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Os dois complementos são indefinidos por tempo, enquanto complementos subordinados começando com ‘that’ são definidos. A evidência de pidgins e crioulos, com sua alternância binária de complementos apoia a explicação de crescimento paralelo.

Crioulos geralmente indicam complementos não realizados usando uma partícula especial [palavra gramatical], enquanto complementos realizados, que descrevem ações realmente acontecidas, são indicados por ‘nada’ ou um complementizador distinto. Em Sranan (vide exemplo número 7 abaixo), complementos não realizados são introduzidos pela palavra ‘foe’ e os realizados, por ‘nada’; no Crioulo Mauriciano, complementos realizados contêm ‘al’ e os não realizados: ‘pu al’. Essa diferença se manifesta em poucas ou em nenhuma língua não-crioulo.

(7) Sranan (dados de Bickerton 1981:60)

a teki a nefi foe koti a brede, ma no koti en

‘he took a knife to cut the bread, but he didn’t cut it’ ‘ele pegou uma faca para cortar o pão, mas não o cortou.’

**a teki a nefi koti a brede, ma no koti en” 166 (McMAHON, 1994, p. 264).

infinitive in the complements of negative implicatives (“I avoided meeting her”) and of many aspectuals, among other verb classes.” (FANEGO, 2007, p. 219).

166

“Creoles tend to mark unrealised complements using a particular particle, while realized complements, which describe an action which actually took place, are marked by zero or a different complementiser. In Sranan (see (7)), unrealised complements are introduced with foe, and realised ones with zero; in Mauritian Creole, realised complements have al and unrealised ones, pu al. This distinction is realised in few if any non-creole languages. (7) Sranan (Bickerton 1981:60)

No exemplo acima, a oração marcada por ‘**’ indica uma hipótese não realizada na língua crioulo de ‘Sranan’. Sendo a oração complementar ‘cortar o pão’ negada pela oração seguinte, ela conta como uma ação não realizada. Em Sranan, é necessário sinalizar essa falta de realização com uma partícula gramatical, no caso, foe, cujo ancestral da língua inglesa foi

‘for’ com o significado ‘com o propósito de’. Destaca-se que o complemento indefinido

infinitivo ‘to do’ evoluiu da forma ‘for to do’ bem como o uso de ‘foe’ em Sranan.

Neste ponto, recomendo que o leitor confira o gráfico que ilustra o uso dos dois tipos dos complementos indefinidos ao longo da história desde Inglês Arcaico que encontra na página 114 dessa tese. Ambos os complementos indefinidos cresceram em uso nos séculos XVI a XXI, sendo que o crescimento do gerúndio foi mais recente e mais rápido do que o infinitivo. O gerúndio começou a expandir logaritmicamente a partir do século XIX e continua assim até hoje. Por outro lado, o uso dos complementos de oração subordinada (that-

clauses) diminuiu recentemente. Meu proposto é que o uso de complementos indefinidos em

ambas as formas de infinitivo e gerúndio continua crescendo, em número e tipo de construções. Essa mudança na língua é uma repetição do fenômeno que foi observado por Bettelou Los (1998) na transição do Inglês Arcaico para Inglês Medieval.

Nesse artigo, argumentei que o surgimento do to-infinitive como complemento verbal em ingles, aconteceu basicamente em função da substituição do complemento subordinado com ‘that’, ao invés da substituição do infinitivo nu [sem o ‘to’]: a suposição tradicional a respeito. No final do processo, o infinitivo nu também caiu em desuso total, porém a frequência do complemento definido [com ‘that’] caiu ainda mais rapidamente. Manabe (1989) também relata um aumento nos complementos infinitivos no Inglês Medieval, e uma redução nos complementos definidos, mas não distingui entre os infinitivos nus, e os com ‘to’. Fischer (1995) sugere que o infinitivo nu foi substituído no final das contas pela form –ing [complemento gerundivo]. 167 (LOS, 1998, p. 28).

De acordo com as conclusões acima apresentadas por Los, sugiro que o sistema sintático inglês como um todo, ao aceitar gradativamente mais complementos não definidos (na forma do to-infinitive) abriu o caminho para mais complementos gerundivos, ao invés de a teki a nefi foe koti a brede, ma no koti en

‘he took a knife to cut the bread, but he didn’t cut it’

**a teki a nefi koti a brede, ma no koti en” (McMAHON, 1994, p. 264).

167

“In this paper I have argued that the rise of the to-infinitive as a verb complement in English occurred mostly at the expense of the that-clause, rather than wholly at the expense of the bare infinitive, which appears to be the traditional position. The bare infinitive was ultimately also ousted in the process, but the frequency of the finite complement clause fell even more sharply. Manabe (1989) also reports an increase in infinitival complements in ME, and a decrease in finite complements, but he does not distinguish between bare and to-infinitival complements. Fischer (1995) suggests that the bare infinitive was ultimately replaced by the –ing form.” (LOS, 1998, p. 28).

estabelecer uma concorrência direta com o infinitivo e o gerúndio, como Fanego alega. Além disso, especulo que a diferença de sentido eventualmente evoluída entre os dois tipos usados com o mesmo verbo (remember, forget, etc.) depende do crescimento e uso mais frequente dos dois tipos, tomando o lugar do complemento com ‘that’, porque a diferença semântica seria mais fácil de aprender a usar com menos ambiguidade, se a diferença sintática for mais óbvia: se foi entre um complemento não definido e um definido, bem como acontece com

pidgins e crioulos. Portanto, imagino que o surgimento da diferença semântica, por ironia,

depende crucialmente na falta de diferença em uma dada época. Segundo as evidências apresentadas na seção 5.6.4 abaixo referentes ao verbo ‘remember’, os dois complementos expressavam ambas as situações hoje diferenciadas: ações realizadas, ou não realizadas. Esta situação permanecia durante um período aproximadamente coincidente com o século XIX. Nesse período, o uso de ambos os tipos do complemento aumentou consideravelmente. No final do período, a diferença semântica convencionou-se. Um complemento que sinaliza uma ação realizada obrigatoriamente foi formado com o gerúndio, uma não realizada (ou então não lembrada) foi formado com o infinitivo, situação que persiste hoje a respeito dos verbos

remember, forget, e try.

Lembre-se de que no período de Inglês Medieval o infinitivo representa 87% de todas as ocorrências de complementos indefinidos pelos dados. No período do Early Modern

English, a proporção diminui para 82%, mas o número total de verbos usados com infinitivo

continua crescendo (28 dos 40 estudados que foram em uso no século XVI). No Inglês Moderno, o infinitivo consta como apenas 54% de todos os complementos no bdHB, apesar do seu uso com cada vez mais verbos. Destaque-se que há muito mais verbos que podem ser complementados com o infinitivo do que com o gerúndio na língua inglesa atual. Não será possível estudar todos eles. Porém, sua frequência nos corpora da língua inglesa vem aumentando, bem como o gerúndio. Os dados indicam que o ciclo de realimentação dos passos ilustrados pela figura 10 acima foi iniciado no Inglês Arcaico para o complemento infinitivo e no século XIV para o gerúndio. Cerca de 1850 os dois tipos de complemento indefinido começaram a ser usados com significados diferentes, processo discutido na seção 5.6.2.