2 LENDO E RELENDO A REALIDADE COMUNITÁRIA PELO OLHAR DOS
2.1 REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NO ÂMBITO COMUNITÁRIO
2.1.2 Caracterização do Programa de Desenvolvimento de Comunidade e
A cidadania não é atitude passiva, mas ação permanente, em favor da comunidade (TANCREDO NEVES).
No campo da educação comunitária o programa em foco foi projetado com o
objetivo de atender as demandas da comunidade no que tange os aspectos do
desenvolvimento humano-social e o processo da mediação voltada para o
desenvolvimento da estrutura física social em beneficio da comunidade. Nesse
sentido, promove ações e projetos de prestação de serviços na assistência a
população com base nas políticas públicas, sociais e setoriais. Em linhas gerais, a
caracterização do PDC, além de vincular seus objetivos à prestação e/ou mediação
de serviços sociais voltados ao atendimento à população, propõe acima de tudo
estratégias de ações que promova mudança de comportamento individual e coletivo,
como um valor social.
Com base nas experiências adquiridas ao longo do trabalho social
comunitário e referenciadas nas bases teóricas metodológicas propostas por
Baptista (1979), a caracterização do PDC, quanto a sua aplicabilidade, seguiu a uma
metodologia dinâmica do processo de implantação e desenvolvimento dos objetivos
pretendidos. Apesar da clareza dos objetivos, no que tange alcance do micro e
macro ações do programa, vale salientar os diferentes estágios de intervenção
deliberada na comunidade. Com vista no seu desenvolvimento, embora não se
esgotem em cada estágio e sejam encontradas simultaneamente com os demais
estágios da ação.
[...] os termos projeto, programa e plano designam modalidades de intervenção social que diferem em escopo e duração. O projeto é a unidade mínima de destinação de recursos, que, por meio de um conjunto integrado de atividades, pretende transformar uma parcela da realidade, suprindo uma carência ou alterando uma situação-problema. O conjunto de projetos que visam aos mesmos objetivos é denominado programa, que “estabelece as prioridades da intervenção, identifica e ordena os projetos, define o âmbito institucional e aloca os recursos a serem utilizados (COHEN & FRANCO, 1993: 85-6).
Sendo os passos iniciados com o processo da motivação, conscientização,
mobilização, integração e ação organizada.
No processo da motivação se caracteriza pela atuação continua da equipe
técnica e acadêmica no sentido de despertar e estimular o interesse da comunidade
pelo desenvolvimento humano e social proposto pelo PDC, a fim de iniciar, manter e
acelerar o processo de mudança sócio-econômica-cultural necessária para a sua
concretização. Nessa fase são realizados os primeiros contatos com a comunidade,
seja através de entrevista com os moradores ou de reuniões com grupos formais e
informais, seja pela utilização de técnicas de comunicação de massa. O foco central
dessa primeira fase é a discussão sistemática dos problemas e potencialidades da
comunidade/região e fora dela, o estimulo à elevação do nível de aspirações e o
desenvolvimento do espírito comunitário e de participação. O estagio da motivação
poderá ser acelerada ou atingir mais plenamente seus objetivos se o trabalho
técnico for acompanhado de estímulos externos, governamentais, medidas de
política que atuariam como micro motivadoras de determinados programas,
incentivos fiscais, legislação de apoio às organizações comunitárias.
Já o processo de conscientização, supõe uma etapa mais adiantada, nela
a comunidade se capacita para identificar, ela própria, suas necessidades e
recursos, através do desenvolvimento do raciocínio operacional. Nessa fase a
comunidade identifica prioridades, separa, compatibilizando, suas aspirações
individuais das aspirações coletivas. Analisa e interpreta problemas identificados e
reconhecidos, e está preparada para participar na tomada de decisões dos assuntos
relativos a sua comunidade, bem como, para relacioná-la com a comunidade maior,
preocupando-se e assumindo posições quanto a problemas mais amplo, dos
diferentes níveis decisórios.
O processo de mobilização é consequência da conscientização, a partir da
tomada de decisões, a comunidade deve ser estimulada a participar, decidida e
ativamente, da ação. A mobilização é conseguida através da montagem de
programas concretos, da preparação dos membros da comunidade para a ação, da
formação de lideres coordenadora, da utilização das organizações existentes e, se
necessário, da criação de outras novas.
A integração se dá através da distribuição de funções próprias a cada grupo
ou a pessoas da comunidade e da capacitação, para essa integração, de todos os
níveis da ação.
A ação organizada se realiza, inicialmente através da montagem de
programas de trabalho que objetivam metas sociais integradas e da ação
cooperativa dos participantes e sua coordenação a partir de um órgão único. Esse
órgão centralizador deve dar o sentido de unidade ao trabalho e ser o elemento de
ligação entre o desenvolvimento da comunidade local e o desenvolvimento do País.
Além da pratica direta a nível local, nessa perspectiva o PDC passa a ter
condições de assumir papel definido na política e planejamento de
desenvolvimentos social, constituindo-se em mais um nível de participação e
decisão.
O documento da Coordenação de Programas de Desenvolvimento
Comunitário, apresentado no Colóquio Luso-Brasileiro, faz a seguinte afirmativa:
Reconhecendo no planejamento o caráter instrumentalizador do processo de desenvolvimento, concluímos que, ligando o Desenvolvimento comunitário ao setor de planejamento estaríamos já quando na concepção de medidas e do estabelecimento de prioridades e formas de intervenção, criando condições e meios que favorecessem a integração e a participação das populações (BAPTISTA 1979).
O Programa de Desenvolvimento de Comunidade e Cidadania - PDC vem
sendo implantado desde agosto de 2004 na Comunidade Jardim Libanópolis,
direciona atendimento socioeducacional ao grupo sócio familiar que atualmente
atende 156 famílias cadastradas pelo Serviço Social, sendo 42 idosos, 188 crianças
e 85 adolescentes, totalizando 635 (seiscentos e trinta e cinco) pessoas.
O PDC visa ainda, um conjunto de ações de desenvolvimento humano de
caráter emancipatório, buscando atender as demandas de carências, de
vulnerabilidade e de risco social no âmbito comunitário. A educação comunitária é
entendida como processo sociointeracionista que ocorre através das relações
sociais, cuja fecundidade é refletida através das práticas, troca de experiências e
relações sociais no convívio comunitário.
[...] a comunidade é um espaço de vida social onde se configuram de forma constante, múltipla e complexas relações e interações sociais entre os indivíduos e coletivos que vivem e convivem com laços de solidariedade e intercambio de significados específicos do seu território, da sua língua, cultura e das vivencias individuais e comuns (GÓMEZ; FREITAS e CALLEJAS, 2007:135).
Sendo o Programa amparado no espaço físico do Centro Social Comunitário
edificado no interior da comunidade, local este, que é destinado ao atendimento
social à população, de realização de planejamentos participativos, de
monitoramento, de práticas educativas, de estudos e análise, de avaliação das
ações, entre outras competências. No mesmo espaço, vincula de forma direta a
participação do corpo funcional, como técnicos gestores, alunos e professores de
áreas afins, lideranças e representantes da comunidade na tomada de decisões de
interesse coletivo.
A participação das lideranças em todas as etapas do programa é de
fundamental importância para o desenvolvimento dos objetivos, desde o
envolvimento das praticas em si, até o processo de estudo sobre a realidade social.
Nesse sentido, a compreensão da dinâmica de participação de liderança se dá pelo
incentivo, motivação, necessidade e interesse.
Incentivo é o estimulo ou situação extra orgânica que suscita uma atividade. Motivação é o estimulo interno que leva a ação consciente e voluntaria. A necessidade é um impulso, uma manifestação natural de sensibilidade interna que desperta uma tendência a realizar um ato. Já o interesse pode ser entendido como um sentimento que acompanha a atenção dirigida para um conteúdo especifica da necessidade (BRAVO, 1983:77).