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Caracterização dos idosos do Centro de Dia

CAPÍTULO 1. ANÁLISE DA REALIDADE

1. Centro Social e Paroquial do Santíssimo Sacramento

1.2. Caracterização dos idosos do Centro de Dia

O Centro de Dia – Casa-Acolhimento Santa Marta é frequentado por 22 idosos residentes na área geográfica da paróquia ou numa área adjacente, sendo maioritariamente do género feminino (n=21) 7.

A idade dos idosos está compreendida entre os 61 e 89 anos, apresentando uma média de idade de 80 anos. Relativamente ao estado civil, predominam as pessoas viúvas (n=18). Quanto às habilitações literárias, a maioria dos idosos (n=16) não tem qualquer tipo de estudo, são analfabetos; um tem a antiga 2ª classe; um tem a antiga 3 ª classe; dois têm a antiga 4ª classe; um a antiga 7ª classe e um tem formação superior na área da educação.

As profissões desempenhadas por estes idosos foram também diversificadas, designadamente: apanhadeira de malhas de meias, empregada doméstica, costureira, engomadeira, modista, rececionista, empregada auxiliar, trabalhador na lavoura, entre outras.

No que concerne às questões de mobilidade, a maioria dos idosos apresenta autonomia, sendo capaz de desempenhar determinadas atividades ou funções em diferentes áreas e de cumprir as tarefas de vida quotidiana. Além disso, a maioria dos idosos revela autonomia e capacidade para interagir socialmente e realizar atividades de lazer.

Relativamente às questões clínicas, importa referir que alguns idosos têm problemas de diabetes, tensão, surdez, cardíacos e um historial de acidentes vasculares cerebrais. Em determinados idosos, a técnica superior de serviço social afirma que estão a desenvolver patologias neurológicas como Parkinson e Alzheimer.

Por fim, em relação às redes de apoio familiar, a maioria destes idosos identifica os filhos como a principal fonte de apoio, discursando: “Vivo com a minha filha”; “Vivo só, mas o meu filho vive a cinco minutos e está sempre presente”; “Todas as semanas estou com os meus filhos”, seguindo-se o marido/mulher (“Tenho os meus filhos mas a minha companhia é o meu

7 Apêndice 3:Casa-Acolhimento Santa Marta: caraterização dos idosos.

marido”). Posteriormente o genro/nora, sendo referido por uma idosa “A mulher do meu filho ajuda-me muito, nas consultas, no pagamento das despesas de água e luz…” e, em casos pontuais, são identificados os vizinhos (“Eu não tenho ninguém, sou viúva e não tive filhos. A minha companhia é o Centro de Dia e os vizinhos”).

O presente projeto mobilizou e implicou a participação de um grupo de dez idosas que serão seguidamente identificadas por siglas para proteger a sua identidade pessoal. Contudo, importa referir que as idosas concederam autorização para a publicação da imagem que, por vezes, é apresentada no registo fotográfico das atividades (D. AM8; D. LA9; D. CA10; D. CE11; D. LU12; D.

LUI13; D. CAR14; D. GL15; D. EM16 e D. GR17.).

Ao longo das interações, da observação participante, dos diálogos, das conversas intencionais com os idosos foi possível explorar e conhecer um pouco das suas histórias de vida, seguidamente descritas.

A D. AM tem 86 anos, é viúva e, profissionalmente desempenhou funções como “apanhadeira de malhas de meias”. Referiu não ter estudado “porque era uma criança doente e faltava muito à escola”. Contudo, sabe “ler e escrever o nome e pouco mais”. A sua frequência no Centro de Dia é por iniciativa própria e deve-se ao facto de viver sozinha e ter mobilidade reduzida. Assim, segundo a D. AM, no Centro de Dia “distrai-se e tem um pouco de convívio”.

Relativamente aos seus gostos, partilhou que gosta de “pintar (bem ou mal) e conversar”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “amiga, teimosa e respeitadora”

e reflete ser uma pessoa muito comunicativa e acessível.

8 Anexo 5: Declaração de consentimento D. AM.

9 Anexo 6: Declaração de consentimento D. LA.

10 Anexo7: Declaração de consentimento D.CA.

11 Não existe declaração de consentimento da D.CE porque à data em que foi solicitado já não frequentava a Casa-Acolhimento Santa Marta.

12 Anexo 8: Declaração de consentimento D.LU.

13 Anexo 9: Declaração de consentimento D. LUI.

14 Anexo 10: Declaração de consentimento D. CAR.

15 Anexo 11: Declaração de consentimento D. GL.

16 Anexo 12: Declaração de consentimento D. EM.

17 Anexo 13: Declaração de consentimento D.GR.

A D. LA tem 80 anos, é viúva, e mulher de vários ofícios: trabalhou no campo, foi empregada doméstica e, durante quarenta anos, foi ajudante de cozinha. Referiu que estudou até à antiga 3ª classe mas desistiu para ir trabalhar. Está no Centro de Dia por vontade do filho, referindo que “embora passe o dia sozinha, queria estar em casa a organizar a minha vida”. No que se refere aos seus gostos, partilhou que gosta de “pintar desenhos, mas aprendo facilmente e faço qualquer coisa”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “amiga, refilona, direta e fechada”, demonstra ser uma idosa reivindicativa e pouco comunicativa.

A D. CA tem 81 anos, é divorciada, estudou até à antiga 4ª classe, ao longo da sua vida fez “trabalhos de costura e passou a ferro”. Frequenta o Centro de Dia porque diariamente estava sozinha e, “quando ia a rua, caia muitas vezes”

face à sua reduzida mobilidade. Contudo, refere viver com a filha de 48 anos que se encontra desempregada e a procurar trabalho e, por isso, passa pouco tempo em casa. Quanto aos seus gostos indicou gostar de “pintar desenhos, jogos e atividades que possa realizar sentada devido aos seus problemas de saúde”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “amiga, bem-disposta e reservada”, demonstra ser muito observadora e pouco comunicativa.

A D. CE desconhece-se a sua idade, por não gostar de celebrar o seu aniversário, é freira e desempenhou funções como missionária e professora no ensino primário em Angola e em Portugal. Frequenta o Centro de Dia por iniciativa própria porque “não tenho família no Porto só em Lisboa e passava os dias sozinha”. Quanto aos seus gostos partilha gostar de muitas atividades como: “tocar viola e piano, jogos, orar, cantar, contar anedotas e adivinhas e ginástica”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “sem maldade, amiga do seu amigo e inimigo e meiga”, refletindo ser uma idosa muito dinâmica, participativa e comunicativa.

A D. LU tem 78 anos, é viúva, estudou até à antiga 4ª classe e foi costureira de malhas ao longo da sua vida. Frequenta o Centro e Dia porque vive sozinha e, como sofreu um acidente vascular cerebral os filhos preferiram que frequentasse o centro. Contudo, afirma que gosta “muito de estar aqui porque assim passo melhor o tempo e estou com pessoas”. No que se refere aos seus gostos, gosta de “pintar desenhos, jogos, qualquer coisa…”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “teimosa, bem-disposta, amiga e simpática”, reflete-se numa pessoa observadora e comunicativa.

A D. LUI tem 61 anos, é viúva e foi empregada auxiliar na Ordem do Carmo.

A nível de habilitações literárias afirmou ter concluído o antigo 7º ano.

Frequenta o Centro de Dia por iniciativa própria porque tem um historial clínico recorrente de acidentes vasculares cerebrais (apresentando algumas sequelas ao nível da linguagem expressiva) e “porque passava o dia sozinha”.

Relativamente aos seus gostos partilhou que “gosto de jogos, dança, leitura e escrita”. Além disso, referiu que “não gosta muito de pintar desenhos mas gosto de pintura”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “refilona, gozona e simpática” e demonstra ser muito participativa, acessível e comunicativa.

A D. CAR tem 79 anos, é viúva e sempre trabalhou no campo, revelando que nunca estudou ou entrou numa escola. Encontra-se a frequentar o Centro de Dia por iniciativa própria, referindo que “vivo com um neto, a mulher e os respetivos filhos mas não quero estar em casa a olhar para eles”. No que se refere aos seus gostos, partilhou gostar de atividades realizadas em grupo,

“adivinhas, cantar, pintar desenhos e jogos”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “bem-disposta, amiga e preocupada com os outros”, transparece-se como uma pessoa reivindicativa, participativa, acessível e comunicativa.

A D. GL tem 89 anos, é viúva, foi modista e rececionista, indicando ter a

“antiga 2ª classe”. Referiu que frequenta o Centro de Dia porque vive sozinha e não tem capacidades para organizar o seu dia a dia, bem como para fazer as suas atividades da vida quotidiana de forma autónoma. Quanto aos seus gostos refere “a leitura e a escrita”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “simples, ingénua e humilde” e demonstra ser reservada.

A idosa E.M. tem 86 anos, sempre trabalhou como empregada doméstica e nunca estudou. Depois de casar deixou de trabalhar fora para tratar exclusivamente da sua casa e dos seus filhos. Atualmente, continua casada e vive com o marido. Frequenta o Centro de Dia por iniciativa própria e afirma

“gosto de vir para o Centro de Dia porque assim estou entretida e o meu marido também tem as coisas dele em casa para se entreter.” No que se refere aos seus gostos revelou serem “jogos e ver televisão”, além disso, “gosto de estar na boa vida, comecei muito pequenina a trabalhar”. Caracteriza-se por ser uma pessoa “amiga do seu amigo, tranquila, sossegada e simpática”, reflete-se numa pessoa calma e pouco comunicativa.

A D. GR desconhece-se a sua idade, é divorciada e, como profissão fez malas, carteiras e sacos de viagem. Em relação às suas habilitações literárias,

estudou até à “antiga 3ª classe” e refere que, embora “o meu pai tivesse muito gosto em que continuasse a estudar, eu não quis”. A sua frequência no Centro de Dia advém da sua própria iniciativa e deve-se ao facto de viver sozinha.

Contudo, partilhou que o filho vive a cinco minutos de sua casa. Quanto aos seus gostos aprecia “todos os trabalhinhos manuais que apareçam”.

Caracteriza-se por ser uma pessoa “reservada, amiga e calma” e revela ser uma pessoa reservada e pouco comunicativa.