4 O PROEJA NO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E
4.1 Percurso metodológico
4.1.3 Caracterização dos participantes no estudo
Existiu de nossa parte a preocupação em selecionar alunos do último semestre de um curso do PROEJA, com experiências variadas e conhecedores do fenômeno estudado, a fim
de garantir a diversidade para, a partir desta, interpretar criteriosamente o conteúdo manifestado na fala dos sujeitos.
O grupo pesquisado teve uma composição homogênea (alunos do P6 – sexto período – do curso de Refrigeração e Climatização – PROEJA), preservando certas características heterogêneas –(experiência escolar e profissional), nos permitindo um balanço entre a uniformidade e diversidade do grupo, com sujeitos com diferentes opiniões em relação ao tema discutido, atendendo assim, ao objetivo da técnica metodológica em obter não uma representação quantitativa de diferentes opiniões e setores, mas sim o relato de cada aluno sobre o objeto da pesquisa.
O critério de escolha dos entrevistados, em número de treze foi intencional. Todos eram alunos do curso de Refrigeração e Climatização do PROEJA, área da Indústria, cursando o último período (P6) da matriz curricular, sendo identificados pela sigla A – nº x, conforme o quadro a seguir:
Quadro 3 – Caracterização socioeconômica dos participantes
ALUNOS SEXO IDADE ESCOLARIDADE EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
A1 M 34 Ensino fundamental Mecânico industrial A2 F 38 Ensino fundamental Não informou A3 M 24 Ensino fundamental Técnico em refrigeração A4 M 32 Ensino fundamental Assessor comunitário A5 M 36 Não informou Não informou A6 M 25 Ensino fundamental Industriário
A7 M 30 Não informou Vendedor
A8 M 28 Ensino fundamental Auxiliar de refrigeração A9 M 31 Não informou Não informou A10 M 28 Ensino fundamental Não informou A11 M 43 Ensino fundamental Não informou A12 M 28 Ensino médio Não informou A13 M 42 Ensino fundamental Operador de manutenção Fonte: Elaboração própria.
Sendo uma pesquisa de natureza qualitativa, não houve a inquietação quanto ao critério numérico a fim de garantir sua representatividade. A profundidade da informação revelada pelo conteúdo das falas dos sujeitos, a convergência de informações, as vivências e
experiências levam à compreensão mais clara da natureza e da dinâmica do fenômeno, alvo de observação obtida no grupo focal e nas entrevistas semiestruturadas.
O clima relaxado das discussões, a confiança dos participantes em expressar suas opiniões, a participação ativa e a obtenção de informações não foram limitadas pelos nossos pontos de vistas e concepções sobre o tema tratado. A qualidade das informações obtidas possibilitou a elaboração de um plano descritivo das falas dos alunos, que consistiu na apresentação das ideias expressadas, bem como dos apoios e destaques para diferenças entre as opiniões e discurso. Ao final, preparamos um relatório acentuando as relações entre os elementos identificados, pontuando e avaliando as interpretações dos participantes, o que permitiu agrupar os fragmentos dos discursos de acordo com as categorias identificadas.
A seleção da entrevista semiestruturada, segunda técnica que subsidiou o recolhimento de dados, por sua vez, ocorreu no sentido de conferir maior latitude na resposta ao entrevistado, embora todos os inquiridos fossem sujeitos às mesmas questões, permitindo assim “[...] enumerar de forma mais abrangente possível as questões que o pesquisador quer abordar no campo, a partir de suas hipóteses ou pressupostos, advindos, obviamente, da definição do objeto de investigação.” (MINAYO et al, 1994, p. 121).
Para tanto, utilizamos um roteiro para a entrevista semiestruturada, tendo como objetivo servir de guia, e não um instrumento de cerceamento para o entrevistado. Ao articular questões abertas e estruturadas, a entrevista semiestruturada possibilita uma abordagem livre, sem rigidez na formulação das questões, em um roteiro composto por poucas questões. Neste sentido, a tal entrevista semiestruturada num mecanismo para orientação de uma “conversa com finalidade”, um facilitador de abertura, de ampliação e de aprofundamento da comunicação (MINAYO et al, 1994 p. 99). O roteiro, estruturado com sete questões, teve a finalidade de apreender o ponto de vista dos alunos, com perguntas fundamentais para a compreensão da realidade empírica, porém conservando abertura e flexibilidade capazes de descobrir as particularidades da realidade empírica. Tais questões, apresentadas abaixo, não descartaram a possibilidade de o entrevistador acrescentar outras que entendesse como relevante ou que o diálogo com o aluno assim o requeresse:
1) O que motivou você a ingressar em um curso do ensino médio integrado ao curso Técnico de Refrigeração na modalidade de jovens e adultos?
2) Ao concluir o curso você será certificado com uma formação geral e com competências para atuar como profissional de nível técnico em refrigeração. O que você espera em relação ao mercado de trabalho e sua vida pessoal?
3) Qual a importância que você atribui ao curso e à certificação, no sentido do crescimento profissional, pessoal e social?
4) Qual a sua expectativa em relação à formação e ao mundo do trabalho, no que diz respeito à oferta de vagas nessa área?
5) Você acha que o PROEJA está lhe preparando para sua efetiva inclusão no mundo do trabalho de forma a contemplar a integração aos novos processos de trabalho?
6) Existe uma formação humana integrada à técnica que lhe permite participar de forma ativa na sociedade?
7) Qual o balanço que você faz da sua formação, pelo programa, no curso de Refrigeração e Climatização, e a possibilidade de inclusão no mundo do trabalho?
Na generalidade dos casos, a integração de cada entrevistado foi precedida de conversas informais que proporcionaram a possibilidade de apurar a disponibilidade do aluno em participar da entrevista.
O grupo focal e as entrevistas decorreram durante o período de setembro a dezembro de 2010, após terem sido recolhidos, e sumariamente tratados os dados secundários. As entrevistas foram realizadas em diferentes espaços, com predominância nas salas de aulas. Em todos os casos, foram colocados os objetivos e procedimentos de pesquisa e obtida autorização prévia para filmar e gravar as técnicas utilizadas para coleta de dados: grupo focal e entrevistas. Vale observar, no entanto, que apesar da utilização de um aparelho de pequenas dimensões como um gravador, numa tentativa de que este não se revelasse tão obstrutivo, alguns alunos sentiram-se intimidados com a sua presença. Com efeito, ressaltamos a influência dos fatores contextuais, sem, contudo, minimizar a objetividade dos discursos efetuados. Durante a investigação empírica, levamos em consideração o fato de que a realização de uma entrevista resulta numa circunstância de interação social particular sujeita a diferentes leituras e avaliações de ambas as partes.
As falas dos entrevistados foram transcritas na íntegra a fim de facilitar a sua análise e convocar os aspectos julgados pertinentes. Cada entrevista foi devidamente identificada, complementada com um breve comentário pessoal relativo à pertinência do seu conteúdo, sendo utilizados os recursos do Microsoft Word para configurar as páginas transcritas e numerar as linhas, o que facilitou a identificação exata dos pontos considerados relevantes.
A transcrição dos dados foi efetuada em duas etapas: a primeira consistiu em produzir uma versão preliminar, e a segunda constou da minuciosa revisão dessa transcrição a fim de compreender e situar todos os pontos de vista possíveis e, ao mesmo tempo, identificar ritmo, entonação, atitudes e expressões que caminham junto a um relato oral e que muitas vezes são limitados na transcrição. Transcritos os dados, estes foram ordenados de acordo com os passos propostos pela pesquisa qualitativa, segundo a análise de conteúdo proposta por Bardin (2004).
A investigação, tal como delimitada, volta-se para a análise da efetividade do PROEJA, e quais as potencialidades de inclusão sociolaboral dos seus alunos em decorrência das atuais exigências por certificações profissionais de formação contínua. Por isso, não interessa à investigação saber qual a eficácia e eficiência do projeto pedagógico e currículo do curso de Refrigeração e Climatização do PROEJA. Tal investigação implicaria a elaboração de entrevistas junto aos professores, coordenadores de curso e gerentes de área, além de empresários para aferir se o curso atende aos interesses do mercado de trabalho ou é direcionado a incluir socialmente os futuros trabalhadores.