão-farelo-óleo, constitui-se numa das mais importantes commodities nacionais, sendo responsável, na última safra, pela captação de divisas no mercado internacional da ordem de US$ 10 bilhões, de acordo com dados do (MDIC) - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2007).
Segundo a Análise da Conjuntura Agropecuária da SEAB/DERAL (2008), a soja, em comparação com outras culturas, principalmente com o seu principal concorrente que é o milho, tem sido preferida pelos produtores por apresentar vantagens comparativas expressivas, tais como: liquidez; seu cultivo requer menor desembolso que o milho; resistência à estiagem; trato cultural de mais fácil execução; sobre os restos culturais da soja pode ser semeado tanto o milho como o trigo.
Segundo o SEAB/DERAL (2008), além dos fatores acima citados, a tomada de decisão para a escolha do que plantar interferiu no aumento expressivo do preço dos fertilizantes, não obstante de o preço de a soja ter aumentado, cerca de 33%, em 12 meses, o ponto de equilíbrio fora prejudicado pelo aumento dos custos variáveis médios. Em agosto de 2007, eram necessárias 28,2 sacas de soja para remunerar o custo de um hectare e, em agosto de 2008, foram precisas 29,8 sacas. É importante ressaltar que nestes mesmos períodos o preço médio da saca de soja era respectivamente de R$ 30,20 e R$ 40,26, e que os custos variáveis elevaram em 5,67% entre um ano e outro. A tabela 17 expressa estes índices.
TABELA 17 – SOJA PLANTIO DIRETO – PARANÁ – CUSTOS VARIÁVEIS – AGO/07 – AGO/08 – EM R$/HÁ E SOJA/HA 2007
FONTE: SEAB/DERAL
PREÇO MÉDIO RECEBIDO NO PARANÁ EM AGOSTO DE 2007: R$ 30,20/SC 60KG PREÇO MÉDIO RECEBIDO NO PARANÁ EM AGOSTO DE 2008: R$ 40,26/SC 60KG
Questão 2 – Quais são os elos e os principais agentes da Cadeia Produtiva de soja da região de Assaí?
Nesta parte do estudo fora feito um levantamento de como é composto o elo da cadeia produtiva da soja na região de Assaí. Os nomes das empresas são fictícios devido à solicitação das mesmas para não serem divulgadas.
4.2 CARACTERIZAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA DA SOJA NA REGIÃO DE