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CARACTERIZAÇÃO DO SECTOR DE ACTIVIDADE E MERCADO

CAPITULO II FUNDAMENTOS TEÓRICOS

II.3. CARACTERIZAÇÃO DO SECTOR DE ACTIVIDADE E MERCADO

A APOMA foi constituída em 2000 com 11 empresas fundadoras, sendo duas de fornecedores da matéria-prima hóstia. Actualmente, a APOMA é constituída por 35 associados, sendo dois fornecedores de hóstia, um fornecedor do ovos e um associado de parceria.

As empresas produtoras dos Ovos Moles de Aveiro são, na generalidade, agentes económicos de pequena dimensão, sendo micro e pequenas empresas (PME). Os empresários deste sector de actividade de uma maneira geral apresentam poucas habilitações literárias (1 ou 2º ciclo do ensino básico), não existindo formação empresarial.

A nível dos recursos humanos verificou-se que possuem a mesma baixa formação literária e sem ou sem formação profissional específica e baixa formação na área alimentar, mas que possuem o conhecimento fundamental nesta actividade - o saber fazer. Um dos problemas graves neste sector é a elevada rotatividade dos recursos humanos, o que muitas vezes destabiliza a organização da empresa e as acções já implementadas.

As empresas estão enquadradas pelo regime jurídico do Decreto-Lei n.º 234/2007 sendo classificados como estabelecimentos de restauração e/ou de bebidas. Nove destes estabelecimentos também possuem licenciamento da sua actividade industrial regulada pelo Decreto-Lei n.º 209/2008 de 29 de Outubro, estando enquadrados no tipo 2 ou 3, e um dos associados enquadrado como unidade produtiva local similar. O CAE de actividade principal destas empresas é 10711 – panificação ou de 10712 - pastelaria (Anexo III).

As PME associadas da APOMA são empresas que livremente solicitaram a certificação dos Ovos Moles de Aveiro – IGP, que cumprem com a legislação nacional/comunitária em segurança alimentar, possuem capacidade intrínseca de crescimento, bem como capacidade económico- financeira, com demonstrações dadas ao longo dos últimos anos para produzir mais e melhor tendo em vista a valorização do produto no mercado regional, nacional e em alguns casos, a internacionalização do produto. São empresas que, apostando em produtos artesanais, necessitam de acompanhamento e controlo do processo de produção. Empresas que ao longo destes dez anos souberam aproveitar a sinergia de estarem inseridas numa associação, permitindo que os associados adquirissem novas competências, apostando em conjunto com a APOMA em formação em higiene e segurança alimentar e em cursos específicos para este sector de actividade. Os empresários também têm investido em formação específica, tendo dessa forma alargado os seus volumes de negócio no mercado nacional, o que poderá ser majorado com o reconhecimento da IGP.

Enquanto decorria a avaliação do processo no Ministério da Agricultura, de qualificação do nome Aveiro para Ovos Moles, a APOMA acompanhou os associados na implementação dos Regulamentos da Associação, bem como na implementação do sistema HACCP, de acordo com os regulamentos comunitários. Assim, a APOMA junto com os produtores de Ovos Moles de Aveiro demonstrou ser possível produzir um produto tradicional, manufacturado e utilizando matérias primas de origem animal não transformadas com as mais exigentes normas comunitárias em termos de Segurança Alimentar. Os produtores foram-se readaptando, efectuando melhorias nos processos produtivos, aliando a tradição às melhorias tecnológicas, promovendo melhorias nas instalações de fabrico, e organizando as suas micro ou médias empresas para o mercado global. O processo dos Ovos Moles de Aveiro serviu de fio condutor para a implementação das boas práticas de fabrico e de higiene, fundamentais em todo o sector de actividade de pastelaria e padaria dos produtores, onde a formação dos colaboradores foi fundamental na implementação do sistema de HACCP, da rastreabilidade e de todos os requisitos do regulamento comunitário.

II.3.1.E

VOLUÇÃO DO SECTOR

O produto Ovos Moles de Aveiro - IGP está no mercado como produto qualificado desde 1 de Julho de 2010. No sector de produtos tradicionais, nomeadamente na classe na qual se inserem os Ovos Moles de Aveiro, não existe nenhum produto português qualificado. Actualmente, 15 produtores iniciaram o processo de utilização da IGP “Ovos Moles de Aveiro”.

De acordo com o histórico individual de produção dos produtores associados da APOMA, prevê-se que no primeiro ano sejam certificadas 104 toneladas de produto no mercado nacional, representando um volume de vendas de 1.733.680,00 Euros.

A três anos prevê-se a existência de 20 produtores com uma produção de 109 toneladas de produto, representando um volume de vendas de 1.926.030,00 Euros. O aumento não reflecte a proporcionalidade relativa aos aderentes mas sim ao produto produzido, uma vez que os produtores que solicitaram posteriormente o uso da IGP representam um volume menor de produção de Ovos Moles de Aveiro, visto os mais representativos produtores já terem iniciado o processo de controlo necessário ao uso da IGP.

II.3.2.E

VOLUÇÃO DO MERCADO

De acordo com a caracterização anteriormente apresentada, o mercado do produto com IGP irá aumentar e, consequentemente, a eliminação de produto adulterado ou indiferenciado. Assim, pretende-se que haja um aumento efectivo do número de produtores a produzir produto sob controlo, o que se traduzirá num aumento da sua produção, bem como num aumento do volume de vendas.

No mercado internacional actualmente não existe produto a ser comercializado pelo que um dos principais objectivos é aproveitar a protecção legal do nome e a certificação do produto para atingir mercados mais exigentes e longínquos. O processo de controlo é a ferramenta que permitirá adicionar valor ao produto, criando assim riqueza tão importante num sector tão sensível às adversidades macroeconómicas.

II.3.3.I

NTERNACIONALIZAÇÃO

Actualmente, não existe produto exportado de uma forma organizada. No mercado europeu, no primeiro ano, pretende-se iniciar a comercialização do produto pelo que inicialmente é difícil de perspectivar a quantidade de produto a comercializar, pois numa fase inicial o produtor investirá muito em angariação de clientes, oferta de produto para degustação e manutenção de produto comercializado e simultaneamente a organização da estrutura das empresas para um aumento de produção que poderá ser muito representativo. Assim, prevê-se a comercialização de 0,5 toneladas de produto, representando um volume de negócio de 16.665,00 Euros.

No segundo ano, e de acordo com as intenções dos produtores associados, existem duas empresas que pretendem brevemente internacionalizar o produto com IGP.

Pretende-se iniciar a comercialização do produto de uma forma efectiva na diáspora portuguesa, mesmo sabendo que no mercado europeu a aceitação do produto pode não ser imediata - a previsão é de 3 toneladas de produto comercializado, representando um volume de negócio de 106.110,00 euros em três anos. Estima-se que um maior número de produtores possa comercializar para o mercado europeu.