Este capítulo relata a evolução da indústria têxtil em Santa Catarina, desde o período do seu surgimento em 1880. Na parte final do capítulo será discorrido a respeito da inserção da indústria catarinense no mercado internacional.
O Brasil é o quinto maior produtor têxtil do mundo, com o quarto maior parque produtivo de confecção mundial (ABIT, 2019). De acordo com dados disponibilizados pelo SEBRAE (2017), o estado de Santa Catarina é considerado o quinto estado com maior valor adicionado à indústria de transformação e o segundo com maior participação da indústria de transformação do setor têxtil em seu PIB. Os segmentos de vestuário e de alimentos são os que mais empregam no estado, seguido pelo têxtil.
3.1 EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA TÊXTIL E CONFECÇÕES
Em Santa Catarina, o início da industrialização aconteceu por volta do ano de 1880. Tal período é caracterizado por ser de uma política econômica favorável no país inteiro, principalmente para o investimento no setor industrial. Isso justifica o fato de que a participação do mercado cafeeiro não teve influência na instalação da produção industrial catarinense. Tendo em vista que a política do Encilhamento, que é marcada como ponto de investimento de capital industrial na região central do país, sobreveio em um período futuro (BOSSLE, 1988).
Fernandes (2008) ressalta que além das questões econômicas, outro fator semelhante no processo de industrialização de Santa Catarina se deve pela imigração européia que teve papel fundamental no estabelecimento das fábricas, na transferência de conhecimento e na mão-de-obra já adaptada ao modo de vida urbana e operária industrial.
Desta forma, a imigração alemã na região do Vale do Itajaí, criou em Blumenau e Brusque as condições propícias para o estabelecimento de uma indústria particularmente especializada na produção de tecidos.
As atividades têxtil-vestuário de Santa Catarina são mescladas com a história da industrialização catarinense, considerando que as iniciativas de artesãos alemães datados do final do século XIX estão tanto entre os episódios dos movimentos de produção têxtil em escala quanto a industrialização de Santa Catarina (LINS, 2000).
O que fica perceptível é que existe uma distinção na diversificação produtiva de várias regiões do estado. As regiões do Vale do Itajaí asseguraram o desenvolvimento da indústria têxtil de uma maneira bem significativa. Já em Criciúma, assim como em outras regiões, dependeu muito da produção primitiva, ou seja, a exploração do carvão mineral como produto principal. Tal fator não impediu que a economia Criciumense obtivesse uma diversificação em sua produção (GOULARTI FILHO, 2016).
Entre os anos 2000 e 2017, 82.320 empresas de vestuário abriram em SC (14% do total nacional). Em 2018, a produção do segmento de confecção de vestuário catarinense cresceu 6,1% (maior que a média nacional) (SEBRAE, 2017).
Se pararmos para analisar dados das empresas em específico, também de acordo com o relatório oficial do SEBRAE (2017), 59% das empresas estão localizadas no Vale do Itajaí, enquanto 17% estão seguidas pelo Sul Catarinense e 5% na região que compreende a Grande Florianópolis. Desse total, um aproximado de 74,8% é considerado microempresa enquanto 13,6% são consideradas pequenas empresas.
Com relação ao setor têxtil-confecção, o Brasil, no setor da produção, possui a maior cadeia produtiva das Américas, que vai desde a produção de fibras até a confecção. Foi constatado em 2014, mais de 1,6 milhão de brasileiros trabalhando neste segmento, e em sua maioria mulheres. Este setor representa hoje 5,7% do total da indústria de transformação (ABIT, 2015).
Em relação aos estados brasileiros, os dados da ABIT (2015) mostram que Santa Catarina é o segundo maior empregador da área têxtil e de vestuários do país. Todavia, como contraponto, de acordo com a SINTEX (2015), existe na região da AMREC a estimativa de que aproximadamente 30.000 pessoas foram demitidas na indústria do vestuário. A situação é mais grave para as pequenas e médias empresas, as quais sofreram uma redução de 26,8% em seu faturamento.
No segmento da indústria têxtil-confecção em Santa Catarina, pode-se identificar que ainda há muitos desafios a serem enfrentados pelo setor, tais como: os elevados custos tributários, a sazonalidade e principalmente pela concorrência que existe com os produtos importados e nacionais (ABIT, 2015). Para que ocorra a diminuição desta concorrência, as providências necessárias a serem tomadas seriam maiores investimentos e melhorias na gestão
da inovação para aumento das exportações, o aumento das defesas comerciais e a diminuição de impostos no setor (ABIT, 2015).
Contudo, há também possibilidades que podem fazer as organizações definirem novas trajetórias visando permanecerem atuantes no mercado, dentre as quais destacam-se os investimentos em novas tecnologias, aumento nas exportações, acordos comerciais entre países e principalmente a inovação (FIESC, 2013).
3.2 INSERÇÃO DA INDÚSTRIA CATARINENSE NO MERCADO EXTERNO
As mudanças tecnológicas trouxeram transformações com relação a competição na indústria têxtil, considerando a delimitação de novos espaços da concorrência mais internacionalizados e o aumento da velocidade no ritmo de inovação tecnológica do ciclo de vida e da qualidade em geral dos produtos. No novo paradigma competitivo predomina qualidade de produto, flexibilidade, rapidez de entrega e inovação, além da racionalização dos custos de produção (Rech, 2006).
Silva (2008), afirma que para ingressar no mercado internacional a empresa precisa estar preparada de forma que construa um planejamento detalhado. Este planejamento começa com um estudo particularizado de um país em que se objetiva investir, para que o processo de exportação obtenha êxito. Como resultado essas exportações se tornarão frequentes trazendo crescimento para a organização, tanto no mercado interno quanto no mercado externo.
Fernandes & Cario (2009), sustentam que as organizações da indústria têxtil e de confecções sediadas no estado de Santa Catarina desenvolveram estratégias para acompanhar o processo de mudança tanto sob a perspectiva interna em relação à abertura econômica, quanto no que se refere às transformações no padrão de concorrência internacional do setor.
Para Costa & Rocha (2009), tornou-se fundamental para a sobrevivência das indústrias têxteis desenvolverem estratégias competitivas diferenciadas, baseadas na utilização da inovação como um instrumento relevante para a inserção no mercado mundial.
Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS, 2019) Santa Catarina possui 9.140 estabelecimentos no setor de Têxtil, Confecção, Couro e Calçados, nos quais contabiliza 18,0% do total das indústrias de SC e o setor é responsável por 170.962 empregos (21,2%) do estado. Dos 9.140 estabelecimentos, 97,2% são micro ou pequenas indústrias (até 99 empregados). Ainda de acordo com a RAIS, os municípios de maior
destaque no setor são Blumenau (13,0%), Brusque (9,5%) e Jaraguá do Sul (7,8%), que juntos empregam 30,3% dos trabalhadores desse setor em Santa Catarina.
O estado é responsável por US$ 226 milhões em Exportações (3,1% da indústria de SC) e US$ 1,3 bilhão em Importações (8,8% da indústria de SC). Entre 2016 e 2020, o setor apresentou variação de -17,5% nas exportações e 12,9% nas importações a nível nacional, esse desempenho tanto nas vendas quanto nas compras externas foi abaixo do observado para Santa Catarina (9,3% e 56,6%, respectivamente) (MDIC, 2020). Do total de US$ 226 milhões exportados pelo setor Têxtil, Confecção, Couro e Calçados em 2020, o Gráfico 1 mostra os principais produtos vendidos do setor.
Gráfico 1- Principais produtos vendidos pelo setor Têxtil, Confecção, Couro e Calçados em 2020.
Fonte: MDIC (2020).
O Gráfico acima mostra que Outros artigos de pano é o principal produto vendido do setor têxtil, confecção, couro e calçados, com 9,4% do total de todas vendas do setor, seguida de fitas de fios e fibras (8,9%), produtos e artefatos de matérias têxteis (8,3%), roupas de cama e toucador de cozinha (8,1%) e outros tecidos de malha (7,6%).
Ainda segundo MDIC (2020), as relações comerciais de maior destaque na exportação são com o Paraguai, com 14,9% do total de vendas do setor, Estados Unidos (12,4%) e Uruguai (10,8%).