2. Contextualização da prática
2.2. Contexto de Natureza Funcional
2.2.2. Caracterização e funcionamento da equipa técnica
desportiva de 2015/2016, foi constituída por um treinador principal, um treinador adjunto e um treinador estagiário. Contudo, o treinador adjunto demitiu-se das suas funções ainda numa fase precoce do campeonato (1ª volta), não tendo o clube, contratado alguém para ocupar o seu lugar. Deste modo, eu, enquanto treinador estagiário, tive que agregar a essas mesmas funções, o papel que era desempenhado pelo treinador adjunto. Neste sentido, durante quase toda a época desportiva, a equipa técnica foi constituída por dois elementos.
13
O treinador principal, natural de Mirandela e Licenciado no 2º Ciclo na Escola Superior de Educação Jean Piaget e Mestrado no 3º Ciclo e Secundário na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, contava com uma vasta experiência no seio do contexto do Leixões SC. De tal modo que, após a saída do treinador do escalão de Sub 19, passou a ser o treinador com mais anos no clube. O seu percurso no clube teveinício com uma experiência como treinador principal no escalão de Sub 13, tendo, a partir desse momento, subido progressivamente de escalão até chegar ao escalão de juniores. Antes de iniciar este trajeto, colaborou ainda com alguns clubes, como observador de jogadores. Nesta experiência, é de realçar a sua colaboração com o Sport Clube de Mirandela, clube que milita no Campeonato de Portugal, e no qual ainda colabora quando solicitado.
Em relação ao treinador adjunto, dado ter tido uma passagem curta pelo clube, não penso que se torne relevante realizar uma extensiva caracterização do mesmo. Apenas de referir que assumiu as funções no clube oriundo dos juniores do Clube União Desportiva Leverense.
Por último, o treinador estagiário, sendo a minha pessoa, de referir que era Licenciado em Desporto na FADEUP, estando a realizar o estágio no âmbito do Mestrado em Treino de Alto Rendimento Desportivo.
De seguida, iremos abordar a organização e interação entre os elementos da equipa técnica, ou seja, de que modo o trabalho era organizado entre ambos, bem como a distribuição das respetivas funções.
Neste ponto, parece-me pertinente iniciar a descrição das funções e tarefas atribuídas, considerando apenas a equipa técnica após a saída do treinador adjunto, dado que, como referido anteriormente, este encontrou-se pouco tempo ao serviço do clube. Posto isto, iremos começar esta abordagem com as funções atribuídas ao treinador estagiário/adjunto.
O treinador principal, aquando da primeira reunião comigo (treinador estagiário/adjunto), transmitiu de imediato o que pretendia para o treinador estagiário. Por experiências vivenciadas no passado, referiu que não pretendia
14
ter um treinador estagiário que estivesse apenas preocupado em tirar apontamentos sobre o trabalho realizado, mas sim uma pessoa capaz de o ajudar no trabalho prático, no trabalho de campo, quer fosse intervindo diretamente ou indiretamente no treino.
Posto isto, numa fase inicial, as minhas funções enquanto treinador estagiário, prendiam-se, essencialmente, com a ministração do período inicial dos treinos e dos jogos, o aquecimento. Acrescendo a estas funções, visto realizar também o papel de treinador adjunto, foi-me dada a liberdade de participar no processo operacional do treino. Ou seja, geralmente, reuníamos para discutir acerca dos princípios e subprincípios de jogo que deveríamos treinar, bem como para criar os respetivos exercícios. Neste ponto, era-me permitido criar exercícios e levá-los para o treino, para os apresentar ao treinador principal, ficando de seguida, ao critério do mesmo, transportar ou não, algumas das ideias exibidas para o treino. Em relação a este aspeto, pelo facto de termos abordagens ao treino bastantes diferentes, que serão aprofundadas mais à frente, existiu sempre da parte do treinador principal alguma reticência em transportar algumas das minhas ideias para o treino. Principalmente, no que diz respeito à conceção dos exercícios.
As funções do treinador principal relacionavam-se, essencialmente, com as questões de gestão de todo o processo de treino. As decisões finais cabiam- lhe sempre a ele, desde os conteúdos a serem treinados até à criação de exercícios, bem como as questões de gestão de grupo.
Em dias de jogo, o treinador principal, via-se muitas vezes sozinho no banco, pois visto não termos nenhum treinador adjunto para as filmagens dos jogos, conforme estava planeado no início, essa função teve de ser delegada por mim. Apesar da vontade do treinador principal ser a de estarmos os dois presentes no banco de suplentes. Contudo, devido a alguns fatores tais como: o tema do trabalho desenvolvido por mim no âmbito do relatório de estágio, tive de optar por em alguns jogos não ir para o banco de suplentes e realizar a respetiva filmagem do jogo. Esta situação revelou-se como sendo a principal razão de não conseguirmos obter um maior número de filmagens dos nossos respetivos jogos.
15
Habitualmente, quando não presente no banco, durante o tempo de intervalo procurava sempre estar presente no balneário. Nesse momento, eu e o treinador principal tínhamos sempre um pequeno diálogo, de alguns minutos, sobre alguns aspetos de jogo dos quais eu poderia ter tido a perceção “do lado de fora”. Posteriormente, o treinador principal transmitia à equipa os respetivos feedbacks.
De referir, igualmente, que na ausência do treinador principal, estas tarefas eram delegadas por mim, tendo que assumir o controlo do processo. Tal como aconteceu, em alguns treinos e em alguns jogos.
De realçar, também, que numa fase mais avançada da época desportiva, as reuniões que realizávamos, com o objetivo de planear e organizar o processo de treino, tornaram-se cada vez menos numa constante, devido à falta de tempo do treinador principal. Logo, a estratégia adotada, foi a de definir antecipadamente os princípios e subprincípios de jogo que pretendíamos treinar, e cada um pensar e criar exercícios em casa para treinar os conteúdos que tínhamos definido. Depois no dia do treino, encontrávamo-nos cerca de 1h antes da hora do início da sessão, de modo a discutir as propostas de exercícios de cada um, e definir a sessão de treino.