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3 O SUAS EM BARRA DO BUGRES E A PARTICIPAÇÃO DO USUÁRIO

3.2 CARACTERIZAÇÃO DOS TÉCNICOS E GESTORAS DO MUNICÍPIO DE BARRA DO BUGRES

A caracterização dos técnicos e gestoras entrevistados não se deu por meio de classificações por sexo, idade, formação profissional (específica), cargo/função, tempo de atuação no município, uma vez que isso poderia identificar os sujeitos de pesquisa, e não é essa intenção desse estudo. Ao contrário, o objetivo é manter sigilo dos entrevistados para resguardar a identidade dos profissionais que ainda estão em intervenção no município.

Porém, é necessário esclarecer, de forma geral, que os seis (6) técnicos entrevistados possuem formação na área de psicologia, serviço social ou pedagogia, alguns destes estão desenvolvendo suas funções como técnicos do setor conforme a formação de cada um e outros como coordenadores da unidade de CRAS.

Entrevistamos alguns técnicos que, hoje, não estão atuando nas unidades de

proteção social básica do município, mas considerando o tempo de atuação profissional na política de assistência social em Barra do Bugres, julgamos pertinente, acreditando na contribuição de suas informações.

Em relação às gestoras, entrevistamos duas (2) e quanto à identificação do gênero, não vimos problemas, uma vez que esse cargo na assistência social sempre foi assumido por uma mulher. Tal fato evidencia uma característica marcante, e que ainda permanece no contexto da Política de Assistência Social que é primeiro-damismo.

Trata-se de uma realidade que não é apenas de Barra do Bugres, mas predominante em Mato Grosso. Sobre isso, Sposati (2002, p. 12) afirma que além de incompatível com a noção republicana de cidadania [...] trata-se da prevalência da cultura do patriarcado presente na sociedade brasileira, já que o titulo de primeira-dama é eminentemente feminino.

Esse aspecto influencia na própria execução da política que tende a assumir um caráter assistencialista e imediatista na contramão do que vem preconizando as legislações e normativas do Suas e sua operacionalização. Assim, no debate nacional, a permanência do primeiro-damismo é questionável a partir do fundamento da necessidade de ruptura com o perfil clientelista e assistencialista que a Política de Assistência Social assumiu ao longo de sua história.

Sobre a equipe técnica dos CRAS de Barra do Bugres foi possível identificar a quantidade de funcionários por unidade, a partir de informações cedidas pelos funcionários da Secretaria Municipal de Barra do Bugres. No CRAS Maracanã, localizado ao lado da Secretaria Municipal de Assistência Social, existem nove (9) profissionais, entre técnicos de nível superior e nível médio. E no CRAS União, dez (10) funcionários.

Conforme normatiza a NOB-RH/SUAS, a proteção social básica deve ter uma equipe de referência para a prestação de serviços e execução das ações no espaço dos CRAS. Essa equipe de referência deve contar com um coordenador, e esse deve ter o seguinte perfil: técnico de nível superior, concursado, com experiência em trabalhos comunitários e gestão de programas, projetos, serviços e benefícios socioassistenciais. Sobre o quantitativo dessa equipe, segue o quadro com base nos portes dos municípios:

Pequeno Porte I Pequeno Porte II Médio, Grande,

2 técnicos de nível médio 3 técnicos de nível médio 4 técnicos de nível médio

Fonte: NOB-RH/SUAS

A partir desse quadro, cumpre pensar a realidade de Barra do Bugres quanto ao seu quadro de funcionários a fim de analisar se está em conformidade com as exigências do MDS. O município se caracteriza por Pequeno Porte II, e está em gestão plena.

Com base nas informações coletadas na Secretaria Municipal de Assistência Social o quadro de funcionários no CRAS União do município tem a seguinte composição técnica: um (1) coordenador nível superior e comissionado, um (1) assistente social contratado, um (1) psicólogo contratado, um (1) pedagogo contratado (apenas 20h, pois divide sua carga horária com outro CRAS), um (1) escriturário7 nível médio, um (1) recepcionista nível médio, um (1) orientador social nível médio (20h, pois divide a carga horária), um (1) artesão social nível médio comissionado, um (1) contínuo8 concursado.

No CRAS Maracanã de Barra do Bugres a equipe é formada por: um (1) coordenador nível superior concursado, um (1) assistente social contratado, um (1) psicólogo concursado, um (1) pedagogo contratado (apenas 20h, pois divide sua carga horária com outro CRAS), um (1) escriturário nível médico comissionado, um (1) orientador social nível médio (20h, pois divide a carga horária), um (1) artesão desempenham a função de serviços gerais e nesse caso, da limpeza e cozinha.

período em que estivemos no município para coleta dos dados com os usuários do Suas, essa profissional estava desenvolvendo o Curso de Culinária com as famílias referenciadas nos CRAS Maracanã e União. E o objetivo é que ela continue desenvolvendo os cursos de inclusão produtiva junto aos CRAS do município.

É importante destacar que o município possui uma extensa área rural com comunidades quilombolas, uma aldeia indígena e assentamento e distritos. Para tanto, a fim de atender essa demanda, conta com dois CRAS Volantes em sua estrutura, e as equipes estão lotadas cada uma em uma unidade de CRAS. Porém, desde junho de 2014, o CRAS Volante/Maracanã está sem técnico de referência e nessa situação, o assistente social responsável pelas ações do CRAS Volante, lotado no CRAS União está atendendo, provisoriamente, toda a demanda do município.

Conforme dados de junho de 2014, essa equipe conta com um (1) assistente social contratado e um (1) escriturário também contratado, que quando não está atendendo ao CRAS União, acompanha o técnico nas visitas às famílias da zona rural do município. Logo, conta com apenas um técnico exclusivo.

Em suma, conforme observado com os dados, no CRAS Maracanã, somente o coordenador e o psicólogo são concursados, os demais profissionais se enquadram como comissionados e contratados. Já no CRAS União, apenas o servidor que ocupa a função de contínuo é concursado. Esse dado retrata a precarização do trabalho no contexto da reestruturação produtiva.

Vale pontuar que essas informações referentes à realidade atual da composição técnica dos funcionários das unidades de proteção social básica não condizem com os dados inseridos no CADSUAS. Assim identificamos funcionários que ainda constam no sistema do CADSUAS, mas não estão mais nas unidades, por vários fatores. Há profissionais que já se aposentaram, outros não estão mais na Secretaria de Assistência Social e nem mesmo no município, e há trabalhadores que mudaram de setor.

Percebemos que alguns profissionais estão na composição dos recursos humanos dos CRAS, mas fazem parte da equipe que compõem a Secretaria Municipal de Assistência Social. Tal fato nos causa curiosidade e estranheza e infelizmente essas informações foram analisadas posteriormente a ida ao campo de pesquisa, o que nos impossibilitou até pela falta de tempo hábil, questionar à gestão responsável pelas informações constantes no sistema.

Esclarecemos que a intenção aqui é elucidar possíveis contradições entre nossa pesquisa em campo constatou. Procuramos reproduzir nesse quadro uma leitura dos resultados quantitativos.

Exigências da NOB-RH/SUAS para Município de Pequeno

Porte II – Barra do Bugres

CRAS Maracanã CRAS União

Até 3.500 famílias referenciadas Até 3.500 famílias referenciadas

3 técnicos de nível médio 3 técnicos de nível médio 4 técnicos de nível médio 1 coordenador concursado 1 coordenador concursado 1 coordenador comissionado

Fonte: dados da pesquisadora

Assim, a partir da NOB-RH/SUAS os CRAS de Barra do Bugres atendem, parcialmente, as exigências técnicas em relação à composição de sua equipe, pois cada CRAS tem um (1) assistente social e a normativa exige dois (2). Quanto ao

Para melhor fundamentar a caracterização desse processo inicial do Suas no município de Barra do Bugres, julgamos necessário utilizar informações do